sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

- MIOLO DE PÃO - III -


" Quando Neuzita chegou do colégio foi correndo ao quintal, mas não encontrou o Miolo de Pão. Inúteis ficaram as migalhas em suas mãos sujas de tinta de caneta.
O terreiro pareceu vazio.
- Pato é pra panela.
O pai foi sucinto demais.
Procurou atingir o cais de Cametá, correndo sem parar, porque soubera quem comprou o Miolo de Pão. 




" Ao avistar o cais, avistou também o barco " Rodrigues Alves ", já fazendo a curva, no meio do rio, à procura da cidade de Belém. Nunca soube se o seu coração queria parar ou pular de dentro do peito. Sentou-se na calçada e ficou a olhar a embarcação, navegando a toda força, cheia de gente, a dizer adeus aos que ficavam. Ao desembarcar no Porto do Sal, além da pasta de serviço, o vendedor-pracista tinha diversas e variadas amostras de tecidos e de plásticos
para acomodar na saída do barco. Tropeçando entre os romeiros com tantos pacotes, descuidou-se do Miolo de Pão, que ficou bastante atrás. Ao voltar-se para apanhar o pato, ele não estava mais ali. Alguém o levara.. Quis abrir a boca para gritar, mas como pisaram em alguns de seus caixotes de amostras, o cometa resolveu continuar a descida, quase espremido, amargando a derrota.
O ladrão já ia muito longe, levando o pato dentro do paneiro, tal qual viera da casa de Edgar. Não satisfeito pela proeza, logo adiante subtraiu uma carteira de outro passageiro, e mais depressa andou. Mas um guarda o flagrou, no segundo roubo.
- Alto lá, bandido!
- Não fiz nada - disse o ladrão, como sempre dizem todos os ladrões.
- Eu vi você bater a carteira do homem.
Estava preso, sentiu o ladrão. Amoleceu.
- Estava com fome, seu guarda...
O guarda tinha cara de mau. Ouvia tudo parado. As pessoas continuavam a passar, porém não prestavam atenção ao fato. O guarda lembrou-se de que era véspera do Círio, e não tinha deixado em casa o pato para o tucupi.
- Vamos dividir, amigo, eu fico com a carteira e dou o pato - propôs o ladrão.
O guarda olhou para um lado e para o outro, como não tivesse ninguém olhando, aceitou.
- Tudo bem, mas desapareça da minha área!
E, ao assim dizer, segurou o paneiro* com o pato. ".


* Paneiro: cesto feito de fibra vegetal, muito comum para embalagem de quase tudo, na região.

Um ótimo finl de semana a todos.
Até a próxima sexta-feira. Abraço,


Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

MIOLO DE PÃO - II -





" Depois de várias considerações, certo dia, ao brincar com as formigas que procuravam seguir caminho impedidas pela menina, ela pensou:
- É.
E gritou:
- Miolo de Pão!
Como Miolo de Pão já tinha surrado duas galinhas, diante da crista do galo, que ficou mais vermelha ainda; pisado na porca deitada, que grunhiu simplesmente, empurrado um peru, que só fez glu-glu, foi correndo buscar o que mais gostava na vida. A partir daí, passou a atender realmente por "Miolo de Pão". Quando o pato era muito pequeno, Neuzita apanhara uma bacia grande de alumínio amassada e despejara água até as bordas.
Colocara o valente pato dentro, e ficara muito impressionada porque ele nadava tão bem.  E pensara: " Calcule se ele tivesse professor de natação! "
Hóspede da pensão de dona Liberata, o vendedor pracista p erguntou onde compraria um pato grande e gordo para levar para casa, porque no dia seguinte era véspera do Círio de Nossa Senhora de Nazaré. Como passar um Círio sem comer pato no tucupi? Panelões e panelões de tucupi iam ferver na cidade, com jambu e camarão e o imperdível pato.
Solícita e amiga do bem servir a seus hóspedes, dona Liberata indicou a casa do Edgar, onde tinham os melhores patos da cidade de Cametá.
Depois de discutir o preço, Edgar levou o vendedor até o quintal e mostrou as suas criações.
- Aquele ali ! - apontou - Que pato bonito e grande !
- Menos ele - disse Edgar.
- Por que? Vai comer você mesmo?
- Não. É cria da casa.
- Dobro o preço!
Edgar pensou mais de uma vez, fez contas nos dedos e, por fim, disse:
- Não posso vender.
- Além de dobrar o preço, ainda dou o dinheiro da branquinha por fora.
- Vou ouvir minha mulher.
O que se passou lá dentro ninguém soube além dos dois. Longa conversa, a princípio baixa. O vendedor- pracista só ouviu a última frase da Maria das Dores para Edgar:
- Você decide ".


Continua na próxima postagem...

Um abraço com desejo de que tenham todos excelente final de semana.



Clóvis de Guarajuba
ONG Ande&Limpe
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

- MIOLO DE PÃO - I -


                                                  Parte da capa da obra


" Nasceu amarelo como ouro, e melhor sorte não teve, segundo alguns conhecedores, porque a mãe não fez a gritaria que a galinha faz quando, ao expelir o ovo, anuncia o acontecimento como se fosse a maior coisa da vida. Não veio só a este mundo. Com ele vieram seis outros irmãos que, ao crescerem, tomaram destinos ignorados.
Irmãos de raça tinha muitos pelo quintal, misturados entre as outras criações do Edgar, pai da Neuzita e marido da Maria das Dores.
Maior encanto para Neuzita não havia senão aquele minúsculo ser vivo, de irresistível atração pela água. Acompanhou o crescimento da criação, desde os tempos em que o colocava nas mãos, com cuidado para não cair das alturas, quando era amarelo como ouro, até atingir quatro quilos e meio, quando já se transformara naquilo  que Neuzita chamava:
- Terror do terreiro, meu valente pato.
Desde muito cedo Neuzita procurava ensinar artes ao pato:  
enrolava nas mãos miolo de pão e chamava o pato, que vinha dócil,

amigo e lépido. Com o pequeno bico retirava a comida da mão da menina.
Neuzita abria a cancela do quintal e gritava:
- É miolo de pão!
Estivesse onde estivesse, o pato largava tudo o que fazia, e vinha rápido buscar o que mais amava na vida: miolo de pão.
Quando era muito pequeno, Neuzita deixava primeiro o pato cheirar a massa do trigo, só depois colocava a migalha na palma da mão para ele comer.
Assim, pensava Neuzita, ensinava-o a conhecer o pão.
Como o tratava com muita atenção, Edgar dissera que o bicho ia crescer molenga demais, alvo de qualquer gavião que descesse das alturas, com sua visão de cem metros de distância.
Para evitar tal comportamento futuro, Neuzita usou de muitos truques e artimanhas. Uma delas foi despertar a atenção das outras criações, inclusive do galo brigão, e jogar entre eles sua comida preferida. Levantavam poeira do chão na disputa. Por tudo isso, o pai, ao ouvir a menina gritar " Terror do terreiro, meu valente pato ", aconselhou:
- Se fosse você, chamava o seu amigo de Miolo de Pão ".


Continua na próxima postagem...

Desejo um excelente final de semana aos meus amigos e visitantes.
Até a próxima sexta-feira.


Clóvis de Guarajuba
ONG Ande&Limpe

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

- MIOLO DE PÃO - introdução -




 
.Sou um leitor compulsivo daqueles que, em viajem e não tendo levado nenhum livro na bagagem, ficam com as horas de lazer prejudicadas, até conseguirem algo para ler. Há ocasiões em que até uma revista ou um jornal antigos resolvem a questão. Na diversidade de assuntos
abordados nos livros em geral,
destacam-se de um lado aqueles que
tratam de temas infantis - embora agradem também adolescentes e adultos -a exemplo dos imortalizados pelo gênio
de Walt Disney. Do outro lado
há os temas eminentemente adultos a
exemplo da trilogia de grande sucesso
há alguns anos - Cinquenta Tons de Cinza, Cinquenta Tons Mais Escuros e
Cinquenta Tons de Liberdade, de
E.L.James -. Pairando no " limbo "
compreendido entre estes dois temas,
existe uma série de obras encantadoras,
entre as quais destacam-se, a meu juízo,
O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway, O pequeno Príncipe, de Antoine de Saint Exupery e algumas outras, às quais acrescento, sem nenhuma
sombra de dúvida, a obra de autoria
de Agildo Monteiro, Miolo de Pão.
Como faço todo ano, estava em Belém
para a festa do Círio de Nazaré, no
ano passado. Aos domingos, na Praça
da República, há uma feira de
artesanato muito concorrida, onde
se vende de tudo. Como é natural, há
algumas bancas que oferecem aos
transeuntes livros usados, numa espécie
de sebo a céu aberto. 
Enquanto minhas acompanhantes circulavam a procura
de algo interessante, fiquei - como faço sempre -, pesquisando títulos e lendo as " orelhas ", o que me proporciona momentos de puro prazer. Foi assim que descobri uma verdadeira joia. Fiquei tão entusiasmado com a singeleza do texto e com o tema abordado, que resolvi publicar sua íntegra aqui no meu Blog, contando para isto com a autorização entusiástica do seu autor, que conseguiu 
nesta obra, com rara felicidade, retratar a alma do povo paraense no
ambiente festivo e emocionante da maior festa do paraense: o Círio de Nossa Senhora de Nazaré. Trata-se de Agildo Monteiro Cavalcante, advogado, sócio fundador da Associação Paraense de Escritores, membro do Sindicato dos Escritores - Rio de Janeiro - e da União Brasileira de Escritores - São Paulo, além de membro da Academia Paraense de Letras onde ocupa a cadeira 18. É autor de inúmeras obras tais como, A Promessa, A Verde Rã, Um Animal Muito Estranho, A Bordo, Os Ratos D'água; nas antologias de
Contos Paraenses, está presente com A Fuga ( aborda a violência no sul do Pará ) e Natanael Martim de Maristela ( sobre a poluição consequente do uso indevido do mercúrio nos garimpos ). Consta do programa oficial para o vestibular e para o segundo grau, do estado do Amazonas, citado como " prosador contemporâneo ".  A Enciclopédia da Literatura Brasileira ( publicação do Ministério da Educação - Rio de Janeiro, sob a direção dos
críticos Afrânio Coutinho e J. Galante de Sousa ), além de catalogar as obras do escritor, diz que o mesmo continua " a sua pesquisa estética e social na vida ribeirinha numa linguagem ao nível das expressões regionais ".  
Resta-me agradecer penhorado a oportunidade e a honra de poder publicá-lo neste BLOG.
Muito obrigado, amigo Agildo.

Continua  na próxima postagem...

Um ótimo final de semana a todos.
Até a próxima sexta. Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

ORGIA: SEM SABER O QUE É, NÃO PARTICIPE!...


                                                                    Imagem Internet


No dia 11 de agosto de 2003, segundo inquérito policial, o Oliveira embriagou seu amigo Silva e em seguida levou ele e sua mulher, Ednair Alves de Assis, a uma construção localizada no parque Las Vegas (o nome tem tudo a ver...), em Bela vista de Goiás. Lá, obrigou o amigo e a mulher a se despirem e praticarem sexo, dizendo que queria fazer uma " suruba ". Logo a seguir, Oliveira teria aproveitado para fazer sexo anal no amigo. O Silva, ao passar o porre, foi prestar queixa na delegacia que abriu o competente inquérito e remeteu para a Justiça. Abaixo vou reproduzir ad literum, o acórdão do Tribunal de Justiça de Goiás, publicado no dia 6 de julho
de 2004. Achei um barato!

"Apelação criminal. Atentado violento ao pudor. Sexo grupal. Absolvição. Ausência de dolo.

1- A prática de sexo grupal 
é ato que agride a moral e os costumes minimamente civilizados.

2- Se o individuo, de forma voluntária e espontânea, participa de orgia promovida por amigos seus, não pode ao final do contubérnio dizer-se vítima de atentado violento ao pudor.

3- Quem procura satisfazer a volúpia sua ou de outrem, aderindo ao desregramento de um bacanal, submete-se conscientemente a desempenhar o papel de sujeito ativo ou passivo, tal é a inexigência de moralidade e recto neste tipo de confraternização.

4- Diante de um ato induvidosamente imoral, mas que não configura o crime noticiado na denúncia, não pode dizer-se vítima de atentado violento ao pudor aquele que no final da orgia viu-se alvo passivo do ato sexual.

5- Esse tipo de conchavo concupiscente, em razão de sua previsibilidade e consentimento prévio, afasta as figuras do dolo e da coação.

6- Absolvição mantida. Apelação ministerial improvida."

O relator foi o Desembargador Paulo Teles.

Como reproduzi fielmente, me abstive de reparar a concordância da 
" bacanal " que é feminino.


Abraço e bom final de semana.
Até sexta-feira.

Clóvis de Guarajuba
ONGAnde&Limpe


sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

- DESCULPEM-ME, A INDIGNAÇÃO FALOU MAIS ALTO!!!

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                                                                        - pacu -
                                             
 Ao assistir a uma reportagem exibida pela Globo News, lembrei-me do absurdo por mim presenciado no porto de Manaus, numa das minhas inúmeras visitas anuais àquela cidade. Trata-se de um dos mais imorais fatos de que se tem notícia neste País, já repleto de imoralidades: o desperdício vergonhoso de alimentos, enquanto muitos conterrâneos morrem de fome!!!
Todos os anos, no período em que a vazante dos rios amazônicos tem inicio, a captura de peixes nos rios, igarapés e lagos da região, aliada à abundância de espécies como pacu, jaraqui, aracu e outras, é feita em grande quantidade. Ao chegarem à Manaus, diariamente, os pescadores não têm a quem vender o produto do seu trabalho - o mercado consumidor é restrito e não há locais de armazenamento - e são jogadas no lixo em média, 10 toneladas de peixes todos os dias!
Enquanto isto ocorre, no Nordeste Brasileiro, multidões passam fome! Há mais ou menos 10 anos, mandei um e-mail para o então Senador pelo Amazonas, Sr. Arthur Virgílio, descrevendo este verdadeiro crime e sugerindo que instasse a quem de direito, a fazer a seguinte operação: dispomos, na Base Aérea de Manaus, de nada menos que 8 aviões de carga modelo C105A-Amazonas, de fabricação espanhola, capazes de carregar até 9,7 toneladas cada um. Por que não utilizá-los para trazer o pescado excedente da região,
acondicionado em containers refrigerados, para quem precisa dele???! Comprar-se-iam os peixes por um preço simbólico (digamos, a dois reais) e se venderiam  nos diversos municípios em estado de calamidade pública, aqui no nordeste, a preço subsidiado.
Com isto resolveríamos pelo menos três problemas cruciais, a saber:

1- ajudaríamos o pescador da região a minimizar os prejuízos, afinal dois reais é melhor do que nada;

2- mataríamos a fome dos flagelados das regiões carentes, que pagariam com prazer pelo alimento, a preço subsidiado ( pois, ao contrário do que pensam os governantes de plantão, o povo, em sua maioria absoluta, não quer nada de graça, como as famigeradas bolsas disso, bolsas daquilo e cestas básicas, que só fazem humilhar o cidadão, como disse muito bem o grande Luiz Gonzaga) e

3- diminuiria a terrível poluição decorrente do descarte de  peixes no lixo e principalmente no Rio Negro, já muito poluído por outros agentes.

E não me venham com desculpas do tipo " os aviões não podem ser usados para esse fim ".
Os aviões são do povo, pois o governo não produz nada, só faz gastar ( e muito mal ) o dinheiro arrecadado deste mesmo povo que, garanto, autorizaria, em um eventual plebiscito, seu uso para este fim nobre!!! Que as devidas providências sejam tomadas, urgente, uma vez que tal desperdício imoral, acontece todos os anos nesta mesmo época..



                                             - jaraqui -

Um excelente final de semana a todos. Se possível, deixem suas opiniões nos comentários abaixo do texto.

Abraço e bom final de semana.



Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limape

sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

COISAS QUE SÓ ACONTECEM NO BRASIL...

Mais uma vez  chego à  Manaus e me vejo frente a frente  com uma situação  inusitada e revoltante. Ao me dirigir ao porto, para embarcar no navio que  me levará  até a cidade de Oriximiná, onde devo visitar alguns amigos de infância e passar alguns dias na fazenda de um deles, constato, novamente, que continua o desperdício imoral de algumas toneladas de peixes, resultado da diuturna pescaria feita por profissionais artesanais do ramo. São  muitos, e o resultado delas, demonstra o quanto os rios amazônicos são  generosos. Inúmeras  e variadas embarcações chegam bem cedinho à  orla da cidade e, incontinente, começam a comercializar as variadíssimas espécies. São,  principalmente,  tambaqui, pacu, curimatá, jaraqui, mapará, surubim, acari ( ou bodó ),  aruaná e outras espécies menos comuns.
                             
                                                                     Mercado MAO


O limitado número de compradores, não tem capacidade de consumo suficiente sequer para absorver metade dos peixes oferecidos. É  que, uma grande quantidade das espécies  de maior valor comercial, é  adquirida pelos peixeiros do mercado de peixe, em carretas frigoríficas provenientes de cidades interioranas, tradicionalmente fornecedoras de peixes de melhor qualidade, tanto dos rios como de criatórios. Lá, por volta de meio dia, na iminência da perda total das sobras, os pobres trabalhadores, heróis  da cansativa faina no rio, começam  a apregoar, a plenos pulmões, a oferta de até  50 unidades por apenas R$ 5,00 ! Mais algumas poucas unidades vendidas e começam a descartar as sobras, imprestáveis, mercê  da exposição às  intempéries, já  que não  há  nenhum tipo de refrigeração. As sobras - que contam-se em toneladas - são  simplesmente descartadas no Rio Negro!
Enquanto isto, no Nordeste brasileiro, há pessoas morrendo de fome !
O que falta para nossos incompetentes  e egoísta governantes, colocarem containers com gelo, para serem transportados nos aviões Hércules  ( aqueles mesmos usados no transporte dos corpos das vítimas do acidente aéreo com a equipe da Chapecoense ). Tais equipamentos, fabricados para transportar cargas pesadas, permanecem parados em diversas bases aéreas espalhadas pelo território nacional, ociosos ou apenas eventualmente utilizados. A sugestão é  que o Governo compraria os peixes nas mãos  dos pescadores a, digamos, 2 reais o quilo e transportaria para o Nordeste do País, vendendo o produto aos necessitados e atingidos duramente pela seca prolongada, a 5 reais o quilo e, se não  for  legal a criação  desta despesa, uzar-se-ia a diferença de 3 reais, para pagar as despesas com o combustível.
É  imoral e vergonhoso jogar comida no lixo, enquanto muitos patrícios morrem de fome !
Inacreditável a falta de iniciativa dos nossos governantes!!!





Obrigado pela visita. Até a próxima sexta-feira.


Clóvis de Guarajuba
ONG Ande&Limpe



sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

1 - ALGUNS FENÔMENOS AMAZÔNICOS.




Há algumas explicações que devem ser dadas, principalmente àqueles que não têm a felicidade de conhecer a região amazônica:
Quando nasci, em 18.10.1941, meus pais, então recém casados ( sou o primogênito do 2o casamento do meu pai ), possuíam, além do rendoso negócio com castanha do Pará, uma fazenda chamada Perseverança, à margem direita do rio Cachoeiri. Este riozinho é uma das duas únicas ligações entre a calha principal do Rio Amazonas e o seu afluente, pela margem esquerda, o Rio Trombetas.
Agora convoco-os a fazer um exercício de raciocínio: imaginem o que significa, em volume de água, a invasão do maior rio do mundo, a um riozinho que, àquela época, tinha pouco mais de 100 metros de largura! A correnteza é brutal! As margens e o leito do Cachoeiri são
arrancados pelas águas violentas do Amazonas, tornando-o, a cada dia, mais profundo e mais largo. A previsão é de que, dentro de poucos anos, o Cachoeiri estará ligado a um lago que existe na parte posterior da fazenda. É preciso dizer, a esta altura, que o Rio Amazonas é geologicamente novo pois, não tendo ainda definido seus limites marginais, continua a escavar seu próprio leito e a erodir  suas  margens, transformando-os em sedimentos que são carregados
para formar novas ilhas e bancos de areia, alhures. Por conta deste fenômeno é que, independente das qualificações ou dos cursos, títulos e/ou experiência que detenham os comandantes de navios vindos de todo o mundo, ao chegarem na foz do Amazonas, nas
proximidades da cidade de Salinópolis ( Salinas para os íntimos ), o comando desses " monstros ", capazes de carregar  até 80 000 toneladas de carga, é assumido por um profissional denominado 
( erroneamente, a meu ver ) de " Prático ". Esta providência é tomada
justamente porque o leito do rio é diuturnamente modificado: ora desaparecem ilhas e bancos de areia já consolidados; ora surgem, onde antes nada havia, novas ilhas, cuja detecção só pode ser percebida por quem conhece as " manhas " do rio, evitando, mercê desse conhecimento, o encalhe, muitas vezes irremediável, das embarcações. Conheço razoavelmente essa função de comando, porque tive dois tios - tio Tito e tio Paulo Aragão - e dois primos - Alberto e Leonel Aragão - que exerciam as funções de comandantes e práticos da
Marinha Mercante na Região Amazônica, conduzindo seus navios, não raras vezes, até Iquitos, no Peru. Tive, também, a oportunidade de viajar em um graneleiro carregando 60 mil toneladas de minério de bauxita oriundo das minas do Trombetas, com destino à  Barcarena, e posso garantir que há sim a necessidade dos "Práticos" no comando desses transatlânticos, embora sejam equipados com toda uma parafernália eletrônica moderna.


Excelente final de semana a todos e um abraço do amigo,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

CUIDADO! NÃO JULGUE NINGUÉM ÀS PRESSAS.


Muitas vezes teimamos em criticar outras pessoas sem levar em conta as circunstancias , possibilidades e a maneira de ver e interpretar determinados " fatos ". Teimamos em não verificar nossos próprios defeitos e limitações. Somos incapazes de olhar pra dentro de nos mesmos, antes de criticar.
A estória que se segue, ilustra bem o que quero dizer:
Recém casados, o casal foi morar em um bairro residencial muito tranquilo. Já na primeira manhã, enquanto tomavam café, a mulher olhou através da janela e, reparando que uma vizinha pendurava alguns lençóis num varal, comentou com o marido:
- Veja, querido. Os lençóis que aquela senhora está estendendo no varal estão sujos! Quando tiver intimidade com ela, vou aconselha-la a mudar de sabão!
O marido ouviu mas não disse nada. Alguns dias depois, a mesma cena. Durante o café da manhã, a vizinha pendurava lençóis no varal e a mulher novamente comentou:
- Que coisa! A vizinha continua a estender lençóis sujos no varal.
Se eu tivesse intimidade, perguntaria se ele quer que eu a ensine a lavar roupas!

E assim, semana após semana, a mulher repetia a mesma ladainha para o marido, enquanto a vizinha estendia os lençóis. Um mês depois, a mulher teve uma surpresa quando viu a vizinha estendendo no varal, lençóis branquinhos, imaculados e sem nenhum sinal
de sujeira. Correu ao encontro do marido e, empolgada, disse:
- Veja, querido, a vizinha aprendeu, finalmente, a lavar as roupas. Será que a outra vizinha a ensinou?! Porque eu não ensinei...
E o marido, com toda a calma, respondeu:
- Não, filha. É que hoje eu levantei mais cedo e limpei os vidros da nossa janela!...

A todos os meus amigos e visitantes, um excelente final de semana!
Grande abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande e Limpe

sexta-feira, 24 de novembro de 2023

- CANDIDATO A VENDEDOR...



O cara se candidatou a vendedor numa dessas grandes lojas que vendem de tudo.
Ao fim do dia do teste prático, o gerente de RH pergunta:
- Como foi o seu dia? Quantas vendas você fez?
- Fiz uma venda só - respondeu o vendedor.
- Uma só??? Mas todos os outros candidatos fizeram entre 20 e 30 vendas!... E de quanto foi essa venda?...
- Foi de R$ 285.640,00 - respondeu o vendedor.
O gerente engoliu em seco. Uma venda desse valor era, realmente, algo inusitado.
- E como você conseguiu isso? Perguntou o gerente.
- Bem, disse o candidato, vendi ao homem um anzol pequeno, um médio e um grande. Depois vendi linhas de três tipos para os anzóis. Depois vendi todas as tralhas de pesca. Perguntei, em seguida, onde ele pretendia pescar. Como ele respondeu que iria para o litoral, eu lhe disse que precisaria de um barco e vendi-lhe um de 22 pés com duas
rabetas. Como verifiquei que seu carro não tinha condições de rebocar a carreta com a lancha, vendi-lhe uma Hillux e...
Boquiaberto, o gerente o interrompe:
- Você fez toda essa venda para um sujeito que veio comprar um anzol?
- Bem, disse o candidato, na realidade ele veio comprar um absorvente higiênico pra sua mulher. Eu vendi, mas aproveitei e disse: Já que seu fim de semana está perdido mesmo, por que o senhor não vai pescar???...

A todos um ótimo final de semana e até a próxima.

Grande abraço,


Clóvis de Guarajuba
ONG Ande&Limpe
ONG Ande & Lim
pe

sexta-feira, 17 de novembro de 2023

DETESTEI ME TORNAR UM ADULTO!!! - reedição -

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                                                              Imagem da Internet


Venho, por meio desta, renunciar INCONDICIONALMENTE à
minha condição de adulto! Resolvi que quero voltar a ter as mesmas
ideias e responsabilidades de uma criança de oito, nove anos. Quero
voltar a acreditar que o mundo é justo e que todas as pessoas são
honestas e boas; quero acreditar que tudo é possível; quero voltar a
não perceber as complexidades da vida e quero ficar maravilhado
com as pequenas coisas naturais que me encantavam; quero de volta
aquela vida simples e sem complicações. Cansei de computadores
que falham ou são lentos, das pilhas de papeis, das noticias
deprimentes, das CPIs, dos políticos ladrões, dos tiroteios e assassinatos " por engano ", atentados, terrorismo, novos impostos, intrigas, empregados desonestos, patrões sacanas, contas a pagar, fofocas, doenças, mortes de contemporâneos e de parentes e de ter que atribuir valor monetário a tudo que me cerca. Não quero mais me preocupar em arranjar um jeito de fazer o salário durar até o próximo pagamento e nem de ficar torcendo para que aquele cara ou aquela bonitinha que me devem, paguem no dia COMBINADO. Não quero mais ser obrigado a dizer adeus à pessoas queridas e, com elas, a uma parte da minha vida. Quero ir ao carrinho de cachorro-quente ou à pizzaria e comer, achando que esses locais são bem melhores do que aquele restaurante de luxo. Quero viajar ao redor do mundo mas,
desta vez, embarcado no meu naviozinho de papel que estou
navegando naquela poça ou na correnteza da vala, provocada pela chuva.
Quero poder jogar pedrinhas na lagoa tranquila ou no rio da minha terra, o incomparavelmente belo Trombetas, e ter tempo para
observar as ondinhas que provocam. Quero achar que as moedas de
chocolate são mais valiosas que as de um real, porque posso
comê-las e ficar com a cara toda lambuzada. Quero ficar feliz
quando amadurece o primeiro caju ou a primeira manga, quando a
jabuticabeira fica com o tronco pretinho de frutas. Quero voltar
a achar que as pizzas, chicletes e sorvetes são as melhores coisas da vida.
Quero que as maiores competições em que tenha de entrar, sejam uma
boa pelada ou uma disputa de pião, peteca ou bola de gude. Quero
voltar ao tempo em que tudo que eu sabia era o nome das cores, a
tabuada, as cantigas de roda, a " Batatinha quando nasce...", a 
" Ciranda, cirandinha...", o " Atirei o pau no gato...", o "Pai nosso..." e isso não me incomodava nada porque eu não tinha nem ideia de quantas coisas inúteis ainda ia aprender. Voltar ao tempo em que se é feliz, simplesmente porque se vive na bendita ignorância da existência de coisas que podem nos preocupar, aborrecer ou magoar. Eu quero voltar a acreditar no poder de um sorriso, de um abraço, de um agrado, de palavras gentis, da verdade, da justiça, da paz, dos sonhos, da imaginação, dos castelos no ar ou na areia. E mais: quero estar convencido de que tudo isso vale muito mais do que o dinheiro! Por isso tudo é que eu digo: peguem aqui as chaves do carro, a lista do supermercado, as receitas médicas, os talões de cheque, os cartões de crédito, o contracheque, os crachás de identificação, o pacotão de boletos e contas a pagar, a declaração do imposto de renda, as senhas do meu computador, celulares e dos bancos e resolvam as coisas do jeito que bem entenderem! A partir de hoje, isso tudo é com vocês, porque:
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ESTOU ME DEMITINDO DA VIDA DE ADULTO!!!.  

Agora, se você quiser discutir a questão, vai ter de me achar, porque
vou brincar de esconde-esconde... e é a minha vez de me esconder!...
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Um ótimo final e semana , abraço a todos os amigos e visitantes.
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Clóvis e Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 10 de novembro de 2023

- DIÁRIO DE UMA CRIANÇA ASSASSINADA...



Em
 virtude da extrema estupidez e crueldade do tema abordado nesta postagem, inverti as informações, sempre apresentadas ao final dos artigos do Blog. Não quero nenhuma interrupção entre o desfecho da história e a reflexão, certamente de repúdio e indignação, que você estará experimentando...


Obrigado pela visita e volte sempre. Bom fim de semana e até a próxima sexta-feira.

Clóvis de Guarajuba
NG Ande&Limpe  



- Dia 05 de outubro - Hoje teve início a minha vida. Papai e mamãe ainda não sabem. Sou menor que a cabeça de um alfinete, mas já sei: vou ter os olhos iguais aos do papai e meus cabelos serão castanhos e ondulados, iguais aos da mamãe.

- Dia 19 de outubro - Hoje começa a abertura da minha boquinha. Que bom! Dentro de um ano vou poder sorrir, quando meus pais se inclinarem sobre meu bercinho! Minha primeira palavra será 
" mamã "...

- Dia 23 de outubro - Ih! Meu coração começou a bater!...e continuará a exercer sua função, sem parar jamais, sem descanso, até o fim da minha vida; um grande milagre da natureza!

- Dia 02 de novembro - Meus braços e minhas perninhas começam a crescer e vão continuar crescendo, até ficarem perfeitos.

- Dia 12 de novembro - Oh! Agora, nas minhas mãozinhas, as unhas estão despontando... que beleza!!!

- Dia 29 de novembro - Hoje, pela primeira vez, a mamãe percebeu, pelas batidas do seu coração, que me traz no seu ventre. Imaginem a imensa alegria que seu coração deve  estar experimentando!!!

- Dia 03 de dezembro - Todos os meus órgãos estão totalmente formados... Ih! já estou ficando grandinha!...

- Dia 11 de dezembro - Logo mais já poderei perceber a luz, as cores e até as flores. Deve ser tudo tão bonito!... Mas o que me enche mesmo de imensa alegria, é pensar que poderei ver minha mamãe!...

- Dia 12 de dezembro - Crescem-me os cabelos e as sobrancelhas. Como ficará feliz e contente a minha mãezinha com a chegada de sua filhinha querida!

- Dia 24 de dezembro - Ih! Meu coração está totalmente pronto. Vou ser uma menina cheia de vida e com muita saúde! Todos vão ficar radiantes com o meu nascimento.

- Dia 28 de dezembro - Ah! O que é isto?!!!!
 HOJE, MINHA MÃE ME MATOU!!!...



                               Isto é o horror do aborto! 

sexta-feira, 3 de novembro de 2023

LÚCIO FLÁVIO PINTO - a carta - final -





                                                                LÚCIO FLÁVIO PINTO





Aqui, vamos concluir a publicação da resposta do Jornalista LÚCIO FLÁVIO PINTO, às ofensas pessoais escritas na carta aberta a ele dirigida e distribuída em profusão - conforme palavras do próprio Hélio Gueiros - aos leitores do destinatário.
( Vale chamar atenção para o incomum tratamento na segunda pessoa, corriqueira no linguajar dos paraenses, e com o emprego impecável do tempo verbal ) :


" O que publiquei na " Província " foram informações transmitidas pelo governador, como está bem claro no texto. Não me tornei moleque de recado, nem me associei ao Jáder. Simplesmente fui ouvir o que ele tem a dizer sobre pontos que farão parte da minha avaliação, no Bandeira 3. Mas achei, como qualquer jornalista profissional faria, que certas informações deveriam ser transmitidas logo ao leitor. Não fiz qualquer análise. Repassei o que era simplesmente informação. Nada ofensivo a ti. Poderias escrever uma carta fazendo os reparos que quisesses. A suplementação orçamentária, por exemplo: está dito que parte deve-se à corrosão inflacionária, não prevista no momento da elaboração orçamentária.. Mas o Jáder te atribui parte do esgotamento pela política de terra arrasada. É ele quem diz. Como sempre fiz, estou neste primeiro momento, registrando o que um governador recém-empossado diz - e fiz isso várias vezes contigo, enquanto me autorizava o prazo de carência a que todo administrador público tem direito, até se revelar sua incompetência, inapetência, irresponsabilidade ou má fé, características que acabaram te definindo no governo -. No final do artigo, quando registrei a promessa do Jáder de fazer um "grande governo", fiz minha observação pessoal: por enquanto, é apenas promessa, Vou avaliá-la e cobrá-la no primeiro número do B3, quando tiver todas as informações necessárias para essa análise. Minha carência ao Jáder neste segundo mandato será muito menor do que a do primeiro e a ti próprio, por motivos que eu já expus mais do que suficientemente, inclusive pra ti, no tempo em que te dizia o que pensava e publicava exatamente isso em meu jornal pessoal, enquanto tu dizias uma coisa em "off", e outra, bem diferente, de público, enquanto te foi conveniente estar ao lado do Jáder. Eu nada escondia do que pensava e continuo a pensar. Como uma víbora, tu fazias jogo duplo, como sempre fizeste, de que é exemplo mais do que definitivo o episódio com o Rômulo, esquecido, por estratégia, enquanto a aliança com os Maioranas te interessar.
Não, Hélio Gueiros. Mesmo tendo sido governador do Estado, por obra do acaso - o mesmo acaso que fez o Médici, o mais incompetente dos generais disponíveis na época, presidente da República - o Jáder, como o Geisel em relação ao Figueiredo, escolheu uma pessoa abúlica julgando que poderia mandar nela, tu não me metes medo com teus arreganhos, nem me impressionas com teus esbirros. Só me dás pena e tristeza. Pena, por ver revelado, sem qualquer disfarce, o que realmente és. Tristeza por saber que tiveste nas mãos, durante quatro anos, o que nenhum governador antes de ti teve para fazer um bom governo e nele espalhaste o mesmo produto fétido e nojento que forma a tua carta anônima.
Deixo-te meu desprezo e fico com minha dignidade. ".


Até a próxima sexta e bom final de semana.

Obrigado pela visita.


Clóvis de Guarajuba.
ONG Ande&Limpe

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sexta-feira, 27 de outubro de 2023

- LÚCIO FLÁVIO PINTO - a carta - III -





                                                    O Jornalista LÚCIO FLÁVIO
 
Segundo informações do Jornalista LÚCIO FLÁVIO, a resposta que endereçou ao Sr. Hélio Gueiros e que passo a publicar abaixo, lhe foi devolvida sem que o destinatário sequer houvesse aberto o envelope! Ora, ao contrário dos palavrões e termos sórdidos constantes da carta recebida, o Jornalista, com muita sapiência e classe, apenas indicou em sua resposta o porquê das suas opiniões e da opinião do Jáder que fora por ele entrevistado, como aliás o fazia, sempre que o comando do Governo trocava de titular.
Eis a resposta:


" Hélio Gueiros,
Jamais poderia imaginar que um cidadão, depois de chefiar a administração pública estadual, pudesse escrever e assinar a carta que me mandaste e que hoje, dia 22, recebi. Pensei, a princípio, que fosse uma carta anônima, uma molecagem saída do mais sórdido lamaçal. Mas fico sabendo que és o responsável por esta porcaria. Escreveste, assinaste, confirmaste verbalmente e andas espalhando por aí cópias, como um marginal da rua que tem da honra a noção de um rufião. Se não fosse obra de sexagenário, eu diria tratar-se de moleque criado por bestas, que, insensível na sua demência animal, ainda se compraz em fazer circular toda essa imundície como se ela te garantisse o título de cabra macho, quem sabe com aquilo roxo e, acima do pescoço, aquilo esverdeado pela mesma matéria que preenche ( pra não ser vácua ) a cabeça do camarão.
Se pensas que me intimidas ou me humilhas, estás quadradamente enganado. Apenas desnudas tua miserabilidade, teu aleijão moral, tua sandice alcoólica. Infeliz do homem que produz coisas como essas que me mandaste. Não te das o mínimo respeito e a ninguém respeitas, mas não vou descer ao teu chiqueiro, não vou me reduzir à lama que é tua matéria prima. Enganei-me eu e se enganaram todos os que te imaginaram transformado pela possibilidade de governar os paraenses. Esquecemos que foste deformado pelos anos de frequência na cozinha e no chiqueiro do baratismo, um circo de horrores humanos, frequentado por gente disposta a tudo pelo usufruto do poder, disposta a inventar e reinventar  meios, conforme sua conveniência. Tu és um produto da sombra, criado e alimentado como cão de guarda, ao pé do chefe, mas um cão raivoso, capaz de morder os pés que não mais lhe convierem. Tua posição sempre foi essa, rasteira, melíflua. Quando chegaste ao alto, não foi pelos teus méritos pessoais, mas pela conveniência do chefe, pelos acasos da história. Assim te tornaste Senador. Assim foste o candidato do PMDB ao governo. Por isso és rancoroso, por isso trais. Com essa compulsão, julgas poder anular o passado e ter o direito de reivindicar o que não é teu. Usas as pessoas e as conveniências e, quando podes, as trais, como fizeste com o Rômulo e o Jáder. Eu te disse isto numa carta que te mandei antes de tomares posse. Repito agora. O tempo me deu razão. O teu caso é clínico e tu sabes disso. Sabes tanto que tentas esquecer no álcool, mergulho tão profundo e definitivo que é o que sobra de ti: um miserável alcoólatra, entregue aos instintos mais bestiais e torpes.
Esse amontoado de indignidade que perpetraste não merece resposta. É obra de insano. Mas foste governador deste infeliz Estado. Para os paraenses, sim, terei que responder, já que transformaste essa sujeira numa carta aberta. Na verdade, nunca pretendeste responder ao meu simples artigo na " Provincia ". O que queres é me intimidar, atingir o jornal que vou editar. Usaste o artigo da " Provincia " como pretexto. Nada há, nele, nada que pudesse justificar tua ira. Fiz com o Jáder o que fiz com todos os Governadores, sem exceção, inclusive tu; fui la ouvir o que ele tem a dizer sobre o início de sua administração, antes de escrever a primeira avaliação dela para o Bandeira 3. Talvez no futuro nós já não venhamos a ter qualquer tipo de conversa, como tem ocorrido, quase  invariavelmente, com os anteriores. Eu te dei crédito e aceitei tuas informações durante certo tempo. Deves te lembrar que, à primeira informação de irregularidade na Ebal, fui te ouvir antes de escrever sobre o favorecimento da Sudam ao estaleiro. Registrei tua versão, mas publiquei as informações, que estavam corretas e apontavam num rumo certo. Aos poucos fui vendo que não eras confiável, que mentias, que querias te relacionar com a imprensa através de balões de ensaio, e me afastei. Não me interessa ser confidente de ninguém. O que quero é apurar informação segura para o público. Não entendes isso. És de um tempo em que se podia fazer muito mais negociação jornalística, manipular informações, usar o jornalismo partidariamente, conforme interesse pessoal. Daí porque o teu jornalismo é de fontes anônimas, tu colocando em personagens fictícios o que não tens coragem ou não queres assumir, o que não faz parte do mundo vivo e sim das tuas alucinações, dellirius tremens, para usar a expressão técnica. "...


Conclusão na próxima sexta. Obrigado pela visita.


Clóvis de Guarajuba.
ONG Ande&Limpe

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

- LÚCIO FLÁVIO PINTO - a carta - II -



                                                               Hélio  Gueiros
                         



E prossegue a fieira de termos chulos e demonstradores de um profundo sentimento de incontrolável ódio contra as posições ideológicas que, por dever de ofício, todo jornalista correto e de caráter, deveria externar com toda a honestidade...
E é exatamente este procedimento louvável que desperta os mais primitivos sentimentos naqueles indivíduos alvos de comentários abordando assuntos que, a seu juízo, jamais deveriam ser desenterrados e  muito menos expostos ao público:

"...Não pode, seu sacana. Tem de ter autorização do Legislativo. E isso foi publicado no Diário Oficial. Tem de ter autorização do M. do Planejamento e isso foi publicado no Diário Oficial. Tem de ter autorização do Senado e isso foi publicado no Diário Oficial. Então, como é que dois filhos de uma puta, tu e o Jader, ficam dando a impressão de que ninguem sabia do empréstimo. Honrei os compromissos dele, repassando aos empreiteiros da PA-150 o valor do empréstimo; por que o líder do PMDB, que prometeu uma CPI para investigar os empréstimos, não concretiza a convocação.
A tua observação sobre política de terra arrasada, seu mineteiro de macho, é outra sacanagem. Por aí afora, os Governadores estão tendo problema para pagar três, quatro meses do funcionalismo em atrazo ( SIC ). Aqui o teu ventríloco diz que está tendo problemas para pagar Março, ( SIC ) tão somente Março ( SIC ), E está tendo problema porque a irresponsável bancada dele, concedeu aumento de 400% ao Legislativo, forçando o Judiciário, Ministério Público, tribunais de conta ( SIC ) a fazerem o mesmo. E a irresponsável bancada dele majorou em igual proporção a Polícia Militar e decretou taxa de interiorização para todo pessoal civil e militar. Nada disso foi feito por mim. Despesa nova autorizada por mim só um modesto aumento para quem não pertence nem ao Legislativo, nem ao Tribunal de Contas e assemelhados. Só e mais nada. Terra arrasada fez o PMDB, orientado pelo Jader, que achava que não ganharia eleição, como de fato não ganhou licitamente, mas está hoje trepado no poder, trepando contigo, por causa da fraude.
Era o que tinha a te dizer, seu crápula. Não adiante fingir que não recebeste nem leste esta porque estou tirando xerox em abundância para distribuição aos teus leitores. E antes que eu me esqueça de repetir: por que tu não vais chupar o rabo e a buceta da puta que te pariu. "

Na próxima sexta publicarei a resposta do Jornalista LÚCIO  FLÁVIO.



Obrigado pela visita e bom fim de semana .



Clóvis de Guarajuba.
ONG Ande&Limpe

sexta-feira, 13 de outubro de 2023

LUCIO FLÁVIO PINTO - a carta - I -





                                                              O Sr. HÉLIO GUEIROS.
                             
Aqui vai a primeira parte da carta hedionda escrita pelo Hélio Gueiros:

" Lúcio Flávio,
Por que tu não vais chupar o cu da puta que te pariu ?
Sabia que tu eras filho de puta.  Sabia que quem te emprestou o sobrenome era um bandido. Sabia que és um corno manso. Sabia que és frequentador habitual dos hospícios. Mas não sabia - confesso - que agora estás cooptado pela pica do Jader, fazendo concorrência à corte dos eunucos que lhe ( SIC ) cercam. 
Somente um corno muito safado como tu, amancebado agora com um ladrão, pode ter a coragem de parir pelo rabo, o teu escrito de nojo. Viraste porta-voz de quem achavas que era o maior larápio de todos os tempos deste Estado. Mas, naturalmente, porque te converteste a ele e estás sendo consolado pelo pau dele debaixo das escadas, queres te redimir do passado, seu grande filho da putíssima.
Se o orçamento de 91 está defasado, seu sacana, a culpa não é minha. É da inflação. Fizemos uma proposta orçamentária baseada em inflação zero por que ( SIC ) se acreditava que o Plano Collor ia liquidar com a inflação. Não acabou e, por isso, está havendo a defasagem no começo logo do segundo trimestre. Até teu, ( SIC ) seu grande filho de uma égua, estás gastando neste mês de abril, muitas vezes mais do que gastavas há um ano. Mas o que importa, seu veado cínico, não é a rubrica orçamentária mas sim a arrecadação. Eu só gastei o que arrecadei, Não gastei o que não arrecadei. O que vale é isto e não o detalhe do desajuste orçamentário, A tua crítica sobre suplementação de verba é canalhice porque o fundamental não é a rubrica e sim o dinheiro. E isso eu tive. Arrecadei e gastei o que arrecadeia ( SIC ). Se o teu macho quiser gastar, roubando e dividindo contigo, que vá arrecadar. Quanto ao empréstimo, seu chupador de cacete, está tudo explicado na minha mensagem ao Legislativo dêste
 ( SIC ) ano. O empréstimo é do tempo do Jader para pagar as contas do Jader referentes à PA-150. Foi o que fiz porque em 87 não sabia, como tu, que o Jader era um gatunaço e por isso honrei os compromissos dele. Mas um merda como tu, dá a entender que se pode contrair empréstimo às escondidas, clandestinamente, à maneira  como tú das o cú. " ( SIC )


Continuaua na próxima sexta.

Abraço aos meus amigos visitantes.

Clóvis de Guarajuba.
ONG Ande&Limpe