sexta-feira, 30 de março de 2018

A DOENÇA QUE ALTEROU O CURSO DA HISTÓRIA. - FINAL -


                                                    simpatias como recurso...




Calcula-se que se verificaram 45 surtos da peste no período de 1500 até 1720. Em junho de
1665, aconteceu o mais conhecido de todos. Um dos métodos usados nesse período para
conter a propagação da doença, consistia em queimar gatos, cães, ratos e ratazanas. Tal
providência, porém, foi tomada demasiadamente tardia, pois, por volta de 1666, já haviam
morrido mais de 68 000 londrinos e a Europa receava outra pandemia. Aconteceu, então,
em 2 de setembro desse mesmo ano, um pavoroso incêndio em Pudding Lane, no centro
da zona mais populosa de Londres. Quatro quintos da cidade foram devastados durante os
quatro dias que o incêndio alastrou, sendo eliminadas assim, as condições anti higiênicas que
permitiam a propagação da peste.
Foi em Marselha, sul da França, que aconteceu o último grande surto da doença na Europa, 
em 1720.
Os médicos, de acordo com desenhos e  gravuras da época, usavam roupas espessas, botas
e luvas de couro e máscaras providas de um bico onde se punham ervas aromáticas, pois se
pensava então, que os odores contagiavam as pessoas e transportavam a doença.
 Ignora-se como e porque aconteceu o declínio da incidência da peste, de maneira tão acentuada,
 no século XVIII.
 Havia, contudo, um provérbio popular que talvez lance luz sobre esta dúvida. Dizia-se que onde surgisse a peste, as pessoas deveriam " afastar-se rapidamente e só voltar muito mais tarde ".


Um ótimo final de semana a todos os meus amigos e visitantes.
 Grande abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 23 de março de 2018

A DOENÇA QUE ALTEROU O CURSO DA HISTÓRIA. - V


                                                   Religiosos disseminaram a doença



No começo do século XIII  missionários de uma seita chamada " Nestoriana " - que, entre outros
preceitos estranhos, dizia que Cristo tinha dois rostos (?) - começaram a percorrer os novos caminhos
entre a Europa e a Ásia. Acabaram por descobrir, ao longo desses caminhos, sepulturas de
missionários datadas de 1338 e 1339, alguns dos quais pereceram de peste contraída na Mongólia.
Crê-se que a contaminação desses viajantes, conjugada com a existência da ratazana vulgar na
Europa - notadamente a partir do século XVII - foi a principal causa da  "morte negra" que
assolou o continente europeu nos 60 anos seguintes e continuou a aterrorizar o mundo durante
quase 4 séculos. A expressão " peste negra ", criada no século XIV, tem sua origem na utilização
da palavra " negra ", do latim medieval, com o significado de " terrível ". No ano de 1348, em
Florença, morreram cerca de 1 000 000 de pessoas. O papa Clemente VI, que então residia
em Avinhão, propos uma peregrinação à Roma. Nessa viagem, de mais ou menos 800 km,
partiram mais de 1 000 000 de peregrinos, dos quais só retornaram 100 000!
No auge da epidemia o rio Ródano foi usado como cemitério para as vítimas pois, pelo grande número, se tornava impossível sepultar.
Lá pelo final do século XIV, a peste já vitimara cerca de 25 000 000 de pessoas - a quarta
parte da população mundial conhecida à época!

continua...

Um grande abraço e ótimo final de semana.

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 16 de março de 2018

A DOENÇA QUE ALTEROU O CURSO DA HISTÓRIA. - IV


                                                     Lesões causadas pela peste



A peste mais devastadora que o mundo conheceu, começou a disseminar-se a partir do Egito,
no ano LIV de nossa era. Acompanhando as grandes rotas comerciais de então, atravessou a
Asia Menor atingindo Constantinopla, a Itália e a Grécia, chegando até ao Reno. Em 52
anos a doença dizimou a população, calculando-se que tenham morrido 100.000.000 de
pessoas, o que significava uma importante parte da população do mundo então conhecido.
Com o declinio do Império Romano e a consequente interrupção das rotas comerciais, a peste
foi praticamente esquecida durante 8 séculos. Embora a doença, aparentemente tenha sido
esquecida, ha uma descrição de enfermidade na obra  " Crônica Anglo- Saxônica ", escrita pelo
venerável Beda, que acredita-se seja o retrato de um bulbão. Dessa maneira, a peste pode ter
feito muitas vítimas durante o ano de 664, na Inglaterra e na Irlanda. Além da descrição de
manchas pelo corpo, identificadas como o principal sintoma aparente da doença, o autor se
refere a uma " grande pestilência ", caracterizando com essa expressão, o fácil e rápido contágio.

continua...

Um ótimo final de semana a todos.
Abraço.

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 9 de março de 2018

A DOENÇA QUE ALTEROU O CURSO DA HISTÓRIA. III


                                                         Tratando dos doentes
                                       muitos desses tratadores contraiam a doença



Há duas espécies principais da peste: a bubônica e a pneumônica. Quando o indivíduo é picado
por uma mosca que transporte a bactéria da doença, colhida num roedor infetado, aparecem
 uns inchaços ou bubões, no local da picada, nas axilas ou nas virilhas os quais justificam o nome
peste bubônica ". Já a peste pneumônica é contraída pela respiração quando em contato com
um roedor infetado, se inspira a bactéria. Após essa fase, a transmissão se dá de pessoa para
pessoa atraves da respiração. Durante uma epidemia ou pandemia - como as grandes epidemias
são denominadas - pode ser infetada uma percentagem de 90% da população local, se não
forem tomadas medidas drásticas de higiene e controle. Dos que contraiam a peste bubônica, até há
poucas décadas, 60 a 80% morriam. Já na peste pneumônica era superior a 99% e as vezes
não havia sobrevivente na região. Desde as mais remotas eras, o homem parece ter sido atacado
por epidemias de peste. Há registros arqueológicos que indicam a presença de uma epidemia da
peste, na Babilônia, no ano de 3000 a.C. que, de tão violenta e letal, foi denominada com o
nome de um demônio: Mamtar. Pode-se dizer que a peste, que vitimou centenas de milhões
de individuos, alterou o curso da história...

continua...

Abraços aos meus amigos e um ótimo final de semana a todos.

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 2 de março de 2018

A DOENÇA QUE ALTEROU O CURSO DA HISTÓRIA. II


                               Recolhendo os mortos.



Graças ao extraordinário aumento no preço da pele das marmotas, milhares de chineses
seguiram para a Manchúria do Norte, com o pensamento de ganhar muito dinheiro de
maneira rápida e não muito trabalhosa. O trabalho era ainda mais facil quando encontravam
um animal doente e por isso mesmo, sem forças para fugir. Consumiam, por falta de
conhecimento, até aquela " gordura de sob o baço dos animais ", que, embora deliciosa, era
justamente onde a doença atacava as vitimas, contaminando a maioria dos seus consumidores.
Alem disso, por não saberem que as pessoas doentes haviam contraido a peste, tratavam-nas
sem nenhuma precaução no sentido de evitar a transmissão da bactéria. A peste migrou,
junto com os caçadores, das áreas de caça para a cidade de Manchuli, ponto final da estrada
de ferro oriental da china. Estava criado o ambiente ideal para a propagação da doença pelos
2.700 km da linha férrea, matando dezena de milhares de pessoas.
 Causada por uma bactéria que mal excede 1 milésimo de milímetro, a peste não é, habitualmente,
 uma doença humana, mas de roedores e é transmitida pelas moscas, de um para outro animal.
 Há duas  espécies principais da doença...
mas isto é assunto para a próxima postagem...


continua...

Um ótimo final de semana a todos.

Abraço e obrigado pela visita.

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe