sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

- LÚCIO FLÁVIO PINTO - a carta - III -





                O Jornalista LÚCIO FLÁVIO
 
Segundo informações do Jornalista LÚCIO FLÁVIO, a resposta que endereçou ao Sr. Hélio Gueiros e que passo a publicar abaixo, lhe foi devolvida sem que o destinatário sequer houvesse aberto o envelope! Ora, ao contrário dos palavrões e termos sórdidos constantes da carta recebida, o Jornalista, com muita sapiência e classe, apenas indicou em sua resposta o porquê das suas opiniões e da opinião do Jáder que fora por ele entrevistado, como aliás o fazia, sempre que o comando do Governo trocava de titular.
Eis a resposta:


" Hélio Gueiros,
Jamais poderia imaginar que um cidadão, depois de chefiar a administração pública estadual, pudesse escrever e assinar a carta que me mandaste e que hoje, dia 22, recebi. Pensei, a princípio, que fosse uma carta anônima, uma molecagem saída do mais sórdido lamaçal. Mas fico sabendo que és o responsável por esta porcaria. Escreveste, assinaste, confirmaste verbalmente e andas espalhando por aí cópias, como um marginal da rua que tem da honra a noção de um rufião. Se não fosse obra de sexagenário, eu diria tratar-se de moleque criado por bestas, que, insensível na sua demência animal, ainda se compraz em fazer circular toda essa imundície como se ela te garantisse o título de cabra macho, quem sabe com aquilo roxo e, acima do pescoço, aquilo esverdeado pela mesma matéria que preenche ( pra não ser vácua ) a cabeça do camarão.
Se pensas que me intimidas ou me humilhas, estás quadradamente enganado. Apenas desnudas tua miserabilidade, teu aleijão moral, tua sandice alcoólica. Infeliz do homem que produz coisas como essas que me mandaste. Não te das o mínimo respeito e a ninguém respeitas, mas não vou descer ao teu chiqueiro, não vou me reduzir à lama que é tua matéria prima. Enganei-me eu e se enganaram todos os que te imaginaram transformado pela possibilidade de governar os paraenses. Esquecemos que foste deformado pelos anos de frequência na cozinha e no chiqueiro do baratismo, um circo de horrores humanos, frequentado por gente disposta a tudo pelo usufruto do poder, disposta a inventar e reinventar  meios, conforme sua conveniência. Tu és um produto da sombra, criado e alimentado como cão de guarda, ao pé do chefe, mas um cão raivoso, capaz de morder os pés que não mais lhe convierem. Tua posição sempre foi essa, rasteira, melíflua. Quando chegaste ao alto, não foi pelos teus méritos pessoais, mas pela conveniência do chefe, pelos acasos da história. Assim te tornaste Senador. Assim foste o candidato do PMDB ao governo. Por isso és rancoroso, por isso trais. Com essa compulsão, julgas poder anular o passado e ter o direito de reivindicar o que não é teu. Usas as pessoas e as conveniências e, quando podes, as trais, como fizeste com o Rômulo e o Jáder. Eu te disse isto numa carta que te mandei antes de tomares posse. Repito agora. O tempo me deu razão. O teu caso é clínico e tu sabes disso. Sabes tanto que tentas esquecer no álcool, mergulho tão profundo e definitivo que é o que sobra de ti: um miserável alcoólatra, entregue aos instintos mais bestiais e torpes.
Esse amontoado de indignidade que perpetraste não merece resposta. É obra de insano. Mas foste governador deste infeliz Estado. Para os paraenses, sim, terei que responder, já que transformaste essa sujeira numa carta aberta. Na verdade, nunca pretendeste responder ao meu simples artigo na
" Provincia ". O que queres é me intimidar, atingir o jornal que vou editar. Usaste o artigo da
" Provincia " como pretexto. Nada há, nele, nada que pudesse justificar tua ira. Fiz com o Jáder o que fiz com todos os Governadores, sem exceção, inclusive tu; fui la ouvir o que ele tem a dizer sobre o início de sua administração, antes de escrever a primeira avaliação dela para o Bandeira 3. Talvez no futuro nós já não venhamos a ter qualquer tipo de conversa, como tem ocorrido, quase  invariavelmente, com os anteriores. Eu te dei crédito e aceitei tuas informações durante certo tempo. Deves te lembrar que, à primeira informação de irregularidade na Ebal, fui te ouvir antes de escrever sobre o favorecimento da Sudam ao estaleiro. Registrei tua versão, mas publiquei as informações, que estavam corretas e apontavam num rumo certo. Aos poucos fui vendo que não eras confiável, que mentias, que querias te relacionar com a imprensa através de balões de ensaio, e me afastei. Não me interessa ser confidente de ninguém. O que quero é apurar informação segura para o público. Não entendes isso. És de um tempo em que se podia fazer muito mais negociação jornalística, manipular informações, usar o jornalismo partidariamente, conforme interesse pessoal. Daí porque o teu jornalismo é de fontes anônimas, tu colocando em personagens fictícios o que não tens coragem ou não queres assumir, o que não faz parte do mundo vivo e sim das tuas alucinações, dellirius tremens, para usar a expressão técnica. "...


Conclusão na próxima sexta. Obrigado pela visita.


Clóvis de Guarajuba.

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