sexta-feira, 25 de agosto de 2023

A história da Professora AFONSINA - final -

                            A Professora AFONSINA, à época de sua passagem por Oriximiná.


Para encerrar com chave de ouro a magnífica e resumida história da Professora AFONSINA em sua passagem marcante pela cidade de Oriximiná, passo a narrar, de maneira também sucinta, um episódio tão ou mais marcante do que aquele do lançamento da semente da
 " merenda escolar ", protagonizado pela notável mulher que, pra meu orgulho, me gerou:
Preciso dizer que quis o destino trazer para dirigir os trabalhos da Escola de Educação Infantil Professora AFONSINA ELINDA ARAGÃO DE SOUZA, uma mestra igualmente abnegada e caprichosa, a Professora LEILEUNICE WANZELLER, cuja dedicação e competência tornaram a Escola um exemplo de eficiência e profissionalismo. Pois bem, o episódio que passo a narrar - vejam só que feliz coincidência - me foi comunicado por ela, a Diretora, tendo como sua fonte de informação, ninguém menos que sua própria mãe!
Há uma família que vive na cidade desde a metade do século passado, sendo que muitos de seus membros são cidadãos e cidadãs de destaque na sociedade local, ainda hoje. Pois bem, lá pelo final da década de 1940 e inicio de 1950, adoeceu gravemente uma das filhas do casal, cabeça desta família. Doença grave e não diagnosticada à  época, passou a ser tratada com medicamentos tradicionais e até com plantas medicinais, amplamente usadas com eficácia em muitos e muitos casos de enfermidade. Infelizmente, a tal doença misteriosa não cedeu e levou a pequena e desditosa vítima a óbito. Pode-se imaginar facilmente o sofrimento que acometeu à família enlutada que, compreensivelmente, ficou por algum tempo desnorteada e sem poder raciocinar com clareza. Foi aí que apareceu a clarividência da Professora AFONSINA, uma das colaboradoras no ingente mas  frustrado esforço para salvar a vida da menina. Como ninguém sabia de que moléstia a vítima fora acometida, D. AFONSINA sugeriu a transferência de todos os membros da família para a sua própria casa
 - o que foi aceito prontamente e com muita gratidão - enquanto, sob seu comando, se providenciava a desinfecção completa e à exaustão, da casa da família, o que durou por volta de uma semana, finda a qual, pode a família retornar ao lar, sem risco de uma possível contaminação pelos agentes patológicos desconhecidos e possivelmente remanescentes no ambiente da casa, de evidente perigo, desde que não fossem erradicados.
Ora, meus amigos e leitores, como não se orgulhar de uma mulher dessa têmpera !
Somos, meus irmãos e eu, pessoas privilegiadas e orgulhosas de nossa mãe, heroína e mulher de iniciativas e ações muito à frente do seu tempo!!!
Sempre enalteceremos seus feitos, tendo toda a certeza que ela não teve uma passagem em branco pela sua vida e nem pela vida da cidade que a acolheu como se sua filha fosse!

Bom fim de semana.
Até a próxima sexta-feira.


Clóvis de Guarajuba
ONG Ande&Limpe







sexta-feira, 18 de agosto de 2023

- A história da Professora AFONSINA - XV -


Eu e meu irmão CLÉO, posando orgulhosamente na frente da Escola
PROFESSORA AFONSINA ARAGÃO, no dia de sua inauguração.




A " Turma da Fome ",
 como é evidente, foi
assim designada, como já mencionei, porque
 seu funcionamento
abrangia a chamada
" hora do almoço ".
 Tal apelido era um estigma repetido pejorativamente pelos alunos que frequentavam as aulas nas turmas consideradas " normais ",  isto é, as dos horários  matutino e vespertino.
É evidente que tal circunstância  gerava grande consternação e constrangimento em todos os alunos e, principalmente, nos professores, destacando-se, por motivos óbvios, na Professora AFONSINA, responsável pela turma.
De tal fato eu não tinha nenhum conhecimento, até que no ano de 2011, quando fui passar a " Festa de Agosto " lá em Oriximiná - o lindo e famoso Círio Fluvial - em determinada noite, no arraial da Praça  da Matriz, conversando com alguns conhecidos, me foi contada toda a história desta turma intermediária, por alguém que participou da mesma. Contou-me ele - hoje um respeitável e importante membro da sociedade local - que a sua Professora, D. AFONSINA, em determinado dia, chegou ao Grupo trazendo para a sala de aula, com a ajuda do meu irmão DEZIZÉ, algumas latas de leite Ninho que foram colocadas sobre a mesa. Todos ficaram naturalmente curiosos e esperavam ter uma explicação para o ato inusitado da Mestra. Ela nada disse, até que chegou a hora do intervalo. Só então explicou aos alunos que resolvera trazer-lhes uma 
" merenda " e, incontinente, passou a distribuir com todos. Feita a devida fila, encarregou alguém da turma para proceder à distribuição do alimento, sob sua atenta supervisão. Ou seja, numa época em que sequer se cogitava em merenda escolar, a Professora AFONSINA, sob suas expensas, instituiu algo que certamente evitou a evasão escolar que, embora pequena naquela época, sempre ocorria por necessidades extremas e carências de alguns alunos. E, a partir desse dia, a tal assim chamada " turma da fome ", passou a ser cobiçada pelos outros alunos, que, por serem carentes, não se alimentavam do necessário em suas próprias casas. Claro que esta narrativa, feita com a mais absoluta isenção, me provocou uma emoção tal, que acabei por perder a voz e chorando, abracei de maneira efusiva o narrador, dizendo-lhe   que aquele fato aumentava significativamente em mim, o já imensurável orgulho e admiração que tenho, por ter sido gerado por alguém tão especial!
Lamentavelmente, foi preciso que uma ex-aluna da Professora AFONSINA, a ilustre Professora Doutora HILDA VIANA, assumisse a Secretaria de Educação do Município de Oriximiná, para que houvesse o reconhecimento dos méritos e das iniciativas filantrópicas e pioneiras da Professora AFONSINA, consubstanciado na inauguração de uma escola modelo com o nome da ilustre Mestra. Para minha imensa emoção e orgulho, fui destacado, na condição de seu filho mais velho ainda vivo, para representar a família da homenageada, o que fiz na companhia de meu querido irmão CLÉO AFONSO ARAGÃO DE SOUZA, certamente tomado por um orgulho e uma emoção igualmente indescritíveis!
Sou mesmo um privilegiado porque poucas pessoas têm na família DOIS IMORTAIS: Um irmão, membro da Academia Paraense de Letras - JOSÉ FIGUEIREDO DE SOUZA e minha mãe, imortalizada no nome de uma escola - AFONSINA ELINDA ARAGÃO DE SOUZA!!!

Em tempo: eu próprio acabo de ser também imortalizado através da publicação de um comentário que fiz, sem nenhuma pretensão, sobre uma das obras - Miolo de Pão - do grande escritor e membro da Academia Paraense de Letras, AGILDO MONTEIRO CAVALCANTE. O generoso escritor e acadêmico, usou meus comentários para compor a contracapa de seu mais novo livro, o recém lançado, " A LUZ MISTERIOSA ".                                                                  

                                                                 
Bom final de semana a todos e
até a próxima sexta.


Clóvis de Guarajuba
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sexta-feira, 11 de agosto de 2023

- A história da Professora AFONSINA - XIV -


                            Neste prédio funcionava o Grupo Escolar Padre José Nicolino.
                                                        - Foto de Edilberto Guerreiro -


Lá por volta do ano de 1950, apesar de já cheia de afazeres, AFONSINA começou a ensinar ( já de volta à casa da praça da Matriz ), às crianças e jovens da redondeza que a procuravam se queixando de dificuldades no aprendizado regular ministrado no Grupo Escolar Padre José Nicolino, então, o único estabelecimento de ensino da cidade. Como também não cobrava da maioria dos alunos que eram carentes, era natural que, ao tomarem conhecimento do fato, as mães de outros alunos passassem a apresentar seus filhos, igualmente com dificuldades de aprendizado, solicitando à Professora AFONSINA permissão para frequentarem às aulas por ela ministradas na sua própria residência. Cobrava, porém, dos pais de crianças que tinham capacidade financeira, do que é exemplo o meu querido amigo de infância, hoje ainda vivo e saudável´, JOÃO FERRARI.
 Daí até ser convidada para lecionar no " Grupo ", foi um pulo; logo começava a carreira " oficial " da professora que, tão generosamente, transferia conhecimentos para tantas crianças e jovens - o DEZIZÉ, eu e o CLÉBER, inclusive - de maneira espontânea e eficiente.
Assim se iniciou  a nobre tarefa da AFONSINA Professora, que consistia em repassar seus conhecimentos didáticos e, principalmente de vida em sociedade e em família, para a juventude, futuro desta mesma sociedade.
Transcorreu aproximadamente um ano, até se descobrir que a população da cidade em idade escolar aumentara de maneira surpreendente. O que fazer para absorver tal população, se o espaço físico não acompanhou este crescimento, já que não se construíram outros estabelecimentos de ensino? Uma reunião do corpo docente decidiu que, emergencialmente, criar-se-ia um terceiro turno de aulas que, por não haver energia elétrica contínua e eficiente, não poderia acontecer à noite. Logo surgiu a ideia de implementar-se este novo turno no horário de 10,00 às 14,00 h. Decisão tomada, passou-se a procurar a professora que tomaria conta desta nova turma, constituída pelos alunos que superlotavam as salas de aula das séries mais concorridas. Uma reunião foi convocada para discutir e determinar qual das Mestras ficaria encarregada de conduzir a nova turma. Foram inquiridas todas as professoras presentes e nenhuma se apresentou voluntariamente para tal mister. Sob as mais variadas alegações, que iam desde à necessidade de afazeres domésticos até a outros compromissos assumidos para aquele horário, uma a uma das presentes declinou de assumir aquela tarefa. Foi quando a Professora AFONSINA, entendendo que nada seria resolvido sem a confirmação de uma delas para executar tal serviço, se apresentou como voluntária e foi imediata e entusiasticamente " aclamada "  pelas presentes.
 Diga-se de passagem, que tarefas domésticas não faltavam para quem, àquela altura, já tinha filhos e o marido para cuidar, além de continuar a prestar serviços à comunidade na área farmacêutica!
 Logo, logo, a tal turma intermediária, passou a ser estigmatizada pelos outros alunos componentes das turmas consideradas normais,  cujo funcionamento se verificava nos horários matutino e vespertino. O estigma se materializou no  nome conferido pelos colegas à turma intermediária: " Turma da Fome ". Tal cognome - conferido à turma por ter suas atividades exercidas no período em que os outros estudantes iam almoçar - originou uma atitude inusitada da Professora AFONSINA que, por seu significado, estará em destaque na próxima  postagem...

                                                                   

Até a próxima sexta-feira.

Bom fim de semana a todos.


Clóvis de Guarajuba
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sexta-feira, 4 de agosto de 2023

- A história da Professora AFONSINA - XIII -



            Meu Pai, CHICO MARTINS, na farmácia de sua propriedade aonde
             minha mãe AFONSINA o ajudava, lá trabalhando por muitos anos.
         ( desculpem pela qualidade da foto; é a única que tenho daquela época ).



Como já dito, foi minha mãe que descobriu horrorizada, que já não mais me encontrava sobre a ponte. Gritou a plenos pulmões, chamando a atenção do meu pai que, incontinente, subiu na ponte e, sem ter a mínima noção de para que lado eu havia caído, se jogou às cegas e, para minha felicidade, me encontrou preso de encontro ao caule de algumas canaranas*, vegetal muito comum naquelas plagas. Paradoxalmente, foi a correnteza violenta do rio que me salvou: é que sob sua pressão, fiquei preso de encontro a vegetação. Foi por puro acaso e sorte que meu pai me encontrou, pois as águas do Cachoeiri são de tal modo carregadas de matéria em suspensão, que é absolutamente impossível enxergar alguma coisa quando nelas mergulhamos. Fui resgatado aparentemente morto. No desespero que se seguiu ao resgate, fui sacudido violenta e sucessivamente por meu pai e minha mãe, até que, após alguns segundos, voltei a respirar, para alivio e felicidade dos dois e principalmente para minha felicidade...Nunca mais descuidaram de mim e D. Dira foi advertida para não me perder de vista jamais!
A segunda gravidez da AFONSINA não teve sucesso. Nascido prematuro, aquele que se chamaria CLODOALDO, não conseguiu sobreviver. Assim, o segundo filho vivo seria o CLÉBERnascido em 11 de março de 1943. Infelizmente já o perdemos num desastre de veículo ocorrido em 09 de abril de 2006, mercê do trânsito louco e inconsequente dos nossos dias. Aproveito, então, esta passagem da narrativa, para declinar, em ordem cronológica, um por um, todos os filhos da Professora AFONSINA; não perca as contas: CLÓVIS ( o autor ), nascido em 18.10.1941; CLÉBER, nascido em 11.03.1943
 ( já falecido );  em 11 de outubro de 1945, nasceu o CLENALDO FRANCISCO ( já falecido );; em 18 de dezembro de 1948, nasceu o CARLOS LEONEL; em 14 de janeiro de 1954, nascia o CLÉO AFONSO; em 02 de março de 1955, finalmente nascia a tão esperada primeira filha, CLEMENS MARIA; e aí só viriam mais duas filhas: a CLEIDE MARIA, nascida em 16 de novembro de 1956 e a CLEISY RITA, a caçula, nascida em 24 de abril de 1959.
 É necessário dizer que, além dos filhos e filhas já citados, a Professora AFONSINA e o CHICO MARTINS, seu esposo, acolheram, prazerosamente no seio da família, ainda criança, o DEZIZÉ que consideravam também um filho e que nós
aprendemos a amar como um irmão mais velho. Infelizmente o perdemos, em 19 de outubro de 1999, para um problema cardíaco que o acometeu, quando tinha apenas 68 anos, não resistindo às complicações advindas da cirurgia a que foi submetido.
Com o trabalho diuturno desenvolvido na farmácia, AFONSINA passou a adquirir conhecimentos tais que, além de inúmeras vezes tratar com sucesso muitas pessoas da comunidade - principalmente dos mais carentes e interioranos - frequentemente acidentados no trabalho, passou a elaborar fórmulas muito eficazes no tratamento de
problemas de pele, tais como eczemas, pano-branco e outros, além de xaropes feitos  com a utilização de ingredientes naturais da flora da região, muito eficazes principalmente no tratamento  de problemas respiratórios. Cobrar algo pelos serviços, só de quem tinha condições.
 A maioria das vezes, mesmo sem cobrar, era " presenteada " com produtos advindos do trabalho daquelas pessoas simples, geralmente peixe, leite de vaca, queijos artesanais,  pirarucu seco ou salgado, tartaruga, tracajá, " piracuí "* e outros itens que tais.
Seus conhecimentos farmacêuticos se tornaram  tão vastos que lhe foi concedida a inscrição no Conselho Estadual de Farmácia do Estado do Pará, cujas anuidades  pagou religiosamente até seu lamentável e precoce desaparecimento...                                                                          

* canarana - gramínea gigante originária da Amazônia, que tem seu habitat nas margens  dos rios. Seu nome é derivado do Latim 
" cana ", referente ao talo das gramíneas e do  Tupi " rana ", que quer dizer " parecido ".

* piracuí - método usado na região para conservação de pescados, que consiste na sua transformação em farinha, depois de completamente desidratados.

Continua na próxima sexa-feira.

Bom fim de semana a todos.


Clóvis de Guarajuba
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sexta-feira, 28 de julho de 2023

- A história da Professora AFONSINA - XII -


    O rio Cachoeiri hoje. Note-se o rebojo provocado pela correnteza brutal, e a erosão da margem...                                                                                           

Para que vocês entendam a gravidade da situação em que se encontrava a criança repentinamente desaparecida da ponte e que tinha, na realidade, caído no rio, é preciso esclarecer, principalmente aos leitores que não têm a felicidade de conhecer a Amazônia, que o rio Cachoeiri, às margens do qual fica a fazenda, é uma das duas únicas ligações diretas entre a calha principal do rio Amazonas e o curso do rio Trombetas, seu afluente pela margem esquerda. Conclamo-os a um exercício de raciocínio: imaginem o que significa, em volume de água, a invasão do maior rio do mundo a um riozinho que, àquela época, tinha mais ou menos uns 150 m de largura! A correnteza é brutal. As margens e o leito do Cachoeiri são arrancados pelas águas violentas do Amazonas, tornando-o cada dia mais largo e mais profundo. 
Vale lembrar que, geologicamente, o Amazonas é um rio novo
e ainda não definiu seus limites; assim, continua escavando seu leito e erodindo suas margens, transformando-os em sedimentos que, levados pela corrente, vão formar novas ilhas e bancos de areia, alhures. Por causa deste fenômeno é que, independente da qualificação profissional e\ou experiência que detenham, os comandantes de navios vindos de todo o mundo para esta região, ao chegarem à foz do Amazonas, nas proximidades de Salinópolis ( Salinas para os íntimos ), quem assume o comando desses verdadeiros " monstros ", capazes de carregar até 80.000 t de carga, é,  obrigatoriamente, um profissional local denominado " Prático ". Esta providência tem que ser tomada, porque o leito do rio é diuturnamente modificado: ora desaparecem ilhas e bancos de areia já aparentemente consolidados, ora surgem, onde pouco antes nada havia, novas ilhas, cuja detecção só pode ser percebida por quem conhece as " manhas " desse colosso ciclópico! Assim se evitam os encalhes, muitas vezes irremediáveis, das embarcações. Conheço razoavelmente esta função de comando - sou Mestre Amador pela Capitania dos Portos de Salvador - não só porque desde 1971 sempre tive lanchas de recreio e um barco de pesca baseado em Belém, no qual empreendi inúmeras viagens pelo rio, mas por ter dois tios - tio TITO ARAGÃO e tio PAULO ARAGÃO - e dois primos - ALBERTO ARAGÃO e LEONEL ARAGÃO - que exerciam as funções de Comandante e Prático da Marinha Mercante na Região Amazônica, conduzindo seus navios, não raras vezes, até a cidade de Iquitos, no Peru.
Além de tudo isto, tive o privilégio de viajar de carona em um graneleiro carregado com 50.000 t de bauxita, de Porto Trombetas até Barcarena, graças à amizade do meu irmão CLENALDO ( de saudosa memória ) com o seu comandante. Este meu irmão, à época, trabalhava na empresa Mineração Rio do Norte, desde a chegada desta mineradora ao Rio Trombetas.
Durante esta viagem, tive oportunidade de conhecer a sala de máquinas ( impressionante ) e a sala de comando e constatei que, não obstante toda a parafernália eletrônica, a presença de um profissional da região - o chamado PRÁTICO - é imprescindível no seu comando.
Mas, depois desta necessária explicação, voltemos ao menino que caiu no rio...

       
Continua na próxima sexta-feira.

Bom fim de semana a todos.


Clóvis de Guarajuba
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sexta-feira, 21 de julho de 2023

- A história da Professora AFONSINA XI


Ponte semelhante à descrita no artigo, construída por mim às margens da lagoa, em minha chácara, lá em Guarajuba - Ba.

E a vida seguia normalmente, quando, no final do ano de 1941, veio a transferência do Dr. Bruzza para outra cidade, desta vez, Catanduva, no interior de São Paulo.
 Logo que chegou à cidade, o Dr. Bruzza, entendendo que sua mulher,  vinda da Capital, precisaria de alguma atividade para quebrar a monotonia própria da vida em uma cidade do interior da Amazônia, tratou de abrir, em seu nome, uma farmácia, não apenas útil para sua mulher mas, principalmente, para a população local, carente de recursos terapêuticos.
E, antes de viajar para o novo destino, acertou a venda do estabelecimento para o amigo - e agora concunhado - FRANCISCO, chamado por todos de CHICO MARTINS. Mais uma atividade exigindo a presença do já sobrecarregado FRANCISCO. AFONSINA, então, passou a dividir os afazeres domésticos com o atendimento na farmácia, uma vez que o casal resolvera deixar provisoriamente, a casa da praça da Matriz, para morar nas dependências amplas do prédio onde funcionava a farmácia recém adquirida.
Logo no início do ano de 1942, a morte levara seu amigo, protetor e patrão, JOSÉ CLEMENTINO DE FIGUEIREDO. Como seu antigo sogro havia comprado a pequena fazenda do Cachoeiri em nome de sua filha caçula, LAURINDA, quando ela morreu a propriedade passou a pertencer aos meeiros, seu filho JOSÉ e seu esposo FRANCISCO.
Pretendendo ampliar os negócios da fazenda, FRANCISCO adquiriu algumas cabeças de gado, ampliando o plantel já existente, além de dois cavalos que o vaqueiro, seu Alfredo, que já trabalhava na fazenda, usaria para a labuta com o gado.
O casal, FRANCISCO e AFONSINA, passou a frequentar com mais assiduidade a propriedade, embora as viagens de canoa a remo demandassem grande esforço do Alfredo, que vinha do Cachoeiri até a cidade buscar o casal com seu filhinho, além de víveres e insumos. Já grávida pela segunda vez, numa dessas estadas lá na fazenda, aconteceu uma quase tragédia envolvendo o menino, ou seja, EU: É preciso esclarecer que, naquele tempo, nem na cidade havia água encanada, muito menos nas sedes das fazendas ou nas casas dos ribeirinhos. As atividades relacionadas com água, eram desenvolvidas nas margens dos rios. Para tal mister, construíam-se pequenas pontes de madeira projetadas sobre o rio, geralmente na frente das casas ou sede das fazendas. Ali, tomava-se banho de cuia e lavavam-se roupas, louças, panelas e outros utensílios. Em determinada tarde de temperatura elevada, o casal desceu para o banho levando o menino, isto é, - EU - que, a esta altura, deveria ter uns oito/nove meses de idade. Por infeliz coincidência, o casal formado pelo vaqueiro Alfredo e D. Dira, sua mulher - agora transformada em minha babá, durante a estada na fazenda - tivera a necessidade de visitar um parente ou amigo, chamado Manoel Gualberto que estava doente e morava rio acima. Os dois embarcaram na " montaria " * e lá se foram para o compromisso.  Ao chegar à beira do rio, o casal - meus pais - colocou a criança sobre a ponte e entrou na água para tomar banho. Devem ter se distraído por um momento e quando AFONSINA olhou para onde haviam deixado o menino, ele já não mais lá se encontrava!...


* montaria - designação genérica de pequenas canoas movidas a remo que os habitantes do Baixo Amazonas usam nos seus breves deslocamentos, talvez por comparar a pequena embarcação com os animais de monta, também usados em pequenos deslocamentos, só que em terra.


Continua na próxima sexta-feira...

Bom fim de semana a todos.


Clóvis de Guarajuba
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sexta-feira, 14 de julho de 2023

A história da professora AFONSINA - X -






                                                                 - Imagem Internet -


                                                                      - Imagem Internet -


Bem diferente do casamento de LAURINDA e FRANCISCO, a cerimônia do enlace de AFONSINA e FRANCISCO transcorreu sem muita pompa, não somente pelo fato de a maior parte da família da noiva ser originária da capital, Belém e não se encontrar na cidade, como pela razão totalmente compreensível, evidenciada pelo pouco 
- para a época - tempo decorrido desde a morte  da  D. LAURINDA.
 Vale a explicação que, naquele tempo, o luto era demonstrado acintosa e pesarosamente, com o uso de roupas pretas durante os primeiros 6 meses após a morte do cônjuge ou parente mais próximo, pelos homens e durante um ano pelas mulheres. Aos homens, a partir do sexto mês , era " permitido " o uso de uma tarja confeccionada com tecido preto, chamado popularmente de " fumo ", ostentada geralmente no bolso da camisa, à altura do peito esquerdo.
Ainda assim, foi uma festa bonita para os padrões da época.
E logo veio a primeira gravidez! Menina embora, AFONSINA não demonstrou sentir nenhuma anormalidade das que costumam acometer às grávidas, principalmente no início do processo. Enquanto a gravidez transcorria dentro dos padrões, a jovem - agora, repentinamente, transformada em " dona de casa " - passou a dedicar-se totalmente aos encargos inerentes à nova realidade. Mas ela não se limitou a cumprir suas tarefas caseiras, no início de maneira mais ou menos eficiente devido à pouca idade. Como tinha um talento inato para a pintura e muita perícia em trabalhos manuais, aproximou-se naturalmente das pessoas da comunidade que tinham dons afins. Assim é que se tornou amiga e aluna de D. Dalila, doceira de
 " mancheia " que além de vizinha, era a irmã mais velha da falecida LAURINDA, primeira mulher do FRANCISCO, agora seu esposo.
 Dona DALILA era tão boa na arte de fazer e decorar doces e principalmente bolos confeitados, que alguém criou uma paródia, baseada numa marchinha de carnaval de sucesso na época, que dizia:
 "Ah! quem me dera Dalila, Dalila que eu fosse o Sansão! os teus encantos Dalila, de Sansão foi sua perdição...".
 e a paródia criada ficou assim:
 " Ah! quem me dera DALILA, se eu fosse o MARCOS TEIXEIRA, eu te pegava DALILA e te mandava pra " Palmeira..." .
  MARCOS TEIXEIRA - Juiz de Paz da cidade - era esposo da D. DALILA  e " Palmeira "  era uma famosa e prestigiada fábrica de doces e biscoitos localizada em Belém.
 Esta aproximação se deu, também, com D.LAURA DINIZ - chamada carinhosamente de D. LAURINHA - que promovia principalmente espetáculos teatrais, produzindo e encenando, como diretora, peças infantis tais como Branca de Neve e os Sete Anões e outras.
E a gravidez, sem nenhuma intercorrência, chegou ao seu clímax às 6 h da manhã do dia 18 de outubro do ano de 1941. Nascia, neste dia, o primogênito, com o auxilio das mãos experientes e competentes de Dona Lucila, desta vez sob a supervisão profissional do cunhado da parturiente, Dr. BRUZZA. E o recém- nascido, menino saudável e robusto, inundou de alegria aquele lar improvável, devido à brutal diferença de idade entre o casal. Nome escolhido, logo se providenciou o Batizado do bebê. Chamar-se-ia CLÓVIS e teve como padrinhos de Batismo o casal JOSÉ DINIZ e sua esposa, D. LAURINHA DINIZ.
 O sacramento foi ministrado pelo Frei PROTÁZIO, pároco local, em frente ao altar mor da igreja de Santo Antônio, uma joia em madeira de lei, arte inigualável, hoje inexistente, vítima da sanha destruidora e ignorante de um padre alemão, chamado  Fortunato Lamprecht, de triste memória.
 Até hoje não entendo porque a comunidade oriximinaense permitiu que um energúmeno, interpretando de maneira errônea a Encíclica Papal, saído não sei de que buraco, transformasse a madeira do altar sagrado - dizem alguns cidadãos locais - até em lenha para fogueira!...

                                                         
Continua na próxima sexta-feira...
Bom fim de semana a todos.


Clóvis de Guarajuba
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sexta-feira, 7 de julho de 2023

A história da professora AFONSINA - IX -


                                                        -  Imagem Internet



A família de D. CARMEM era composta por ela - viúva de LEONEL XIMENES DE ARAGÃO - e sete filhos cujos nomes, cronologicamente, passo a declinar: MARIA RITA, TITO LEONEL, ODALÉA CARMEM, JOÃO GUALBERTO, RAIMUNDO VITORIANO, AFONSINA ELINDA e PAULO DE TARSO, todos nascidos em Belém e alguns já casados. A família morava na casa da rua Boaventura da Silva, entre as travessa Nove de Janeiro e Vinte e Dois de Junho ( atual Alcindo Cacela ).
 Ao chegar de volta à Belém de sua viagem à Oriximiná, D. Carmem, sem perda de tempo e por recomendação expressa da MARIA RITA, tratou de comunicar à sua única filha ainda solteira, AFONSINA, de apenas 16 anos, que deveria preparar-se porque iria se casar com um senhor viúvo, cujo nome era FRANCISCO, " lá na cidade onde mora a sua irmã mais velha!..."
Cabe explicar, a esta altura, que as mulheres de então não tinham liberdade para escolher a quem desposar. Na maioria das vezes eram os pais que determinavam quando e com quem se casariam. É inimaginável tal procedimento nos dias de hoje, daí a explicação.
Embora ainda por concluir o curso na Escola Normal do Estado do Pará, AFONSINA, obediente como as jovens o eram naquele tempo, sob a orientação da mãe, tomou todas as providências necessárias ao seu deslocamento para o destino que lhe fora comunicado há pouco, para ela totalmente desconhecido. O enxoval, incluindo o vestido de noiva, foi providenciado em Belém onde havia maior facilidade de ser confeccionado. Um ano se passara desde que a primeira esposa de FRANCISCO, D. LAURINDA, havia falecido, quando, lá pela segunda quinzena do mês de novembro de 1940, chegaram à Oriximiná, pelo mesmo navio, o " Barão de Cametá ", D. Carmem e sua filha AFONSINA.
 A esta altura, a cidade toda já tomara conhecimento de que aquela jovem seria oficialmente declarada noiva do Sr. FRANCISCO, assim que ele cumprisse as formalidades, pedindo sua mão em casamento perante a mãe da jovem e sua irmã mais velha. A notícia da próxima chegada da moça à cidade e da finalidade a que se destinava, fora metodicamente comunicada à sociedade local pela diligente e firme iniciativa da MARIA RITA. E o FRANCISCO, demonstrando irresistível atração pela recém chegada - jovem, bonita, esbelta e elegante ( ela somente começaria a engordar a partir da segunda  gravidez ) - não tardou a cumprir o ritual do pedido de casamento perante a parte da família da jovem presente na cidade. Desta vez, porém, na mesma ocasião da  cerimônia do pedido de casamento, foi anunciado pelo noivo que o enlace se daria logo no mês de fevereiro do ano seguinte, isto é, 1941. Faltava apenas determinar o dia, que dependeria, naturalmente, do cumprimento dos trâmites legais e da agenda do pároco. Finalmente, passadas as festas de fim de ano, ficou  decidido que a cerimônia nupcial seria realizada no dia 13 de fevereiro de 1941. Aliás, o dia 13 começava a marcar algumas datas importantes da vida da noiva: ela nasceu no dia 13 de janeiro de 1924 e agora casaria no dia 13 de fevereiro de 1941...

                                                                       
Continua na próxima sexta-feira...
Bom fim de semana a todos.


Clóvis de Guarajuba
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sexta-feira, 30 de junho de 2023

A história da professora AFONSINA - VIII -




                                         Praias do rio Trombetas - imagem da Internet -

Francisco, ao se casar com a filha mais nova de uma das figuras preeminentes da cidade, passou, como é natural, a frequentar os círculos mais altos da sociedade local. Não tardou muito para fazer uma sólida e sincera amizade com o Médico, Dr. Bruzza, marido da minha tia Mary.  
Enquanto a amizade dos dois se solidificava a ponto de tornarem-se confidentes, lá na Capital, sem meios de saber notícias atuais da filha, D. Carmem ( sua mãe e minha avó materna ), resolveu que deveria ir pessoalmente visitar a primogênita. Tempos depois, eis que chega ao porto de Oriximiná o " vapor " Barão de Cametá ", trazendo entre seus passageiros a mamãe saudosa, que tinha a intenção de voltar à Belém pelo mesmo navio, o que demoraria cerca de doze dias, entre sua chegada à Manaus e seu regresso até Oriximiná. Tratou então de aproveitar a companhia da filha e do genro, o máximo de tempo possível. As novidades da Capital, foram exaustivamente descritas pela mamãe Carmem, enquanto a Maria Rita contava-lhe detalhes de sua nova vida no interior, ora narrando episódios engraçados ora, com o olhar perdido em pensamentos, querendo saber como estavam os amigos e vizinhos, lá em Belém...
É necessário, a esta altura da narrativa, passar para os leitores mais jovens, preceitos e normas -  inimagináveis para os dias de hoje - que vigoravam naquela época. Um deles, que tinha a concordância tácita de toda a sociedade, era que, quando dois ou mais homens estivessem conversando, nenhuma mulher, criança e muito menos serviçal, poderia se aproximar, salvo se fosse expressamente chamado ou chamada. Fora isto, deveriam passar ao largo!
 Um belo dia, porém, MARIA RITA casualmente ouviu, ao passar pela porta da sala, o FRANCISCO fazendo um comentário em sua conversa com o dr. BRUZZA, no qual se queixava de ter ficado viúvo, com um filho de apenas 5 anos de idade e que precisava voltar a se casar. Na cidade porém, todas as moças em idade de casar e que lhe despertavam algum interesse, já eram casadas ou estavam comprometidas. Ao ouvir tal confidência, MARIA RITA, atrevida, irrompeu na sala, aproximou-se dos dois e, de maneira inesperada, disse: " Seu CHICO, a mamãe voltará  à Belém e vai trazer minha irmã mais nova pra casar com o senhor! ". Estáticos, não só pelo inusitado da declaração mas principalmente pela  " intromissão absurda " de uma mulher na conversa de dois homens, nada foi dito de pronto por nenhum deles. Apenas fizeram um muxoxo que acabou sendo interpretado por ela como aquiescência. Alguns dias se passaram até que o " Barão de Cametá ", voltando de Manaus, atracou no  " trapiche "*, desembarcando viajantes e mercadorias e embarcando passageiros e cargas - principalmente castanha do Pará e juta - e, entre os passageiros, lá se foi D. Carmem de volta à capital paraense cumprir as " determinações " da sua enérgica e resoluta filha mais velha...


* TRAPICHE - Ponte ( no caso, de madeira ) localizada à margem do rio, em frente à cidade, construída na parte mais profunda do rio, que serve para a atracação de navios e outros barcos, à exceção de transatlânticos que carecem de maior calado. Estes, fundeavam no canal existente no meio do rio, lançando suas enormes âncoras, presas a correntes de diâmetro impressionante, para nós, meninos de imaginação fértil, " da grossura da nossa coxa "...
                                                               

Continua na próxima sexta-feira...
Bom fim de semana a todos.



Clóvis de Guarajuba
ONG Ande&Limpe

sexta-feira, 23 de junho de 2023

A história da professora AFONSINA - VII -



O autor com o irmão Acadêmico, no dia da sua posse na Academia.


                           Faculdade de Direito onde se formou o homenageado nesta postagem.
                                         - Assim era o Largo da Trindade na década de 1960 -


Antes de começar a narrativa da história da minha mãe, permitam-me apresentar alguns dados biográficos daquele bebê, meu irmão, a quem aprendi a amar desde a mais tenra idade, único sobrevivente do relacionamento de FRANCISCO com a saudosa LAURINDA, sua primeira esposa:

     
                  J O S É    F I G U E I R E D O    D E    SOUZA

Nascido na cidade de Oriximiná, no dia 01.08.1935;
Cursou o primário no Grupo Escolar Pe. José Nicolino, em Oriximiná;
Cursou o ginásio e científico no Colégio Salesiano Na Sa do Carmo e no Colégio 
Estadual Paes de Carvalho, em Belém;
Formou-se em Direito, em 1960, pela antiga Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Pará; (vide foto ilustrativa) .
Em 24.12.1977, foi agraciado com o Diploma Comemorativo do Primeiro Centenário de Oriximiná, diploma este assinado pelo então Prefeito do Município, Raimundo José Figueiredo de Oliveira; 
Agraciado com a insígnia Ordem do Mérito "Just et Labor ", pelo emérito Tribunal Regional do Trabalho da Oitava Região;
Em 19.12.2002, recebeu o título de " Cidadão de Belém ", conferido pela Câmara de Vereadores da Cidade de Belém;
Em 04.11.2004, recebeu o título de  Personalidade Pará 2004, concedido pelo Conselho de Profissionais do Estado do Pará;
Em 17.12.2004, foi agraciado pela Assembléia Legislativa do Estado do Pará, com o diploma e comenda " Ordem do Mérito Cabanagem ";
Eleito para a Academia Paraense de Letras, tomou posse da cadeira número 14, - cujo o primeiro ocupante e fundador foi Enéas Martins - no dia 04.11.2011 ( vide foto ilustrativa );
Já em 17.12.2009, por ocasião do recebimento da medalha

 " José Veríssimo", como numa premonição, declarou no seu discurso de  agradecimento à  Academia  Paraense  de  Letras: " Um dia, quem sabe, meu torrão natal também revelará ao mundo seus intelectuais! ";
Terminou seu discurso de posse na Academia, dizendo:

 " Oriximiná, com muito orgulho, a partir de agora, possui um legitimo representante na Academia Paraense de Letras! ".
Obras principais:
Nossa Viagem ao Oriente;
No Caminho de Deus e dos Homens;
Nosso Sonho Escandinavo;
Y.Yamada, uma História de Trabalho e Sucesso;
Poemas da Minha Juventude;
Alem de inúmeros artigos e reportagens publicados nos antigos jornais O Liberal e Folha do Norte.

Da Floresta Amazônica à Savana Africana, publicado em 2017- sua mais recente criação -.

Nesta postagem todos os seus irmãos  prestamos, por meu intermédio, as nossas justas e merecidas homenagens ao nosso irmão mais velho. Você é um dos nossos orgulhos e referências!!!



Continua...


Bom fim de semana a todos.



Clovis de Guarajuba

ONG Ande&Limpe

sexta-feira, 16 de junho de 2023

A história da professora AFONSINA -VI -



                                                                     Foto Internet


Os primeiros sinais sentidos, indicando que o bebê precisava vir à luz, foram verificados ao amanhecer do dia 01.08.1935. Um misto de euforia e preocupação invadiu a casa. Já haviam vivenciado, num passado recente, um trauma terrível, daí a preocupação. A euforia, porém, venceu e,  rezando baixinho, estavam esperando as notícias vindas do quarto por intermédio da parteira, d. Lucila - por muitos chamada carinhosamente de " mãe Lucila " - cuja experiência
já fora comprovada ao longo de vinte e muitos anos trazendo à luz os nascidos na cidade e até em alguns lugares do interior. E, finalmente, a notícia: nascera, sem nenhuma intercorrência, um robusto e belo menino! Ambos, parturiente e recém nascido, estavam muito bem, obrigado!
E o tempo passou assistindo a felicidade novamente reinar naquela família. FRANCISCO seguia trabalhando muito, como sempre, e agora com outros encargos correspondentes à administração da fazenda do sogro, localizada à margem direita do rio Cachoeiri, onde havia um rebanho de bovinos, e que servia mais de recreação para a família do que como geradora de recursos, já consideráveis, advindos dos castanhais. O preço da castanha do Pará, por sinal, subia ano a ano, proporcionalmente ao aumento do interesse dos compradores, agora já exportada para os EE.UU, que descobriram no seu consumo inúmeros benefícios à saúde e  ao paladar, passando a figurar como um dos principais componentes na elaboração de biscoitos, bombons e doces em geral.
Os cuidados dedicados ao pequeno JOSÉ - sim! este foi o nome escolhido à unanimidade,  para homenagear o avô - eram tantos e de tal monta que, por alguma razão misteriosa,  que  a natureza esconde e espera até hoje pela decifração por parte de nós humanos, apesar de todo  o amor existente entre o casal, uma nova gravidez só se verificaria  quatro anos depois, no ano de 1939.
Esta terceira gravidez, tal qual as outras anteriores, transcorreu sem  nenhum problema, a não ser aqueles já referidos e comuns a todas as grávidas. E chegou o dia esperado ansiosamente por todos. Os sinais de que o bebê começara a tentar abrir caminho em direção ao mundo exterior, tiveram início por volta das dez horas da noite do dia trinta e um de julho de 1939 mas, ao amanhecer do dia seguinte, apesar
do gigantesco esforço de todos e principalmente da parturiente, todas as tentativas foram frustradas. A mãe e a criança ( era uma menina ), acabaram por sucumbir, inclusive pela ausência de um médico na cidade. A revolta se fez sentir, imediatamente e os familiares,
enquanto providenciavam o múltiplo funeral, instaram veementemente às autoridades, exigindo gestões urgentes com o objetivo de prover a cidade com a presença de um profissional graduado de saúde. Tal a força e o peso da família junto às autoridades, que logo no início do ano de 1940, foi designado um médico para a cidade. E este médico, que se chamava Dr. DURVAL BRUZZA, chegou à Oriximiná, trazendo consigo sua esposa,  minha tia mais velha, por parte de mãe, MARIA RITA RODRIGUES DE ARAGÃO que, com o casamento, passou a chamar-se MARIA RITA DE ARAGÃO BRUZZA - chamada  carinhosamente pela sua família de  MEIRY ou MANA, naturalmente por ser a mais velha dos filhos do  casal LEONEL XIMENES DE ARAGÃO e CARMEN RODRIGUES DE ARAGÃO,  meus avós maternos.
E aí começa, verdadeiramente, a história da minha saudosa mãe 
-  AFONSINA ELINDA ARAGÃO DE SOUZA  - em sua passagem pela cidade de Oriximiná, chamada carinhosamente pelos seus filhos,
de " A Princesa do Trombetas "...

                                                     
Continua na próxima sexta-feira...
Bom final de semana a todos.


Clovis de Garajuba
ONG Ande&Limpe

sexta-feira, 9 de junho de 2023

A história da Professora AFONSINA - V -



        Meu jovem amigo ARAUAQUE e eu chegando ao antigo
        barracão, construído pelo papai.

         Meu sobrinho CLEY e eu, no interior do barracão.
                     (note-se que já não existe assoalho)

A confirmação da gravidez da LAURINDA - a segunda - trouxe novo ânimo a todos os familiares. Como é natural, aumentaram-se os cuidados com a grávida, cobrando-se, até dela própria, a observância de regras mais rígidas para o seu dia a dia. Alimentação rica e variada tomada nas horas certas, e nada de muito esforço ou longas caminhadas. Claro que tais atitudes da família não tinham razão de ser, pois o que ocorreu com a criança que morrera, nada tinha a ver com o comportamento, alimentação ou qualquer outra atitude da parturiente, como é fácil deduzir.  A criança morrera por conta de uma infecção originada no cordão umbilical, evento comum àquela época. Eu próprio teria morrido se tivesse nascido uns  10 ou 20 anos antes do meu próprio nascimento, porque a tecnologia que me mantem vivo, desde o dia 17.09.1980 até hoje ( o marca - passo ), não existia e, fatalmente, já estaria morto, vítima de uma parada cardíaca durante o sono.
 A criança morrera, dizia, porque Alexander  Fleming, escocês 
( 06.11.1881 a 11.03.1955 ), apesar de ter casualmente descoberto a penicilina - primeiro antibiótico - em 1928, sua produção industrial como fármaco, só começou em 1938 nos EE.UU., quando eram iminentes os sinais de que a guerra do Hitler se aproximava e os feridos precisariam desse medicamento. 
Assim, só 4 anos depois do infausto acontecimento na família do FRANCISCO, começou a produção. 
E a gravidez transcorreria sem nenhuma intercorrência, a  não ser pelas sempre presentes náuseas, comuns nos meses iniciais... Naquele ano, como que para comemorar antecipadamente a chegada de outro filho ( ou seria filha ?...), a safra da castanha do Pará foi das mais generosas. Com isto o trabalho de todos foi proporcionalmente maior, exigindo algumas viagens extras para transportar, no " batelão "* até a cidade, as castanhas que por sua enorme quantidade, abarrotavam o barracão construído às margens do lago. As atribulações foram tantas, que FRANCISCO decidiu que construiria, naquele ano, um outro barracão, desta vez dotado de uma estrutura definitiva e com capacidade de armazenamento bem maior.  A construção foi de tal maneira caprichada, que até hoje permaneceria utilizável, não fora o vandalismo perpetrado por caçadores e pescadores que, não tendo a mínima consciência, usam a sua madeira fácil e à mão, para fazer fogueira, ao lá acamparem para passar a noite! Não imaginam o trabalho, o sacrifício e o dinheiro que foram feitos e gastos para trazer da cidade os materiais corriqueiros e da capital, Belém, as telhas, que até hoje cobrem o barracão. Eu próprio, já estivera no Fartura em 1997, autorizado que fui pelo então preposto graduado do IBAMA, o conterrâneo e competente Administrador, Alberto Guerreiro de Carvalho, simplesmente Beto, para os íntimos. Tal autorização foi dada fora do seu gabinete, e foi escrita do próprio punho ( conforme foto ilustrativa abaixo ), uma vez que ele estava embarcando às pressas para uma viagem de trabalho  e nosso encontro se deu já no porto. Resolvi voltar à sede do castanhal, no ano de 2002, desta vez acompanhado de meu sobrinho Cley e de meu jovem amigo Arauaque
( vide fotos ilustrativas acima ) para documentar a situação em que se encontravam as instalações tão caprichosamente construídas pelo meu saudoso pai.
E com a aproximação da hora do parto da LAURINDA, foram providenciados todos os requisitos exigidos para uma feliz " délivrance "...
 
                                        A autorização
                                               

* BATELÃO - Grande embarcação desprovida de motor, que serve para transportar  qualquer tipo de carga e que é rebocada ou empurrada por barco motorizado.
 

                                                              
Continua a próxima sexta-feira.

Bom fim de semana a todos.


Clovis de Guarajuba
ONG Ande&Limpe

sexta-feira, 2 de junho de 2023

A história da Professora AFONSINA - IV -


Imagem Internet

Os costumes muito rígidos da época, não permitiam nenhum encontro dos jovens - agora noivos - a sós. 
 " namorar " e até " noivar ", tinham um significado que mantinha uma distância cósmica  com aquilo  que hoje se pensa e acontece. No namoro, o respeito à integridade física e moral da namorada era sempre observado, mesmo porque a moça, recatada e  " de família ", não permitia nem a mais inocente intimidade. Pegar na mão da jovem era um acontecimento que levava o namorado a dar pulos de alegria, na primeira oportunidade em que se encontrasse sozinho; e a súbita, incontida e urgente vontade de " fazer xixi " o obrigava a procurar a
 " sentina " ou o mato mais próximo para se aliviar...!  Já o noivado, era constituído pela permissão que o pai da jovem concedia ao noivo para frequentar sua casa, sentar-se, geralmente num sofá ocupando um extremo, enquanto a noiva sentava no outro lado e, ainda assim, com a presença de algum adulto da família da pretendida 
- geralmente a mãe a fazer crochê -.
Também por conta desses costumes, os casamentos aconteciam num prazo relativamente curto, considerando-se o dia em que a jovem, com a anuência do pai, aceitara o " pedido de casamento ". É que o noivo, geralmente apaixonado, como é natural, tinha urgência em "consumar o casamento".
E vieram as núpcias de LAURINDA e FRANCISCO, festejadas com toda a pompa que o pequeno lugarejo podia oferecer. Mataram-se boi e porco. Há quem afirme que um peixe-boi foi servido, transformado que fora no mês anterior, em uma deliciosa " mixira " *. ( E olha a água na boca do autor... ). Uma enorme tartaruga ( olha a água teimosa novamente ), trazida pelo noivo lá do lago do Erepecu - mais precisamente do " tabuleiro "** - completavam o lauto almoço oferecido no dia seguinte pelo pai da noiva, a praticamente todos os habitantes da pequena cidade. É que todos se conheciam e, sem necessidade de convites, os que chegassem eram sempre bem-vindos. As comemorações estenderam-se por quase uma semana ao final da qual os noivos, finalmente, puderam se concentrar um no outro.
E tudo transcorria tal qual os dois haviam imaginado. A primeira gravidez da jovem esposa aconteceu lá pelo início do ano de 1934. Motivo de muita alegria para todos, especialmente para o casal; o primeiro filho ( ou seria filha?...), prometia inundar aquele lar com a luz própria de todo bebê, aumentando assim a felicidade que já era incomensurável. A vida, porém, como que para trazer o casal de volta à realidade mundana - já que viviam em um paraíso de felicidade - e ajudada pela falta de recurso médicos e farmacêuticos da época, acabou por ceifar a vida da recém nascida ( sim, era uma menina!!! ), tornando-a  vítima, como era muito comum naqueles tempos, da chamada " doença dos sete dias ".
 A superação de tão angustiante golpe exigiu muito amor e dedicação do casal, assim como o carinho de todo o restante da família. E, na medida do possível, a alegria voltou timidamente àquele lar, coroando a recuperação emocional dos dois, nas festas de fim de ano, quando já se desconfiava que a jovem esposa estava novamente grávida!...


* MIXIRA- Método usado para conservação de carnes, que consiste em retirar a gordura do animal, fritando seu toucinho, retirando o torresmo remanescente e fritando a carne a ser conservada na banha resultante, findo o que se coloca toda a carne já frita, juntamente com a banha, dentro de um recipiente de tamanho proporcional à quantidade a ser conservada e, depois de esperar tudo esfriar, tampa-se o recipiente para só abri-lo nas ocasiões em que se necessitar usar as porções.

** TABULEIRO - Banco de areia localizado ao largo do Lago do Erepecu, utilizado pelas tartarugas em sua desova anual. Conta-se que durante a desova, é impossível se visualizar a areia, tal a quantidade de tartarugas desovando ao mesmo tempo, em noites sucessivas.


                                                                     
Continua na próxima sexta-feira...

Obrigado pela visita e um bom fim de semana a todos.


Clovis de Guarajuba
ONG Ande&limpe

sexta-feira, 26 de maio de 2023

A história da professora AFONSINA - III -


                                                  - Exemplo de barco puxando canoas -
                                                                      ( foto Internet )

Disposto a não decepcionar o novo amigo e agora patrão, o jovem FRANCISCO atirou-se de corpo e alma aos seus afazeres. Estes compreendiam o acompanhamento " in loco " da colheita da castanha do Pará, feita por muitos e muitos homens sob seu comando, que se embrenhavam na mata todos os dias, ao nascer do sol, em busca dos ouriços valiosos, e retornavam à tardinha, não importando se era segunda-feira ou domingo. O castanhal era localizado a pouco menos de um dia de viagem desde a cidade até o interior do lago Erepecu. O deslocamento era feito em " motores " que, além de lentos, levavam ao reboque inúmeras canoas, necessárias na busca da castanha em lugares inacessíveis para um trabalhador a pé. Homens e víveres se amontoavam no convés e objetos, como ferramentas, que não necessitavam de proteção contra a chuva inesperada e constante, ocupavam lugares nas canoas.  Durante a safra era imperioso que os trabalhos não sofressem jamais, solução de continuidade, não importando nem pequenos ferimentos em consequência de acidentes, e nem doenças que não obrigassem o trabalhador a ficar totalmente sem condições de se locomover.  Riscos monumentais ameaçavam a todos nessa coleta. De cobras peçonhentas a onças, de bandos de ferozes porcos do mato ou caititus, às doenças tropicais, entre as quais se destacava a malária, companheira indesejada mas constante, a prostrar no " fundo de uma rede '' aqueles a quem acometia. E dela, o próprio FRANCISCO também não escapou. Ao contrário, por diversas vezes foi agredido por esta doença muitas vezes mortal!!!
Após se inteirar de todos os detalhes das tarefas que lhes foram designadas pelo patrão e amigo, tanto teoricamente, nas conversas entre os dois e nos bate-papos ao cair da noite com os chamados comumente de " trabalhadores da castanha ", mais antigos no ramo, quanto na prática, no trabalho na mata, FRANCISCO começou a ter mais tempo para estabelecer maiores contatos com as pessoas da cidade e, principalmente, com os familiares do patrão Sr. JOSÉ. Como era de se esperar, ao demonstrar possuir aptidão total para com os seus deveres, ter iniciativas corretas e, especialmente, passar por todos os testes de honestidade feitos sistematicamente pelo patrão, a admiração de todos começou a se verificar e o jovem e simpático empregado passou a ser convidado, vez por outra, para fazer refeições na casa do seu empregador e amigo, sempre que estava na cidade...
Ao se aproximar mais e mais da família do patrão-anfitrião, ficou conhecendo melhor sua futura sogra, Sra. JOVINA e seus filhos e filhas, em número de seis que, em ordem cronológica eram: DALILA, HILDEBRANDO, ADRIANA, CORINA, LAURINDA e SOTER. 
E foi na mais nova das filhas, a LAURINDA, em quem o jovem despertou um misto de admiração e bem querer. Tais sentimentos, comungados também por FRANCISCO - embora não devessem demonstrar nada do que sentiam um pelo outro, devido às rígidas regras sociais de então - acabou por aproximá-los, com a permissão tácita e até entusiástica de seu pai,  embora sem demonstrações acintosas . E tudo isto acabou por levar os dois jovens a selarem um compromisso solene, primeiro perante a família da moça e depois perante a sociedade local, sendo logo  marcadas as cerimônias nupciais que seriam realizadas em data a ser confirmada, já no ano de 1933...
                                                         
                                                                       
Continua na próxima sexta-feira...
Bom fim de semana.


Clovis de Guarajuba
ONG Ande&limpe

sexta-feira, 19 de maio de 2023

A história da professora AFONSINA - II -


Castanha do Pará

 


A empatia existente entre o jovem FRANCISCO e o Sr. JOSÉlogo deu lugar a uma amizade que, embora se verificando uma brutal
diferença de idade entre os dois, lá pelo quinto ou sexto dia de viagem, levou o Sr. JOSÉ a dizer ao jovem novo amigo, que ele não mais iria para o Estado do  Amazonas; ao contrário, deveria esquecer a borracha e vir trabalhar com ele na cidade  onde morava  e exercia suas atividades à frente de um extenso " castanhal " de sua propriedade.
A confiança mútua levou o jovem FRANCISCO a aceitar sem mais  delongas a proposta de emprego, embora não tivesse nem a mínima ideia do que seria um " castanhal " e muito menos quais as condições de trabalho que lhe seriam disponibilizadas na tal localidade.
Convite aceito, alguns dias depois, o navio " gaiola " aportava na  cidade onde vivia o Sr. JOSÉ.
Na verdade, nem de " cidade " poderia ser chamada a pequena vila...
Embora alguns historiadores mencionem sua fundação acontecendo no ano de 1877, pelo Padre JOSÉ NICOLINO DE SOUZA, que a designou com o nome de Uruá - Tapera, estudos e pesquisas mais recentes, certificam a chegada do luso CARLOS MARIA TEIXEIRA, já em1862, na então florescente Mura -Tapera. Este cidadão português, então com 23 anos de idade, chegou ao Pará em 17.12,1861, morando inicialmente na cidade de Óbidos até maio de 1862, quando transferiu sua residência para Mura-Tapera aonde fincou raízes em definitivo, fazendo importantes investimentos financeiros no comércio e na produção de riquezas. Hoje seu nome é lembrado na designação de uma das principais vias da cidade de Oriximiná, em que se transformou o pequeno lugarejo.
 Pela Lei 1288, de 11.12.1886, foi elevada à categoria de Freguesia de Santo Antônio de Uruá, pelo presidente da Província do Grão-Pará e Desembargador do Maranhão, Dr. Joaquim da Costa Barradas.
São imprecisas as informações sobre a vida da Freguesia, no período compreendido entre sua fundação e a data de 09.06.1894, quando o então Governador do Estado, Dr. LAURO SODRÉ, elevou-a à categoria de " Vila ", já com o nome de Oriximiná. A criação do município, com a mesma denominação, se deu no dia 05.12.1894, sendo nomeado como primeiro Intendente, o Sr. Pedro Carlos de Oliveira.
Por ocasião da chegada do jovem FRANCISCO, lá pelo início da década de 1930, a cidade era constituída por apenas cinco ou seis  ruas, que subiam preguiçosamente por ladeiras mais ou menos íngremes e desprovidas de qualquer obra que facilitasse o trânsito de seus habitantes. Uma destas ruas levava a uma praça ampla, no centro da qual fora erguida uma igreja, cuja pedra fundamental  foi solenemente assentada e benzida, no dia  23.07.1922 - quando se comemorava o primeiro centenário da independência do Brasil - pelo Venerável Vigário da Paróquia de Óbidos, Frei Rogério Voger O.F.M. ( Franciscanos da Ordem dos Frades Menores ).
 O jovem e aventureiro viajante, já demonstrara grande admiração pela paisagem encantadora, única para seus olhos nordestinos acostumados às terras áridas, logo por ocasião da passagem do
" vapor " pela foz do Rio Trombetas.
 Este rio, de águas límpidas e transparentes, contrastava de maneira brutal com as águas barrentas do Rio Amazonas, deixado para trás lá pelos lados da cidade de Óbidos. Completou-se seu encantamento, com a visão de estonteante beleza das praias alvíssimas à frente da cidade e ele decidiu, naquele momento, que aquele lugar maravilhoso seria pra sempre sua morada!


Obrigado pela visita.                                         
                                                               
Continua na próxima sexta-feira.

Bom fim de semana.



Clovis de Guarajuba
ONG Ande&Limpe