sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

EM BUSCA DE AVENTURA - III



Ao comprar, aqui em Salvador, o carro que nos serviria durante nossas estadas
na cidade de Porto Velho, o mais simples seria colocá-lo na carreta que tínhamos
para transporte dos tratores e equipamentos, e mandar levar. Mas esta providência
seria muito simples para mim que adoro aventura. Resolvi, então, eu mesmo, levar
o Santana ( na ocasião uma das melhores " carroças " - nas palavras do Fernando
 Collor de Mello - montadas no Brasil ).
 Ignorando tudo a respeito do percurso até Porto Velho
( somente conhecia as estradas até Brasilia ), iniciei a viagem numa bela manhã
de segunda-feira, imaginando que chegaria ao meu destino, no máximo, em quatro
dias. No primeiro dia, almoçei em Ibotirama, cidade baiana localizada às margens
 da Rodovia BR 242 e do " Velho Chico " e prossegui, pela mesma rodovia, até
 chegar à cidade de Posses, já em território goiano, onde parei para pernoitar. Reiniciei
 a viagem na manhã seguinte, rumo à Goiânia, onde deveria dormir no segundo dia.
 A jornada continuou bem cedinho, rumo à capital do Mato Grosso, Cuiabá
Este já era o terceiro dia...

Continua na próxima postagem.......

Bom final de semana a todos, feliz carnaval e
Grande abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

- EM BUSCA DE AVENTURA - II -


                                              Meu " trofeu " exibido com vergonhoso orgulho...
                                                     - nesse tempo a caça não era proibida -

Ah! Porto Velho... Quantas recordações! Logo começamos a fazer amigos e
amigas. A vida social era uma festa só. Cidade cosmopolita, atraindo à época
muitos e variados profissionais  principalmente ligados à área do agronegócio,
apresentava muitas oportunidades aos empreendedores que quisessem trabalhar.
Para tal, contavam com incentivos governamentais em formas de empréstimos
baratos e a longo prazo, além da possibilidade de captação de recursos por
intermédio da SUDAM, abatíveis do imposto de renda das Pessoas Jurídicas
interessadas em investir na região. O desmatamento era visto como
benefício imprescindível e urgente para o desenvolvimento. Substituir a floresta
nativa e intocada por pasto ou produtos agrícolas, principalmente o cacau, 
representava um sinal de patriotismo e abnegação. Quanto mais célere a
derrubada acontecia, mais admirado e elogiado era o empresário e
empreendedor. A meta do Governo girava em torno do lema " integrar para
não entregar ".  Ariquemes passou a se destacar na produção de cacau, assim
como já era referência nacional o município de Cacoal, na produção de café.
Mas, nem só de trabalho duro era feita a vida. Nem só a malária - endêmica na
região -, se pegava por lá... Aos domingos nos reuníamos em nossa casa ou
nas casas ou chácaras dos amigos, para um churrasco ou simplesmente para
conversar e trocar experiências. Numa dessas reuniões, na chácara de um
amigo que era o gerente regional da Varig, ocorreu um episódio marcante que
vale a pena ser narrado. Estávamos numa animada roda de papo descontraído,
quando chegou, meio espavorido, um dos empregados da chácara. Anunciava,
espantado, a descoberta, às margens do igarapé que serpenteava pelo
terreno, de uma " descomunal " - foi este o termo que ele usou - cobra,
possivelmente " sucuriju " ( sucuri ), enrolada e comendo um animal que não
deu pra identificar. Fomos até o local e constatamos, na margem oposta, um
" rolo " enorme de cobra. Como naquele tempo não era proibida a caça, peguei
o carro e fui até nossa em casa buscar uma espingarda de caça submarina que
mantinha lá, esperando por uma pescaria que me prometera um outro amigo,
nas águas transparentes de um certo rio da região ( creio que Rio Machadinho ),
onde havia muitos e " enormes tucunarés ". A propósito, esta pescaria jamais
aconteceu. Enquanto me deslocava para pegar a arma, o dono da chácara
mandou avisar à equipe do Amaral Neto, que se encontrava na cidade
produzindo um daqueles programas muito vistos então, chamados  " Amaral
Neto - o repórter ". Quando retornei, todos já se encontravam a minha espera,
ansiosos por me verem caçar " o bicho ". Embarquei  numa canoa, levando o
caseiro como remador e rumamos em direção à outra margem, seguidos por
outra canoa que conduzia a equipe do Amaral Neto, que iria documentar a
caçada. Mandei o rapaz se aproximar o mais possível e, a cerca de um metro
de distância, curvei-me na borda da canoa, mergulhei a espingarda
apontada na direção do imenso " rolo " e acionei o gatilho, varando com o arpão os
anéis do estático e indefeso animal que foi traspassado pelo terrível aço. Ah!
quanto tal lembrança me faz sofrer hoje em dia! Como eu era imbecil naquele
tempo! Hoje, não sou capaz de matar animal algum, por mais nocivo que
possa parecer... A beleza daquela sucuri pode ser apreciada na ilustração
que enriquece esta postagem...Mas, a verdadeira aventura que me levou a
relembrar tudo isto, narrarei nas próximas sextas-feiras...

Continua na próxima postagem......

Um ótimo final de semana a todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

- EM BUSCA DE AVENTURA - I -



... E começou a mobilização. Transferência de equipamento, desmatamento do local
para a  motangem das instalações do canteiro de obras constantes, como de praxe, de
um barracão para oficina, tendo anexo o almoxarifado; o soerguimento do escritório
da obra; a construção de uma cerca delimitando as instalações, etc. Por volta de um
mês depois, iniciaram-se os serviços, comandados pelo diretor técnico, meu querido,
competente e saudoso amigo e sócio Cesar Cabral, que viria a ser assassinado
misteriosamente lá mesmo, na cidade de Ariquemes, dez anos depois do término da
obra. Como assinalei em postagem anterior, nesta época já não mais fazia parte da
sociedade, da qual me desliguei no ano de 1980, por motivos também já relatados
anteriormente - saúde, implante do marcapasso -. Durante a execussão dos serviços, lá
pelo ano de 1977, surgiu a oportunidade de adquirir lotes de terreno, às margens da
RO - 01, vendidos em licitação pública nacional pelo INCRA, na chamada Gleba
Burareiro. Resolvemos adquirir lotes de terreno nesse local - onde, de resto, já
estávamos instalados - com o objetivo de implantar roças de cacau. Além das instalações
no local da obra, alugamos uma casa em Porto Velho, onde ficavamos hospedados,
meu sócio e eu, sempre que precisavamos estar naquela capital. Logo sentimos a
necessidade de comprar um automóvel para nos servir durante nossa permanência em
Porto Velho. Os veículos que serviam à administração da obra não deviam ser utilizados
para outros fins, sob pena de prejudicar o bom andamento dos serviços, além de não
serem adequados para transporte na cidade (camionetes Toyota e Ford F-75)...

Continua na próxima postagem......

