barracão, construído pelo papai.
Meu sobrinho CLEY e eu, no interior do barracão.
(note-se que já não existe assoalho)
A confirmação da gravidez da LAURINDA, a segunda, trouxe novo ânimo a todos os familiares. Como é natural, aumentaram-se os cuidados com a parturiente cobrando-se, até dela própria, a observância de regras mais rígidas para o seu dia a dia. Alimentação rica e variada, tomada nas horas certas e nada de muito esforço ou longas caminhadas. Claro que tais atitudes da família não tinham razão de ser, pois o que ocorreu com a criança que morrera, nada tinha a ver com o comportamento, alimentação ou qualquer outra atitude da parturiente, como é fácil deduzir. A criança morrera, como eu próprio teria morrido se tivesse nascido uns 10 ou 20 anos antes do meu próprio nascimento, porque a tecnologia que me
mantem vivo até hoje ( o marcapasso ), não existia e, fatalmente, já estaria morto, vítima de uma parada cardíaca durante o sono.
A criança morrera, dizia, porque Alexander Fleming, escocês
A criança morrera, dizia, porque Alexander Fleming, escocês
( 06.11.1881 a 11.03.1955 ), apesar de ter casualmente descoberto a penicilina - primeiro antibiótico - em 1928, sua produção industrial como fármaco, só começou em 1938 nos EE.UU., isto é, quatro anos depois do infausto acontecimento. E a gravidez transcorreria sem nenhuma intercorrência, a não ser pelas sempre presentes náuseas, comuns nos meses iniciais... Naquele ano, como que para comemorar antecipadamente a chegada de outro filho (ou seria filha ?...), a safra da castanha do Pará foi das mais generosas. Com isto, o trabalho
de todos foi proporcionalmente maior, exigindo algumas viagens extras para trazer até a cidade, no " batelão "*, as castanhas que, por sua enorme quantidade, abarrotavam o barracão construído às margens do lago. As atribulações foram tantas, que FRANCISCO decidiu que construiria, naquele ano, um outro barracão, desta vez com uma estrutura definitiva e com capacidade de armazenamento dobrada. A construção foi de tal maneira caprichada, que até hoje permaneceria utilizável, não fora o vandalismo perpetrado por caçadores e pescadores que, não tendo a mínima consciência, usam a sua medeira fácil para fazer fogueira, ao lá acamparem para passar a noite! Não imaginam o trabalho, o sacrifício e o dinheiro que foram feitos e gastos para trazer da cidade os materiais corriqueiros e da
capital, Belém, as telhas, que até hoje cobrem o barracão. ( Eu próprio estive no local, no ano de 2002, conforme fotos que ilustram esta postagem ).
E o ano de 1935 já ia lá pela metade quando, sabendo que o parto estava próximo, foram providenciados todos os requisitos exigidos para uma feliz " délivrance "...
* BATELÃO - Grande embarcação desprovida de motor, que serve para transportar qualquer tipo de carga e que é rebocado ou empurrado por barcos motorizados.Continua a próxima sexta-feira.
Bom fim de semana a todos.
Clovis de Guarajuba
ONG Andeelimpe

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