sexta-feira, 31 de março de 2017

- O OITAVO EVENTO

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Quando planejei narrar neste espaço, a história dos acidentes potencialmente mortais
de que fui vítima, imaginei já os ter superado, a todos, em número de 8. A narrativa
deveria ser uma resposta à provocação do meu amigo  ARMANDO ULM, que, um belo dia,
me instara a ter a máxima prudência dali em diante, pois " já havia esgotado, como os
gatos, as minhas sete vidas ". Mas, depois dessa advertência, enfrentei e superei um oitavo
episódio potencialmente letal ( o oitavo! ), que consistiu na descoberta e enfrentamento
de um adenocarcinoma que me obrigou a ser submetido a uma prostatectomia, em junho do
 ano de 2011, graças à agressividade da moléstia. Esta postagem, dividida em dois módulos, considera a cirurgia acima, o oitavo evento inicialmente sequer suspeitado...
E, por mais inacreditável que possa parecer, logo a seguir - inicio de 2012 -acabei por descobrir, enfrentar e vencer, um segundo e gravíssimo carcinoma, desta vez detectado no meu rim direito!
Desta forma, já estou superando o felino em duas sobrevivências!
Quando afirmo ter superado d e f i n i t i v a m e n t e os dois carcinomas, estou baseado em diagnósticos exaustivamente estudados por especialista de proa da medicina nacional.
 Graças ao meu hábito de me submeter a exames regulares, ambos foram descobertos a tempo e
extirpados, sem a necessidade de nenhum dos tratamentos complementares e dolorosos,
tais como as quimio e/ou radioterapias...

Um ótimo final de semana a todos.
Abraço do amigo,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 24 de março de 2017

COISAS QUE SÓ ACONTECEM NO BRASIL...

                             
                            Mercado MAO


Mais uma vez  chego à  Manaus e me vejo frente a frente  com uma situação  inusitada e revoltante. Ao chegar, bem cedinho, ao porto, para embarcar no navio que  me levará  até a cidade de Oriximiná, onde devo visitar alguns amigos de infância e passar alguns dias na fazenda de um deles,  constato, novamente, que continua o desperdício imoral de algumas toneladas de peixes, resultado da diutuna pescaria feita por profissionais artezanais do ramo. São  muitos e o resultado delas, demonstra o quanto os rios amazônicos são  generosos. Inúmeras  e variadas embarcações, chegam bem cedinho à  orla da cidade e, incontinente, começam a comercializar as variadíssimas espécies. São,  principalmente,  tambaqui, pacu, curimatá, jaraqui, mapará, surubim, acari ( ou bodó ),  aruaná e outras espécies menos comuns.
O limitado número de compradores, não tem capacidade de consumo suficiente sequer para absorver metade dos peixes oferecidos. É  que, uma grande quantidade das espécies  de maior valor comercial, é  adquirida pelos peixeiros do mercado de peixe, em carretas frigoríficas provenientes de cidades interioranas, tradicionalmente fornecedoras de peixes de melhor qualidade, tanto dos rios como de criatórios. Lá, por volta de meio dia, na iminência da perda total das sobras, os pobres trabalhadores, heróis  da cansativa faina no rio, começam  a apregoar, a plenos pulmões, a oferta de até  50 unidades por apenas R$ 5,00 ! Mais algumas poucas unidades vendidas e começam a descartar as sobras, imprestáveis, mercê  da exposição às  intempéries, já  que não  há  nenhum tipo de refrigeração. As sobras - que contam-se em toneladas - são  simplesmente descartadas no Rio Negro!
Enquanto isto, no Nordeste brasileiro, há  pessoas morrendo de fome !
O que falta para nossos incompetentes  e egoísta governantes, colocarem containers com gelo, para serem transportados nos aviões Hércules  ( aqueles mesmos usados no transporte dos corpos das vítimas do acidente aéreo com a equipe da Chapecoense ). Tais equipamentos, fabricados para transportar cargas pesadas, permanecem parados em diversas bases aéreas espalhadas pelo território nacional, ociosos ou apenas eventualmente utilizados. A sugestão é  que o Governo compraria os peixes nas mãos  dos pescadores a, digamos, 2 reais o quilo e transportaria para o Nordeste do País, vendendo o produto aos necessitados e atingidos duramente pela seca prolongada, a 5 reais o quilo e, se não  for  legal a criação  desta despesa, uzar-se-ia a diferença de 3 reais, para pagar as despesas com o combustível.
É  imoral e vergonhoso jogar comida no lixo, enquanto muitos morrem de fome !
Inacreditável a falta de iniciativa dos nossos governantes!!!






sexta-feira, 17 de março de 2017

UMA AVENTURA MAIOR AINDA !



Como todo Amazônida que se preza, VALDENI, desde muito cedo acostumou-se a se esbaldar nas brincadeiras com meninos de sua idade, nas águas do rio Aripuanã, que banha o povoado de Vila do Carmo, uma pequena comunidade no município de Apuí, Estado do Amazonas, onde nasceu.
Apenas despontou a adolescência, porém, ele descobriu, aos poucos, que sua paixão pelo esporte não seria concretizada pelas disputas na água, pois começou a sentir uma irresistível atração pelas bicicletas. Na simplicidade da situação financeira de sua família interiorana, acostumou-se a pensar que possuir uma delas era um sonho inalcançável. Sua paixão, entretanto, era aqui e ali, acalentada por momentos fugazes, mas de puro êxtase, que experimentava sempre que conseguia emprestado uma " magrela ",de propriedade de algum amiguinho, que tinha o privilégio de possuir uma, naquele improvável lugar interiorano. Como todo sonhador que se preza, porém, VALDENI jamais deixou-se abater; ao contrário, sempre que podia, fazia pequenos trabalhos aqui e ali e, sempre que estes trabalhos lhe rendiam alguns trocados, ia guardando, com o objetivo firme e decidido de um dia poder comprar, nem que fosse uma de segunda mão...E tantos foram os anos, e tantos foram os esforços, e tantos foram os trabalhos, que à medida que crescia, passaram a ser mais importantes - e por isso mesmo, melhor remunerados - que um belo dia pode, com muito orgulho, comprar a tão sonhada bicicleta.
Lá um dia, já  maior de idade, teve a ideia de fazer algumas " viagens " pedalando para lugares cada vez mais distantes. Nessas viagens se sentia tão confortável, que lhe parecia cada vez mais possível conquistar o mundo pedalando! E foi o que ele fez!!!
Um belo dia em que conseguiu uma bicicleta mais moderna e de qualidade, para espanto dos parentes e amigos, saiu pedalando com o objetivo de percorrer todas as Capitais brasileiras no menor espaço de tempo possível. Nenhum patrocínio conseguiu; mesmo assim, começando pela capital de Roraima, a bela Boa Vista, onde chegou levado junto com seu xodó, pela generosidade de um caminhoneiro, rumou em direção à capital de seu próprio Amazonas, a cidade de Manaus, sem sequer parar, já que seu objetivo era cumprir o percurso no menor tempo possível. E sucederam-se Rio Branco, Porto Velho, Cuiabá...até finalizar na capital paraense, a belíssima Belém do Pará.
 Conferido o total de dias da jornada, constatou-se que ela foi cumprida em exatos 232 dias e que foram percorridos nada menos que 20.626 km!
Esta constatação significou que VALDENI PINHEIRO ALVES ( este seu nome completo ), é, até o momento, o único brasileiro a fazer tal jornada neste tempo!
   Na volta pra casa foi recebido pelos conterrâneos com uma merecida festa de boas vindas, nos limites das disponibilidades locais. Mas,  passadas as festividades, a inquietação e a busca por novas conquistas, fizeram com que esse homem interiorano, ainda desta vez, sem patrocínio, começasse a pensar em novas façanhas. Assim, resolveu refazer o percurso, começando porém, desta vez, pela sede do seu município. Partiu, então de Apuí, desta vez pela BR-230, a Transamazônica, rumo à capital paraense, Belém, seguindo-se São Luiz, Palmas, Teresina, Fortaleza, Natal, João Pessoa, Recife, Maceió, Aracaju e, ao entrar em território baiano pela Linha Verde, eis que o encontro parado no acostamento, já na Estrada do Coco. Não exitei um só instante e parei com a intenção de ajudá-lo. Já tinha, porém, usando seus próprios recursos, resolvido o problema.
Adiantou-me, durante a nossa rápida conversa, que cumpriria o seguinte itinerário, a partir de Salvador: Vitória, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Campo Grande, Cuiabá, Rio Branco, Porto Velho, Manaus, Boa Vista e, finalmente, Macapá, onde completará o CIRCUITO DAS CAPITAIS, como ele mesmo designou sua epopeia.
Restou-me a felicidade e a honra de tê-lo conhecido e ter, a seu pedido, posado ao lado deste grande guerreiro. Estarei aqui torcendo para que tudo dê certo...
Resta-me desejar que consiga seu nobre mas bem perigoso objetivo...
Boa jornada, meu nobre, valente e novo amigo!!!

sexta-feira, 10 de março de 2017

EM BUSCA DE AVENTURA - V - Final.




Durante a espera, acabei mantendo conversas com alguns militares que me
advertiram para o fato de eu ter passado por perigos mortais, no caminho 
percorrido até ali e que esses perigos seriam ainda maiores nos próximos
quilômetros a percorrer até a cidade de Vilhena, além da qual estaria menos
exposto aos perigos. Claro que procurei saber, em detalhes, do que eles
estavam falando. Pra meu espanto, contaram-me que, naquela região, havia
quadrilhas que simplesmente emparelham com os carros escolhidos -
principalmente os novos e com valor razoável como era o meu - mandavam os
condutores parar, os tiravam dos veículos, tudo sob o poder das armas -
geralmente escopetas calibre 12 e até metralhadoras - , atiravam na cabeça
das infelizes vítimas, jogavam seus corpos insepultos às margens da rodovia e
levavam o carro, através de uma das incontáveis estradas vicinais de terra
batida, que passam pelas fazendas da região - nenhuma delas aparece em
mapas oficiais - até a Bolívia, cerca de 50 a 70 km de distância daquele
local onde, um bandido brasileiro, pagava qualquer bagatela ( cerca de 4 mil
reais, na moeda de hoje ), pelos carros roubados e levados até ele!
 Temendo qualquer problema na continuidade da viagem, recorri, por
 intermédio de um telefonema, ao meu saudoso e querido amigo, 
Cel. João Araújo, na oportunidade comandante da Polícia Militar da Bahia
( que, para minha sorte, estivera há apenas uma semana numa reunião
 em Cuiabá, com os comandantes das Polícias Militares de todo o Brasil ),
 a quem contei a história toda. Preocupado, ele falou incontinente com o
 comandante da PM do Mato Grosso. Embora liberado imediatamente
 por uma ordem direta e pessoal do comandante, evidente que resolvi 
pernoitar na cidade. Na manhã seguinte, pra minha surpresa e satisfação,
 fui escoltado por um carro da Polícia Militar, até um trecho onde não
 mais correria risco de assalto. Assim, cheguei ao meu destino sem mais
 problemas.
 Como, há muito, desejava fazer uma viagem de navio 
de Porto Velho à Manaus, aproveitei a ocasião e empreendi
 a viagem de volta descendo o Rio Madeira, de barco, até a capital 
do estado do Amazonas e prossegui de avião, via Brasíliaretornando
 até Salvador, também de avião.
 Assim, termina mais uma história com final feliz na minha vida.
 Até a próxima sexta....

Um ótimo final de semana a todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 3 de março de 2017

EM BUSCA DE AVENTURA IV




Cheguei à capital do Mato Grosso por volta de meio dia. Almocei num
restaurante flutuante que fica no meio do rio ( não guardei o nome ) e prossegui,
 viajando em uma estrada muito irregular e totalmente deserta, onde apenas de 
raro em raro, se cruzava com algum veículo. Lá por volta de 5 horas da tarde, ao 
passar pelo posto de fiscalização da Policia Rodoviária Estadual, nas proximidades
da cidade de Cáceres, no norte de Mato Grosso, fui parado por um policial e
intimado a apresentar os documentos pessoais assim como os do veículo.
Ora, tudo isto já me pareceu estranho, pois durante toda a minha vida, jamais
havia sido parado numa "blitz" ou num bloqueio policial. Esta condição me
levara até a ser instado pelo meu amigo PEDRO BARROS
 ( claro que a título de brincadeira ), durante uma outra viagem que
 empreendemos de Belém à Salvador, a fundar uma quadrilha, da qual 
eu seria um excelente chefe, já que nunca me paravam para averiguação...
Depois de verificarem os meus documentos e os do veículo - que estavam em
nome da minha firma - embora constatando estar tudo em ordem pois, quando
apresentei os documentos, mostrei também o contrato social da empresa, para
verem que eu era um dos proprietários - os soldados solicitaram que os
acompanhasse, dirigindo o Santana, até o quartel da corporação localizado
dentro da cidade. Visivelmente contrariado e demonstrando, acintosamente,
esta contrariedade, acompanhei o veículo oficial, entendendo que  ao chegar
ao quartel, seria imediatamente liberado por um oficial superior, assim que ele
tomasse conhecimento da exatidão e idoneidade dos meus documentos e
ouvisse os meus argumentos. Ledo engano! Mandaram que aguardasse, pois
iriam passar, via fax, o número do chassi do carro não sei pra onde, com o
objetivo de certificarem-se da autenticidade do documento - na verdade, uma
consulta não sei a que órgão para verificar se o carro era roubado -. As
comunicações, naquela época, não eram como hoje e exigiam uma boa
demanda de tempo. (As telecomunicações no Brasil só passaram a ser eficientes,
como as conhecemos hoje, a partir do governo do grande FHC que, depois de
privatizar as estatais da área, ineficientes e que serviam apenas de " cabides de
emprego " para cupichas de políticos desonestos, nomeou o Sérgio Mota para
seu ministro da área e este, por sua vez, convidou para chefiar a equipe que
implantaria o atual modelo, meu querido, competente e saudoso amigo e
conterrâneo - nascido, como eu, na cidade de ORIXIMINÁ, oeste do PARÁ,
Renato Navarro Guerreiro, lamentavelmente falecido, ainda novo ( no ano de 2011 )...

Continua na próxima postagem....

Um ótimo final de semana a todos e até a próxima sexta.
Grande abraço.

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe