sexta-feira, 31 de maio de 2013

- NÃO SENTIR DOR. ISTO É BOM?



Nascida na Inglaterra, Elizabeth Andrews amanheceu certo dia com a perna 
inchada. Como não se queixara de nada que justificasse tal inchaço, o médico 
da família considerou tratar-se de reumatismo infantil. Mas a tumefação 
manteve-se e até agravou-se. Meses se  passaram sem que nada mudasse e 
os médicos resolveram radiografar a perna doente. Espantados constataram 
que a menina houvera quebrado vários  ossos do tornozelo. Durante todo esse 
tempo a jovem não sentira qualquer dor. Elizabeth é uma das 12 pessoas no 
mundo que, nos últimos cem anos, nunca experimentaram a sensação de dor. 
Em situações que em outras pessoas provocariam gritos alucinantes, ela se 
mantinha inalterável como se nada tivesse acontecido.
Um outro indivíduo, contado entre os 12 insensíveis a dor catalogados nos 
últimos cem anos, também vivia na Inglaterra e tinha o apelido curioso de 
"Alfineteira Humana". Com 50 anos de idade confessou, um belo dia, que só 
sentira alguma dorzinha em 3 momentos ao longo de toda a sua vida: a primeira 
aos 7 anos quando foi atingido por um machado na cabeça; a segunda aos 
14 anos quando sentiu uma picada durante os procedimentos médicos para 
retirar um chumbo da perna esquerda que houvera sido baleada acidentalmente 
durante uma caçada e a terceira, aos 16, sentiu leves dores quando o médico lhe 
colocou no lugar, sem anestesia, uma perna quebrada.


Pessoas comuns, apriorísticamente, 
poderiam desejar ser um desses 
indivíduos insensíveis à dor, mas a 
verdade é que tal insensibilidade 
seria imensamente prejudicial à 
sua segurança. Sem a dor, por 
exemplo, nunca detectaríamos um 
iminente ataque de apendicite a 
tempo de tratá-la para evitar uma 
mortal peritonite. A dor, portanto, 
é um eficiente sistema de alarme 
natural que atua quando o organismo 
corre perigo. A maior parte dos 
seres humanos experimenta duas 
espécies de dor. O indivíduo que 
coloque a mão numa chaleira 
fervente, por exemplo, sentirá, 
imediatamente, uma dor curta e 
aguda, que o levará a soltar 
incontinente o utensílio. 




Segue-se, então, o segundo tipo de dor, esta contínua que permanecerá até que 
o ferimento seja adequadamente tratado e comece a sarar. Ambos os tipos de 
dor são conduzidos ao cérebro pela medula espinal mas cada um tem o seu 
próprio sistema nervoso independente. O primeiro é transmitido rapidamente ao 
cérebro por intermédio de uma rede de pequenos nervos revestidos por um tecido 
chamado "Fibras Delta-A", que comunicam ao cérebro a ocorrência, a fim de 
permitirem a rápida reação do organismo. O latejar da queimadura chega ao 
cérebro mais lentamente, através de nervos não protegidos, chamados 
"Fibras C". Faz o cérebro tomar conhecimento de que a mão foi queimada  e 
que a dor continuará até que o ferimento seja tratado e sare.Há, porém, um 
mistério no cérebro. Algumas pessoas tem um elevado limiar à sensação da dor, 
suportando-a melhor que outras. E, por fim, como explicar a ausência total de dor, 
quando sob trauma, como aconteceu comigo após ser massacrado em um 
acidente de carro, sofrido e narrado em publicações anteriores?...

Um ótimo final de semana a todos.
Grande abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe