sexta-feira, 11 de agosto de 2017

- A história da Professora AFONSINA - XIII -


 
            Meu Pai, CHICO MARTINS, na farmácia de sua propriedade onde
             minha mãe AFONSINA o ajudou, lá trabalhando por muitos anos.
         ( desculpem pela qualidade da foto; é a única que tenho daquela época ).



Como já dito, foi minha mãe que descobriu, horrorizada, que já não mais me encontrava sobre
a ponte. Gritou a plenos pulmões, chamando a atenção do meu pai que, incontinente, subiu
na ponte e, sem ter a mínima noção de para que lado eu havia caído, se jogou às cegas e,
para minha felicidade, me encontrou preso de encontro ao caule de algumas canaranas*,
vegetal muito comum naquelas plagas. Paradoxalmente, foi a correnteza violenta do rio que
me salvou: é que sob sua pressão, fiquei preso de encontro a vegetação. Foi por puro
acaso e sorte que meu pai me encontrou, pois as águas do Cachoeiri são de tal modo
carregadas de matéria em suspensão, que é absolutamente impossível enxergar alguma
coisa quando nelas mergulhamos. Fui resgatado aparentemente morto. No desespero que
se seguiu ao resgate, fui sacudido violenta e sucessivamente por meu pai e minha mãe,
até que, após alguns minutos, voltei a respirar, para alivio e felicidade dos dois e
principalmente para minha felicidade...Nunca mais descuidaram de mim e D. Dira foi
advertida para não me perder de vista jamais!
A segunda gravidez não teve sucesso. Nascido prematuro, aquele que se chamaria  
CLODOALDO, não conseguiu sobreviver. Assim, o segundo filho seria o CLÉBER,
nascido em 11 de março de 1943. Infelizmente já o perdemos, num desastre de veículo
ocorrido em 09 de abril de 2006, mercê do trânsito louco e inconsequente dos nossos
dias. Aproveito, então, esta passagem da narrativa, para declinar, em ordem cronológica,
um por um, todos os filhos da Professora AFONSINA; não perca as contas: CLÓVIS
( o autor ), nascido em 18.10.1941; CLÉBER, nascido em 11.03.1943 ( já falecido );
 em 11 de outubro de 1945, nasceu o CLENALDO FRANCISCO ( já falecido );; em 18 de
dezembro de 1948, nasceu o CARLOS LEONEL; em 14 de janeiro de 1954, nascia o  
CLÉO AFONSO; em 02 de março de 1955, finalmente nascia a tão esperada primeira
filha, CLEMENS MARIA; e aí só viriam mais duas filhas: a CLEIDE MARIA, nascida
em 16 de novembro de 1956 e a CLEISY RITA, a caçula, nascida em 24 de abril de
1959.
 É necessário dizer que, além dos filhos e filhas já citados, a Professora  
AFONSINA e o CHICO MARTINS, seu esposo, acolheram, prazerosamente no seio
da família, ainda criança, o DEZIZÉ que consideravam também um filho e que nós
aprendemos a amar como um irmão mais velho. Infelizmente o perdemos, em 19 de
outubro de 1999, para um problema cardíaco que o acometeu quando tinha apenas
68 anos, não resistindo às complicações advindas da cirurgia a que foi submetido.
Com o trabalho diuturno desenvolvido na farmácia, AFONSINA passou a adquirir
conhecimentos tais que, além de inúmeras vezes tratar com sucesso muitas pessoas
da comunidade, principalmente dos mais carentes e interioranos, frequentemente
acidentados no trabalho, passou a elaborar fórmulas muito eficazes no tratamento de
problemas de pele, tais como eczemas, pano-branco e outros, além de xaropes feitos
 com a utilização de ingredientes naturais da flora da região, muito eficazes no tratamento
 de problemas respiratórios. Cobrar algo pelos serviços, só de quem tinha condições.
 A maioria das vezes, mesmo sem cobrar, era " presenteada " com produtos frutos do
 trabalho daquelas pessoas simples, geralmente peixe, leite de vaca, queijos artesanais,
 pirarucu seco ou salgado, tartaruga, tracajá, " piracuí "* e outros itens que tais.
Seus conhecimentos farmacêuticos se tornaram  tão vastos que lhe foi concedida
a inscrição no Conselho Estadual de Farmácia do Estado do Pará, cujas anuidades
 pagou religiosamente até seu lamentável e precoce desaparecimento...                                                                          

* canarana - gramínea gigante originária da Amazônia, que tem seu habitat nas margens
 dos rios. Seu nome é derivado do Latim " cana ", referente ao talo das gramíneas e do
 Tupi " rana ", que quer dizer " parecido ".

* piracuí - método usado na região para conservação de pescados, que consiste em
 transformá-los em farinha depois de completamente desidratados.

Continua na próxima sexa-feira.
Bom fim de semana a todos.

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