sexta-feira, 21 de julho de 2017
A história da professora AFONSINA - X -
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Bem diferente do casamento de LAURINDA e FRANCISCO, a cerimônia do enlace de AFONSINA e FRANCISCO, transcorreu sem muita pompa, não somente pelo fato de a maior parte da família da noiva ser originária da capital, Belém e não se encontrar na cidade, como pela razão totalmente compreensível, evidenciada pelo pouco - para a época - tempo decorrido desde a morte da
D. LAURINDA.
Vale a explicação que, naquele tempo, o luto era demonstrado acintosa e pesarosamente, com o uso de roupas pretas durante os primeiros 6 meses após a morte do cônjuge ou parente mais próximo, pelos homens e durante um ano pelas mulheres. Aos homens, a partir do sexto mês , era " permitido " o uso de uma tarja confeccionada com tecido preto, chamado popularmente de " fumo ", ostentada geralmente no bolso da camisa, à altura do peito esquerdo.
Ainda assim, foi uma festa bonita para os padrões da época.
E logo veio a primeira gravidez! Menina embora, AFONSINA não demonstrou sentir nenhuma anormalidade das que costumam acometer às grávidas, principalmente no início do processo. Enquanto a gravidez transcorria dentro dos padrões, a jovem - agora, repentinamente, transformada em " dona de casa " - passou a dedicar-se totalmente aos encargos inerentes à nova realidade. Mas ela não se limitou a cumprir suas tarefas caseiras, no início de maneira mais ou menos eficiente devido à pouca idade. Como tinha um talento inato para a pintura e muita perícia em trabalhos manuais, aproximou-se, naturalmente, das pessoas da comunidade que tinham dons afins. Assim é que se tornou amiga e aluna de D. Dalila, doceira de " mão cheia " que, além de vizinha, era a irmã mais velha da falecida LAURINDA, primeira mulher de FRANCISCO, agora seu esposo. D DALILA era tão boa na arte de fazer e decorar doces e, principalmente, bolos confeitados, que alguém criou uma paródia, baseado numa marchinha de carnaval de sucesso na época, que dizia:
"Ah! quem me dera Dalila, Dalila que eu fosse o Sansão! os teus encantos Dalila, de Sansão a sua perdição...".
e a paródia criada ficou assim:
" Ah! quem me dera DALILA, se eu fosse o MARCOS TEIXEIRA, eu te pegava DALILA e te mandava pra " Palmeira..." .
MARCOS TEIXEIRA - Juiz de Paz da cidade - era esposo da D. DALILA e " Palmeira " era uma famosa e prestigiada fábrica de doces e biscoitos localizada em Belém.
Esta aproximação se deu, também, com D.LAURA DINIZ - chamada carinhosamente de D. LAURINHA - que promovia principalmente espetáculos teatrais, produzindo e encenando, como diretora, peças infantis tais como Branca de Neve e os Sete Anões e outras.
E a gravidez, sem nenhuma intercorrência, chegou ao seu clímax às 6 h da manhã do dia 18 de outubro do ano de 1941. Nascia, neste dia, o primogênito, pelas mãos experientes e competentes de D Lucila, desta vez sob a supervisão profissional do cunhado da parturiente, Dr. BRUZZA. E o recém- nascido, menino saudável e robusto, inundou de alegria aquele lar improvável devido à brutal diferença de idade entre o casal. Nome escolhido, logo se providenciou o batismo do bebê. Chamar-se-ia CLÓVIS e teve como padrinhos o casal JOSÉ DINIZ e sua esposa, D. LAURINHA DINIZ.
O sacramento foi ministrado pelo Frei PROTÁSIO, pároco local, em frente ao altar mor da igreja de Santo Antonio, uma joia em madeira de lei, arte inigualável, hoje inexistente, vítima da sanha destruidora e ignorante de um padre alemão, chamado Fortunato Lamprecht, de triste memória.
Até hoje não entendo porque a comunidade oriximinaense permitiu que um energúmeno, interpretando de maneira errônea a Encíclica Papal, saído não sei de que buraco, transformasse a madeira do altar sagrado, até em lenha para fogueira!...
Continua na próxima sexta-feira...
Bom fim de semana a todos.
Clovis de Guarajuba
ONG Ande e Limpe
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