Bom final de semana a todos, voltem sempre.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

- EM BUSCA DE AVENTURA - introdução -

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Lá pelo início do ano de 1976, tomei conhecimento, por intermédio do pessoal do INCRA
que fiscalizava as obras da Serra do Ramalho, realizadas pela minha empresa de terraplanagem
e planejamento agrícola, que o Governo de Rondônia realizaria uma licitação para a construção
da primeira estrada estadual, denominada RO-01. Como nossos serviços estavam chegando ao
final naquela localidade, resolvi participar desta licitação, o que evitaria que nossos serviços
sofressem solução de continuidade. Na véspera da data marcada para a concorrência pública,
viajei para Porto Velho munido de todos os documentos exigidos no edital, com o firme propósito
de vencer a licitação. Para minha satisfação, logrei êxito total nessa empreitada, vencendo a
concorrência para a execução das obras na citada rodovia. Os concorrentes, quase todos de fora
de Rondônia, temiam as enormes dificuldades que enfrentariam para deslocar o equipamento
necessário à execução da obra, desde suas sedes e acabaram por exagerar na oferta dos preços.
Mesmo sabendo das despesas com tais deslocamentos, os preços por mim apresentados, assim
como os atestados de idoneidade técnica e financeira, acabaram por fazer com que nossa firma
ganhasse a licitação. Concorrência ganha, ofereci um jantar no restaurante da moda em Porto
Velho, localizado na parte alta da cidade, às margens do Madeira, proporcionando uma vista
maravilhosa do rio. Colegas empresários e prepostos concorrentes, me deram o prazer de
participar deste jantar comemorativo...

Continua na próxima postagem.....

Um ótimo final de semana a todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

36 - OS ACIDENTES DE VEÍCULO - Estrada do Coco - final

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Ao concluir a narrativa dos sete primeiros acidentes e incidentes potencialmente mortais
que me marcaram a vida, devo reiterar a minha absoluta tentativa de não falsear ou
mascarar a verdade, valendo-me para tanto de depoimentos com conclusões coincidentes,
feitos por fontes diversas, tanto de pessoas a mim ligadas afetivamente - caso dos meus
irmãos e irmãs - quanto por meros conhecidos e conhecidas com os quais mantenho apenas
ligações amistosas. Devo dizer que, embora admirador de Anatole France e seus escritos,
com ele não concordo mesmo quando ironicamente, em uma de suas obras - A Vida em
Flor - declara : "Gosto da verdade. Acredito que a humanidade precisa dela; mas precisa
ainda mais da mentira que a lisonjeia , a consola, lhe dá esperanças infinitas. Sem a mentira,
a humanidade pereceria de desespero e de tédio". Estou mais para o Papa Leão XIII quando
disse : "A primeira lei da história é de não ousar mentir; a segunda de não temer exprimir
toda a verdade"... Ainda assim, consciente de todas as mazelas humanas, sei que a
assertiva de Shakspeare numa passagem de Hamlet na qual declara peremptoriamente :
"Embora casta como o gelo e pura como a neve, não escaparás à calúnia", me deixa preparado
para não levar em conta as possíveis declarações e/ou opiniões maldosas dos descontentes
com minhas narrativas. Não acusei ninguém; procurei narrar os fatos com toda a isenção,
embora alguns personagens merecessem referências negativas de minha parte atingido que
fui por suas irresponsabilidades extremas...

Um ótimo final de semana a todos, obrigado pela visitas.

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

35 - OS ACIDENTES DE VEÍCULO - Estrada do Coco VI -

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Depois de algum tempo, conhecidos o conteúdo de vários depoimentos na Delegacia de Polícia de
Vila de Abrantes e, segundo ainda informações por mim colhidas, inclusive junto à
esposa de uma das vítimas fatais, o que aconteceu, em linguagem menos
técnica, foi o seguinte: as duas vítimas fatais, carbonizadas na ocasião do acidente, eram funcionários
( topógrafos ) da construtora Norberto Odebrecht que, naquele período, estava construindo
o complexo de Costa do Sauípe. Para conduzir seus funcionários residentes em Salvador
e ao longo da Estrada do Côco, a empresa disponibilizava diversos ônibus que, em horários
pré-estabelecidos, recebia os trabalhadores em determinados locais, para levá-los ao canteiro de obras. Na véspera do dia do
acidente, um domingo (28.03.99), houve uma festividade no Farol da Barra onde foram
apresentados alguns trios elétricos, atraindo muitos populares para a diversão, entre eles os
dois ocupantes do veículo que colidiria com o meu na manhã do dia seguinte. O evento varou
a madrugada e, sem dormir, os dois acabaram perdendo o ônibus que os conduziria ao trabalho.
Para não perder o dia, resolveram pegar o próprio  carro e seguir no mesmo pela Estrada do Côco
com destino ao canteiro de obras...

Continua na próxima postagem......

Um ótimo final de semana a todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

34 - OS ACIDENTES DE VEÍCULO - Estrada do Coco - V

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Feitos os procedimentos necessários pelos profissionais do pronto-socorro Roberto Santos
e não havendo naquele nosocômio nenhuma ambulância disponível, mandei contratar uma,
para me levar até o COT Canela, Clínica especializada em traumatologia, onde fiquei
internado por vários dias. Exames mais detalhados feitos no COT, evidenciaram, conforme
laudo médico assinado pelo Dr.Gustavo Henkes, os seguintes traumas: "lesão parcial do
tendão do quadricips à direita; fratura-luxação Carpo-Metacárpica à direita; fraturas de arcos
costais à direita", além de cortes provocados por vidros do óculos usado na ocasião, que se
quebrou com o choque, atingindo a região ao redor do olho direito. No mesmo dia fui
submetido a uma cirurgia para corrigir a lesão do tendão do quadrícipes. O procedimento
cirúrgico para reduzir as fraturas múltiplas da mão direita, por ser mais demorado e complexo,
ficou para o dia seguinte. E o dia seguinte poderia ter sido o meu último dia nesta vida...
Durante o procedimento cirúrgico, comandado pelo competente médico, Dr Luís Shipper,
tive uma parada cardíaca de, mais ou menos, 3 minutos! Verificado o impasse, foram
imediatamente executados os procedimentos de praxe, culminando, ao fim de 3 minutos,
como disse, com a minha ressuscitação. Devo declarar, muito claramente, que não vivenciei
 nenhum fenômeno desses largamente difundido por pessoas que ficam em estado chamado
de "quase morte". Nada de "saídas do corpo", auto- contemplação em estado inerte e outras
baboseiras mais deste tipo...
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Continua na próxima postagem......

Bom final de semana a todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

33 - OS ACIDENTES DE VEÍCULO - Estrada do Coco - IV -

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A constatação pelos componentes do grupo dos " Anjos do Asfalto ", de que nada mais
era possível fazer pelos ocupantes do outro carro, fez com que eles se voltassem para o
meu atendimento. Deitaram-me na maca e providenciaram minha imobilização. Logo
me conduziram ao interior da ambulância, iniciando imediatamente a viagem até o
pronto-socorro do Hospital Roberto Santos. Como num sonho, ouvia a voz da enfermeira
Cristina, à minha cabeceira, fazendo o máximo para me manter acordado. O zumbido
agudo da sirene, num contraste estridente com a voz delicada da enfermeira, aumentava
a sensação de irrealidade. Além disso, me vinha à mente, num turbilhão, a imagem do
carro desgovernado, num borrão vermelho, chegando célere em minha direção, embora
tivesse feito de tudo para evitar o choque! Me afastara somente até o acostamento porque
apos ele havia uma pequena descida que, certamente, provocaria o capotamento do meu
carro, se tentasse desce-la. Chegamos ao Roberto Santos gastando o menor tempo que o
trânsito da Paralela, naquele horário da manhã, permitia. O atendimento foi imediato!
Ali acabou o preconceito que eu tinha ( como, alias, muita gente tem ), de que os
Pronto-Socorros são verdadeiros " matadouros ". Fui muito bem atendido pelos médicos,
enfermeiros e residentes e duvido muito que em um outro hospital qualquer, o
atendimento seria melhor e mais imediato, incluindo aí os hospitais particulares.
Hoje agradeço por terem me levado para aquele pronto-socorro. Serei eternamente grato
à equipe dos "Anjos do Asfalto" ( não sei o que foi  feito deles. O Brasil é assim: tudo
que é bom desaparece! ) e agradeço principalmente à enfermeira e chefe da equipe,
minha inesquecível anjo da guarda Cristina...

Continua na próxima postagem.....

Um ótimo final de semana a todos, obrigado pela visita.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

32 - OS ACIDENTES DE VEÍCULO - Estrada do Coco III -

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Somente apos constatar a inutilidade momentânea da mão direita é que destravei o cinto,
usando a mão esquerda. Ao tentar abrir a porta do meu lado  descobri,
atônito, que ela não se abriria jamais, pois havia " sanfonado " de tal modo que somente
serrada seria removida. Imediatamente, com a urgência que me permitiam as restrições de
mobilidade causadas pelas fraturas na perna direita, a altura do joelho e em algumas  costelas, consegui esgueirar-me pela porta do passageiro. Verifiquei horrorizado ao sair, que o motorista do
outro carro clamava desesperado por socorro, pois estava sendo queimado vivo!... Nada
podia fazer em seu favor, não apenas pelas dificuldades de locomoção mas, e principalmente,
pela brutal temperatura causada pelo fogo que a cada minuto se agravava mais. Aliás,
embora estivesse sozinho no local, pois não havia sequer tráfego naquele momento e o
lugar era completamente deserto de moradores, nada seria possível fazer pelo desditoso
motorista, pois aproximar-se do veículo era totalmente impossível. Alguns minutos depois
passou pelo local um carro cujos ocupantes sequer pararam. A principio fiquei chocado com
a aparente falta de solidariedade; passados alguns poucos minutos, porém, entendi a atitude
prática e objetiva daquele motorista: naturalmente, vendo ao passar, que nada poderia fazer,
apressou-se em procurar socorro mais eficiente e especializada com uma equipe dos "Anjos
do Asfalto", cuja base se localizava na entrada para a foz do rio Jacuípe. Em pouco mais de
15 minutos após a passagem daquele carro, eis que chega a equipe de profissionais
acompanhada pelo veículo do meu querido e dileto amigo Agnaldo, proprietário da
Panificadora Monte Gordo. Fora ele o motorista do veículo que não parou para simplesmente
ver a desgraça alheia. Disse-me depois que reconheceu-me ao passar - embora estivesse desfigurado
pela presença de sangue em minha face - e tratou de procurar o socorro adequado. Que felicidade
 poder contar com um amigo desse quilate nessas horas!...

Continua na próxima postagem...

Bom final de semana e um feliz 2017 a todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

31 - OS ACIDENTES DE VEÍCULO - Estrada do Coco - II -

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Embora planejando voltar o mais breve possível para Guarajuba - a pescaria me esperava -,
não sei por qual motivo, naquele dia, resolvi que não iria passar dos 80 km/h., na viagem até
Salvador. Isto, paradoxalmente, acabou contribuindo de maneira decisiva para a ocorrência
do acidente... É que, ao passar pela ponte sobre o rio Jacuípe - cerca de 500m após - ainda
mantendo a velocidade que decidira imprimir, fui surpreendido pela visão aterrorizante de
um carro vermelho vindo, desgovernado e em altíssima velocidade, na minha direção!
Embora, por mero ato reflexo, tenha freado e desviado para o acostamento, o veículo
veio na minha direção, batendo com seu lado esquerdo ( o lado do carona ), na parte dianteira
do meu carro ( uma Ipanema Chevrolet prata, novamente ), encaixando de tal modo no
meu veículo, que se transformou em um "C "! Imediatamente começou um violento
incêndio que, muito em breve (a mim parecia), iria se transferir para o meu carro.
Imediatamente tentei sair daquele principio de inferno, mas não conseguia nem desafivelar
o cinto de segurança! Depois de várias tentativas com a mão direita, resolvi olhar para
saber a razão do não destravamento do cinto. Só então verifiquei que minha mão estava
totalmente quebrada em diversos lugares!... É que, na ocorrência de um choque traumático
como aquele, não sentimos dor alguma e as lesões são totalmente ignoradas, sobrepondo-se
a qualquer dor, o instinto de conservação  que nos impele a correr para nos afastar ao máximo
 da cena do acidente, principalmente para fugir do fogo...

Continua na próxima postagem...

Um excelente final de semana e um feliz Natal a todos os meus amigos e visitantes.
Grande abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

30 - OS ACIDENTES DE VEÍCULO - Estrada do Coco - I -

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Em que pese a grande afinidade e admiração que tenho pela cidade de Juazeiro, admiração
que se estente até sua irmã pernambucana Petrolina, ambas ligadas umbilicalmente pela
majestosa ponte Presidente Dutra que transpõe as águas tranquilas do "Velho Chico", os
dois acidentes de veículo mais graves que sofri, estão ligados a atividades por mim
desenvolvidas naquela região. Já descritas anteriormente, as circunstâncias em que se deu
o acidente na estrada da Cetrel, aconteceu num dos meus retornos daquela cidade onde
houvera cumprido plantão durante 5 dias. Ao contrário do primeiro acidente, desta vez o
ocorrido se materializou durante os preparativos que fazia visando uma nova viagem para
aquela localidade. Na antevespera da minha ida, deveria ir à Salvador para obter as
informações relativas ao trabalho que seria desenvolvido no próximo plantão, bem como
proceder a aquisição das passagens de ida e volta em ônibus leito, passagens estas fornecidas
pelo empregador. Minha intenção, ao sair de casa em Guarajuba, por volta das 6.30 hs
daquela manhã, era não somente evitar os congestionamentos de trânsito, costumeiros e
cotidianos, nas avenidas ParalelaOtávio Mangabeira, como também poder voltar o mais
cedo possível, pois havia marcado uma pescaria na minha lancha, para aquele mesmo dia,
com meus amigos e pescadores Juracy e "Fartura", com os quais ainda hoje pesco em alto
mar. É que, a pescaria, é a terceira melhor coisa da vida  - pra mim, evidentemente!- ...


Continua na próxima postagem.......

Um ótimo final de semana a todos os amigos e visitantes.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

29 - OS ACIDENTES DE VEÍCULO - final -

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Quando o Joel chegou ao local - cerca de 20 minutos depois - já me encontrou totalmente
refeito do choque. Providências foram tomadas, principalmente quanto à remoção da sucata  em que se transformara a Ipanema, vendida, logo depois, a um proprietário de ferro-velho. que veio
imediatamente e levou o veículo do local do acidente. Havia também a necessidade de liberar
o amigo Joel - a quem, ainda hoje, volto a agradecer públicamente, pela presteza do
atendimento - que tinha muita necessidade de continuar seus afazeres à frente de seu
estabelecimento comercial. Destaco ainda que o Joel, ao chegar ao local, não
me viu imediatamente. Em vez disso, o que ele vizualizou foi o vermelho intenso, representado
pelas melancias totalmente destroçadas, fazendo-o crer que aquele vermelho, esparramado
sobre uma area consideravel da pista ao redor do carro, seria sangue proveniente do seu
amigo, certamente morto àquela altura dos acontecimentos, vítima de uma enorme e incontrolável
hemorragia! Começou a se lamentar, falando alto, ate que me viu sair do carro, o que provocou
nele uma euforia e um alivio mal disfarçados e, em mim, um sorriso de alegria e de
agradecimento pela preocupação demonstrada. O episódio seria cômico se não fosse trágico...
Levaram-me para o Hospital Geral de Camacari ( por ser o mais próximo
do local ), de onde depois de radiografias da cervical, nos dirigimos ao COT Canela para uma
mais minuciosa e completa bateria de exames. Mais uma vez, nada de grave foi constatado.
Superei, assim, mais um acidente gravíssimo, conforme se depreende pelas fotos que ilustram
todas as etapas desta narrativa.



Um excelente final de semana a todos e até a próxima.

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

28 - OS ACIDENTES DE VEÍCULO - III -

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Além de todos os problemas axistentes na Estrada da Cetrel naquela ocasião - não sei qual
a situação atual, pois não passo por ela há muito tempo - havia inúmeros e grandes buracos
ao longo de toda a sua extensão, o que obrigava os motoristas a dirigir com a máxima atenção
e cuidado mesmo assim, exigindo aqui e ali, uma freada brusca, para não danificar muito a
suspensão do veículo. Na primeira curva fechada, existente logo após o Atêrro Sanitário,
vindo à velocidade reduzida - por volta de 40 km/h - deparei com uma poça de água que,
certamente, ocultava um buraco quem sabe de que dimensões. Instintivamente acionei o pedal
de freio, na intençao de diminuir, ainda mais, a velocidade. Esta minha ação deve ter assustado
o condutor de um caminhão de lixo que vinha imediatamente atrás de mim e que, certamente,
por ser bem mais pesado, não conseguiu diminuir a velocidade a tempo, atingindo a traseira
do meu carro, violentamente. O impacto provocou diversos problemas tanto no carro quanto
em mim mesmo. Com a batida na traseira, minha cabeça fez um brusco e intenso movimento
de vai e vem, ocasionando um tauma na coluna cervical, felizmente absorvido pelo meu
corpo, não deixando sequela alguma após, mais ou menos, uma semana de dor. Saltei do
carro, imediatamente, dirigindo-me ao motorista do caminhão, reclamando, com veemência,
da falta de guarda da distância que ele teria de manter do meu carro, conforme normas de trânsito.
Em seguida, liguei para minha mulher que se encontrava em casa, aqui em Guarajuba,
pedindo a ela que, em vez de ir ela mesma ao meu encontro, entrasse
em contato com nosso vizinho e amigo Joel, dono do Restaurante Prapapá, que se
deslocou, imediatamente até o local onde me encontrava...

Continua na próxima postagem...

Um bom final de semana  a todos e obrigado pelas visitas.

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

27 - OS ACIDENTES DE VEÍCULO - II -

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Passei algum tempo viajando para a cidade de Juazeiro, designado que fôra para prestar
serviços naquela localiade. Todas as vezes que retornava, trazia no carro - uma Ipanema
prata - muitas frutas, compradas diretamente dos comerciantes locais, grandes produtores
de frutas na região. Dentre as frutas ( mangas, uvas, abacaxis, melões, etc. ), destacavam-se
as melancias, cuja quantidade era sempre maior, devido à preferência da família por esta
fruta. Como nesta fase estávamos, definitivamente, morando em Guarajuba, acostumei
a concluir a viagem de volta, pegando, à altura do viaduto que dá acesso à Candeias, a Via
de Tráfedo, que me levava ao Complexo Petroquíimico de Camaçari - COPEC -,
evitando assim, principalmente, a complicação do trânsito intenso na Rodovia
CIA/AEROPORTO. Embora a distância - medida por mim - seja praticamente a mesma,
l,ivrar-me do tráfego me proporcionava uma grande economia de tempo.
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Vindo pelo Canal de Tráfego, só ha duas opções de acesso à Estrada do Coco:
a Estrada da Cascalheira e a Estrada da Cetrel., sendo que esta última, é a mais
vantajosa, embora potencialmente perigosa, devido às inúmeras curvas - algumas muito
fechadas - à absoluta falta de acostamento e, principalmente, à falta de duplicação da pista.
Todos os meus problemas começaram logo no início da Estrada da Cetrel, imediatamente
depois de passar em frente ao atêrro sanitário da Prefeitura de Camaçari, localizado à
margem direita de quem vem do COPEC para a Estrada do Coco...
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Continua na próxima postagem.....

Um ótimo final de semana a todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

26 - OS ACIDENTES DE VEÍCULO. - I -

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Sempre fiz questão absoluta de seguir as instruções dos fabricantes de veículos,
principalmente no que toca aos momentos das revisões. Acredito que os fabricantes e
seus engenheiros, são as pessoas mais indicadas para instruir aos usuários, quanto ao período
mais indicado para a manutenção. Foi graças a isto que me envolvi no primeiro dos tres
graves acidentes de carro que sofri, ao longo dos mais de 50 anos que tenho de habilitação ( a propósito, acabo de renovar a CNH com validade até o ano de 2019, com um detalhe: graças à troca de lente do olho esquerdo - por causa da catarata - sem a exigência de óculos ).
A propósito, foi o único acidente que me ocorreu sem a interferência desastrada e
irresponsável de terceiros. Saí de casa para levar a "Caravan" à loja da Signal, localizada
no Vale de Nazaré, onde fazia costumeiramente as revisões, antes de cada viagem que
empreendia com a família. Naquele dia, por volta das 7 h, vinha eu descendo do Largo
de Nazaré para o Vale, quando, ao fazer uma curva à direita - vide foto - fui surpreendido pela
derrapagem irremediável, das rodas trazeiras do veículo. ( Soube-se depois, que havia
muito óleo no local, talvez derramado pelos ônibus que, pelas manhãs, saem das garagens
com os tanques cheios ). Nada podia fazer para controlar o carro, tornando-me mero
passageiro impotente. Em consequência dessa derrapagem, a Caravan subiu o meio fio da
via, indo chocar-se, violentamente, com uma das palmeiras gigantescas existentes naquele
local. O apavorante e barulhento choque, se deu na lateral esquerda do carro,
imediatamente atraz do banco do motorista, onde me encontrava. Ainda bem que sempre
usei o sinto de segurança, o que me preservou de movimentos que poderiam gerar lesões
graves. Em seguida ao choque, o veículo deslisou de ré, indo parar na calçada da Avenida
Vale de Nazaré, felizmente, sem invadir a pista, o que, certamente, provocaria o
envolvimento de outros veículos, cuja quantidade é muito grande naquela via à essa hora.
Assim como nos outros acidentes posteriores - que descreverei em seguida- a Caravan
foi vendida como sucata.

Continua na próxima postagem.....

Um ótimo final de semana pra todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

25 - ACIDENTE DE MOTO - final -

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Embora não dependesse dos negócios para nos manter, decididamente as coisas em Belém
não estavam dando certo. No negócio da pesca, acabei descobrindo que, sendo o dono do
barco, deveria sair eu mesmo junto com a tripulação, porque neste negócio, mais do que em
qualquer um outro, funciona completamente aquela acertiva de que " só o olho do dono
engorda o gado "...
É que começaram os " furtos " de rede, muitas vezes de centenas de metros
( as redes de pesca na região, para serem economicamente viáveis, têm que ser medidas em
kilômetros - a minha media cerca de 3000 m ), os peixes capturados eram muito poucos
( soube, depois,  que eram vendidos clandestinamente em grande quantidade ), dando apenas para
cobrir as despesas; o diesel vasava inexplicavelmente dos tanques, etc. etc. etc. Muitos
desses " incidentes ", eram provocados pela falta de interesse da tripulação, só descoberta
com a continuação da convivência com tais profissionais. Aos poucos ia descobrindo uma
série de malandragens que acabaram por explicar 90% dos " incidentes " citados...
Transferi minha família de volta à Salvador, ficando em Belém o tempo suficiente para
me desfazer de tudo que lá adquirira. Restava-me apenas agradecer ao meu irmão Cléber,
todo o apoio que me ofereceu quando do acidente de moto. Depois de fazê-lo, retornei à
Salvador e hoje lamento profundamente o fato desse meu irmão ter falecido, ele próprio,
vítima de um violento acidente automobilístico, quando se dirigia à sua fazenda localizada
nas proximidades de Capanema.

Um ótimo final de semana aos meus amigos e visitantes.
Grande abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

24 - ACIDENTE DE MOTO - parte III -

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Lúcido, embora poli-traumatizado e cheio de escoriações provocadas pelo deslizar
sobre o aslfalto áspero, tomei um taxi e fui até o Pronto Socorro Municipal, localizado
na mesma Travessa 14 de Março que era meu destino, apenas com a diferença de estar
em um local bem distante da casa da minha mãe. Prontamente atendido pelos excelentes
médicos e residentes de plantão, fui submetido a diversas radiografias que demonstraram
a fratura de 3 costelas do lado esquerdo do tórax, sendo que uma delas, com o movimento
que fiz para me levantar, perfurou o pulmão esquerdo, a poucos centímetros do coração!
Só então tive consciência de todo o risco de morrer que corri, ao movimentar-me para
me levantar... Nenhum dano, porém, foi verificado quanto ao marcapasso, que continuava
funcionando normalmente, fato constatado pelo ECG a que tambem fui submetido.
Transferido para um hospital, depois de devidamente imobilizado, foi verificada a presença
de ar na caixa toráxica, proveniente do pulmão perfurado. Este fenômeno, conhecido
como "pneumotórax", juntamente com a imobilização a que fora submetido, por conta
das costelas fraturadas, me mantiveram internado até que o organismo eliminasse o ar e
as fraturas se consolidassem. Ainda desta vez, tive alta sem apresentar sequelas...

Continua na próxima postagem........


Bom final de semana a todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

23 - ACIDENTE DE MOTO - parte II -

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Como morávamos no centro de Belém (Av. Serzedelo Corrêa, entre a Praça da República
e a Braz de Aguiar), comprei apenas uma moto, que serviria para minha locomoção entre
nossa casa e o Ver-o-Peso, onde aportava, mais ou menos com a frequência de dez em dez
dias, o barco de pesca, ocasião em que meu " balanceiro ", José Maria - apelidado de Olho
de Gato -  procedia a comercialização dos pescados. É preciso dizer que antes da aquisição
da moto, me submeti ao curso de direção para este veículo, sendo devidamente aprovado
nos testes do DETRAN, para outorga da Carteira de Habilitação específica. Tudo aconteceu
quando de um dos deslocamentos que fazia, quase diariamente, para visitar minha mãe.
Ela morava na Travessa 14 de Março (onde, alias, ainda hoje mora uma das minhas irmãs),
há pouco mais de 100m da minha residência. Ao dobrar a esquina da Serzedelo Corrêa
com a Gentil Bitencourt, ambas as vias de mão única, fui surpreendido por um ciclista que
vinha na contramão, e atravessava, de maneira imprudente, a Gentil. Na iminência do
choque, ele, simplesmente, pulou da bicicleta e largou-a, caída na minha trajetória. Tentei
pular com a moto por sobre a bicicleta, conseguindo passar apenas a roda dianteira, por
sobre ela, enquanto a traseira se embaraçava, resultando na projeção do meu corpo a uns
poucos metros à frente. Na queda, fraturei 3 costelas e, sob choque, levantei-me de imediato,
correndo o risco de, com este gesto intempestivo, causar a mim mesmo, sérias lesões
internas. Tal fato foi constatado mais tarde, quando do resultado dos exames a que fui
submetido...

Continua na próxima postagem......

Bom fim de semana a todos e obrigado pelas visitas.

Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

21 - ACIDENTE DE MOTO - introdução -

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                                                                                                                        Foto Internet


Mesmo com o problema cardíaco resolvido - ou pelo menos equacionado - claro que fiquei
muito abalado psicologicamente, pela absoluta falta pretérita de sintomas. Jogava futebol,
vôlei, pescava em alto mar, inclusive mergulhando durante longos períodos, principalmente
em Guarajuba, tendo como companheiro, não raras vezes, o querido e saudoso amigo -
médico dedicado e competente - Dr. Antonio Silvani, sem jamais ter o mais leve problema
de saúde. Além  de ter que encarar essa nova condição de vida, que me impunha restrições nas
minhas atividades, fora convocada por um dos médicos, uma reunião com minha família,
onde foram enfatizados todos os riscos que me cercariam dali em diante. Concomitantemente,
passei a sentir fortes sintomas de rejeição, não ao aparelho mas aos efeitos que ele causava
quando em funcionamento. É preciso esclarecer aos queridos leitores, que o marcapasso,
somente entra em operação, se houver uma falha nos batimentos naturais, ficando inibido
( sem funcionar ), sempre que o rítimo natural estiver acima do estabelecido. Ao ser implantado,
ele é programado para não deixar os batimentos do coração cairem abaixo de determinada
frequência ( no meu caso, abaixo de 70 batidas por minuto ). Ora, tal frequência coincidia,
quase sempre, com o funcionamento natural do coração, o que acarretava batidas naturais,
simultâneas com os impulsos enviados pelo marcapasso. Esta coincidência ocasionava um
mal estar terrível; um desconforto indescritível, a ponto de ter vontade de arrancar o aparelho
do peito!...

Continua na próxima postagem......

Um ótimo finl de semana a todos os meus amigos e visitantes.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

20 - O CORAÇÃO E O MARCAPASSO - final

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.. O pior de tudo: quanto mais profundo o sono, mais preguiçoso meu coração se torna!
Assim, não fosse descoberta esta anomalia, poderia morrer de parada cardíaca a qualquer
momento durante o sono pois, repito, jamais senti algo de anormal durante toda a minha
vida. Ainda assim, por não conhecer direito o Dr. Nilzo Ribeiro ( de quem me tornei
amigo até hoje ), resolvi ir à São Paulo para uma consulta com o mais famoso dos
cardiologistas da época, Dr. Décio Korman ( Secretário de Saúde do Governo Paulo Maluf ).
Fiquei deveras impressionado com a tecnologia usada, já naquela época, durante a consulta,
que consistiu no seguinte: após a conversa inicial, fui convidado a deitar em uma maca e,
após tirar a camisa, uma enfermeira colocou alguns eletrodos no meu torax, enquanto um
monitor de video existente na mesa do médico, mostrava todos os detalhes do funcionamento
do meu coração. Ao voltar a conversar com o Dr. Décio para a conclusão da consulta (por
sinal caríssima!), ele me perguntou quem era o meu médico na Bahia. Diante da minha
resposta - é o Dr. Nilzo Ribeiro - ouvi, surpreso, o seguinte comentário: " E o que o Sr. veio
fazer aqui?! O Dr. Nilzo é um dos melhores especialista das Américas, no assunto!!! ".
Bem mais tranquilo, retornei à Salvador e, depois de perguntar ao Dr. Nilzo, o que ele
faria no meu lugar e ouvindo sua resposta, me submeti ao implante. Graças à tecnologia
desenvolvida pelo gênio humano, estou há, exatos, 36 anos, vivo e bem saudável!
Certamente não teria sobrevivido se: 1 - O Armando Ulm não fosse hipocondríaco; 2 - A
ciência e a tecnologia tivessem demorado apenas alguns poucos anos para inventar esse
aparelho que, desde então, salva vidas e mais vidas pelo mundo em fora!!! Hoje ostento,
no lado direito superior do tórax, o marcapasso de número 6, implantado, com toda a
maestria, pelo meu caríssimo e competentíssimo amigo, o eminente cardiologista, Dr.
Álvaro Rabelo. Já, ha cerca de 15 anos, tenho como supervisor e monitorador da minha
saúde cardíaca, outro caríssimo amigo, o Dr. Marcos Guimarães. No dia 17.09 passado, completei exatos 36 anos, sobrevivendo - quem sabe - graças ao gênio
humano... Este sim, capaz de fazer MILAGRES!!!...

Um excelente final de semana aos amigos e visitantes.
Grande abraço.

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

19 -O CORAÇÃO E O MARCAPASSO - II



...Atônito, quiz saber, imediatamente, do que se tratava. Disse-me ele: "Voce está
apresentando bloqueio AV de segundo grau! ". Seguiu-se uma longa e detalhada
explicação sobre o assunto. Não podia acreditar! Nunca havia sentido nada de anormal!
Como era possível?!!! Conclusão: eu, que fui fazer os exames por simples provocação
ao meu amigo Armando, acabei sendo gozado por ele que, ao final, afirmou triunfante:
" Compreendes agora o porquê dos meus exames semestrais ?! ".
Fui aconselhado pelo
amigo Dr. João a procurar o Hospital Santa Izabel, já naquele tempo, referência em
matéria de cardiologia. Para minha sorte, conheci o Dr. Nilzo Ribeiro, comandante de
uma equipe de médicos excepcionais, dentre os quais figuravam Antonio Nery e
Eduardo Tadeu. O Dr. Nilzo, após submeter-me a um " Holter " e executar, ele mesmo,
um cateterismo, indicou-me o implante de um marcapasso cardíaco, única maneira de
corrigir o problema. Naquele tempo o " Holter " tinha que ser remetido para São Paulo
pois aqui não havia equipamento para traduzí-lo graficamente. O cateterismo não
demonstrara nenhum problema obstrutivo, tendo, porém, sido diagnosticada uma
hipertrofia cardíaca importante o que me obrigaria a, dali em diante, levar uma vida
muito mais " regrada "... Ao chegar o resultado gráfico do " Holter ", foram constatados
batimentos cardíacos com a frequência incrível - para quem não é atleta profissional -
de até 38 batidas por minuto!!! ...

Continua na próxima postagem.......

Um ótimo final de semana a todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

18- O CORAÇÃO E O MARCAPASSO - I


Todo o preâmbulo da semana passada, vem a propósito do terceiro fato que me poderia
ter matado: tenho um dileto e querido amigo, irmão e compadre, chamado Armando
Ulm (dos primeiros amigos baianos que conquistei ). Companheiro fiel e sócio em
algumas das lanchas que tive, também amante do futebol que jogava com maestria,
acabou contribuindo, decisivamente, para salvar a minha vida. Cuidadoso ao extremo
com sua saúde  ( para não chamá-lo de hipocondríaco), sempre fez e faz uma bateria de
exames clínicos, rigorosamente de seis em seis meses! Mais com o fito de gozá-lo do
que por  ter sentido algo de anormal, apos uma partida de futebol, das inúmeras que
jogamos juntos, lá, por volta do ano de 1980, resolvi acompanhá-lo em um desses
" check-ups ". Amigo comum e dono da Clínica Check-up, o Dr. João Souza era sempre
o escolhido para supervisionar tal procedimento. Chegamos à clínica no Campo Grande
e, ao ser submetido ao PRIMEIRO eletrocardiograma da minha vida, fui instado pela
enfermeira, a continuar deitado, pois ela precisava falar com o Dr. João  Saiu da sala
me deixando com uma certa ansiedade, por não me dizer o porque da proibição de
leventar-me. Mesmo intrigado, obedeci. Alguns minutos depois, eis que chega na sala -
acompanhado pela enfermeira - o Dr João, em pessoa! Mandou repetir o exame e, ao final,
pediu para acompanhá-lo ao seu consultório. Com o semblante demonstrando apreensão
e/ou preocupação, disse-me que havia constatado no ECG, uma alteração importante no
funcionamento do meu coração!...

Continua na próxima postagem.......

Um final de semana de paz aos meus amigos e visitantes.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

17 - O CORAÇÃO E O MARCAPASSO - Introdução -



Sempre gostei dos esportes em geral. Me sai muito bem em todos os que pratiquei,
principalmente no futebol e no espiribol (este último, pouquíssimo conhecido, consiste
em enrolar a corda com a qual se pendura uma bola de couro - do tipo daquelas que são
usadas, principalmente, pelos boxeadores em seus treinamentos - no topo de um mastro
de cerca de 3,5 m de altura, dividindo-se os campos em dois ou em quatro, a depender
do número de jogadores, por linhas traçadas no chão). Há necessidade de um preparo
físico excepcional dos praticantes desse esporte. As regras são rígidas e o juiz deve
conhecê-las muito bem, para poder arbitrar a disputa. (Se algum dos meus caros leitores
se interessar pelas regras, mande-me seu e-mail que as enviarei com muito gosto).


No espiribol, eu era imbatível no Colégio do Carmo e no futebol, cheguei a treinar
nos juvenis e aspirantes do meu querido Papão - o Paysandu - não prosseguindo na
carreira por proibição expressa e definitiva de meus pais (principalmente do meu querido
e saudoso pai), pois, naquele tempo, jogador de futebol era " vagabundo ", assim como
todo artista - principalmente do sexo feminino - era considerada prostituta ou em vias de
se-lo (como mudam os conceitos!..). Referindo-me, ainda, aos meus dotes como futebolista,
vale  acrescentar que fui eleito PELOS COLEGAS, o melhor jogador de futebol do Carmo,
considerando todos os alunos, internos e externos. Por tal eleição, me foi outorgada
solenimente, uma medalha comemorativa, que, de tão bonita que era, levei-a, nas férias
de fim de ano, para Oriximiná e, em um gesto de orgulho juvenil, coloquei-a no peito
quando fui - como era de costume - jogar a " pelada " de todas as tardes, no campinho
seletivo (não era quelquer um que entrava !!!), da casa do Helvécio Guerreiro. A gozação -
como era de se esperar - foi geral!!!... Aficionados, principalmente o Helvecinho o
Lúcio e, eventualmente, o Edilberto, anfitriões, as disputas, levadas a sério, se tornavam
emocionantes!... Meu querido amigo Sérgio ( hoje morando tambem em Salvador, onde é
 professor aposentado da Universidade Federal ), não era muito chegado ao esporte, limitando-se,
 na maioria das vezes, a assistir os embates...

Continua na próxima postagem.......

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

16 - DESASTRE AEREO - final -




Ao final da obra de Serra do Ramalho -cumprida rigorosamente dentro dos prazos
contratuais, graças ao magnífico desempenho de toda a equipe envolvida - por não haver
mais necessidade, vendi o Cessna no qual o J.C.P., que fora piloto do Piper, passou a
trabalhar. O M. fora demitido por justa causa, por motivos óbvios... Tempos depois,
quando a venda do Cessna foi consumada, o J.C.P. também foi demitido, por falta do equipamento
necessário para o desenvolvimento do seu trabalho. Grande pessoa e competentíssimo
piloto, senti muitíssimo ao saber que, voando em outro aparelho, ao executar um  rasante
sobre sua casa, para avisar à família que estava chegando à Januária ( este é um costume
dos pilotos quando em cidades pequenas e sem tráfego aéreo regular ), chocou-se com a
rede elétrica e veio a falecer no acidente. Estes dois episódios, ocorridos com pessoas que
conviveram comigo, só fizeram reforçar a minha crença de que " avião não cai: é derrubado ".
Tudo, afinal, voltou ao normal na minha vida, até que um belo dia do ano de 1980, o
destino colocou-me novamente frente a frente com outra situação de extrema gravidade
que, se tivesse acontecido há apenas alguns poucos anos, teria me levado, inexoravelmente,
à morte. Mas isto é assunto para a próxima postagem que, como voces ja sabem, ocorrerá
na próxima sexta-feira...

Um bom final de semana para todos.
Grande abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

15 - DESASTRE AEREO - VIII -




Como era de se esperar, o piloto M.F. teve sua licença de voo cassada. Ora, se deixar
faltar combustível em um carro que está trafegando numa rua ou rodovia já é uma
enorme falha - inclusive passível de punição, de acordo com o CNT - imaginem os
leitores esta ocorrência num avião!!!... É obrigação de todo piloto, principalmente os
de aeronaves de pequeno porte, fazer o que se chama no jargão aeronáutico de
"TESTE DE SÃO TOMÉ ". Consiste este teste em verificar, não somente a qualidade
do conbustivel, isto é, se realmente é o indicado para o equipamento,  mas, e
principalmente, se a quantidade é suficiente para completar o voo até o destino planejado
e mais uma reserva para levar o avião até um aeroporto alternativo, no caso de não
haver possibilidade de pouso no aeroporto de destino. O mais absurdo é que o Piper
tinha autonomia para voar durante 6 horas!...
 Segundo informações que me deram, não
podendo mais pilotar aviões, legalmente, o M.F. teria ido voar clandestinamente na Amazônia
paraense (Itaituba), levando peças de máquinas, combustível, víveres e passageiros,
para os garimpos. Transcorrido algum tempo nesta que, se confirmada, seria uma atividade ilegal,
pois perdera a licença  de piloto, ao tentar levantar voo de uma pista precária do garimpo, com
carga superior à suportável pelo avião, não teria conseguido altura suficiente para transpor as
árvores da cabeceira da pista, indo chocar-se violentamente contra elas. Conforme informações,
teria morrido juntamente com todos os eventuais e desditosos passageiros!

Continua na próxima postagem.......

Abraço a todos os meus amigos e visitantes e tenham todos um ótimo final de semana.

