sexta-feira, 26 de maio de 2017

A história da professora AFONSINA - III -


                                                      - Exemplo de barco puxando canoas -
                                                                         ( foto Internet )

Disposto a não decepcionar o novo amigo e agora patrão, o jovem FRANCISCO atirou-se de corpo e alma aos seus afazeres. Estes compreendiam o acompanhamento " in loco " da colheita da castanha do Pará, feita por muitos e muitos homens sob seu comando, que se embrenhavam na mata todo dia, ao nascer do sol, em busca dos ouriços valiosos e retornavam à tardinha, não importando se era segunda-feira ou domingo. O castanhal era localizado a mais ou menos um dia de viagem desde a cidade até o interior do lago Erepecu. O deslocamento era feito em " motores " que, além de lentos, levavam ao reboque inúmeras canoas, necessárias na busca da castanha em lugares inacessíveis para um trabalhador a pé. Homens e víveres se amontoavam no convés e objetos e ferramentas que não necessitavam de proteção contra a chuva inesperada e constante, ocupavam lugares nas canoas.  Durante a safra era imperioso que os trabalhos não sofressem jamais solução de continuidade, não importando nem pequenos ferimentos em consequência de acidentes, e nem doenças que não obrigassem o trabalhador a ficar totalmente sem condições de se locomover.  Riscos monumentais ameaçavam a todos nessa coleta. De cobras peçonhentas a onças, de bandos de ferozes porcos do mato ou catetos às doenças tropicais, entre as quais se destacava a malária, companheira indesejada mas constante, a prostrar no " fundo de uma rede '' aqueles a quem acometia. E dela, o próprio FRANCISCO também não escapou. Ao contrário, por diversas vezes foi agredido por este mal muitas vezes mortal!!!
Após se inteirar de todos os detalhes das tarefas que lhe foram designadas pelo patrão e amigo, tanto teoricamente, nas conversas entre os dois, bem como conversando com outros " trabalhadores da castanha " mais antigos no ramo, quanto na prática, no trabalho na mata, FRANCISCO começou a ter mais tempo para estabelecer maiores contatos com as pessoas da cidade e, principalmente, com os familiares do sr JOSÉ. Como era de se esperar, ao demonstrar possuir aptidão total para com os seus deveres, ter iniciativas corretas e, especialmente, passar por todos os testes de honestidade feitos sistematicamente pelo patrão, a admiração de todos começou a se verificar e o jovem e simpático empregado passou a ser convidado, vez por outra, para fazer refeições na casa do empregador..
Ao se aproximar mais e mais da família do patrão-anfitrião, ficou conhecendo melhor seus filhos e filhas, em número de seis que, em ordem cronológica eram, DALILA, HILDEBRANDO, ADRIANA, CORINA, LAURINDA e SOTER. E foi na mais nova das filhas, a LAURINDA, em quem o jovem despertou um misto de admiração e bem querer. Tais sentimentos, comungados também por FRANCISCO - embora não devessem demonstrar nada do que sentiam um pelo outro, devido às rígidas regras sociais de então - acabou por aproximá-los, com a permissão tácita e até entusiástica de seu pai,  embora sem demonstração acintosa . E tudo isto acabou por levar os dois jovens a selarem um compromisso solene, primeiro perante a família da moça e depois perante a sociedade local, sendo logo  marcadas as cerimônias nupciais que seriam realizadas em data a ser confirmada, já no ano de 1933...
                                                         
                                                                       
Continua na próxima sexta-feira...
Bom fim de semana a todos.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

A história da professora AFONSINA - II -


Castanha do Pará



A empatia existente entre o jovem FRANCISCO e o Sr. JOSÉ CLEMENTINO DE 
FIGUEIREDO, logo deu lugar a uma amizade que, embora se verificando uma brutal
diferença de idade entre os dois, lá pelo quinto ou sexto dia de viagem, levou o Sr. JOSÉ
a dizer ao jovem novo amigo que ele não mais iria para o Estado do  Amazonas.
 Ao contrário, deveria esquecer a borracha e vir trabalhar com ele na cidade  onde morava
 e exercia suas atividades à frente de um extenso " castanhal " de sua propriedade.
A confiança mútua levou o jovem FRANCISCO a aceitar, sem muita delonga, a proposta
de emprego, embora não tivesse nem a mínima ideia do que seria um " castanhal " e muito menos
quais as condições de trabalho que lhe seriam disponibilizadas na tal localidade.
Convite aceito, alguns dias depois, o navio " gaiola " aportava na  cidade onde vivia o Sr. JOSÉ.
Na verdade, nem de " cidade " poderia ser chamada a pequena vila...
 Fundada  em 1877 pelo Padre JOSÉ NICOLINO DE SOUZA, na parte conhecida como
 " terra firme ", na margem esquerda do Rio Trombetas, teve como primeiro nome, conferido
 pelo seu lendário fundador, Uruá-Tapera .
 Pela Lei 1288, de 11.12.1886, foi elevada à categoria de Freguesia de Santo Antonio de
 Uruá,  pelo presidente da Província do Grão-Pará e Desembargador do Maranhão,
Dr. Joaquim da Costa Barradas.
 São imprecisas as informações sobre a vida da Freguesia, no período compreendido entre sua fundação e a data de 09.06.1894, quando o então Governador do Estado, Dr. LAURO SODRÉ, elevou-a à categoria de " Vila ", já com o nome de Oriximiná.
A criação do município, com a mesma denominação, se deu no dia cinco de dezembro do mesmo ano, sendo nomeado como primeiro intendente, o Sr. Pedro Carlos de Oliveira.
Por ocasião da chegada do jovem FRANCISCO, lá pelo início da década de 1930, a cidade era constituída por apenas três ou quatro ruas, que subiam preguiçosamente por ladeiras mais ou menos íngremes e desprovidas de qualquer obra que facilitasse o trânsito de seus habitantes. Uma destas ruas levava a uma praça ampla, no centro da qual fora erguida uma igreja, cuja pedra fundamental
 foi solenemente assentada e benzida, no dia  23.07.1922 - quando se comemorava o primeiro centenário da independência do Brasil - pelo Venerável Vigário da Paróquia de Óbidos, Frei Rogério 
Voger O.F.M.
 O jovem e aventureiro viajante, já demonstrara grande admiração pela paisagem encantadora,
 única para seus olhos nordestinos acostumados às terras áridas, logo por ocasião da chegada do
 " vapor " a foz do Rio Trombetas.
 Este rio, de águas límpidas e transparentes, contrastava de maneira brutal com as águas barrentas
 do Rio Amazonas, deixado prá trás lá pelos lados da cidade de Óbidos.
Completou-se seu encantamento, com a visão da estonteante beleza das praias alvíssimas
à frente da cidade e ele decidiu, naquele momento, que aquele lugar maravilhoso seria
pra sempre sua morada!
                                               
                                                               
Continua na próxima sexta-feira.
Bom fim de semana a todos.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

A História da professora AFONSINA - I -



NAVIO "GAIOLA"


Atendendo a alguns pedidos de amigos e parentes, volto a publicar neste espaço,
descrevendo da maneira mais fiel possível, a história da vida da minha mãe,
AFONSINA ELINDA ARAGÃO DE SOUZA, em sua passagem pela cidade
paraense de Oriximiná, localizada à margem esquerda do Rio Trombetas, contribuinte
importante, com suas límpidas águas, para aumentar o volume, já enorme, do maior
 rio do mundo, o Amazonas.
 Para que os leitores entendam tudo o que aconteceu na vida fecunda desta valorosa,
 heroica  e destemida mulher, é imprescindível começar sua história pela a história
do homem  que viria a ser seu esposo, e que, mercê dos mistérios insondáveis do destino,
a arrancou da tranquilidade em que vivia em Belém, sua terra natal, levando-a para ser
 protagonista importante na história da sua própria vida e na vida da cidade que a acolheu.
Nascido na cidade de Bananeiras, estado da Paraíba ( onde estive, em viagem de cerca
 de uma semana  no ano de 2014, juntamente com meus irmãos CLÉO e CLEISY,
a procura de seus parentes ), o Sr. FRANCISCO MARTINS DE SOUZA, então com 23
 anos de idade, a exemplo de muitos e muitos outros jovens nordestinos, inconformado
 com a falta de oportunidade para crescimento material em sua terra, resolveu procurar
 na região amazônica ( então a Meca dos lugares promissores no País, principalmente
 por conta da enorme valorização da borracha ), melhores condições de vida, demonstrando
 com tal iniciativa, desassombro e destemor na busca por seu ideal.
 Chegando à Belém, resolveu que, imediatamente, navegaria para o Estado do Amazonas,
 a bordo de um dos " vapores " que faziam a linha da capital paraense até Manaus,
 lugar onde viviam os donos de seringais, os famosos " barões da borracha ", assim chamados
 porque, afirmam, chegavam a acender charutos caríssimos com notas de contos de reis!
 As viagens, subindo o rio, demoravam até 20 dias para chegar ao destino.
 É que as caldeiras, cujo vapor gerava a força motora para impulsionar os navios,
necessitavam de muita lenha, que era recolhida em diversos pontos do percurso e, quando não
 havia uma quantidade suficiente para alcançar o próximo ponto de coleta, a espera
era inevitável, enquanto se recolhia a lenha complementar.
Com isto era de se esperar que durante a jornada,  os companheiros de viagem,
mantendo um convívio diuturno, passassem a se conhecer melhor, surgindo entre
alguns deles, não raro, um sentimento de simpatia e amizade. Foi exatamente o
que aconteceu entre o jovem FRANCISCO e um outro viajante, bem mais maduro,
que se chamava JOSÉ CLEMENTINO DE FIGUEIREDO...                                        
                                                                       
                                                                   
Continua na próxima sexta-feira.

Bom fds a tds.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

- DESCULPEM-ME, A INDIGNAÇÃO FALOU MAIS ALTO!!!

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                                                                        - pacu -
                                             
 Ao assistir a uma reportagem exibida pela Globo News, lembrei-me do absurdo por mim presenciado no porto de Manaus, numa das minhas inúmeras visitas anuais àquela cidade. Trata-se de um dos mais imorais fatos de que se tem notícia neste País, já repleto de imoralidades: o desperdício vergonhoso de alimentos, enquanto muitos conterrâneos morrem de fome!!!
Todos os anos, no período em que a vazante dos rios amazônicos tem inicio, a captura de peixes nos rios, igarapés e lagos da região, aliada à abundância de espécies como pacu, jaraqui, aracu e outras, é feita em grande quantidade. Ao chegarem à Manaus, diariamente, os pescadores não têm a quem
vender o produto do seu trabalho - o mercado consumidor é restrito e não há locais de
armazenamento - e são jogadas no lixo em média, 10 toneladas de peixes todos os dias!
Enquanto isto ocorre, no Nordeste Brasileiro, multidões passam fome! Há mais ou menos
10 anos, mandei um e-mail para o então Senador pelo Amazonas, Sr. Arthur Virgílio,
descrevendo este verdadeiro crime e sugerindo que instasse a quem de direito, a fazer a seguinte
operação: dispomos, na Base Aérea de Manaus, de nada menos que 8 aviões de carga
modelo C105A-Amazonas, de fabricação espanhola, capazes de carregar até 9,7
toneladas cada um. Por que não utilizá-los para trazer o pescado excedente da região,
acondicionado em containers refrigerados, para quem precisa dele???! Comprar-se-iam
os peixes por um preço simbólico (digamos, a dois reais) e se venderiam  nos diversos
municípios em estado de calamidade pública, aqui no nordeste, a preço subsidiado.
Com isto resolveríamos pelo menos tres problemas cruciais, a saber:

1- ajudaríamos o pescador da região a minimizar os prejuízos, afinal dois reais é melhor
do que nada;

2- mataríamos a fome dos flagelados das regiões carentes, que pagariam com prazer pelo
alimento, a preço subsidiado ( pois, ao contrário do que pensam os governantes de plantão,
o povo, em sua maioria absoluta, não quer nada de graça, como as famigeradas bolsas disso,
bolsas daquilo e cestas básicas, que só fazem humilhar o cidadão, como disse muito bem
o grande Luiz Gonzaga) e

3- diminuiria a terrível poluição decorrente do descarte de  peixes no lixo e principalmente
no Rio Negro, já muito poluído por outros agentes.

E não me venham com desculpas do tipo " os aviões não podem ser usados para esse fim ".
Os aviões são do povo, pois o governo não produz nada, só faz gastar ( e muito mal ) o
dinheiro arrecadado deste mesmo povo que, garanto, autorizaria, em um eventual plebiscito,
seu uso para este fim nobre!!! Que as devidas providências sejam tomadas, urgente, uma
vez que tal desperdício imoral, acontece todos os anos nesta mesmo época..



                                                                 - jaraqui -

Um excelente final de semana a todos. Se possíavel, deixem suas opiniões nos
comentários abaixo do texto.
Abraço e bom final de semana.

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limape

sexta-feira, 28 de abril de 2017

- ADVERTÊNCIA AOS LEITORES


Quero aproveitar este momento  para advertir aos meus caros leitores - principalmente
os do sexo masculino - a se cuidarem, fazendo rotineiramente os exames necessários à
manutenção da saúde. O enfrentamento de tais doenças, as angústias que me acometeram
quando no aguardo do resultado de exames mais detalhados, as noites insones ou mal
dormidas por conta das preocupações minhas e das pessoas que me amam, me levam a
advertir a todos, pra que deixem de lado as " frescuras " e/ou pudores do tipo " nada de
dedada! ", pois a vida é muito mais importante do que qualquer outra coisa! A preservação
da vida não admite brincadeiras! Ela é única e muito preciosa; a não ser que você não se
ame a si mesmo!
 Saiba que, quando estava sendo submetido ao procedimento cirúrgico, na
sala ao lado estava sendo submetido ao mesmo procedimento, um homem com apenas 45
anos de idade!!! Muito diferente de mim, àquela altura, com 70 anos! Descobri que o
câncer de próstata acomete a cerca de 98% dos homens que, se não morrerem antes, em
algum momento da vida terão que enfrentar esta terrível moléstia. É estarrecedor, eu sei;
mas temos que enfrentar os fatos como HOMENS que somos! Feitas estas conclamações
e advertências - por quem tem autoridade pra fazê-las -  devo dizer que a partir da próxima
sexta-feira, retornarei às narrativas dos episódios finais desta minha saga, apresentando o
sétimo acidente de que fui vítima e do qual inacreditavelmente sobrevivi, embora tenha a
lamentar a morte dolorosa dos outros dois participantes dele...

Um ótimo final de semana a todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 21 de abril de 2017

40 - PALAVRAS FINAIS...

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Resta-me agradecer a todas as pessoas que ao longo da minha vida, me prestaram, com
todo o amor, carinho, competência e abnegação, toda a assistência necessária - e às vezes
bem acima das necessidades - durante e após os acontecimentos narrados, sem o que
talvez não me fosse possível estar aqui a contar estas histórias. Seria exaustivo nominá-las.
Limito-me apenas a homenageá-las a todas, através de duas pessoas fundamentais na minha
vida: minha primeira mulher - de saudosa memória - WALKYRIA e minha atual mulher
SANDRA. Evidente que nunca esquecerei, também, os médicos que me atenderam com a
mais profunda competência e dedicação, principalmente - pela ordem cronológica - os
Drs. JOÃO SOUSA, NILZO RIBEIRO, ÁLVARO RABELO, MARCOS GUIMARÃES
e MAURÍCIO FUCS.
 O gênio humano que criou as mais  diversas tecnologias no ramo da
medicina, merece também minha lembrança, embora de nada valessem não fora a maestria
dos seus  executores que as usaram com o mais absoluto sucesso, em meu benefício.
Ao meu amigo irmão ARMANDO ULM, agradeço por me ter "advertido" no sentido de me cuidar com bastante esmero - já tinha usado todas as "sete vidas" - advertência que me levou à decisão
de narrar aqui estes fatos que, embora carregados de traumas e sofrimentos, me proporcionaram
um auto-conhecimento mais profundo e contribuíram enormemente para o meu
amadurecimento emocional e intelectual. Estou no momento me sentindo tão bem que,
no limiar dos 76 anos, voltei a me exercitar diariamente, usando o ciclismo como
instrumento mantenedor da forma física.

A todos agradeço as presenças e espero que continuem me visitando sempre que possível.
Abraço e um ótimo final de semnana.
Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 14 de abril de 2017

39 - O NONO EVENTO - final

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                                        No  hospital, com o Dr. MAURICIO FUCS

Confirmada a necessidade de uma nova cirurgia, apresentou-me, o Dr. Maurício, as duas
alternativas para a consumação do procedimento terapêutico: a cirurgia laparoscópica e a
tradicional. Disse-lhe, sem hesitação, que me queria submeter à cirurgia tradicional e o mais
rápido possível! Como meu médico cardiologista, Dr. Marcos Guimarães, havia requisitado
todos os principais exames de sangue para completar o monitoramento que faz regularmente,
sempre que me submeto a revisão do marca-passo cardíaco, aproveitamos os resultados
destes exames para abreviar a data da cirurgia. Esta foi marcada para dali a uma semana.
Exatamente no dia 22.05.12, às oito da manhã, fui submetido à cirurgia para retirada total do
rim direito (nefrectomia radical ). Tudo saiu às mil maravilhas, mercê da competência e pericia deste
 meu querido amigo que, assim como ocorrera há um ano, livrou-me de mais um indesejável
tumor.
Como é sempre feito nestes casos, o rim extirpado foi remetido para estudos
anátomo-patológicos, resultando na constatação da malignidade do tumor. Graças porém,
à minha constante visita aos meus médicos, estes resultados apontavam para o total
confinamento da moléstia, não havendo necessidade de nenhum outro tratamento
complementar. No entanto, prossigo com o monitoramento diuturno das minhas condições
de saúde pois, tenho plena consciência de que este mau terrível pode reaparecer a qualquer
 momento, sendo necessária toda a atenção para qualquer tipo de sinal que possa ser
interpretado como uma recaída. Claro que minha expectativa é de nunca mais voltar a ser
vítima desta maldita moléstia que causa anualmente a morte de uma multidão pelo mundo
em fora...


A todos os meus amigos e visitantes, desejo um ótimo final de semana.
Abraço.

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 7 de abril de 2017

38 - O NONO EVENTO. - parte I

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Após externar toda a minha indignação com o absurdo desperdício de alimentos, anualmente
ocorrido em Manaus, volto à narrativa do ( até o momento ), último episódio
potencialmente mortal da minha longa e feliz vida.
 Como disse, mercê da dedicação da minha mulher, continuei a fazer, periodicamente, todos os exames necessários à manutenção da saúde, mesmo porque, após a cirurgia a que fui submetido
 em 2011, exames periódicos são necessários para monitoramento das possíveis cominações subsequentes. Ao ser instado a me submeter à uma ultrassonografia do abdome e outra só do
aparelho urinário, para minha total estupefação, o médico me informou, em plena execução do procedimento, da existência de um tumor na parte superior do rim direito. Ora, como havia sido operado há menos de um ano, claro que fiquei muito preocupado, atribuindo ao primeiro
carcinoma, a existência do atual tumor recém descoberto! Estaria, pensei, sendo vítima da terrível
metástase!
Como o resultado da ultrassonografia me foi entregue na hora, corri para o
consultório do meu médico e amigo Dr. Maurício Fucs, lá no Hospital Português, 
 cujo setor de urologia ele chefia.
Ao verificar o resultado do exame, disse-me ele não ter condições de precisar a natureza do
 tal tumor e me prescreveu a realização de uma tomografia computadorizada do órgão:
somente com o resultado deste exame, poderia afirmar que tipo de tumor seria, adiantando-me
 que a maioria esmagadora das vezes, este tipo de tumor é maligno!!!....

Continua na próxima postagem....

Bom final de semana a todos, grande abraço.

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 31 de março de 2017

- O OITAVO EVENTO

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Quando planejei narrar neste espaço, a história dos acidentes potencialmente mortais
de que fui vítima, imaginei já os ter superado, a todos, em número de 8. A narrativa
deveria ser uma resposta à provocação do meu amigo  ARMANDO ULM, que, um belo dia,
me instara a ter a máxima prudência dali em diante, pois " já havia esgotado, como os
gatos, as minhas sete vidas ". Mas, depois dessa advertência, enfrentei e superei um oitavo
episódio potencialmente letal ( o oitavo! ), que consistiu na descoberta e enfrentamento
de um adenocarcinoma que me obrigou a ser submetido a uma prostatectomia, em junho do
 ano de 2011, graças à agressividade da moléstia. Esta postagem, dividida em dois módulos, considera a cirurgia acima, o oitavo evento inicialmente sequer suspeitado...
E, por mais inacreditável que possa parecer, logo a seguir - inicio de 2012 -acabei por descobrir, enfrentar e vencer, um segundo e gravíssimo carcinoma, desta vez detectado no meu rim direito!
Desta forma, já estou superando o felino em duas sobrevivências!
Quando afirmo ter superado d e f i n i t i v a m e n t e os dois carcinomas, estou baseado em diagnósticos exaustivamente estudados por especialista de proa da medicina nacional.
 Graças ao meu hábito de me submeter a exames regulares, ambos foram descobertos a tempo e
extirpados, sem a necessidade de nenhum dos tratamentos complementares e dolorosos,
tais como as quimio e/ou radioterapias...

Um ótimo final de semana a todos.
Abraço do amigo,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 24 de março de 2017

COISAS QUE SÓ ACONTECEM NO BRASIL...

                             
                            Mercado MAO


Mais uma vez  chego à  Manaus e me vejo frente a frente  com uma situação  inusitada e revoltante. Ao chegar, bem cedinho, ao porto, para embarcar no navio que  me levará  até a cidade de Oriximiná, onde devo visitar alguns amigos de infância e passar alguns dias na fazenda de um deles,  constato, novamente, que continua o desperdício imoral de algumas toneladas de peixes, resultado da diutuna pescaria feita por profissionais artezanais do ramo. São  muitos e o resultado delas, demonstra o quanto os rios amazônicos são  generosos. Inúmeras  e variadas embarcações, chegam bem cedinho à  orla da cidade e, incontinente, começam a comercializar as variadíssimas espécies. São,  principalmente,  tambaqui, pacu, curimatá, jaraqui, mapará, surubim, acari ( ou bodó ),  aruaná e outras espécies menos comuns.
O limitado número de compradores, não tem capacidade de consumo suficiente sequer para absorver metade dos peixes oferecidos. É  que, uma grande quantidade das espécies  de maior valor comercial, é  adquirida pelos peixeiros do mercado de peixe, em carretas frigoríficas provenientes de cidades interioranas, tradicionalmente fornecedoras de peixes de melhor qualidade, tanto dos rios como de criatórios. Lá, por volta de meio dia, na iminência da perda total das sobras, os pobres trabalhadores, heróis  da cansativa faina no rio, começam  a apregoar, a plenos pulmões, a oferta de até  50 unidades por apenas R$ 5,00 ! Mais algumas poucas unidades vendidas e começam a descartar as sobras, imprestáveis, mercê  da exposição às  intempéries, já  que não  há  nenhum tipo de refrigeração. As sobras - que contam-se em toneladas - são  simplesmente descartadas no Rio Negro!
Enquanto isto, no Nordeste brasileiro, há  pessoas morrendo de fome !
O que falta para nossos incompetentes  e egoísta governantes, colocarem containers com gelo, para serem transportados nos aviões Hércules  ( aqueles mesmos usados no transporte dos corpos das vítimas do acidente aéreo com a equipe da Chapecoense ). Tais equipamentos, fabricados para transportar cargas pesadas, permanecem parados em diversas bases aéreas espalhadas pelo território nacional, ociosos ou apenas eventualmente utilizados. A sugestão é  que o Governo compraria os peixes nas mãos  dos pescadores a, digamos, 2 reais o quilo e transportaria para o Nordeste do País, vendendo o produto aos necessitados e atingidos duramente pela seca prolongada, a 5 reais o quilo e, se não  for  legal a criação  desta despesa, uzar-se-ia a diferença de 3 reais, para pagar as despesas com o combustível.
É  imoral e vergonhoso jogar comida no lixo, enquanto muitos morrem de fome !
Inacreditável a falta de iniciativa dos nossos governantes!!!






sexta-feira, 17 de março de 2017

UMA AVENTURA MAIOR AINDA !



Como todo Amazônida que se preza, VALDENI, desde muito cedo acostumou-se a se esbaldar nas brincadeiras com meninos de sua idade, nas águas do rio Aripuanã, que banha o povoado de Vila do Carmo, uma pequena comunidade no município de Apuí, Estado do Amazonas, onde nasceu.
Apenas despontou a adolescência, porém, ele descobriu, aos poucos, que sua paixão pelo esporte não seria concretizada pelas disputas na água, pois começou a sentir uma irresistível atração pelas bicicletas. Na simplicidade da situação financeira de sua família interiorana, acostumou-se a pensar que possuir uma delas era um sonho inalcançável. Sua paixão, entretanto, era aqui e ali, acalentada por momentos fugazes, mas de puro êxtase, que experimentava sempre que conseguia emprestado uma " magrela ",de propriedade de algum amiguinho, que tinha o privilégio de possuir uma, naquele improvável lugar interiorano. Como todo sonhador que se preza, porém, VALDENI jamais deixou-se abater; ao contrário, sempre que podia, fazia pequenos trabalhos aqui e ali e, sempre que estes trabalhos lhe rendiam alguns trocados, ia guardando, com o objetivo firme e decidido de um dia poder comprar, nem que fosse uma de segunda mão...E tantos foram os anos, e tantos foram os esforços, e tantos foram os trabalhos, que à medida que crescia, passaram a ser mais importantes - e por isso mesmo, melhor remunerados - que um belo dia pode, com muito orgulho, comprar a tão sonhada bicicleta.
Lá um dia, já  maior de idade, teve a ideia de fazer algumas " viagens " pedalando para lugares cada vez mais distantes. Nessas viagens se sentia tão confortável, que lhe parecia cada vez mais possível conquistar o mundo pedalando! E foi o que ele fez!!!
Um belo dia em que conseguiu uma bicicleta mais moderna e de qualidade, para espanto dos parentes e amigos, saiu pedalando com o objetivo de percorrer todas as Capitais brasileiras no menor espaço de tempo possível. Nenhum patrocínio conseguiu; mesmo assim, começando pela capital de Roraima, a bela Boa Vista, onde chegou levado junto com seu xodó, pela generosidade de um caminhoneiro, rumou em direção à capital de seu próprio Amazonas, a cidade de Manaus, sem sequer parar, já que seu objetivo era cumprir o percurso no menor tempo possível. E sucederam-se Rio Branco, Porto Velho, Cuiabá...até finalizar na capital paraense, a belíssima Belém do Pará.
 Conferido o total de dias da jornada, constatou-se que ela foi cumprida em exatos 232 dias e que foram percorridos nada menos que 20.626 km!
Esta constatação significou que VALDENI PINHEIRO ALVES ( este seu nome completo ), é, até o momento, o único brasileiro a fazer tal jornada neste tempo!
   Na volta pra casa foi recebido pelos conterrâneos com uma merecida festa de boas vindas, nos limites das disponibilidades locais. Mas,  passadas as festividades, a inquietação e a busca por novas conquistas, fizeram com que esse homem interiorano, ainda desta vez, sem patrocínio, começasse a pensar em novas façanhas. Assim, resolveu refazer o percurso, começando porém, desta vez, pela sede do seu município. Partiu, então de Apuí, desta vez pela BR-230, a Transamazônica, rumo à capital paraense, Belém, seguindo-se São Luiz, Palmas, Teresina, Fortaleza, Natal, João Pessoa, Recife, Maceió, Aracaju e, ao entrar em território baiano pela Linha Verde, eis que o encontro parado no acostamento, já na Estrada do Coco. Não exitei um só instante e parei com a intenção de ajudá-lo. Já tinha, porém, usando seus próprios recursos, resolvido o problema.
Adiantou-me, durante a nossa rápida conversa, que cumpriria o seguinte itinerário, a partir de Salvador: Vitória, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Campo Grande, Cuiabá, Rio Branco, Porto Velho, Manaus, Boa Vista e, finalmente, Macapá, onde completará o CIRCUITO DAS CAPITAIS, como ele mesmo designou sua epopeia.
Restou-me a felicidade e a honra de tê-lo conhecido e ter, a seu pedido, posado ao lado deste grande guerreiro. Estarei aqui torcendo para que tudo dê certo...
Resta-me desejar que consiga seu nobre mas bem perigoso objetivo...
Boa jornada, meu nobre, valente e novo amigo!!!

sexta-feira, 10 de março de 2017

EM BUSCA DE AVENTURA - V - Final.




Durante a espera, acabei mantendo conversas com alguns militares que me
advertiram para o fato de eu ter passado por perigos mortais, no caminho 
percorrido até ali e que esses perigos seriam ainda maiores nos próximos
quilômetros a percorrer até a cidade de Vilhena, além da qual estaria menos
exposto aos perigos. Claro que procurei saber, em detalhes, do que eles
estavam falando. Pra meu espanto, contaram-me que, naquela região, havia
quadrilhas que simplesmente emparelham com os carros escolhidos -
principalmente os novos e com valor razoável como era o meu - mandavam os
condutores parar, os tiravam dos veículos, tudo sob o poder das armas -
geralmente escopetas calibre 12 e até metralhadoras - , atiravam na cabeça
das infelizes vítimas, jogavam seus corpos insepultos às margens da rodovia e
levavam o carro, através de uma das incontáveis estradas vicinais de terra
batida, que passam pelas fazendas da região - nenhuma delas aparece em
mapas oficiais - até a Bolívia, cerca de 50 a 70 km de distância daquele
local onde, um bandido brasileiro, pagava qualquer bagatela ( cerca de 4 mil
reais, na moeda de hoje ), pelos carros roubados e levados até ele!
 Temendo qualquer problema na continuidade da viagem, recorri, por
 intermédio de um telefonema, ao meu saudoso e querido amigo, 
Cel. João Araújo, na oportunidade comandante da Polícia Militar da Bahia
( que, para minha sorte, estivera há apenas uma semana numa reunião
 em Cuiabá, com os comandantes das Polícias Militares de todo o Brasil ),
 a quem contei a história toda. Preocupado, ele falou incontinente com o
 comandante da PM do Mato Grosso. Embora liberado imediatamente
 por uma ordem direta e pessoal do comandante, evidente que resolvi 
pernoitar na cidade. Na manhã seguinte, pra minha surpresa e satisfação,
 fui escoltado por um carro da Polícia Militar, até um trecho onde não
 mais correria risco de assalto. Assim, cheguei ao meu destino sem mais
 problemas.
 Como, há muito, desejava fazer uma viagem de navio 
de Porto Velho à Manaus, aproveitei a ocasião e empreendi
 a viagem de volta descendo o Rio Madeira, de barco, até a capital 
do estado do Amazonas e prossegui de avião, via Brasíliaretornando
 até Salvador, também de avião.
 Assim, termina mais uma história com final feliz na minha vida.
 Até a próxima sexta....

Um ótimo final de semana a todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 3 de março de 2017

EM BUSCA DE AVENTURA IV




Cheguei à capital do Mato Grosso por volta de meio dia. Almocei num
restaurante flutuante que fica no meio do rio ( não guardei o nome ) e prossegui,
 viajando em uma estrada muito irregular e totalmente deserta, onde apenas de 
raro em raro, se cruzava com algum veículo. Lá por volta de 5 horas da tarde, ao 
passar pelo posto de fiscalização da Policia Rodoviária Estadual, nas proximidades
da cidade de Cáceres, no norte de Mato Grosso, fui parado por um policial e
intimado a apresentar os documentos pessoais assim como os do veículo.
Ora, tudo isto já me pareceu estranho, pois durante toda a minha vida, jamais
havia sido parado numa "blitz" ou num bloqueio policial. Esta condição me
levara até a ser instado pelo meu amigo PEDRO BARROS
 ( claro que a título de brincadeira ), durante uma outra viagem que
 empreendemos de Belém à Salvador, a fundar uma quadrilha, da qual 
eu seria um excelente chefe, já que nunca me paravam para averiguação...
Depois de verificarem os meus documentos e os do veículo - que estavam em
nome da minha firma - embora constatando estar tudo em ordem pois, quando
apresentei os documentos, mostrei também o contrato social da empresa, para
verem que eu era um dos proprietários - os soldados solicitaram que os
acompanhasse, dirigindo o Santana, até o quartel da corporação localizado
dentro da cidade. Visivelmente contrariado e demonstrando, acintosamente,
esta contrariedade, acompanhei o veículo oficial, entendendo que  ao chegar
ao quartel, seria imediatamente liberado por um oficial superior, assim que ele
tomasse conhecimento da exatidão e idoneidade dos meus documentos e
ouvisse os meus argumentos. Ledo engano! Mandaram que aguardasse, pois
iriam passar, via fax, o número do chassi do carro não sei pra onde, com o
objetivo de certificarem-se da autenticidade do documento - na verdade, uma
consulta não sei a que órgão para verificar se o carro era roubado -. As
comunicações, naquela época, não eram como hoje e exigiam uma boa
demanda de tempo. (As telecomunicações no Brasil só passaram a ser eficientes,
como as conhecemos hoje, a partir do governo do grande FHC que, depois de
privatizar as estatais da área, ineficientes e que serviam apenas de " cabides de
emprego " para cupichas de políticos desonestos, nomeou o Sérgio Mota para
seu ministro da área e este, por sua vez, convidou para chefiar a equipe que
implantaria o atual modelo, meu querido, competente e saudoso amigo e
conterrâneo - nascido, como eu, na cidade de ORIXIMINÁ, oeste do PARÁ,
Renato Navarro Guerreiro, lamentavelmente falecido, ainda novo ( no ano de 2011 )...

Continua na próxima postagem....

Um ótimo final de semana a todos e até a próxima sexta.
Grande abraço.

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

EM BUSCA DE AVENTURA - III



Ao comprar, aqui em Salvador, o carro que nos serviria durante nossas estadas
na cidade de Porto Velho, o mais simples seria colocá-lo na carreta que tínhamos
para transporte dos tratores e equipamentos, e mandar levar. Mas esta providência
seria muito simples para mim que adoro aventura. Resolvi, então, eu mesmo, levar
o Santana ( na ocasião uma das melhores " carroças " - nas palavras do Fernando
 Collor de Mello - montadas no Brasil ).
 Ignorando tudo a respeito do percurso até Porto Velho
( somente conhecia as estradas até Brasilia ), iniciei a viagem numa bela manhã
de segunda-feira, imaginando que chegaria ao meu destino, no máximo, em quatro
dias. No primeiro dia, almoçei em Ibotirama, cidade baiana localizada às margens
 da Rodovia BR 242 e do " Velho Chico " e prossegui, pela mesma rodovia, até
 chegar à cidade de Posses, já em território goiano, onde parei para pernoitar. Reiniciei
 a viagem na manhã seguinte, rumo à Goiânia, onde deveria dormir no segundo dia.
 A jornada continuou bem cedinho, rumo à capital do Mato Grosso, Cuiabá
Este já era o terceiro dia...

Continua na próxima postagem.......

Bom final de semana a todos, feliz carnaval e
Grande abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

- EM BUSCA DE AVENTURA - II -


                                              Meu " trofeu " exibido com vergonhoso orgulho...
                                                     - nesse tempo a caça não era proibida -

Ah! Porto Velho... Quantas recordações! Logo começamos a fazer amigos e
amigas. A vida social era uma festa só. Cidade cosmopolita, atraindo à época
muitos e variados profissionais  principalmente ligados à área do agronegócio,
apresentava muitas oportunidades aos empreendedores que quisessem trabalhar.
Para tal, contavam com incentivos governamentais em formas de empréstimos
baratos e a longo prazo, além da possibilidade de captação de recursos por
intermédio da SUDAM, abatíveis do imposto de renda das Pessoas Jurídicas
interessadas em investir na região. O desmatamento era visto como
benefício imprescindível e urgente para o desenvolvimento. Substituir a floresta
nativa e intocada por pasto ou produtos agrícolas, principalmente o cacau, 
representava um sinal de patriotismo e abnegação. Quanto mais célere a
derrubada acontecia, mais admirado e elogiado era o empresário e
empreendedor. A meta do Governo girava em torno do lema " integrar para
não entregar ".  Ariquemes passou a se destacar na produção de cacau, assim
como já era referência nacional o município de Cacoal, na produção de café.
Mas, nem só de trabalho duro era feita a vida. Nem só a malária - endêmica na
região -, se pegava por lá... Aos domingos nos reuníamos em nossa casa ou
nas casas ou chácaras dos amigos, para um churrasco ou simplesmente para
conversar e trocar experiências. Numa dessas reuniões, na chácara de um
amigo que era o gerente regional da Varig, ocorreu um episódio marcante que
vale a pena ser narrado. Estávamos numa animada roda de papo descontraído,
quando chegou, meio espavorido, um dos empregados da chácara. Anunciava,
espantado, a descoberta, às margens do igarapé que serpenteava pelo
terreno, de uma " descomunal " - foi este o termo que ele usou - cobra,
possivelmente " sucuriju " ( sucuri ), enrolada e comendo um animal que não
deu pra identificar. Fomos até o local e constatamos, na margem oposta, um
" rolo " enorme de cobra. Como naquele tempo não era proibida a caça, peguei
o carro e fui até nossa em casa buscar uma espingarda de caça submarina que
mantinha lá, esperando por uma pescaria que me prometera um outro amigo,
nas águas transparentes de um certo rio da região ( creio que Rio Machadinho ),
onde havia muitos e " enormes tucunarés ". A propósito, esta pescaria jamais
aconteceu. Enquanto me deslocava para pegar a arma, o dono da chácara
mandou avisar à equipe do Amaral Neto, que se encontrava na cidade
produzindo um daqueles programas muito vistos então, chamados  " Amaral
Neto - o repórter ". Quando retornei, todos já se encontravam a minha espera,
ansiosos por me verem caçar " o bicho ". Embarquei  numa canoa, levando o
caseiro como remador e rumamos em direção à outra margem, seguidos por
outra canoa que conduzia a equipe do Amaral Neto, que iria documentar a
caçada. Mandei o rapaz se aproximar o mais possível e, a cerca de um metro
de distância, curvei-me na borda da canoa, mergulhei a espingarda
apontada na direção do imenso " rolo " e acionei o gatilho, varando com o arpão os
anéis do estático e indefeso animal que foi traspassado pelo terrível aço. Ah!
quanto tal lembrança me faz sofrer hoje em dia! Como eu era imbecil naquele
tempo! Hoje, não sou capaz de matar animal algum, por mais nocivo que
possa parecer... A beleza daquela sucuri pode ser apreciada na ilustração
que enriquece esta postagem...Mas, a verdadeira aventura que me levou a
relembrar tudo isto, narrarei nas próximas sextas-feiras...

Continua na próxima postagem......

Um ótimo final de semana a todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

- EM BUSCA DE AVENTURA - I -



... E começou a mobilização. Transferência de equipamento, desmatamento do local
para a  motangem das instalações do canteiro de obras constantes, como de praxe, de
um barracão para oficina, tendo anexo o almoxarifado; o soerguimento do escritório
da obra; a construção de uma cerca delimitando as instalações, etc. Por volta de um
mês depois, iniciaram-se os serviços, comandados pelo diretor técnico, meu querido,
competente e saudoso amigo e sócio Cesar Cabral, que viria a ser assassinado
misteriosamente lá mesmo, na cidade de Ariquemes, dez anos depois do término da
obra. Como assinalei em postagem anterior, nesta época já não mais fazia parte da
sociedade, da qual me desliguei no ano de 1980, por motivos também já relatados
anteriormente - saúde, implante do marcapasso -. Durante a execussão dos serviços, lá
pelo ano de 1977, surgiu a oportunidade de adquirir lotes de terreno, às margens da
RO - 01, vendidos em licitação pública nacional pelo INCRA, na chamada Gleba
Burareiro. Resolvemos adquirir lotes de terreno nesse local - onde, de resto, já
estávamos instalados - com o objetivo de implantar roças de cacau. Além das instalações
no local da obra, alugamos uma casa em Porto Velho, onde ficavamos hospedados,
meu sócio e eu, sempre que precisavamos estar naquela capital. Logo sentimos a
necessidade de comprar um automóvel para nos servir durante nossa permanência em
Porto Velho. Os veículos que serviam à administração da obra não deviam ser utilizados
para outros fins, sob pena de prejudicar o bom andamento dos serviços, além de não
serem adequados para transporte na cidade (camionetes Toyota e Ford F-75)...

Continua na próxima postagem......

Bom final de semana a todos, voltem sempre.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

- EM BUSCA DE AVENTURA - introdução -

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Lá pelo início do ano de 1976, tomei conhecimento, por intermédio do pessoal do INCRA
que fiscalizava as obras da Serra do Ramalho, realizadas pela minha empresa de terraplanagem
e planejamento agrícola, que o Governo de Rondônia realizaria uma licitação para a construção
da primeira estrada estadual, denominada RO-01. Como nossos serviços estavam chegando ao
final naquela localidade, resolvi participar desta licitação, o que evitaria que nossos serviços
sofressem solução de continuidade. Na véspera da data marcada para a concorrência pública,
viajei para Porto Velho munido de todos os documentos exigidos no edital, com o firme propósito
de vencer a licitação. Para minha satisfação, logrei êxito total nessa empreitada, vencendo a
concorrência para a execução das obras na citada rodovia. Os concorrentes, quase todos de fora
de Rondônia, temiam as enormes dificuldades que enfrentariam para deslocar o equipamento
necessário à execução da obra, desde suas sedes e acabaram por exagerar na oferta dos preços.
Mesmo sabendo das despesas com tais deslocamentos, os preços por mim apresentados, assim
como os atestados de idoneidade técnica e financeira, acabaram por fazer com que nossa firma
ganhasse a licitação. Concorrência ganha, ofereci um jantar no restaurante da moda em Porto
Velho, localizado na parte alta da cidade, às margens do Madeira, proporcionando uma vista
maravilhosa do rio. Colegas empresários e prepostos concorrentes, me deram o prazer de
participar deste jantar comemorativo...

Continua na próxima postagem.....

Um ótimo final de semana a todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

36 - OS ACIDENTES DE VEÍCULO - Estrada do Coco - final

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Ao concluir a narrativa dos sete primeiros acidentes e incidentes potencialmente mortais
que me marcaram a vida, devo reiterar a minha absoluta tentativa de não falsear ou
mascarar a verdade, valendo-me para tanto de depoimentos com conclusões coincidentes,
feitos por fontes diversas, tanto de pessoas a mim ligadas afetivamente - caso dos meus
irmãos e irmãs - quanto por meros conhecidos e conhecidas com os quais mantenho apenas
ligações amistosas. Devo dizer que, embora admirador de Anatole France e seus escritos,
com ele não concordo mesmo quando ironicamente, em uma de suas obras - A Vida em
Flor - declara : "Gosto da verdade. Acredito que a humanidade precisa dela; mas precisa
ainda mais da mentira que a lisonjeia , a consola, lhe dá esperanças infinitas. Sem a mentira,
a humanidade pereceria de desespero e de tédio". Estou mais para o Papa Leão XIII quando
disse : "A primeira lei da história é de não ousar mentir; a segunda de não temer exprimir
toda a verdade"... Ainda assim, consciente de todas as mazelas humanas, sei que a
assertiva de Shakspeare numa passagem de Hamlet na qual declara peremptoriamente :
"Embora casta como o gelo e pura como a neve, não escaparás à calúnia", me deixa preparado
para não levar em conta as possíveis declarações e/ou opiniões maldosas dos descontentes
com minhas narrativas. Não acusei ninguém; procurei narrar os fatos com toda a isenção,
embora alguns personagens merecessem referências negativas de minha parte atingido que
fui por suas irresponsabilidades extremas...

Um ótimo final de semana a todos, obrigado pela visitas.

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

35 - OS ACIDENTES DE VEÍCULO - Estrada do Coco VI -

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Depois de algum tempo, conhecidos o conteúdo de vários depoimentos na Delegacia de Polícia de
Vila de Abrantes e, segundo ainda informações por mim colhidas, inclusive junto à
esposa de uma das vítimas fatais, o que aconteceu, em linguagem menos
técnica, foi o seguinte: as duas vítimas fatais, carbonizadas na ocasião do acidente, eram funcionários
( topógrafos ) da construtora Norberto Odebrecht que, naquele período, estava construindo
o complexo de Costa do Sauípe. Para conduzir seus funcionários residentes em Salvador
e ao longo da Estrada do Côco, a empresa disponibilizava diversos ônibus que, em horários
pré-estabelecidos, recebia os trabalhadores em determinados locais, para levá-los ao canteiro de obras. Na véspera do dia do
acidente, um domingo (28.03.99), houve uma festividade no Farol da Barra onde foram
apresentados alguns trios elétricos, atraindo muitos populares para a diversão, entre eles os
dois ocupantes do veículo que colidiria com o meu na manhã do dia seguinte. O evento varou
a madrugada e, sem dormir, os dois acabaram perdendo o ônibus que os conduziria ao trabalho.
Para não perder o dia, resolveram pegar o próprio  carro e seguir no mesmo pela Estrada do Côco
com destino ao canteiro de obras...

Continua na próxima postagem......

Um ótimo final de semana a todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

34 - OS ACIDENTES DE VEÍCULO - Estrada do Coco - V

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Feitos os procedimentos necessários pelos profissionais do pronto-socorro Roberto Santos
e não havendo naquele nosocômio nenhuma ambulância disponível, mandei contratar uma,
para me levar até o COT Canela, Clínica especializada em traumatologia, onde fiquei
internado por vários dias. Exames mais detalhados feitos no COT, evidenciaram, conforme
laudo médico assinado pelo Dr.Gustavo Henkes, os seguintes traumas: "lesão parcial do
tendão do quadricips à direita; fratura-luxação Carpo-Metacárpica à direita; fraturas de arcos
costais à direita", além de cortes provocados por vidros do óculos usado na ocasião, que se
quebrou com o choque, atingindo a região ao redor do olho direito. No mesmo dia fui
submetido a uma cirurgia para corrigir a lesão do tendão do quadrícipes. O procedimento
cirúrgico para reduzir as fraturas múltiplas da mão direita, por ser mais demorado e complexo,
ficou para o dia seguinte. E o dia seguinte poderia ter sido o meu último dia nesta vida...
Durante o procedimento cirúrgico, comandado pelo competente médico, Dr Luís Shipper,
tive uma parada cardíaca de, mais ou menos, 3 minutos! Verificado o impasse, foram
imediatamente executados os procedimentos de praxe, culminando, ao fim de 3 minutos,
como disse, com a minha ressuscitação. Devo declarar, muito claramente, que não vivenciei
 nenhum fenômeno desses largamente difundido por pessoas que ficam em estado chamado
de "quase morte". Nada de "saídas do corpo", auto- contemplação em estado inerte e outras
baboseiras mais deste tipo...
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Continua na próxima postagem......

Bom final de semana a todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

33 - OS ACIDENTES DE VEÍCULO - Estrada do Coco - IV -

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A constatação pelos componentes do grupo dos " Anjos do Asfalto ", de que nada mais
era possível fazer pelos ocupantes do outro carro, fez com que eles se voltassem para o
meu atendimento. Deitaram-me na maca e providenciaram minha imobilização. Logo
me conduziram ao interior da ambulância, iniciando imediatamente a viagem até o
pronto-socorro do Hospital Roberto Santos. Como num sonho, ouvia a voz da enfermeira
Cristina, à minha cabeceira, fazendo o máximo para me manter acordado. O zumbido
agudo da sirene, num contraste estridente com a voz delicada da enfermeira, aumentava
a sensação de irrealidade. Além disso, me vinha à mente, num turbilhão, a imagem do
carro desgovernado, num borrão vermelho, chegando célere em minha direção, embora
tivesse feito de tudo para evitar o choque! Me afastara somente até o acostamento porque
apos ele havia uma pequena descida que, certamente, provocaria o capotamento do meu
carro, se tentasse desce-la. Chegamos ao Roberto Santos gastando o menor tempo que o
trânsito da Paralela, naquele horário da manhã, permitia. O atendimento foi imediato!
Ali acabou o preconceito que eu tinha ( como, alias, muita gente tem ), de que os
Pronto-Socorros são verdadeiros " matadouros ". Fui muito bem atendido pelos médicos,
enfermeiros e residentes e duvido muito que em um outro hospital qualquer, o
atendimento seria melhor e mais imediato, incluindo aí os hospitais particulares.
Hoje agradeço por terem me levado para aquele pronto-socorro. Serei eternamente grato
à equipe dos "Anjos do Asfalto" ( não sei o que foi  feito deles. O Brasil é assim: tudo
que é bom desaparece! ) e agradeço principalmente à enfermeira e chefe da equipe,
minha inesquecível anjo da guarda Cristina...

Continua na próxima postagem.....

Um ótimo final de semana a todos, obrigado pela visita.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe