sexta-feira, 27 de março de 2026

RITUAIS FÚNEBRES - final -





A citação comumente usada, de que todos se igualam na morte, nem sempre teve sentido. Na Escócia e no norte da Inglaterra, a zona norte do cemitério era reservada aos criminosos, por ser considerada uma região de mau agouro, enquanto os fiéis piedosos eram enterrados na parte leste, mais próximo da " Terra Santa ", a nobreza na parte sul e o povão era amontoado na parte oeste. Dureza mesmo é como têm sido tratados os suicidas. Considerados assassinos de si mesmos, não podiam ser enterrados em terra consagrada. Até o ano de 1824 na Inglaterra, havia uma Lei que mandava enterrar os suicidas em uma encruzilhada, com uma estaca a traspassar-lhe o coração. É que havia a crença de que as pessoas enterradas fora dos cemitérios - terra consagrada -  voltariam à Terra na forma de seres malignos, para atormentarem os seres vivos, se não fossem presos a algum lugar com uma estaca. Ainda assim, mesmo que o espírito conseguisse se libertar, ficaria totalmente perdido e não saberia que rumo tomar para alcançar o mundo dos vivos, já que fora sepultado em uma encruzilhada. Também as cores são usadas em muitas comunidades como sinal de luto. No ocidente é o negro que assinala tradicionalmente o luto.. Na China é o branco, significando os votos de felicidade e prosperidade no outro mundo. A vida e as energias físicas, são celebradas nos enterros ciganos e eles se vestem de vermelho. Já no mundo celta , o vermelho significava a morte, pressagiava o desastre e nunca era usado. Os muçulmanos acreditam que as almas dos justos assumem a forma de aves brancas e, durante a idade média, essa crença se difundiu por toda a Europa. Realmente são insondáveis os mistérios que cercam a morte e, embora convivamos diuturnamente com ela, jamais seremos capazes de aceitá-la racionalmente, se seus tentáculos escolhem algum ente querido.

Excelente final de semana a todos, obrigado pela visita.

Abraço,



Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 20 de março de 2026

RITUAIS FÚNEBRES VI





Assim como outros componentes dos rituais fúnebres, as lápides obedeciam, em sua origem, a entregar os mortos aos cuidados de um deus e garantir sua segurança debaixo da terra. Desde tempos imemoriais que as sepulturas, ao contrário do que se possa pensar, são assinaladas com uma cruz e constituem uma reminiscência da cruz de anéis dos antigos adoradores do sol. Bem mais tarde, quando a cruz se tornou o símbolo do cristianismo, a cruz de anéis foi primeiramente adotada como símbolo da Igreja Celta. Até o final do século XVI, somente os membros da classe dominante podiam ter seus túmulos marcados com a cruz. Até a posição dos corpos nas sepulturas podia - cria-se - facilitar o desprendimento da alma do corpo. Algumas antigas tribos galesas, enterravam seus mortos na posição vertical, para facilitar e abreviar a chegada da alma ao céu. Frequentemente os túmulos dos cristãos estão voltados para leste ou oeste, a depender do lugar do sepultamento, com o abjetivo de apontar o corpo na direção de Jerusalém. Já no
Japão, os corpos são enterrados com as cabeças em direção ao norte. Essa tradição que deve ser apenas para os mortos, é de tal maneira levada a sério pelos japoneses, que muitos viajantes não esquecem de levar uma bússola na bagagem, com o fim precípuo de saberem onde fica o norte, para  não dormirem com a cabeça apontada nesta direção! É que acreditam piamente, que tal posição lhes trará azar.

Continua na próxima postagem.......

Bom final de semana a todos os meus ilustres visitantes.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 13 de março de 2026

RITUAIS FÚNEBRES V.





O costume de enterrar objetos junto com os mortos, resultou em casos extremos e muito dispendiosos, como  comprovou a descoberta do túmulo do jovem faraó egípcio Tutankhamon.
Ali foram encontrados tesouros fabulosos em ouro, marfim e outras preciosidades. Por outro lado, alguns sepultamentos transformavam-se em verdadeiros holocaustos. No funeral dos antigos reis citas, como Arianto e Dario ( por volta dos anos 500 a.C. ), foram enterrados vivos mulheres, escravos e cavalos, com o objetivo de servi-los condignamente no além túmulo.
Nem se passaram 100 anos, quando algumas mulheres indus aceitavam o costume do sutee que consistia em se jogarem sobre as piras funerárias dos maridos, para que nem a morte os separasse. Muito embora em alguns estados da Índia essa prática fosse considerada crime por uma lei de 1829, ainda os ingleses, no começo do século XX, tiveram que se esforçar muito
para erradicar essa tradição. Os chineses mantêm a pratica de enterrar oferendas, com uma despesa bem menor: eles enterram seus mortos com a réplica dos objetos de uso pessoal, feitas
de papel.   Já os tibetanos, por acreditarem na reencarnação, dedicam à morte a mesma " arte " que empregam à vida. Assim como aos vivos, eles leem para os mortos o Bardo Thodol -
Livro Tibetano dos Mortos - . Eles creem que, desse modo, se instrui o morto sobre os mistérios que os esperam na vida extraterrena, antes de seu regresso à Terra, numa outra
encarnação.

Continua na próxima postagem.........

Um ótimo final de semana a todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe  

sexta-feira, 6 de março de 2026

RITUAIS FÚNEBRES IV.





Graças ao costume de colocar objetos nos túmulos junto ao morto, mantido durante séculos, os arqueólogos puderam deduzir - à vista das oferendas escolhidas - as ideias dos diversos povos sobre o que esperavam da vida após a morte. Os egípcios acreditavam numa vida além túmulo  rica e luxuosa. Assim, colocavam na tumba objetos ornamentais e utensílios domésticos. Os Vikings sepultavam seus heróis mortos junto com armas que seriam usadas
no Valhalla: eles eram incapazes de imaginar um Paraíso sem lutas e guerras. Assegurava-se também que o morto fosse provido do necessário para usar no " novo mundo ", para não sentir vontade de regressar ao " mundo antigo ". De igual modo, as coroas de flores não eram apenas ornamentos colocados para honrar a memória dos mortos; a principal função era atuar como um círculo mágico que prendia a alma, impedindo-a de voltar ao mundo dos vivos, ao qual não mais pertenciam. Os antigos gregos colocavam na sepultura uma moeda de ouro com o objetivo de pagar a passagem do barco que levaria o morto através do Estige - uma ninfa mitológica - para o Hades - deus grego do submundo dos mortos -.
 Na Escandinávia calçavam-se os defuntos com resistentes sandálias, para supostamente lhes facilitar a longa caminhada para o " novo mundo ".
 Já os índios americanos Zuni, costumam enterrar pão nas sepulturas, para que o guerreiro morto não tenha de voltar
ao mundo dos vivos, quando sentir fome.

Continua na próxima postagem.....



Um ótimo final de semana a todos. Obrigado pela visita.
Abraço,




Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe