sexta-feira, 26 de junho de 2026

CRENÇAS INFUNDADAS SOBRE OS ALIMENTOS. I





- Os ovos escuros são mais nutritivos.
Na Inglaterra os ovos escuros são considerados de melhor qualidade. Já nos EE.UU. a crença é diametralmente oposta. Claro que os criadores de ambos os países, esforçam-se para produzi-los de acordo com a preferência do fregues. Ambas as crenças, porém,
carecem de fundamento. Os ovos não são produzidos para fornecerem alimento ao homem mas ao pinto que se desenvolverá em seu interior; a cor da casca, que representa um estágio
avançado do desenvolvimento do ovo, depende única e exclusivamente da raça da galinha; na ocasião em que a casca se forma, o valor nutritivo do ovo já foi definitivamente estabelecido.

- Comer sementes causa apendicite.
Na estatística do conteúdo dos apêndices removidos, poucos casos da presença de semente foram constatados. Muitos objetos de presença improvável, já foram verificados, como por exemplo, dentes de ouro, cerdas de escovas de dente, extremidade de termômetro, entre outros.


Continua na próxima postagem............

Bom final de semana a todos.
Grande abraço.

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 19 de junho de 2026

UMA AVENTURA MAIOR AINDA !



Como todo Amazônida que se preza, VALDENI, desde muito cedo acostumou-se a se esbaldar nas brincadeiras com meninos de sua idade, nas águas do rio Aripuanã, que banha o povoado de Vila do Carmo, uma pequena comunidade no município de Apuí, Estado do Amazonas, onde nasceu.
Apenas despontou a adolescência, porém, ele descobriu, aos poucos, que sua paixão pelo esporte não seria concretizada pelas disputas na água, pois começou a sentir uma irresistível atração pelas bicicletas. Na simplicidade da situação financeira de sua família interiorana, acostumou-se a pensar que possuir uma delas era um sonho inalcançável. Sua paixão, entretanto era de vez em quando, acalentada por momentos fugazes, mas de puro êxtase, que experimentava sempre que conseguia emprestado uma " magrela ", de propriedade de algum amiguinho que tinha o privilégio de possuir uma, naquele improvável lugar interiorano. Como todo sonhador que se preza, porém, VALDENI jamais deixou-se abater; ao contrário, sempre que podia, fazia pequenos trabalhos aqui e ali e, sempre que estes trabalhos lhe rendiam alguns trocados, ia guardando, com o objetivo firme e decidido de um dia poder comprar, nem que fosse uma de segunda mão...E tantos foram os anos, e tantos foram os esforços, e tantos foram os trabalhos que, à medida que crescia, estes trabalhos passaram a ser mais importantes - e por isso mesmo, melhor remunerados - que um belo dia pode, com muito orgulho, comprar a tão sonhada bicicleta.
Lá, um dia, já  maior de idade, teve a ideia de fazer algumas 
" viagens " pedalando para lugares cada vez mais distantes. Nessas viagens se sentia tão confortável, que lhe parecia cada vez mais possível conquistar o mundo pedalando! E foi o que ele fez!!!
Um belo dia, em que conseguiu uma bicicleta mais moderna e de qualidade, para espanto dos parentes e amigos, saiu pedalando com o objetivo de percorrer todas as Capitais brasileiras, no menor espaço de tempo possível. Nenhum patrocínio conseguiu; mesmo assim, começando pela capital de Roraima, a bela Boa Vista, onde chegou, levado junto com seu xodó, pela generosidade de um caminhoneiro, rumou em direção à capital de seu próprio Amazonas, a cidade de Manaus, sem sequer parar, já que seu objetivo era cumprir o percurso no menor tempo possível. E sucederam-se Rio Branco, Porto Velho, Cuiabá...até finalizar na capital paraense, a belíssima Belém do Pará.
 Conferido o total de dias da jornada, constatou-se que ela foi cumprida em exatos 232 dias e que foram percorridos nada menos que 20.626 km!
Esta constatação significou que VALDENI PINHEIRO ALVES
( este seu nome completo ), é, até o momento, o único brasileiro a fazer tal jornada neste tempo!
   Na volta pra casa foi recebido pelos conterrâneos com uma merecida festa de boas vindas, nos limites das disponibilidades locais. Mas,  passadas as festividades, a inquietação e a busca por novas conquistas, fizeram com que esse homem interiorano, ainda desta vez, sem patrocínio, começasse a pensar em novas façanhas. Assim, resolveu refazer o percurso, começando porém, desta vez, pela sede do seu município. Partiu, então de Apuí, desta vez pela BR-230, a Transamazônica, rumo à capital paraense, Belém, seguindo-se São Luiz, Palmas, Teresina, Fortaleza, Natal, João Pessoa, Recife, Maceió, Aracaju e, ao entrar em território baiano pela Linha Verde, eis que o encontro parado no acostamento, já na Estrada do Coco. Não pensei duas vezes, ao vê-lo parado no acostamento com a bicicleta toda embandeirada, e parei com a intenção de ajudá-lo. Já tinha, porém, usando seus próprios recursos, resolvido o problema.
Adiantou-me, durante a nossa rápida conversa, que cumpriria o seguinte itinerário, a partir de Salvador: Vitória, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Campo Grande, Cuiabá, Rio Branco, Porto Velho, Manaus, Boa Vista e, finalmente, Macapá, onde completaria o CIRCUITO DAS CAPITAIS, como ele mesmo designou sua epopeia.
Restou-me a felicidade e a honra de tê-lo conhecido e ter, a seu pedido, posado ao lado deste grande guerreiro. Estarei aqui torcendo para que tudo dê certo...
Resta-me desejar que consiga seu nobre mas bem perigoso objetivo...
Boa jornada, meu nobre, valente e novo amigo!!!

   
O encontro com o super atleta, em plena Estrada do Coco, levou-me a torcer pelo seu sucesso pleno.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

- EM BUSCA DE AVENTURA - final -


                                              Meu " trofeu " exibido com vergonhoso orgulho...
                                                     - nesse tempo a caça não era proibida -

Ah! Porto Velho... Quantas recordações! Logo começamos a fazer amigos e amigas. A vida social era uma festa só. Cidade cosmopolita, atraindo à época muitos e variados profissionais,  principalmente ligados à área do agronegócio, apresentava muitas oportunidades aos empreendedores que quisessem trabalhar. Para tal, contavam-se com incentivos governamentais em forma de empréstimos baratos e a longo prazo, além da possibilidade de captação de recursos por
intermédio da SUDAM, dedutíveis do imposto de renda das Pessoas Jurídicas interessadas em investir na região. O desmatamento era visto como benefício imprescindível e urgente para o desenvolvimento. Substituir a floresta nativa e intocada por pasto ou produtos agrícolas, principalmente o cacau, representava um sinal de patriotismo pioneirismo, e abnegação. Quanto mais célere a derrubada acontecia, mais admirado e elogiado era o empresário e empreendedor. A meta do Governo girava em torno do lema
 " integrar para não entregar ".  Ariquemes passou a se destacar na produção de cacau, assim como já era referência nacional o município de Cacoal, na produção de café.
Mas, nem só de trabalho duro era feita a vida. Nem só a malária
- endêmica na região -, se pegava por lá... Aos domingos nos reuníamos em nossa casa ou nas casas ou chácaras dos amigos, para um churrasco ou simplesmente para conversar e trocar experiências. Numa dessas reuniões, na chácara de um amigo que era o gerente regional da Varig, ocorreu um episódio marcante que vale a pena ser narrado. Estávamos numa animada roda de papo descontraído, quando chegou, meio espavorido, um dos empregados da chácara. Anunciava, espantado, a descoberta, às margens do igarapé que serpenteava pelo terreno, de uma " descomunal " - foi este o termo que ele usou - cobra, possivelmente " sucuriju " 
( sucuri), enrolada e digerindo um animal que por motivos óbvios, não deu pra identificar. Fomos até o local e constatamos, na margem oposta, um " rolo " enorme de cobra. Como naquele tempo não era proibida a caça, peguei o carro e fui até nossa casa buscar uma espingarda de caça submarina que mantinha lá, esperando por uma pescaria que me prometera um outro amigo, nas águas transparentes de um certo rio da região ( creio que Rio Machadinho ), onde havia muitos e  " enormes tucunarés ". A propósito, esta pescaria jamais aconteceu. Enquanto me deslocava para pegar a arma, o dono da chácara mandou avisar à equipe do Amaral Neto, que se encontrava na cidade produzindo um daqueles programas muito vistos então, chamados  " Amaral Neto - o repórter ". Quando retornei, todos já se encontravam a minha espera, ansiosos por me verem caçar " o bicho ". Embarquei  numa canoa, levando o caseiro como remador e rumamos em direção à outra margem, seguidos por outra canoa que conduzia a equipe do Amaral Neto, que iria documentar a caçada. Mandei o rapaz se aproximar o mais possível e, a cerca de um metro de distância, curvei-me na borda da canoa, mergulhei a espingarda apontada na direção do imenso " rolo " e acionei o gatilho, varando com o arpão os anéis do estático e indefeso animal, que foi traspassado pelo terrível aço. Ah! quanto tal lembrança me faz sofrer hoje em dia! Como eu era imbecil naquele tempo! Hoje, não sou capaz de matar animal algum, por mais nocivo que possa parecer... A beleza daquela sucuri pode ser apreciada na ilustração que enriquece esta postagem...
Missão cumprida, resolvi realizar um sonho de há muito: descer de navio de Porto Velho até Manaus e conhecer as cidades ao longo do percurso. Esta viagem se deu sem nenhum incidente, pra minha completa frustração...kkkkk  


Um ótimo final de semana a todos.
Abraço e até sexta.


Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 5 de junho de 2026

EM BUSCA DE AVENTURA - IV -




Durante a espera, andei conversando com alguns policiais. Me advertiram que eu havia passado por perigos mortais, viajando sozinho, em um veículo novo e cobiçado. Claro que procurei saber, em detalhes do que eles estavam falando! Pra meu espanto, contaram-me que, naquela região, havia quadrilhas que simplesmente emparelhavam com os carros escolhidos - principalmente os novos e com valor razoável como era o meu - mandavam os condutores parar, os tiravam dos veículos, tudo sob o poder das armas - geralmente escopetas calibre 12 e até metralhadoras - , atiravam na cabeça das infelizes vítimas, jogavam seus corpos insepultos às margens da rodovia e levavam o carro, através de uma das incontáveis estradas vicinais, de terra batida, que passam pelas fazendas da região
 - nenhuma dessas estradas aparece em mapas oficiais - até a Bolívia, cerca de 50 a 70 km de distância daquele local, onde um bandido brasileiro, pagava qualquer bagatela ( cerca de 14 ou 15 mil reais, na moeda de hoje ), pelos carros roubados e levados até ele!
 Temendo qualquer problema na continuidade da viagem, é que tive a lembrança e  grande ideia: recorrer, por  intermédio de um telefonema, ao meu saudoso e querido amigo, Cel. João Araújo, na oportunidade Comandante da Polícia Militar da Bahia, que, para minha sorte, estivera recentemente numa reunião  em Cuiabá, com os comandantes das Polícias Militares de todo o Brasil. Contei-lhe toda a história. Preocupado, ele deve ter falado incontinente com o Comandante da PM do Mato Grosso e resolveu o problema.
 Embora liberado imediatamente,  por uma ordem direta e pessoal do comandante, desde Cuiabá, evidente que resolvi pernoitar na cidade. Na manhã seguinte, pra minha surpresa e satisfação,  fui escoltado por um carro da Polícia Militar, até um trecho onde não mais correria risco de ser assaltado. Assim, cheguei à Vilhena, onde pernoitei sem mais atribulações. Dia seguinte, cedinho como sempre, a última etapa da viagem...

Nota: Há alguns amigos leitores, sugerindo que me alongue mais na narrativa e publicação dos episódios. Explico: a grande maioria dos leitores, não dispõe de muito tempo para a leitura; artigos longos são normalmente deixados pra depois e acabam sendo, mesmo involuntariamente, esquecidos. Assim, procuro ser suscinto, mantendo, porém, a objetividade e clareza na exposição dos acontecimentos. Obrigado.

Um ótimo final de semana a todos.
Abraço,


Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe