sexta-feira, 25 de setembro de 2015

- A LIÇÃO QUE VEM DE BAIXO...

                                                           
                                                       - foto Internet -

Era outono. Sentado em um banco de jardim, fiquei observando algumas folhas que caíam das árvores, derrubadas pelo passar do vento. Tudo na natureza tem chegadas e partidas, idas e vindas, nascimento e morte. As folhas, quando verdes, apegam-se aos seus galhos resistindo, obstinadas, às tempestades. Mal começam a amarelar, porém, perdem, naturalmente, a resistência e, sem nenhuma lamentação, deixam-se levar pela inexorável roda da vida. Algumas são levadas precocemente pela mão que poda. para revigorar a vida. Mortas, embora, não perdem a utilidade. Transformam-se em adubo para as outras plantas. De repente, tenho minha atenção despertada por uma fila de formigas que passam diante de mim. Passo a observá-las atentamente e fico maravilhado com o trabalho que desenvolvem em prol da comunidade. Em busca de suprimentos para armazenar antes do inverno que se aproxima, trabalham arduamente, somando para depois dividir, respeitando a lei da sobrevivência. Levam para o mesmo destino pequenas cargas de folhas compatíveis com suas possibilidades. Noto, porém, que uma delas tem um enorme fardo, bem maior do que pode carregar; anda um pouco mas logo para, talvez juntando forças para prosseguir. De repente, uma de suas companheiras ainda sem carga nas costas, parece perceber o enorme esforço, deixa a fila e, apressando o passo, vem socorrer sua extenuada semelhante. Onde será que ela aprendeu a ser solidária? Seria instinto puro e simples? Jamais saberemos. E ela coloca-se ao lado da companheira e, juntas, dividem o peso caminhando lado a lado no mesmo passo. Vendo esta cena penso comigo mesmo no quanto ainda tenho de aprender e crescer, embora já em idade avançada. E sinto-me menor do que esses pequenos insetos sem inteligência, sem coração e sem emoção. E lá se foram as duas com seu fardo até  desaparecerem ao entrar no ninho, local do armazenamento. Contemplo o restante da fila que prossegue em seu trabalho e me pergunto: quem somos nós, os humanos? Tantos filósofos, tantas religiões, tantos gurus, tantos mestres e ainda não sabemos dividir os fardos de nossas vidas com amigos, vizinhos, conhecidos ou qualquer um dos nossos semelhantes. Muitas vezes nem com aqueles que vivem sob o nosso teto ou que nos dão " bom dia " sempre que nos encontram.
Encontrei solidariedade, sabedoria, lição de vida e harmonia em um pequeno e singelo jardim. Levantei, olhei para o sol radiante e refleti agradecido: Folhas mortas, formigas...
Abaixo dos nossos pés se esconde uma grande sabedoria.
Jamais se ouviu o lamento das folhas que caem quando chega seu fim!
Jamais se ouviu o lamento de uma formiga que trabalha horas a fio, desviando em sua trajetória de diversos obstáculos.
Aprendi que antes de me lamentar pelos percalços da vida, devo, a partir de hoje, olhar para o chão...


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