sexta-feira, 26 de maio de 2023

A história da professora AFONSINA - III -


                                                  - Exemplo de barco puxando canoas -
                                                                      ( foto Internet )

Disposto a não decepcionar o novo amigo e agora patrão, o jovem FRANCISCO atirou-se de corpo e alma aos seus afazeres. Estes compreendiam o acompanhamento " in loco " da colheita da castanha do Pará, feita por muitos e muitos homens sob seu comando, que se embrenhavam na mata todos os dias, ao nascer do sol, em busca dos ouriços valiosos, e retornavam à tardinha, não importando se era segunda-feira ou domingo. O castanhal era localizado a pouco menos de um dia de viagem desde a cidade até o interior do lago Erepecu. O deslocamento era feito em " motores " que, além de lentos, levavam ao reboque inúmeras canoas, necessárias na busca da castanha em lugares inacessíveis para um trabalhador a pé. Homens e víveres se amontoavam no convés e objetos, como ferramentas, que não necessitavam de proteção contra a chuva inesperada e constante, ocupavam lugares nas canoas.  Durante a safra era imperioso que os trabalhos não sofressem jamais, solução de continuidade, não importando nem pequenos ferimentos em consequência de acidentes, e nem doenças que não obrigassem o trabalhador a ficar totalmente sem condições de se locomover.  Riscos monumentais ameaçavam a todos nessa coleta. De cobras peçonhentas a onças, de bandos de ferozes porcos do mato ou caititus, às doenças tropicais, entre as quais se destacava a malária, companheira indesejada mas constante, a prostrar no " fundo de uma rede '' aqueles a quem acometia. E dela, o próprio FRANCISCO também não escapou. Ao contrário, por diversas vezes foi agredido por esta doença muitas vezes mortal!!!
Após se inteirar de todos os detalhes das tarefas que lhes foram designadas pelo patrão e amigo, tanto teoricamente, nas conversas entre os dois e nos bate-papos ao cair da noite com os chamados comumente de " trabalhadores da castanha ", mais antigos no ramo, quanto na prática, no trabalho na mata, FRANCISCO começou a ter mais tempo para estabelecer maiores contatos com as pessoas da cidade e, principalmente, com os familiares do patrão Sr. JOSÉ. Como era de se esperar, ao demonstrar possuir aptidão total para com os seus deveres, ter iniciativas corretas e, especialmente, passar por todos os testes de honestidade feitos sistematicamente pelo patrão, a admiração de todos começou a se verificar e o jovem e simpático empregado passou a ser convidado, vez por outra, para fazer refeições na casa do seu empregador e amigo, sempre que estava na cidade...
Ao se aproximar mais e mais da família do patrão-anfitrião, ficou conhecendo melhor sua futura sogra, Sra. JOVINA e seus filhos e filhas, em número de seis que, em ordem cronológica eram: DALILA, HILDEBRANDO, ADRIANA, CORINA, LAURINDA e SOTER. 
E foi na mais nova das filhas, a LAURINDA, em quem o jovem despertou um misto de admiração e bem querer. Tais sentimentos, comungados também por FRANCISCO - embora não devessem demonstrar nada do que sentiam um pelo outro, devido às rígidas regras sociais de então - acabou por aproximá-los, com a permissão tácita e até entusiástica de seu pai,  embora sem demonstrações acintosas . E tudo isto acabou por levar os dois jovens a selarem um compromisso solene, primeiro perante a família da moça e depois perante a sociedade local, sendo logo  marcadas as cerimônias nupciais que seriam realizadas em data a ser confirmada, já no ano de 1933...
                                                         
                                                                       
Continua na próxima sexta-feira...
Bom fim de semana.


Clovis de Guarajuba
ONG Ande&limpe

sexta-feira, 19 de maio de 2023

A história da professora AFONSINA - II -


Castanha do Pará

 


A empatia existente entre o jovem FRANCISCO e o Sr. JOSÉlogo deu lugar a uma amizade que, embora se verificando uma brutal
diferença de idade entre os dois, lá pelo quinto ou sexto dia de viagem, levou o Sr. JOSÉ a dizer ao jovem novo amigo, que ele não mais iria para o Estado do  Amazonas; ao contrário, deveria esquecer a borracha e vir trabalhar com ele na cidade  onde morava  e exercia suas atividades à frente de um extenso " castanhal " de sua propriedade.
A confiança mútua levou o jovem FRANCISCO a aceitar sem mais  delongas a proposta de emprego, embora não tivesse nem a mínima ideia do que seria um " castanhal " e muito menos quais as condições de trabalho que lhe seriam disponibilizadas na tal localidade.
Convite aceito, alguns dias depois, o navio " gaiola " aportava na  cidade onde vivia o Sr. JOSÉ.
Na verdade, nem de " cidade " poderia ser chamada a pequena vila...
Embora alguns historiadores mencionem sua fundação acontecendo no ano de 1877, pelo Padre JOSÉ NICOLINO DE SOUZA, que a designou com o nome de Uruá - Tapera, estudos e pesquisas mais recentes, certificam a chegada do luso CARLOS MARIA TEIXEIRA, já em1862, na então florescente Mura -Tapera. Este cidadão português, então com 23 anos de idade, chegou ao Pará em 17.12,1861, morando inicialmente na cidade de Óbidos até maio de 1862, quando transferiu sua residência para Mura-Tapera aonde fincou raízes em definitivo, fazendo importantes investimentos financeiros no comércio e na produção de riquezas. Hoje seu nome é lembrado na designação de uma das principais vias da cidade de Oriximiná, em que se transformou o pequeno lugarejo.
 Pela Lei 1288, de 11.12.1886, foi elevada à categoria de Freguesia de Santo Antônio de Uruá, pelo presidente da Província do Grão-Pará e Desembargador do Maranhão, Dr. Joaquim da Costa Barradas.
São imprecisas as informações sobre a vida da Freguesia, no período compreendido entre sua fundação e a data de 09.06.1894, quando o então Governador do Estado, Dr. LAURO SODRÉ, elevou-a à categoria de " Vila ", já com o nome de Oriximiná. A criação do município, com a mesma denominação, se deu no dia 05.12.1894, sendo nomeado como primeiro Intendente, o Sr. Pedro Carlos de Oliveira.
Por ocasião da chegada do jovem FRANCISCO, lá pelo início da década de 1930, a cidade era constituída por apenas cinco ou seis  ruas, que subiam preguiçosamente por ladeiras mais ou menos íngremes e desprovidas de qualquer obra que facilitasse o trânsito de seus habitantes. Uma destas ruas levava a uma praça ampla, no centro da qual fora erguida uma igreja, cuja pedra fundamental  foi solenemente assentada e benzida, no dia  23.07.1922 - quando se comemorava o primeiro centenário da independência do Brasil - pelo Venerável Vigário da Paróquia de Óbidos, Frei Rogério Voger O.F.M. ( Franciscanos da Ordem dos Frades Menores ).
 O jovem e aventureiro viajante, já demonstrara grande admiração pela paisagem encantadora, única para seus olhos nordestinos acostumados às terras áridas, logo por ocasião da passagem do
" vapor " pela foz do Rio Trombetas.
 Este rio, de águas límpidas e transparentes, contrastava de maneira brutal com as águas barrentas do Rio Amazonas, deixado para trás lá pelos lados da cidade de Óbidos. Completou-se seu encantamento, com a visão de estonteante beleza das praias alvíssimas à frente da cidade e ele decidiu, naquele momento, que aquele lugar maravilhoso seria pra sempre sua morada!


Obrigado pela visita.                                         
                                                               
Continua na próxima sexta-feira.

Bom fim de semana.



Clovis de Guarajuba
ONG Ande&Limpe

sexta-feira, 12 de maio de 2023

A História da professora AFONSINA - I -



NAVIO " GAIOLA "


Atendendo a alguns pedidos de amigos e parentes, volto a publicar neste espaço, descrevendo da maneira mais fiel possível, a história da vida da minha mãe, AFONSINA ELINDA ARAGÃO DE SOUZA, em sua passagem pela cidade paraense de Oriximiná, localizada à margem esquerda do Rio Trombetas, contribuinte importante, com suas límpidas águas, para aumentar o volume, já enorme, do maior  rio do mundo, o Amazonas.
 Para que os leitores entendam tudo o que aconteceu na vida fecunda desta valorosa, heroica  e destemida mulher, é imprescindível começar sua história pela a história do homem  que viria a ser seu esposo, e que, mercê dos mistérios insondáveis do destino, a arrancou da tranquilidade em que vivia em Belém, sua terra natal, e a levou para ser  protagonista importante na história da sua própria vida e na vida da então pequena cidade que a acolheu.
Nascido na cidade de Bananeiras, estado da Paraíba ( onde estive, em viagem de cerca  de uma semana  no ano de 2014, juntamente com meus irmãos CLÉO e CLEISYa procura de seus parentes ), o Sr. FRANCISCO MARTINS DE SOUZA, então com 23
 anos de idade, a exemplo de muitos e muitos outros jovens nordestinos, inconformado  com a falta de oportunidade para crescimento material em sua terra, resolveu procurar  na região amazônica ( nesse tempo a Meca dos lugares promissores do País, principalmente por conta da enorme valorização da borracha ), melhores condições de vida, demonstrando com tal iniciativa, desassombro e destemor, na busca por seu ideal.
 Chegando à Belém, resolveu que, imediatamente, viajaria para o Estado do Amazonas, a bordo de um dos " vapores " que faziam a linha da capital paraense até Manaus, lugar onde viviam os donos de seringais, os famosos " barões da borracha ", assim chamados
 porque, afirmam, chegavam a acender charutos caríssimos com notas de contos de reis!
 As viagens, subindo o rio, demoravam até 20 dias para chegar ao destino.  É que as caldeiras, cujo vapor gerava a força motora para impulsionar os navios, necessitavam de muita lenha, que era recolhida em diversos pontos do percurso e, quando não  havia uma quantidade suficiente para alcançar o próximo ponto de coleta, a espera era inevitável, enquanto se recolhia a lenha complementar.
Com isto era de se esperar que durante a jornada,  os companheiros de viagem, mantendo um convívio diuturno, passassem a se conhecer melhor, surgindo entre alguns deles, não raro, um sentimento de simpatia e amizade. Foi exatamente o que aconteceu entre o jovem FRANCISCO e um outro viajante, bem mais maduro, que se chamava JOSÉ CLEMENTINO DE FIGUEIREDO...                                        
                                                                       
                                                                   
Continua na próxima sexta-feira.

Bom fds a tds.

Clóvis de Guarajuba
Ong Ande&Limpe

sexta-feira, 5 de maio de 2023

NUNCA PARAMOS DE APRENDER!...

- Aos 8 anos aprendi que não posso dizer certas palavras que meu pai diz;
- Aos 11 anos descobri que a professora sempre me chama quando não sei a resposta;
- Aos 13 anos descobri que quando meu quarto está do jeito que eu gosto, a mamãe manda arrumá-lo;
- Aos 15 anos descobri que não devo descarregar minhas frustrações no meu irmão mais novo porque meu pai tem frustrações maiores e a mão bem mais pesada;
- Aos 20 anos aprendi que quando chego atrasado no trabalho o patrão chega mais cedo;
- Aos 25 anos aprendi que nunca devo elogiar a comida da mamãe quando estiver comendo alguma coisa feita pela minha mulher;
- Aos 29 anos aprendi que quando temos, finalmente, uma noite sem as crianças, passamos a maior parte do tempo falando sobre elas;
- Aos 34 anos aprendi que quando mais preciso de férias é justamente quando volto delas;
- Aos 42 anos aprendi que se estamos levando uma vida sem fracassos é porque não nos arriscamos o suficiente;
- Aos 44 anos aprendi que as gravatas de seda caras são as únicas que atraem o molho de espaguete;
- Aos 48 anos aprendi que para saber quem realmente manda na casa é só observar quem toma conta do controle remoto da TV;
- Aos 55 anos aprendi que o homem tem 4 idades:
- Quando acredita em Papai Noel;
- Quando não acredita em Papai Noel;
- Quando é o Papai Noel e
- Quando se parece com Papai Noel.
- Aos 60 anos aprendi que não posso mudar o passado, mas posso 
" deixar pra lá ";
- Aos 63 anos aprendi que todas as pessoas que dizem " dinheiro não é tudo " geralmente tem muito dinheiro;
- Aos 65 anos aprendi que viver sozinho é muito bom se você for um queijo ou um bom vinho;
- E, finalmente hoje, aos 80 anos aprendi que tenho muito que aprender!!!


Abraços, bom final de semana, até a próxima.

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande&Limpe

sexta-feira, 28 de abril de 2023

- VOCÊ ACREDITA NO "SOBRENATURAL "?




Um eminente neurologista da Filadélfia, Dr. S.WEIR MITCHELL, certo dia chegou em casa exausto depois de um dia duro de trabalho no consultório e adormeceu em sua cadeira de balanço. Acordado pelo toque da campainha, abriu a porta e viu uma adolescente magra, com um xale surrado sobre os ombros, tremendo de frio, que lhe pediu encarecidamente que fosse ver sua mãe que, segundo disse, se encontrava gravemente doente. Como sempre fazia, o médico acompanhou-a pelas ruas cobertas de neve até uma casa humilde e velha. Quando chegou ao quarto da enferma, o médico reconheceu a doente. Ela fora sua criada tempos atrás. Pneumonia foi o diagnóstico. Como de costume mandou buscar os remédios necessários. Acomodou a mulher o mais confortavelmente possível e, antes de sair, felicitou-a por ter uma filha tão dedicada que, apesar de tiritar de frio, apenas protegida por um velho xale, o foi chamar para socorre-la.

Ao ouvir as palavras do médico a mulher olhou espantada e disse:

- Não pode ser! Minha filha morreu há um mês! O xale e os sapatos dela estão ali naquele armário. 
O médico examinou o armário, onde encontrou o mesmo xale que vira momentos antes sobre os ombros da jovem que tocara sua campainha. Estava dobrado e completamente seco. Não podia ter sido utilizado naquela noite invernosa.
A estranha jovem que tão misteriosamente o conduzira até junto da paciente nunca mais apareceu...

Abraços e um excelente final de semana para todos.


Clóvis de Guarajuba
ONG Ande&Limpe

sexta-feira, 21 de abril de 2023

- S.O.S. DE CORPO PRESENTE. ( Sobrenatural?? )


Ao olhar para a porta de uma cabina em frente a sua, o comandante de um navio que cruzava o Atlântico em 1828, rumo à Terra Nova, viu um homem, por entre a obscuridade do entardecer e, como não o conhecia, pensou tratar-se de um clandestino, já que nessa viagem, não levava nenhum passageiro. Precipitou-se para a cabina mas, pra seu espanto, a figura desapareceu misteriosamente. Tudo que restava era uma mensagem rabiscada na parede da cabina:

" RUME PARA NOROESTE, IMEDIATAMENTE! "

O comandante ficou tão impressionado com o fato que alterou o curso para seguir as instruções da mensagem. Após algumas horas no novo curso, o seu navio encontrou um outro barco na iminência de afundar. O único tripulante a bordo era o homem que o comandante vira na cabine do seu próprio navio. Resgatou o tripulante que, em conversa posterior, disse que acabara de acordar de um sono profundo e repentino, durante o qual sonhara que ia ser salvo!!!



Até a próxima, grande abraço.

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 14 de abril de 2023

- PROVÁVEL ORIGEM DA " LENDA DO BOTO ",


                                                  - UMA TESE - 

Após alguns dias em Manaus, embarquei no dia primeiro deste mês no navio " Santarém ", com intenção de ir até a cidade do mesmo nome, onde chegaria no dia três. Na noite do dia dois, porém, ao chegar na cidade de Juruti ( no Pará ), resolvi desembarcar do navio e tomar um barco menor rumo à cidade de ORIXIMINÁ também no Pará ), sede do município do mesmo nome, onde se localiza uma
das maiores jazidas de bauxita do planeta. Segundo informações, a mina deverá se exaurir, ao ritmo atual de produção, somente em 100 anos! Como pretendo visitar essa mina, prometo, depois dessa visita, completar as informações alusivas a tal empreendimento. Hoje, porém, apresento-lhes uma tese acerca da origem provável da conhecida lenda do boto amazônico, sedutor e engravidador de donzelas.
Conversas com ribeirinhos nascidos e criados na região, me informaram que navios da Marinha do Brasil navegavam regularmente pelos rios da Amazônia, fazendo levantamentos e  coletando dados para tornar a navegação mais segura nessa região cheia de perigos. A par desta faina, prestavam, sempre que necessário, serviços de assistência social e de saúde aos habitantes dessas plagas.
Quando os navios chegavam em uma cidade, normalmente, por motivo de segurança, não atracavam no porto. Ficavam fundeados ao largo e, quando o comandante resolvia dar folga aos marinheiros, mandava levá-los ao porto utilizando botes. Havia uma recomendação importantíssima feita reiteradamente: TODOS DEVERIAM ESTAR NO LOCAL PREVIAMENTE ESTABELECIDO E NA HORA EXATA, PARA SEREM RECOLHIDOS.
Quem não se apresentasse, de acordo com essa regra, deveria ser deixado em terra.
Ocorre que muitos se distraiam com as namoradas eventuais e acabavam perdendo os botes. Muitos deles iam muito além do namoro inocente...
Ao chegarem na praia e não encontrarem os botes, caiam na água para voltar nadando, com suas ROUPAS E QUEPES BRANCOS, com medo de serem punidos se não estivessem presentes no dia seguinte à chamada Ordem do Dia e Hasteamento da Bandeira. Muitas das namoradas engravidavam e, por conveniência, culpavam o pobre do boto que " chegava todo de branco, inclusive com o chapeu que usava para ocultar o orifício sobre a cabeça, e as seduzia ".
Claro que muitos nativos " espertos " e pais que haviam cometido pecados inconfessáveis, acabavam por propagar entusiasticamente tal estória, por ser totalmente de sua conveniência...

Excelente final de semana, grande abraço, até a próxima.


Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 7 de abril de 2023

- NOVOS SIGNIFICADOS PARA VELHAS PALAVRAS...


AÇUCAREIRO - Vendedor de açúcar com preço acima do normal.

BACANAL - Reunião de bacanas.

CÁLICE - Ordem para manter a boca fechada.

CANGURU - Líder espiritual de cães.

DEPRESSÃO - Espécie de panela.

DETERGENTE - Ato de deter algum suspeito.

ESFERA -Animal que deixou de ser feroz.

EVENTO - Constatação de que não é um furacão.

OBSCURO - Absorvente OB de cor preta.

PSICOPATA - Veterinário especialista em doenças mentais de patas.

QUARTZO - Apozentso de um apartamentzo.

RAZÃO - Lago muito extenso, porém pouco profundo.

RODAPÉ - Alguém que não tem mais carro.

SIMPATIA - Anuência à irmã da mãe.

SOSSEGA - Mulher que se declara desprovida de visão.

TÍPICA - Aquilo que o mosquito te faz.

VATAPÁ - Ordem dada por prefeito de cidade esburacada.,,


Um ótimo final de semana para todos
Grande abraço.


Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 31 de março de 2023

- O INCRÍVEL E INTRIGANTE MUNDO DOS INSETOS - XII final -

                                                                        - Jataí -



 ...no entanto o Dr. Ribbands continuava na tentativa de decifrar o enigma apresentado pela Sra. Perepelova: qual a razão  da " inibição " que impede as obreiras de porem ovos, que só deixa de existir quando a colmeia, sem rainha, ameaça sucumbir? Observou, então, que quando a rainha falta, vários dias se passam até a colmeia adaptar-se às novas circunstâncias, exatamente o tempo necessário para que o alimento circule com o elemento que acaba com a " inibição ". Pensou o Dr. Ribbands então, que o alimento constitui uma espécie de sistema circulatório de corrente sanguínea.

Deste modo, Ribbands formulou a hipótese da colmeia-animal, constituída por um grande número de organismos que, com funcionamento individual, são controlados pela mesma essência da colmeia: o seu alimento. Ainda restam muitos aspectos para serem investigados, como, por exemplo, determinar os elementos químicos contidos no alimento e determinar as suas propriedades. Contudo, a maioria dos cientistas que atualmente realizam trabalhos investigativos sobre as abelhas, considera certa  tal interpretação.

Somente a partir do momento em que me dediquei a busca do conhecimento mais detalhado sobre as abelhas, descobri que presenciei, sem saber, a morte de uma colmeia de abelhas selvagens. Viviam em um compartimento do armário da cozinha de nossa casa de praia, em Guarajuba, litoral Norte da Bahia, aonde guardávamos mantimentos, inclusive açúcar. Resolvi preservar para elas tal compartimento, uma vez que não tinham ferrão. Claro que tal preservação não tinha nada de científico; queria mesmo era poder colher uns favos e deliciar-me com a sensação gostosa de mastigá-los...Certo dia, ao voltarmos de uma das inúmeras viagens da família, notamos que havia uma quantidade importante de abelhas caídas no chão. e, aonde havia há anos aquele zumbido característico, reinava o silêncio. Observando mais detidamente, descobri uma rainha pequena e ressequida sendo apertada fortemente por outras abelhas, que, com tal ação, pareciam querer transmitir a ela alguma espécie de " sangue " ou fluido vital. A rainha estava morta! Sem compreender, concluí, depois, que assistira a morte de um ser complexo, sem o qual a nossa Terra seria infinitamente mais pobre!


Obrigado pela visita.


Clóvis de Guarajuba

Ong Ande&Limpe 

sexta-feira, 24 de março de 2023

- O INCRÍVEL E INTRIGANTE MUNDO DOS INSETOS - XI -


 

Ao mesmo tempo em que os estudiosos faziam suas descobertas, o zoólogo Karl Von Frisch, austríaco, descobria que as abelhas coletoras possuem uma espécie de " linguagem " para informarem entre si a que distância e em que direção se encontram os lugares em que se podem encontrar o néctar e o pólen. A coletora que encontra esta fonte de matéria prima regressa à colmeia e executa uma " dança " diante das suas companheiras. Se esta " dança " é feita com energia, traçando oitos no ar, é sinal que as flores estão longe ( o observador pode contar em metros, tal distância ); se a abelha aponta em sua dança para cima, as flores estão para o lado do sol; se apontam para baixo, o local é em direção oposta. Quando, ao dançar, o individuo descreve um ângulo de sessenta graus está afirmando que quando saírem da colmeia devem tomar o rumo que as leve a sessenta graus em relação ao sol. Para informar a espécie de flores que encontrou, a abelha dá a cada uma um pouco de néctar ou pólen que encontrou e trouxe consigo.

Martin Lindauer descobriu mais tarde que as exploradoras usam a linguagem da dança para indicar àquelas que se dispõe a instalar uma nova colmeia, o lugar mais apropriado para tal empreitada. Com base na posição que a abelha assumia e na rapidez dos movimentos da dança, Lindauer conseguiu chegar a tempo no lugar indicado e assistir a chegada do enxame. Precisava agora descobrir quem determinava as funções que cada membro deveria exercer. O especialista em abelhas, Dr. C.R. Ribbands, dedicou-se a estudar este ponto e observou um pormenor na vida da colmeia no qual ninguém havia reparado: a constante circulação do alimento que passa da ama à rainha, desta às cereiras, às limpadoras de células, às receptoras e às coletoras. E, em sentido contrário, das coletoras às limpadoras de células, às cereiras, às amas e à rainha. O Dr.Ribbands concluiu então que, em cada fase do seu desenvolvimento, as abelhas produzem diferentes secreções glandulares ou enzimas, e que, quando houver uma quantidade suficiente de todas estas substâncias na colmeia, seus membros sabem que ela está gozando de perfeita saúde...


-continua -


Obrigado pela visita.


Clóvis de Guarajuba

Ong Ande&Limpe   .

sexta-feira, 17 de março de 2023

- O INCRÍVEL E INTRIGANTE MUNDO DOS INSETOS - X -




...ao final de poucas semanas, a Sra. Perepelova verificou que algumas obreiras acorriam com muita pressa às células-ninho vazias, onde introduziam a cabeça. Verificou-se, então, algo incrível: com o fim de restabelecer a normalidade da colmeia, inúmeras abelhas antes estéreis começaram a por ovos, enquanto as amas se agrupavam ao seu redor, para alimentá-las com o " leite das abelhas ". Penosamente, pouco a pouco as abelhas estéreis continuaram a por por volta de seis a oito ovos, diariamente - quantidade insignificante se compararmos com os dois a três mil ovos que põe a abelha rainha -. A Sra. Perepelova concluiu que, na falta da rainha, acaba a inibição que impede as obreiras de porem ovos. 

Os entomólogos especialistas no estudo das abelhas, esforçam-se para descobrir a que outros meios uma colmeia recorre para recuperar a sua saúde. Mykola Haydak, que trabalha em um laboratório experimental norte-americano, extraiu um favo de larvas de uma colmeia e isolou-o. Depois introduziu nele várias abelhas recém-nascidas, sem a presença de abelhas limpadoras, amas, cereiras, guardas e coletoras. Feito isto, esperou pacientemente.

A adaptação das abelhas foi imediata. De tal maneira aceleraram sua evolução, que aos três dias de nascidas, saiam para explorar a vizinhança, enquanto outras da mesma idade construíam células - trabalho que só costuma ser efetuado aos dezesseis dias de vida -. No quarto dia já recolhiam pólen e, ao final de uma esgotante semana de trabalho incessante, a colmeia prematura começou a funcionar normalmente! 

Quando Haydak publicou suas experiências, especialistas interrogaram-se sobre se as abelhas poderiam inverter a ordem do seu desenvolvimento e, na Iugoslávia, a Sra. Vasilja Moscovljevic, colocou em um favo de larva, isolado convenientemente, a rainha e quinhentas e três abelhas coletoras de pólen, de vinte e oito dias, às quais se secaram previamente as glândulas lactíferas. As abelhas viram-se então ante duas possibilidades e alternativas: deixar morrer as larvas ou produzir leite. Ao fim de alguns dias , as células continuavam sem alimento. Em determinada tarde, por fim, a Sra. Moskovjevic observou que uma coletora se inclinava sobre uma das células e, pra seu espanto, viu que uma brilhante gota de leite de abelha acabara e ser depositada junta à boca de uma larva recém-nascida. Ao examinar aquela abelha coletora ao microscópio, a Sra, Moskovjevic constatou que, como por milagre, as velhas e secas glândulas tinham-se enchido de leite. Havia-se, então, conseguido o impossível: o retorno à juventude!...


-continua -


Até a próxima sexta-feira.


Clóvis de Guarajuba

Ong Ande&Limpe  

sexta-feira, 10 de março de 2023

- O INCRÍVEL E INTRIGANTE MUNDO DOS INSETOS - IX -

 




...as abelhas usadas pelo cientista, algum tempo depois deixaram de executar os trabalhos de ama e começaram a recolher e armazenar o néctar trazido pelas outras abelhas. Ao observá-las mais de perto, notou que as glândulas secretoras de leite começaram a se atrofiar, e que, ao contrário, os sacos de mel localizados no abdomem estavam cheios de néctar e mel. Nesta fase, a idade das abelhas era, em média, de onze dias e aos quinze dias de vida começaram a fabricar cera; o exame no microscópio revelou mudanças em seu organismo favoráveis à nova tarefa: as glândulas ceríferas haviam se desenvolvido de maneira acentuada. Aos dezoito dias começaram a trabalhar como sentinelas e ao cabo de vinte e um dias começaram a trabalhar como coletoras de néctar, atrofiando-se as glândulas ceríferas. Segundo os estudos de Rosch, a abelha obreira vive por volta de trinta e oito dias.

Ao serem publicados os estudos de Rosch, outros cientistas iniciaram suas próprias investigações. Em Munique, o Dr. Martin Lindauer verificou modificações relativas ao regime de trabalho das abelhas observado por Rosch. Uma das mais interessantes modificações, foi o fato de uma abelha previamente marcada, fazer guarda durante nove dias seguidos. Notável também foi a descoberta feita na Rússia pela Sra. L.I.Perepelova, de algumas abelhas precoces que fabricavam cera apenas dois dias após o nascimento, trabalho este efetuado normalmente após 15 dias de vida. Ficou evidente que a colmeia possui um alto grau de adaptação, podendo executar qualquer de suas tarefas antes do prazo normal, desde que o exija o bem estar da comunidade. No mundo todo, os cientistas resolveram averiguar até que ponto estes insetos são capazes de se adaptar. Os resultados mais notáveis foram os obtidos pela Sra. Parepelova. Ela retirou de uma colmeia a rainha, as larvas e os ovos, para ver como reagiriam as obreiras. A ausência da rainha passou despercebida por várias horas; por fim, uma das obreiras destinadas a cuidar da rainha endireitou as antenas, começou a dar voltas pela colmeia e trocou alimento com uma cereira próxima, que também se pôs a bater as asas. Depois, acercou-se de outras com quem trocou alimento e então, todo o enxame aos poucos começou a " gemer ". O lamento cresceu e espalhou-se por toda a colmeia, até toda ela vibrar como se estivesse sofrendo um ataque febril!...


-continua -


obrigado pela visita.


Clovis de Guarajuba

Ong Ande&Limpe


sexta-feira, 3 de março de 2023

- O INCRÍVEL E INTRIGANTE MUNDO DOS INSETOS - VIII -



...parte das obreiras monta guarda à entrada da colmeia, para que nela só entrem as abelhas que fazem parte do enxame. São reconhecidas pelo cheiro, detectado através dos 12.000 filamentos que compõem o aparelho olfativo localizado nas antenas. As intrusas são mortas imediatamente. Para completar a relação das tarefas desempenhadas pelas obreiras, elas fazem , com o uso do batimento das asas junto da entrada, o arejamento da colmeia; fazem a limpeza e executam a construção das células.

Observando como as abelhas cumpriam, ano após ano, invariavelmente, suas variadas funções, os apicultores interrogavam-se como cada uma delas sabia qual o trabalho que lhe correspondia; como se inteiravam de que a colmeia precisava de mais células para o armazenamento das larvas ou da conveniência de reforçar a guarda na entrada.

O cientista alemão, G.A. Rösch, no ano de 1925, suspeitando que a idade das abelhas estava relacionada com o tipo de trabalho a executar, marcou com tinta as abelhas recém nascidas e notou que, enquanto as asas endureciam, elas começavam a limpar as células e, ao cabo deste trabalho, começavam a alimentar com " leite de abelha " - como também é chamada a geleia real - as larvas mais desenvolvidas. Rösch, então, ao observar uma delas ao microscópio, verificou que o seu desenvolvimento físico estava relacionado com as funções que exercia. Assim, constatou que o engrossamento das glândulas faríngeas, situadas na parte anterior da cabeça do inseto, e que segregam o leite, correspondia ao de uma abelha ama. Ao passar uns dias, as abelhas amas deixaram de alimentar as larvas mais desenvolvidas e passaram a alimentar às mais jovens. Após repetidos estudos com as abelhas marcadas, o cientista chegou a conclusão de que as amas jovens alimentavam as larvas maiores e as amas velhas, às de idade inferior...


-continua -

Até a próxima sexta-feira.


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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

- O INCRÍVEL E INTRIGANTE MUNDO DOS INSETOS - VII -

 


Para compreender melhor as investigações que se realizam relativas aos insetos, é só observar, no oco de uma velha árvore, a colmeia típica de abelhas selvagens ali alojadas. Há sempre a entrada principal, com vários favos de cera lustrosa pendentes, logo ali no interior, alguns dos quais contêm mel, outros pólen e numa terceira classe outras de células - chamadas  células berço - onde ficam as larvas, também chamadas abelhas embrião, ainda sem patas e asas. Em cada colmeia há uma abelha-mestra ou rainha - cuja função é por cerca de 3.000 ovos, diariamente - e um determinado número de zangões, cuja única função é fecundar as rainhas virgens, quando chega a época do acasalamento. Os restantes dos 30.000 a 40.000 componentes da colmeia é constituída por abelhas obreiras, que desenvolvem diversas funções: são amas, alimentam a rainha e as larvas com a chamada geleia real

 - substância rica em proteínas segregada pelas glândulas que possuem na cabeça -, fabricam a cera, fazendo passar o mel ingerido por glândulas especiais e, utilizando as aveludadas patas traseiras, recolhem as lâminas desta substância, levam-nas à boca e mastigam para então formarem as células hexagonais que constituem os favos. As obreiras saem, também, em busca de néctar e pólen entregando este último às abelhas " receptoras " que o misturam com secreções de glândulas especializadas e armazenam a substância resultante no favo, onde, ao final de dois dias, se converte em mel.


- continua -


Até a próxima sexta-feira.


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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

- O INCRÍVEL E INTRIGANTE MUNDO DOS INSETOS - VI -

 A COLMEIA pode ser considerada um " animal " autônomo:

Em voo certeiro, a abelha pousou na pétala e penetrou naquela flor. Marcada em seu dorso por um entomólogo, com um pontinho vermelho, era minuciosamente examinada e filmada, enquanto bebia o néctar. Quando terminou de sugar, olhou para o sol para se orientar e rumou célere de volta à colmeia, distante apenas uns 400 metros. Ali, atento à chegada daquela abelha, estava um outro observador, pronto a documentar seu comportamento e ansioso por poder acrescentar algo de novo sobre o apaixonante mundo destes insetos.   



Nos tempos atuais, a colmeia não é considerada apenas um agrupamento de indivíduos; vê-se nela, composto por diversos departamentos, um organismo vivo. Quando o enxameamento é iniciado, tem a aparência de um pequeno ninho; mas logo em seguida se desenvolve, atinge a adolescência, a maturidade, produz enxame, e finalmente adormece na quietude do inverno. Uma colmeia atacada, com fome ou prestes a ser roubada, pode queixar-se com angústia, sofrer, e, estimulada pelo instinto de conservação, recuperar as forças, comportando-se, afinal, como qualquer um outro animal doente.

Este atual conceito de colmeia, foi formulado quando foram descobertas uma série extraordinária de eventos. Sabemos agora que as abelhas podem envelhecer anormalmente, em pouco tempo ou, o que é ainda mais incrível, rejuvenescer! Uma abelha estéril pode pôr ovos; uma senil, regenerar as glândulas atrofiadas. Em suma, uma só abelha é capaz de fazer " o impossível " para conservar a integridade da colmeia.


- continua -


Obrigado pela visita e até a próxima sexta.


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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

= O INCÍVEL E INTRIGANTE MUNDO DOS INSETOS - V -


 
 ... entretanto talvez os mais desenvolvidos sentidos dos insetos seja o olfato e o gosto; localizados na boca, os órgãos gustativos não se encontram apenas neste local: com incrível sutileza, os insetos podem saborear, empregando outros órgãos. Assim é que as borboletas e as abelhas, por exemplo, utilizam as patas para, com impressionante precisão, localizar o mais ínfimo vestígio de comida. O limite do paladar humano, por exemplo,  para ter a sensação de doçura, é de uma parte de açúcar para duzentas partes de água; já algumas borboletas e moscas podem detectar o açúca em uma parte para 300.000! 

Acontece o mesmo com o sentido do olfato: para os insetos, o mundo nada mais é do que uma reluzente  e nítida " paisagem de aromas ". Algumas espécies de moscas macho chegam a perceber e captar o cheiro, trazido pelo vento, de uma fêmea que se encontre a até quinze quilômetros de distância! 

Além destas prodigiosas aptidões sensoriais, que podem nos parecer fantásticas, os insetos podem possuir outros sentidos cuja natureza ainda não foi descoberta. Por exemplo, realizam-se experimentos com escaravelhos, destinados a identificar qual o sistema que usam para detectar um insignificante pedacinho de carne e encontrá-lo em seguida no mais difícil esconderijo. Ainda que se lhes tapem todos os órgãos sensoriais e se lhes coloque sobre o corpo todo - incluindo patas e antenas - uma camada de laca, eles descobrem, infalivelmente, o improvável caminho que os levará a um apetitoso tesouro alimentar escondido!

Nas próximas postagens estarei discorrendo sobre a vida de alguns insetos em particular...


- continua -


Obrigado e até a próxima sexta.


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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

- O INCRÍVEL E INTRIGANTE MUNDO DOS INSETOS - IV -


 
...Os insetos que não podem voar, concentram sua energia em outras atividades. A uma pulga, por exemplo, basta um simples salto para alcançar os pelos de um cachorro. Ao executar tal façanha, ela está dando um espantoso salto de mais de cem vezes a sua própria altura! Embora de aparência frágil, os insetos carregam um potencial de força tão grande como a de uma daquelas pontes suspensas.

Um cientista e pesquisador norte americano, Dr. F.E. Lutz, do Museu de História Natural Americano, prendeu em um tubo hermeticamente fechado, várias abelhas e borboletas, provocando em seguida o vácuo no recipiente. Foi extraída dos corpos destes insetos até a humidade; pois bem, os " frágeis " e pequenos animais sobreviveram ilesos, mesmo depois que o tubo se partiu e a pressão se restabeleceu abruptam


ente! Se fosse submetido a uma prova destas, até o mais saudável e vigoroso elefante teria morrido!

Muito rudimentar, o cérebro dos insetos tem função restrita aos instintos, notadamente à sobrevivência e reprodução; assim, se orientam por meio de profusos e estranhos órgãos sensoriais. Para ouvir, por exemplo, utilizam duas espécies de " ouvidos ": delicados filamentos que são sensíveis às ondas sonoras   e membranas semelhantes aos tímpanos humanos que, prodigiosamente aperfeiçoadas, se espalham ao longo do corpo. O ouvido dos grilos se localizam na tíbia, próximo ao joelho e as cigarras, no abdómen; já um escaravelho aquático, ouve com o peito. Descobriu-se que um artóptero, de nome " saltão verde americano ", é possuidor de um ouvido supersônico. O ouvido humano mais agudo raramente ultrapassa as 20.000 vibrações por segundo; os saltões podem atingir até 45.000, no mesmo espaço de tempo! Muitos insetos ouvem sons que não estão ao nosso alcance. Os entomólogos dizem que a atmosfera vibra com o coro dos insetos no cio, que se chamam uns aos outros ou trocam mensagens, enquanto nós pensamos que está reinando um silêncio absoluto no ambiente...

Os insetos enxergam por intermédio de pequenos olhos chamados 

" ocelos ", situados na parte superior da cabeça, de numerosos olhos compostos que possuem nas costas ou por um " sentido de luz ", espécie de olho invisível disposto ao longo de todo o corpo. Um escaravelho fotófilo, mesmo que se vedem todos os seus olhos, dirige-se invariavelmente na direção de uma claridade mesmo tênue, enquanto um outro, fotófobo, procura a sombra. Eles vêem, por assim dizer, através da pele. Com seus olhos compostos, o inseto vê o mundo formado por incalculável variedade de unidades visuais. Através dos olhos dos insetos, alguns especialistas conseguiram obter fotografias, em cujas imagens podem ser apreciados mosaicos finamente desenhados em que cada uma das peças microscópicas, corresponde a uma faceta do olho. Reunidas, as peças formam um quadro semelhante a um belíssimo vitral de cores. O olho da libélula possui mais de 25.000 facetas!


- continua -   


Obrigado e até a próxima sexta.


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sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

- O INCRÍVEL E INTRIGANTE MUNDO DOS INSETOS - III -


 

Muito diferente do nosso, o sangue dos insetos não circula por meio de um sistema arterial: ao contrário daquilo que ocorre com o nosso sangue, nasce de uma grande e única artéria que parte do coração, atravessa todo o tórax e, com a ajuda de " corações " auxiliares,  irrigam todo o corpo, impulsionando o sangue para os mais distantes pontos e extremidades. As baratas, por exemplo, possuem um destes

 " corações " na cabeça, por meio do qual fazem com que o sangue chegue às suas compridas antenas; por outro lado, os insetos aquáticos dispõem de corações reforçados que asseguram uma perfeita circulação em suas patas. 

O simples ato de inspirar, nos insetos constitui uma operação complicada pois eles não possuem pulmões e não podem respirar pelo nariz ou pela boca: eles possuem ao longo do dorso filas de minúsculas perfurações dispostas de maneira simétrica, que fazem as vezes de um aeroduto. Estes canais se comunicam, no interior do corpo, com duas linhas centrais que, por sua vez, se ramificam em centenas de tubos que levam o ar ao corpo todo. Assim, eles ficam arejados o tempo todo por uma corrente de ar, regulada pelo indivíduo com o abrir e fechar dos aerodutos, à semelhança de um tocador de órgão ( organista ), quando aciona os reguladores de tom.

Quando em repouso, o inseto consome pouco oxigênio, bem diferente de quando em voo, pois neste caso necessita de aspirar 50 vezes mais oxigênio do que o volume normal, o que consegue com o bater das asas: quando os músculos das asas se contraem ele expele quase todo o ar do corpo e, quando as distende, o ar fresco penetra largamente nos aerodutos. A oxigenação obtida durante o voo é tão completa que há a renovação do ar nos músculos das asas a cada bater delas! Concentra-se nas asas um potencial de energia muito maior do que no resto do corpo. A libélula, que tem de sustentar no ar um corpo muito comprido, tendo asas mais delgadas do que o mais fino papel, chega a alcançar uma velocidade de 65 km/h! Um mosquito cheio de sangue é capaz de realizar a incrível proeza aerodinâmica de voar carregando um peso duas vezes superior ao seu! Para conseguir tal façanha, bate as asas mais de 300 vezes por segundo. Esta ação de rapidez inimaginável não é privilegio exclusivo do mosquito: há espécies - como o jejem, muito abundante na América - tão pequeno que é quase invisível, capaz de bater as asas mais de mil vezes por segundo!


-continua -


Até a próxima sexta e obrigado pela visita.


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sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

O INCRÍVEL E INTRIGANTE MUNDO DOS INSETOS - II -


 


Os insetos não possuem ossos e têm um esqueleto externo, como se fossem feitos de dentro para fora e de cima para baixo. O coração se localiza na parte superior. As patas, de carapaça blindada, são formadas por seções tubulares que protegem os tecidos moles em seu interior, como os músculos e os nervos. Em relação ao seu tamanho, a disposição das patas no corpo destas criaturas converte-as num forte mecanismo de sustentação, inimaginável em relação ao seu tamanho. Recentemente um Entomólogo realizou uma experiência interessante: foi colocando gradativamente, sobre um escaravelho, pequenos pesos e, ao final da experiência, verificou que o animalzinho suportou a carga incríveis de 850 vezes superior ao seu próprio peso, sem dobrar as patas! O homem, com muito esforço, só consegue levantar o equivalente a 70% do seu próprio peso...

Este esqueleto externo, duro e flexível, proporciona uma resistência espantosa, mesmo aos insetos aparentemente frágeis. As borboletas 

" monarca " realizam voos migratórios do Canadá ao sul dos Estados Unidos. Comprovou-se que as borboletas " virginianas "- algumas marcadas pelos cientistas - tinham viajado desde a África do Norte até a Islândia, embora desviadas de sua rota pelas tempestades e tendo suas asas seriamente danificadas pelas chuvas e pelo vento.

Como o dermato-esqueleto não permite seu crescimento, os insetos têm de renová-lo periodicamente. Rompe-se a cobertura óssea e o inseto livra-se dele ficando com a pele tão mole que expõe o indivíduo a muitos e variados perigos mortais. Para dar ao novo esqueleto o tamanho adequado, ele enche-se de ar e água e incha até alcançar o tamanho exato esperando então que o novo esqueleto, mais folgado, vá endurecendo em volta do seu corpo...


- continua -


Obrigado pela visita.


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sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

- O INCRÍVEL E INTRIGANTE MUNDO DOS INSETOS. - I -


 


Homenagem ao meu ilustre neto, Dr. MÁRLON BRENO COSTA SANTOS DA GRAÇA, graduado em  Ciências Naturais pela Universidade do Estado do Pará, com Mestrado e Doutorado em Ciências Biológicas - ENTOMOLOGIA - pelo INPA - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia.


É possível que um naturalista pense que Deus experimentou um enorme prazer quando criou os insetos. A razão desta afirmativa está no fato de que o Planeta está tão cheio destas complicadas criaturas, que até os dias atuais não sabemos ainda quantas classes realmente existem. Por volta de 1.000.000 de espécies já foram classificadas, mas todos os anos deparamos com a descoberta de cerca de 4.000 novas espécies! Os Entomólogos, com verdadeiro assombro, pensam que quando se descobrirem todos os insetos que há na Terra, poderá ascender sua soma a mais de 10.000.000 de espécies!

Os membros deste grupo de seres vivos, tão vasto e surpreendente, adotaram estranhos e numerosos formas e hábitos, que permitem sua adaptação a quase todas as condições de vida. Há insetos tão pequenos e tão especializados que podem reproduzir-se e viver na língua de uma espécie de mosca. Por outro lado, existem outros de vida tão curta que nunca comem e, em razão deste fato, não têm boca e nem estômago.

Apesar de sua diversidade imensa, todos eles têm características comuns. As mariposas noturnas atraídas pelas luzes de nossas casas nas noites de verão, são completamente diferentes das pulgas que infestam nossos bichinhos de estimação ou das moscas de maio, que esvoaçam sobre as águas tranquilas de uma lagoa ou regato, com suas asas de gaze. Basicamente, porém, todos eles pertencem ao mesmo grupo de seres vivos. Aprender qualquer faceta da natureza dos insetos, é penetrar e descobrir um mundo de espantosos prodígios!...


- continua - 


Até a próxima sexta.


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sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

- A ORIGEM DA VIDA - VI - final -

 



                                                            - imagem Internet -



Depois de infinitos ensaios químicos, após milhões de anos, surgiu o pigmento verde a que chamamos de clorofila que, com seu poder fotossintético se incorporou à gelatina flutuante entre os resíduos e permitiu elaborar seu próprio alimento, com a combinação de luz, ar e água. E aí, chegamos ao misterioso limiar da vida. Faltava apenas mais um passo para que os aglomerados de gelatina que flutuavam no oceano se tornassem a primeira manifestação de vida. Para poderem ser consideradas vivas, no entanto, as gotículas gelatinosas e suas complicadas moléculas teriam que ser capazes de transmitir para seus descendentes o estandarte da sua espécie e suas próprias características. Não o fazendo, essa " quase vida " teria como destino a repetição eternamente do processo evolutivo. O passo decisivo surgiu quando, depois de incontáveis combinações feitas ao acaso, finalmente a proteína se uniu ao ácido nucleico e a outras substâncias complementares, para formar o protoplasma. As moléculas ácido-nucleicas, formando uma cadeia sem fim, são ricas em fósforo e azoto e trazem em si mesmas o pormenorizado esquema da sua própria constituição. Graças a eles, os sistemas ácido-nucleicos podem atuar como reprodutores que, em momentos oportunos e favoráveis, atacam outras moléculas quebrando-as e reconstruindo-as depois, à sua imagem e semelhança. E eis que surge o milagre da hereditariedade tornado possível o prodígio de legar suas características a seus descendentes!

E, embora faltassem ainda as complexas células que hoje conhecemos e que evoluíram ao longo de muitos séculos, tinha-se conseguido franquear o misterioso " limiar " e tinha começado por fim A VIDA SOBRE A TERRA!!!


Até a próxima sexta.


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sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

- A ORIGEM DA VIDA - V -

 




Impossível saber quanto tempo passou até que surgisse o primeiro indício de vida, até porque o tempo não existe e é determinado artificialmente apenas para medir episódios ligados à insignificância da duração da vida humana... Portanto, àquela época não existiam 
" períodos de tempo " propriamente ditos. Sabemos, entretanto que durante épocas indeterminadas, nas águas tépidas dos mares de então, as gotículas de gelatina foram sendo " cozidas " em fogo lento. Pouco a pouco foram aparecendo algumas moléculas gigantes e grupos de moléculas, complexos derivados das simples gotículas gelatinosas, até que, por fim, depois de tempos infinitos e de incontáveis combinações químicas, se formou a maravilhosa molécula que chamamos de proteína. Seu surgimento, entretanto, se prolongou no caos do tempo sem que atinássemos como, quando onde.

A nova substância, totalmente diferente das rochas, dos gases e dos líquidos, é formada por centenas de átomos, detém uma enorme energia química e pode crescer em qualquer direção. Comparada com as outras substâncias, parece gigantesca! Pode dilatar-se, contrair-se, dobrar-se, esticar e encolher. Pode tornar-se rija como um pau, enrolar-se como um novelo ou enroscar uma das extremidades, adotando uma configuração semelhante ao número 6 ou 9.

A varinha mágica da vida é constituída pelas proteínas e outras moléculas chamadas ácidos nucleicos, todas nascidas no mar. Com o decorrer do tempo, formaram as proteínas, os enzimas, a insulina, a hemoglobina e os genes. Em seguida a evolução foi criando os músculos e s órgãos para comandar as funções vitais fazer  bater os corações, fazer respirar os pulmões. vibrar os nervos, e, finalmente, fazer fluir o pensamento!...

Mas, antes de tudo isto, tiveram que fazer uma célula viva com os elementos que flutuavam nos oceanos. Apesar de todas as suas virtudes, porém, aquelas moléculas ainda não eram a VIDA!...


- continua -


Um bom fim de semana a todos.


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sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

- A ORIGEM DA VIDA - IV -

 

                                                                - imagem Internet -                                                  


Ao flutuar na água, as moléculas de uma massa de matéria orgânica tendem a unir-se formando uma espécie de gelatina, a que os químicos chamam de " colóide ". Na verdade eles são uma matéria intermediária entre o estado líquido e o sólido, de que são exemplos a gelatina, a clara do ovo e a espuma que se forma na superfície de uma sopa. Quando um colóide num líquido aquoso se agita, ao invés de dissolver-se, se decompõe em pequenas gotículas. Usando-se em ambiente de laboratório alguns instrumentos ultra-sensíveis, comprovou-se uma particularidade muito curiosa dessas pequenas gotas de gelatina: elas possuem em sua superfície um ligeiro magnetismo que atraem as moléculas da água em que flutuam, as quais aderem às gotículas em filas apertadas e paralelas. Tal propriedade confere à gelatina uma curiosa " pele " líquida, através da qual podem entrar e sair as substâncias dissolvidas na água.

A enorme quantidade de gotas gelatinosas a flutuar no mar já eram uma rudimentar imitação do protoplasma das futuras células vivas...

Mas, cada uma destas gotículas tinha fracionado e isolado uma pequeníssima porção do mar, na qual as reações químicas adquiriam um certo " controle " e um desígnio determinado.

A " pele " transparente e curva das gotículas gelatinosas funcionava como uma lupa microscópica, concentrando os raios de sol e a densa carga de radiações ultravioletas. O ozônio das camadas superiores da atmosfera, atualmente protege o delicado protoplasma das células vivas. Tal proteção, porém, não existia ao tempo do inicio da vida e a luz ultravioleta literalmente " cozeu " os elementos químicos necessários à vida, que flutuavam no primitivo oceano.

Quando a energia dos raios penetrou nas gotas gelatinosas, pôs em andamento o mecanismo da vida..


- continua -


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sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

- A ORIGEM DA VIDA - III -


                                                          - imagem Internet -



Se alguém tivesse o dom de presenciar o início da vida, certamente teria contemplado a aparição dos primeiros hidrocarbonetos, que são a etapa primeira da evolução química da vida. Com efeito, as moléculas de carbono e de hidrogênio, têm o estranho poder de crescerem de forma semelhante ao ser humano. Não se limitando a ser apenas uma partícula de matéria inanimada, as moléculas de hidrocarbonetos podem se tornar mais complexas, replicar sua estrutura e assim aumentar o seu tamanho. Durante muito tempo, os químicos e estudiosos da matéria, achavam que os hidrocarbonetos e outras substâncias classificadas como " orgânicas ", somente poderiam ser originados por células vivas.

 Tal pensamento originou o seguinte enigma: como poderia haver hidrocarbonetos sem vida e ao mesmo tempo admitir-se o início da vida sem os mesmos hidrocarbonetos!!! Atualmente, depois de vários experimentos em laboratório, focou demonstrado que os primeiros hidrocarbonetos formaram-se quando as moléculas de metano foram bombardeadas por descargas elétricas, faíscas e raios cósmicos.

Mas a liberação desses elementos e a formação de determinados compostos químicos indispensáveis ao surgimento da vida, não bastavam. Era necessário que tivessem uma forma determinada e precisa...

E tal fenômeno se iniciou com os hidrocarbonetos existentes no mar...


- continua -


Até a próxima sexta.


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