sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

36 - OS ACIDENTES DE VEÍCULO - Estrada do Coco - final

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Ao concluir a narrativa dos sete primeiros acidentes e incidentes potencialmente mortais
que me marcaram a vida, devo reiterar a minha absoluta tentativa de não falsear ou
mascarar a verdade, valendo-me para tanto de depoimentos com conclusões coincidentes,
feitos por fontes diversas, tanto de pessoas a mim ligadas afetivamente - caso dos meus
irmãos e irmãs - quanto por meros conhecidos e conhecidas com os quais mantenho apenas
ligações amistosas. Devo dizer que, embora admirador de Anatole France e seus escritos,
com ele não concordo mesmo quando ironicamente, em uma de suas obras - A Vida em
Flor - declara : "Gosto da verdade. Acredito que a humanidade precisa dela; mas precisa
ainda mais da mentira que a lisonjeia , a consola, lhe dá esperanças infinitas. Sem a mentira,
a humanidade pereceria de desespero e de tédio". Estou mais para o Papa Leão XIII quando
disse : "A primeira lei da história é de não ousar mentir; a segunda de não temer exprimir
toda a verdade"... Ainda assim, consciente de todas as mazelas humanas, sei que a
assertiva de Shakspeare numa passagem de Hamlet na qual declara peremptoriamente :
"Embora casta como o gelo e pura como a neve, não escaparás à calúnia", me deixa preparado
para não levar em conta as possíveis declarações e/ou opiniões maldosas dos descontentes
com minhas narrativas. Não acusei ninguém; procurei narrar os fatos com toda a isenção,
embora alguns personagens merecessem referências negativas de minha parte atingido que
fui por suas irresponsabilidades extremas...

Um ótimo final de semana a todos, obrigado pela visitas.

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

35 - OS ACIDENTES DE VEÍCULO - Estrada do Coco VI -

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Depois de algum tempo, conhecidos o conteúdo de vários depoimentos na Delegacia de Polícia de
Vila de Abrantes e, segundo ainda informações por mim colhidas, inclusive junto à
esposa de uma das vítimas fatais, o que aconteceu, em linguagem menos
técnica, foi o seguinte: as duas vítimas fatais, carbonizadas na ocasião do acidente, eram funcionários
( topógrafos ) da construtora Norberto Odebrecht que, naquele período, estava construindo
o complexo de Costa do Sauípe. Para conduzir seus funcionários residentes em Salvador
e ao longo da Estrada do Côco, a empresa disponibilizava diversos ônibus que, em horários
pré-estabelecidos, recebia os trabalhadores em determinados locais, para levá-los ao canteiro de obras. Na véspera do dia do
acidente, um domingo (28.03.99), houve uma festividade no Farol da Barra onde foram
apresentados alguns trios elétricos, atraindo muitos populares para a diversão, entre eles os
dois ocupantes do veículo que colidiria com o meu na manhã do dia seguinte. O evento varou
a madrugada e, sem dormir, os dois acabaram perdendo o ônibus que os conduziria ao trabalho.
Para não perder o dia, resolveram pegar o próprio  carro e seguir no mesmo pela Estrada do Côco
com destino ao canteiro de obras...

Continua na próxima postagem......

Um ótimo final de semana a todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

34 - OS ACIDENTES DE VEÍCULO - Estrada do Coco - V

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Feitos os procedimentos necessários pelos profissionais do pronto-socorro Roberto Santos
e não havendo naquele nosocômio nenhuma ambulância disponível, mandei contratar uma,
para me levar até o COT Canela, Clínica especializada em traumatologia, onde fiquei
internado por vários dias. Exames mais detalhados feitos no COT, evidenciaram, conforme
laudo médico assinado pelo Dr.Gustavo Henkes, os seguintes traumas: "lesão parcial do
tendão do quadricips à direita; fratura-luxação Carpo-Metacárpica à direita; fraturas de arcos
costais à direita", além de cortes provocados por vidros do óculos usado na ocasião, que se
quebrou com o choque, atingindo a região ao redor do olho direito. No mesmo dia fui
submetido a uma cirurgia para corrigir a lesão do tendão do quadrícipes. O procedimento
cirúrgico para reduzir as fraturas múltiplas da mão direita, por ser mais demorado e complexo,
ficou para o dia seguinte. E o dia seguinte poderia ter sido o meu último dia nesta vida...
Durante o procedimento cirúrgico, comandado pelo competente médico, Dr Luís Shipper,
tive uma parada cardíaca de, mais ou menos, 3 minutos! Verificado o impasse, foram
imediatamente executados os procedimentos de praxe, culminando, ao fim de 3 minutos,
como disse, com a minha ressuscitação. Devo declarar, muito claramente, que não vivenciei
 nenhum fenômeno desses largamente difundido por pessoas que ficam em estado chamado
de "quase morte". Nada de "saídas do corpo", auto- contemplação em estado inerte e outras
baboseiras mais deste tipo...
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Continua na próxima postagem......

Bom final de semana a todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

33 - OS ACIDENTES DE VEÍCULO - Estrada do Coco - IV -

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A constatação pelos componentes do grupo dos " Anjos do Asfalto ", de que nada mais
era possível fazer pelos ocupantes do outro carro, fez com que eles se voltassem para o
meu atendimento. Deitaram-me na maca e providenciaram minha imobilização. Logo
me conduziram ao interior da ambulância, iniciando imediatamente a viagem até o
pronto-socorro do Hospital Roberto Santos. Como num sonho, ouvia a voz da enfermeira
Cristina, à minha cabeceira, fazendo o máximo para me manter acordado. O zumbido
agudo da sirene, num contraste estridente com a voz delicada da enfermeira, aumentava
a sensação de irrealidade. Além disso, me vinha à mente, num turbilhão, a imagem do
carro desgovernado, num borrão vermelho, chegando célere em minha direção, embora
tivesse feito de tudo para evitar o choque! Me afastara somente até o acostamento porque
apos ele havia uma pequena descida que, certamente, provocaria o capotamento do meu
carro, se tentasse desce-la. Chegamos ao Roberto Santos gastando o menor tempo que o
trânsito da Paralela, naquele horário da manhã, permitia. O atendimento foi imediato!
Ali acabou o preconceito que eu tinha ( como, alias, muita gente tem ), de que os
Pronto-Socorros são verdadeiros " matadouros ". Fui muito bem atendido pelos médicos,
enfermeiros e residentes e duvido muito que em um outro hospital qualquer, o
atendimento seria melhor e mais imediato, incluindo aí os hospitais particulares.
Hoje agradeço por terem me levado para aquele pronto-socorro. Serei eternamente grato
à equipe dos "Anjos do Asfalto" ( não sei o que foi  feito deles. O Brasil é assim: tudo
que é bom desaparece! ) e agradeço principalmente à enfermeira e chefe da equipe,
minha inesquecível anjo da guarda Cristina...

Continua na próxima postagem.....

Um ótimo final de semana a todos, obrigado pela visita.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe