sexta-feira, 18 de agosto de 2017

- A história da Professora AFONSINA - XIV -


                            Neste prédio funcionava o Grupo Escolar Padre José Nicolino.
                                                        - Foto de Edilberto Guerreiro -


Lá por volta do ano de 1950, apesar de já cheia de afazeres, AFONSINA começou a ensinar ( já de volta à casa da praça da Matriz ), às crianças e jovens da redondeza que a procuravam se queixando de dificuldades no aprendizado regular, ministrado no Grupo Escolar Padre José Nicolino, então, o único estabelecimento de ensino da cidade. Como também não cobrava por este serviço, era natural que, ao tomarem conhecimento do fato, as mães de outros alunos passassem a apresentar seus filhos, igualmente com dificuldades de aprendizado, solicitando à Professora AFONSINA permissão para frequentarem às aulas por ela ministradas na sua própria residência. Daí até ser convidada para lecionar no " grupo ", foi um pulo; logo começava a carreira " oficial " da professora que, tão generosamente, transferia conhecimentos para tantas crianças e jovens - o DEZIZÉ, eu e o CLÉBER, inclusive - de maneira espontânea e eficiente.
Assim se iniciou  a nobre tarefa da AFONSINA, Professora, que consiste em repassar seus conhecimentos didáticos e, principalmente de vida em sociedade e em família, para a juventude, futuro desta mesma sociedade.
Transcorreu aproximadamente um ano, até se descobrir que a população da cidade, em idade escolar, aumentara de maneira surpreendente. O que fazer para absorver tal população, se o espaço físico não acompanhou este crescimento, já que não se construíram outros estabelecimentos de ensino? Uma reunião do corpo docente decidiu que, emergencialmente, criar-se-ia um terceiro turno de aulas que, por não haver energia elétrica contínua e eficiente, não poderia acontecer à noite. Logo surgiu a ideia de implementar-se este novo turno no horário de 10,00 às 14,00 h. Decisão tomada, passou-se a procurar a professora que tomaria conta desta nova turma, constituída pelos alunos que superlotavam as salas de aula das séries mais concorridas. Uma reunião foi convocada para discutir e determinar qual das mestras ficaria encarregada de conduzir a nova turma. Foram inquiridas todas as professoras presentes e nenhuma se apresentou voluntariamente para tal mister. Sob as mais variadas alegações, que iam desde à necessidade de afazeres domésticos até a outros compromissos assumidos para aquele horário, uma a uma das presentes declinou de assumir aquela tarefa. Foi quando a Professora AFONSINA, entendendo que nada seria resolvido sem a confirmação de uma delas para executar tal serviço, se apresentou como voluntária e foi imediata e entusiasticamente " aclamada "  pelas presentes.
 Diga-se de passagem, que tarefas domésticas não faltavam para quem, àquela altura, já tinha cinco filhos e o marido para cuidar, além de continuar a prestar serviços à comunidade na área farmacêutica!
 Logo, logo, a tal turma intermediária, passou a ser estigmatizada pelos outros alunos componentes das turmas consideradas " normais ", cujo funcionamento se verificava nos horários matutino e vespertino. O estigma se materializou no  nome conferido pelos colegas à turma intermediária: " Turma da Fome ". Tal cognome originou uma atitude inusitada da Professora AFONSINA que, por seu significado, estará em destaque na próxima e penúltima postagem...

                                                                   

Até a próxima sexta-feira.
Bom fim de semana a todos.

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