Clóvis de Guarajuba
ONG Abde & Limpe

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

14 - DESASTRE AEREO - continuação - VII



Há de se destacar que, ao retornar ao local do desastre, verifiquei que tivemos muita sorte em
bater com a asa esquerda na cerca da fazenda  É que esta batida não apenas provocou o "cavalo
de pau", mas, e principalmente, anulou a velocidade de inércia do avião, evitando com isto o
choque com as laterais de um pontilhão existente naquele local da rodovia, o que certamente
provocaria a sua explosão. Depois de conversar com os policiais que, por não haver vitimas,
limitaram-se a isolar a área em torno da aeronave, preservando tudo intacto para aguardar os
peritos da Aeronáutica, comuniquei a eles e aos pilotos que iria para Salvador no mesmo taxi
que me trouxera de Amargosa. Os peritos da Aeronáutica já haviam sido alertados pelas
autoridades locais. A torre de controle do aeroporto de Salvador, por sua vez, havia comunicado
ao DAC ( Departamento de Aviação Civil ), que o CZN não havia cumprido o plano de vôo
reportado quando da decolagem do aeroporto de Bom Jesus da Lapa e nem respondia aos
insistentes chamados dos controladores que haviam perdido contato. Minha família já havia,
também,sido comunicada do desaparecimento da aeronave. Não havia celular à época e
agonia de meus familiares durou até minha passagem por Feira de Santana, onde,finalmente
parei para ligar para minha mulher que chorou copiosamnete -creio que de alivio- ao telefone.
Tudo o que aconteceu daí pra frente, à excessão da venda do CZN -praticamente como
sucata- para uma firma de Belo Horizonte, me foi informado pelo processo aberto pra apurar
as causas do acidente. Pasmem os senhores leitores: "PANE SECA" foi a conclusão das
investigações!!! Há muitas explicações para dar a voces que lêem este relato resumido. Elas
serão dadas no livro que estou escrevendo e que será publicado, penso eu, no ano de 2013.

Continua na próxima postagem......

Um ótimo final de semana a todos. Grande
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

13 - DESASTRE AEREO - continuação - VI



Ao me afastar, correndo, da aeronave com medo de uma explosão, não havia sequer notado os
hematomas e nem sentido as dores provenientes dos quadris e da parte baixa do abdomem,
consequência da pressão brutal exercida pelo cinto de segurança que cumprira com eficiência
sua finalidade... Já suficientemente distante, parei, voltei-me pa verificar se os outros dois já
haviam saído e, só então, voltei para ver se havia alguem ferido. Apenas o M. sofrera um
pequeno corte na mão direita, proveniente dos cacos de uma garrafa de água mineral, que sempre me acompanha e que se quebrara por ocasião do choque. Constadado o estado de normalidade dos dois, parei o primeiro veículo a passar pelo local (cerca de 15/20 minutos depois), e fui para o hospital de Amargosa, cidade para onde se dirigia o motorista. A dor sentida na região do baixo ventre, me levou a ter sérias suspeitas de que poderia ter sido vitima de graves danos internos, pricipalmente relacionados à bexiga.
Prontamente atendido pelo médico de plantão, fui orientado a me dirigir ao banheiro para
urinar, verificando se na urina havia algum vestígio de sangue. Pra meu alivio, nada notei de anormal
e o médico, após exame geral, constatou apenas hematomas de grande intensidade nas partes
laterais dos quadris, me dizendo que nada havia de mais relevante e me tranquilizando quanto ao
meu estado geral: - O próprio organismo se encarregaria de dissolver os hematomas, com o
tempo, concluiu. Retornei, então, já de taxi, para o local do " pouso ", já encontrando, na minha
chegada, uma viatura da Polícia Civil com dois policiais que foram alertados por alguem que vira
o avião em vôo silencioso e rasante, deduzindo haver algo de anormal.

Continua na próxima postagem.....

Bom final de semana a todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

12 - DESASTRE AEREO - continuação - V


Asa esquerda quebrada em consequência do choque com a cerca

Assim, tomamos a decisão de pousar na rodovia. Tudo teria saido mais ou menos bem,
não fosse o fato - só descoberto ao nos aproximarmos do solo - de que as laterais da
estrada, naquele local, em vez de acostamento, tinham uma barreira de cada lado, bem
mais altas do que as asas do Piper!!! A essa altura, nada mais poderia ser feito, alem da
tentativa do pouso. Para completar os agravantes, na ânsia de nos sairmos bem, os
pilotos haviam esquecido de baixar o trem de pouso. Tal procedimento
somente foi executado, manualmente, depois que luzes vermelhas piscantes e "bips"
insistentes provenientes do painel, os alertou para esta falha. No último momento, o
procedimento de baixar o trem de pouso foi finalizado. De imediato a aeronave tocou o
solo e o conjunto da roda dianteira do trem de pouso se partiu com o choque.

O avião pairou no ar sobre a
lateral alta da rodovia, bateu
com a ponta da asa esquerda
em uns morões da cerca da
fazenda, rodopiou no ar e
caiu estreptosamente no leito
da BA 046, com a frente virada
para o lado de onde viera (deu o
famoso "cavalo de pau ").
Imediatamente, o instinto de
conservação - que, ao contrário
do que propagam por aí, tipo
"minha vida toda passou em um
átimo pela minha mente", puro
papo furado - que comanda,
absoluto, todas as ações de alguem
que se encontre em tal situação,
fez com que eu, literalmente,
passasse por cima do co-piloto
que, aturdido, continuava sentado,
abrisse a porta e, saindo em
desabalada carreira, me afastasse o máximo possível do avião!...


Continua na próxima postagem.........

Excelente final de semana a todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

11 - DESASTRE AEREO. - continuação - IV -

                           


...De repente, houve uma falha dos motores, imediatamente corrigida pelo co-piloto,  pelo
simples manejo de uma alavanca. Depois vim saber tratar-se da alavanca seletora do tanque
de combustivel. É que pode ser selecionado o tanque de onde o comandante quer que venha o
combustível para os motores; deste modo, é possível ajudar a manter o equilibrio da aeronave,
manipulando a distribuição do peso. Perguntei se não seria melhor retornarmos à Bom Jesus
da Lapa. Prontamente os dois me disseram para ficar tranquilo, pois se tratava simplesmente
de uma questão de " seleção do tanque "... Voltei, então, a estudar os documentos relativos à
" medição " até que, ao sobrevoarmos a rodovia BR-116, os motores simplesmente pararam!!!
Apavorados pelo " silêncio ensurdecedor " dos motores, o MF.. e o suposto comandante de
bi-motores, sem saber direito o que fazer, precisaram ser alertados pela minha voz firme o
concisa, literalmente berrada aos seus ouvidos, pois me encontrava no banco imediatamente
atrás dos dois, para que se concentrassem apenas no comando. Deveriam substituir a força
propulsora dos motores, agora inexistente, pela da gravidade, evitando desse modo que o
avião " estolasse ". Era urgente a busca por um local para pousar! Lá do alto, este lugar nos
pareceu óbvio: a estrada estadual ( BA - 046 ), que liga a BR-116, nas proximidades de
Milagres, à cidade de Amargosa. Tratava-se de uma rodovia com pouquíssimo movimento,
tanto que não se avistava, até aonde a vista alcançava, nenhum veículo circulando.
O pouso de " barriga " no pasto de uma fazenda existente à margem da rodovia, foi uma opção
prontamente descartada: havia o risco de atropelar diversos animais ou, ainda pior, a  possibilidade 
da existência de um tronco de árvore derrubada, que seria fatal. Sem trem de pouso, o avião
seguiria uma rota retilínea, sem qualquer possibilidade de manobra, sendo inevitável o choque
e, talvez, a explosão do aparelho...

Continua na próxima postagem.....

Um ótimo final de semana a todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe