sexta-feira, 27 de março de 2020

RITUAIS FÚNEBRES II





No final do verão de 1360, na cidade de Coimbra, realizou-se uma macabra cerimônia fúnebre. Por ordem expressa do rei D. Pedro I, o Cruel, os mais altos dignatários do País foram obrigados a beijar a mão do cadáver de uma mulher sentada no trono, com vestes reais e já em adiantado estado de decomposição. A morta era Inês de Castro, que casara secretamente com D. Pedro I, recentemente coroado. Ela viera para Portugal em 1342, para ser aia da
princesa D. Constança, mulher verdadeira e oficial de D. Pedro, então, apenas herdeiro do trono. Os amores tidos como ilícitos, do príncipe com Inês, não só causaram escândalos na corte, como despertaram em D. Afonso IV, o temor de que Inês, instruída por seus irmãos castelhanos e poderosos, exercesse influência no ânimo do herdeiro do trono a ponto de permitir a reanexação da nacionalidade portuguesa, ainda não reconhecida por Castella. No dia 7 de janeiro de 1355, Diogo Lopes Pacheco, Álvaro Gonçalves e Pero Coelho, a mando de D. Afonso, se dirigiram ao Paço de Sta. Clara, em Coimbra e decapitaram Inês na frente de seus 4 filhos. Mal subiu ao trono, em 1357, D. Pedro pediu ao rei de Castela a extradição dos carrascos de D. Inês que, após a morte de D. Afonso, haviam se refugiado no país vizinho.
Apenas 2 foram capturados: Álvaro Gonçalves e Pero Coelho. Levados à presença de D. Pedro I, tiveram seus corações arrancados, um pelo peito e o outro pelas costas! 
Hoje, D.Inês, vítima do que se poderia chamar de um crime político, está sepultada ao lado de D. Pedro, em um túmulo do Mosteiro de Alcobaça.


Continua na próxima postagem.....



Um ótimo final de semana a todos e um forte abraço do amigo,




Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 20 de março de 2020

RITUAIS FÚNEBRES. I




A humanidade, desde tempos imemoriais, sempre atribuiu à morte duas qualidades diferentes: a 
primeira, apresentando a figura luminosa de São
Pedro ( ou símbolo equivalente ), postado às portas do Paraíso ou a segunda, representada pela  figura esquelética e sinistra com uma foice na mão, pronta a ceifar vidas, vestida com esvoaçantes roupas negras. Quase sempre as duas figuras eram e são apresentadas nas cerimônias fúnebres. Houve quem costumasse deixar oferendas junto aos corpos, para que seus entes queridos tivessem instrumentos para tornar mais fácil sua vida no outro mundo, desde que tivessem apresentado aqui na terra, uma existência considerada boa e benéfica para os seus semelhantes; se, ao contrário, sua vida tivesse sido problemática ou cheia de maus feitos, seu coração teria de ser traspassado por uma estaca de madeira, para deixar a certeza de que não regressaria jamais do além... No Oriente, foi criada uma das formas mais antigas de satisfazer a ambos os objetivos: a cremação dos corpos. A crença era  que o espírito ou alma seria impulsionado pelas chamas até o céu, enquanto o corpo era totalmente destruído pelo fogo, para que nunca tivesse a possibilidade de assombrar os viventes sobre a terra.



Continua na próxima postagem.....



Um ótimo final de semana a todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe