sexta-feira, 15 de dezembro de 2017
- INDÍCIOS DE INCAS NA AMAZÔNIA PARAENSE - introdução -
Na última viagem que fiz à Amazônia, no mês de março passado, conheci
um companheiro de viagem a bordo do navio que me levou de volta à Belém,
procedente de Oriximiná, onde fui visitar alguns amigos. Ao final do primeiro
dia já havia uma certa empatia no nosso relacionamento fruto das longas
conversas sobre assuntos diversos, por nós mantidas durante a viagem, até então.
Possuidor de razoável conhecimento geral, tinha uma fácil conversa sobre os mais
variados assuntos, até que, em determinado momento, revelou-me que comprara
de um certo caboclo da região, algumas "caretas de índio", termo usado pelos
ribeirinhos para designar fragmentos de artesanato, principalmente cerâmicos,
muito comuns na região, elaborado por silvícolas outrora radicados no denominado
" Baixo Amazonas ". Claro que mostrei-me vivamente interessado. Em resposta à
pergunta que lhe fiz - se poderia ver tais fragmentos - ele prontamente buscou em
uma sacola que se encontrava debaixo da rede onde dormia, um pacote
cuidadosamente protegido por pedaços de isopor. Fiquei realmente deslumbrado
ao ver tais objetos. Tratava-se de partes de vasos e outros objetos artesanais que
me trouxeram ao pensamento, instantaneamente, a arte INCA há muito vista e
estudada nos livros de história. Mas ,como seria possível?! Os INCAS estavam
radicados lá na Cordilheira dos Andes, a cerca de 3000 km do local onde o meu
amigo comprara as peças. Seu vasto império se espalhava desde o sul da
Colômbia até a parte central do Chile, porém, sempre às proximidades da
cordilheira. Para não despertar a curiosidade do companheiro de viagem, detentor
das relíquias, mantive-me mais ou menos calmo, sem demonstrar nenhuma
ansiedade, até que consegui a permissão para fotografar algumas daquelas
peças... No dia seguinte, logo após o café da manhã, procurei novamente me
aproximar do dono das peças. Meu objetivo era saber a exata localização do
sítio arqueológico. Nada consegui, pois me foi dada a explicação que tudo aquilo
era sigiloso e o tal caboclo que vendera o achado, se negara terminantemente a
revelar o lugar de origem: alguém o havia advertido que, se uma entidade ligada
ao assunto - tipo o Museu Emílio Goeldi, de Belém - soubesse da exata localização
do sítio e esse lugar fosse próximo a sua casa, ele seria deslocado imediatamente
para outro local. Disse apenas que não foi preciso nenhuma escavação porque
o rio, ao provocar o fenômeno denominado de " terras caídas ", acabara por
revelar aquelas peças e ele só teve o trabalho de coletá-las. É possível que o rio
já tivesse levado boa parte dos objetos pois ele, apenas por acaso, passara de
canoa pelo local e vira alguns objetos na margem, a uma profundidade que variava
de cerca de 80 cm a 8 m. abaixo da superfície do solo. Durante o resto da viagem,
comecei a elaborar mentalmente uma teoria que poderia explicar a possível presença
de membros do Império Inca em local tão distante dos Andes. Tal teoria será assunto
para a próxima postagem.
Continua na próxima sexta-feira....
Bom final de semana a todos os amigos e visitantes.
Abraço,
Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe
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