sexta-feira, 30 de junho de 2023

A história da professora AFONSINA - VIII -




                                         Praias do rio Trombetas - imagem da Internet -

Francisco, ao se casar com a filha mais nova de uma das figuras preeminentes da cidade, passou, como é natural, a frequentar os círculos mais altos da sociedade local. Não tardou muito para fazer uma sólida e sincera amizade com o Médico, Dr. Bruzza, marido da minha tia Mary.  
Enquanto a amizade dos dois se solidificava a ponto de tornarem-se confidentes, lá na Capital, sem meios de saber notícias atuais da filha, D. Carmem ( sua mãe e minha avó materna ), resolveu que deveria ir pessoalmente visitar a primogênita. Tempos depois, eis que chega ao porto de Oriximiná o " vapor " Barão de Cametá ", trazendo entre seus passageiros a mamãe saudosa, que tinha a intenção de voltar à Belém pelo mesmo navio, o que demoraria cerca de doze dias, entre sua chegada à Manaus e seu regresso até Oriximiná. Tratou então de aproveitar a companhia da filha e do genro, o máximo de tempo possível. As novidades da Capital, foram exaustivamente descritas pela mamãe Carmem, enquanto a Maria Rita contava-lhe detalhes de sua nova vida no interior, ora narrando episódios engraçados ora, com o olhar perdido em pensamentos, querendo saber como estavam os amigos e vizinhos, lá em Belém...
É necessário, a esta altura da narrativa, passar para os leitores mais jovens, preceitos e normas -  inimagináveis para os dias de hoje - que vigoravam naquela época. Um deles, que tinha a concordância tácita de toda a sociedade, era que, quando dois ou mais homens estivessem conversando, nenhuma mulher, criança e muito menos serviçal, poderia se aproximar, salvo se fosse expressamente chamado ou chamada. Fora isto, deveriam passar ao largo!
 Um belo dia, porém, MARIA RITA casualmente ouviu, ao passar pela porta da sala, o FRANCISCO fazendo um comentário em sua conversa com o dr. BRUZZA, no qual se queixava de ter ficado viúvo, com um filho de apenas 5 anos de idade e que precisava voltar a se casar. Na cidade porém, todas as moças em idade de casar e que lhe despertavam algum interesse, já eram casadas ou estavam comprometidas. Ao ouvir tal confidência, MARIA RITA, atrevida, irrompeu na sala, aproximou-se dos dois e, de maneira inesperada, disse: " Seu CHICO, a mamãe voltará  à Belém e vai trazer minha irmã mais nova pra casar com o senhor! ". Estáticos, não só pelo inusitado da declaração mas principalmente pela  " intromissão absurda " de uma mulher na conversa de dois homens, nada foi dito de pronto por nenhum deles. Apenas fizeram um muxoxo que acabou sendo interpretado por ela como aquiescência. Alguns dias se passaram até que o " Barão de Cametá ", voltando de Manaus, atracou no  " trapiche "*, desembarcando viajantes e mercadorias e embarcando passageiros e cargas - principalmente castanha do Pará e juta - e, entre os passageiros, lá se foi D. Carmem de volta à capital paraense cumprir as " determinações " da sua enérgica e resoluta filha mais velha...


* TRAPICHE - Ponte ( no caso, de madeira ) localizada à margem do rio, em frente à cidade, construída na parte mais profunda do rio, que serve para a atracação de navios e outros barcos, à exceção de transatlânticos que carecem de maior calado. Estes, fundeavam no canal existente no meio do rio, lançando suas enormes âncoras, presas a correntes de diâmetro impressionante, para nós, meninos de imaginação fértil, " da grossura da nossa coxa "...
                                                               

Continua na próxima sexta-feira...
Bom fim de semana a todos.



Clóvis de Guarajuba
ONG Ande&Limpe

sexta-feira, 23 de junho de 2023

A história da professora AFONSINA - VII -



O autor com o irmão Acadêmico, no dia da sua posse na Academia.


                           Faculdade de Direito onde se formou o homenageado nesta postagem.
                                         - Assim era o Largo da Trindade na década de 1960 -


Antes de começar a narrativa da história da minha mãe, permitam-me apresentar alguns dados biográficos daquele bebê, meu irmão, a quem aprendi a amar desde a mais tenra idade, único sobrevivente do relacionamento de FRANCISCO com a saudosa LAURINDA, sua primeira esposa:

     
                  J O S É    F I G U E I R E D O    D E    SOUZA

Nascido na cidade de Oriximiná, no dia 01.08.1935;
Cursou o primário no Grupo Escolar Pe. José Nicolino, em Oriximiná;
Cursou o ginásio e científico no Colégio Salesiano Na Sa do Carmo e no Colégio 
Estadual Paes de Carvalho, em Belém;
Formou-se em Direito, em 1960, pela antiga Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Pará; (vide foto ilustrativa) .
Em 24.12.1977, foi agraciado com o Diploma Comemorativo do Primeiro Centenário de Oriximiná, diploma este assinado pelo então Prefeito do Município, Raimundo José Figueiredo de Oliveira; 
Agraciado com a insígnia Ordem do Mérito "Just et Labor ", pelo emérito Tribunal Regional do Trabalho da Oitava Região;
Em 19.12.2002, recebeu o título de " Cidadão de Belém ", conferido pela Câmara de Vereadores da Cidade de Belém;
Em 04.11.2004, recebeu o título de  Personalidade Pará 2004, concedido pelo Conselho de Profissionais do Estado do Pará;
Em 17.12.2004, foi agraciado pela Assembléia Legislativa do Estado do Pará, com o diploma e comenda " Ordem do Mérito Cabanagem ";
Eleito para a Academia Paraense de Letras, tomou posse da cadeira número 14, - cujo o primeiro ocupante e fundador foi Enéas Martins - no dia 04.11.2011 ( vide foto ilustrativa );
Já em 17.12.2009, por ocasião do recebimento da medalha

 " José Veríssimo", como numa premonição, declarou no seu discurso de  agradecimento à  Academia  Paraense  de  Letras: " Um dia, quem sabe, meu torrão natal também revelará ao mundo seus intelectuais! ";
Terminou seu discurso de posse na Academia, dizendo:

 " Oriximiná, com muito orgulho, a partir de agora, possui um legitimo representante na Academia Paraense de Letras! ".
Obras principais:
Nossa Viagem ao Oriente;
No Caminho de Deus e dos Homens;
Nosso Sonho Escandinavo;
Y.Yamada, uma História de Trabalho e Sucesso;
Poemas da Minha Juventude;
Alem de inúmeros artigos e reportagens publicados nos antigos jornais O Liberal e Folha do Norte.

Da Floresta Amazônica à Savana Africana, publicado em 2017- sua mais recente criação -.

Nesta postagem todos os seus irmãos  prestamos, por meu intermédio, as nossas justas e merecidas homenagens ao nosso irmão mais velho. Você é um dos nossos orgulhos e referências!!!



Continua...


Bom fim de semana a todos.



Clovis de Guarajuba

ONG Ande&Limpe

sexta-feira, 16 de junho de 2023

A história da professora AFONSINA -VI -



                                                                     Foto Internet


Os primeiros sinais sentidos, indicando que o bebê precisava vir à luz, foram verificados ao amanhecer do dia 01.08.1935. Um misto de euforia e preocupação invadiu a casa. Já haviam vivenciado, num passado recente, um trauma terrível, daí a preocupação. A euforia, porém, venceu e,  rezando baixinho, estavam esperando as notícias vindas do quarto por intermédio da parteira, d. Lucila - por muitos chamada carinhosamente de " mãe Lucila " - cuja experiência
já fora comprovada ao longo de vinte e muitos anos trazendo à luz os nascidos na cidade e até em alguns lugares do interior. E, finalmente, a notícia: nascera, sem nenhuma intercorrência, um robusto e belo menino! Ambos, parturiente e recém nascido, estavam muito bem, obrigado!
E o tempo passou assistindo a felicidade novamente reinar naquela família. FRANCISCO seguia trabalhando muito, como sempre, e agora com outros encargos correspondentes à administração da fazenda do sogro, localizada à margem direita do rio Cachoeiri, onde havia um rebanho de bovinos, e que servia mais de recreação para a família do que como geradora de recursos, já consideráveis, advindos dos castanhais. O preço da castanha do Pará, por sinal, subia ano a ano, proporcionalmente ao aumento do interesse dos compradores, agora já exportada para os EE.UU, que descobriram no seu consumo inúmeros benefícios à saúde e  ao paladar, passando a figurar como um dos principais componentes na elaboração de biscoitos, bombons e doces em geral.
Os cuidados dedicados ao pequeno JOSÉ - sim! este foi o nome escolhido à unanimidade,  para homenagear o avô - eram tantos e de tal monta que, por alguma razão misteriosa,  que  a natureza esconde e espera até hoje pela decifração por parte de nós humanos, apesar de todo  o amor existente entre o casal, uma nova gravidez só se verificaria  quatro anos depois, no ano de 1939.
Esta terceira gravidez, tal qual as outras anteriores, transcorreu sem  nenhum problema, a não ser aqueles já referidos e comuns a todas as grávidas. E chegou o dia esperado ansiosamente por todos. Os sinais de que o bebê começara a tentar abrir caminho em direção ao mundo exterior, tiveram início por volta das dez horas da noite do dia trinta e um de julho de 1939 mas, ao amanhecer do dia seguinte, apesar
do gigantesco esforço de todos e principalmente da parturiente, todas as tentativas foram frustradas. A mãe e a criança ( era uma menina ), acabaram por sucumbir, inclusive pela ausência de um médico na cidade. A revolta se fez sentir, imediatamente e os familiares,
enquanto providenciavam o múltiplo funeral, instaram veementemente às autoridades, exigindo gestões urgentes com o objetivo de prover a cidade com a presença de um profissional graduado de saúde. Tal a força e o peso da família junto às autoridades, que logo no início do ano de 1940, foi designado um médico para a cidade. E este médico, que se chamava Dr. DURVAL BRUZZA, chegou à Oriximiná, trazendo consigo sua esposa,  minha tia mais velha, por parte de mãe, MARIA RITA RODRIGUES DE ARAGÃO que, com o casamento, passou a chamar-se MARIA RITA DE ARAGÃO BRUZZA - chamada  carinhosamente pela sua família de  MEIRY ou MANA, naturalmente por ser a mais velha dos filhos do  casal LEONEL XIMENES DE ARAGÃO e CARMEN RODRIGUES DE ARAGÃO,  meus avós maternos.
E aí começa, verdadeiramente, a história da minha saudosa mãe 
-  AFONSINA ELINDA ARAGÃO DE SOUZA  - em sua passagem pela cidade de Oriximiná, chamada carinhosamente pelos seus filhos,
de " A Princesa do Trombetas "...

                                                     
Continua na próxima sexta-feira...
Bom final de semana a todos.


Clovis de Garajuba
ONG Ande&Limpe

sexta-feira, 9 de junho de 2023

A história da Professora AFONSINA - V -



        Meu jovem amigo ARAUAQUE e eu chegando ao antigo
        barracão, construído pelo papai.

         Meu sobrinho CLEY e eu, no interior do barracão.
                     (note-se que já não existe assoalho)

A confirmação da gravidez da LAURINDA - a segunda - trouxe novo ânimo a todos os familiares. Como é natural, aumentaram-se os cuidados com a grávida, cobrando-se, até dela própria, a observância de regras mais rígidas para o seu dia a dia. Alimentação rica e variada tomada nas horas certas, e nada de muito esforço ou longas caminhadas. Claro que tais atitudes da família não tinham razão de ser, pois o que ocorreu com a criança que morrera, nada tinha a ver com o comportamento, alimentação ou qualquer outra atitude da parturiente, como é fácil deduzir.  A criança morrera por conta de uma infecção originada no cordão umbilical, evento comum àquela época. Eu próprio teria morrido se tivesse nascido uns  10 ou 20 anos antes do meu próprio nascimento, porque a tecnologia que me mantem vivo, desde o dia 17.09.1980 até hoje ( o marca - passo ), não existia e, fatalmente, já estaria morto, vítima de uma parada cardíaca durante o sono.
 A criança morrera, dizia, porque Alexander  Fleming, escocês 
( 06.11.1881 a 11.03.1955 ), apesar de ter casualmente descoberto a penicilina - primeiro antibiótico - em 1928, sua produção industrial como fármaco, só começou em 1938 nos EE.UU., quando eram iminentes os sinais de que a guerra do Hitler se aproximava e os feridos precisariam desse medicamento. 
Assim, só 4 anos depois do infausto acontecimento na família do FRANCISCO, começou a produção. 
E a gravidez transcorreria sem nenhuma intercorrência, a  não ser pelas sempre presentes náuseas, comuns nos meses iniciais... Naquele ano, como que para comemorar antecipadamente a chegada de outro filho ( ou seria filha ?...), a safra da castanha do Pará foi das mais generosas. Com isto o trabalho de todos foi proporcionalmente maior, exigindo algumas viagens extras para transportar, no " batelão "* até a cidade, as castanhas que por sua enorme quantidade, abarrotavam o barracão construído às margens do lago. As atribulações foram tantas, que FRANCISCO decidiu que construiria, naquele ano, um outro barracão, desta vez dotado de uma estrutura definitiva e com capacidade de armazenamento bem maior.  A construção foi de tal maneira caprichada, que até hoje permaneceria utilizável, não fora o vandalismo perpetrado por caçadores e pescadores que, não tendo a mínima consciência, usam a sua madeira fácil e à mão, para fazer fogueira, ao lá acamparem para passar a noite! Não imaginam o trabalho, o sacrifício e o dinheiro que foram feitos e gastos para trazer da cidade os materiais corriqueiros e da capital, Belém, as telhas, que até hoje cobrem o barracão. Eu próprio, já estivera no Fartura em 1997, autorizado que fui pelo então preposto graduado do IBAMA, o conterrâneo e competente Administrador, Alberto Guerreiro de Carvalho, simplesmente Beto, para os íntimos. Tal autorização foi dada fora do seu gabinete, e foi escrita do próprio punho ( conforme foto ilustrativa abaixo ), uma vez que ele estava embarcando às pressas para uma viagem de trabalho  e nosso encontro se deu já no porto. Resolvi voltar à sede do castanhal, no ano de 2002, desta vez acompanhado de meu sobrinho Cley e de meu jovem amigo Arauaque
( vide fotos ilustrativas acima ) para documentar a situação em que se encontravam as instalações tão caprichosamente construídas pelo meu saudoso pai.
E com a aproximação da hora do parto da LAURINDA, foram providenciados todos os requisitos exigidos para uma feliz " délivrance "...
 
                                        A autorização
                                               

* BATELÃO - Grande embarcação desprovida de motor, que serve para transportar  qualquer tipo de carga e que é rebocada ou empurrada por barco motorizado.
 

                                                              
Continua a próxima sexta-feira.

Bom fim de semana a todos.


Clovis de Guarajuba
ONG Ande&Limpe

sexta-feira, 2 de junho de 2023

A história da Professora AFONSINA - IV -


Imagem Internet

Os costumes muito rígidos da época, não permitiam nenhum encontro dos jovens - agora noivos - a sós. 
 " namorar " e até " noivar ", tinham um significado que mantinha uma distância cósmica  com aquilo  que hoje se pensa e acontece. No namoro, o respeito à integridade física e moral da namorada era sempre observado, mesmo porque a moça, recatada e  " de família ", não permitia nem a mais inocente intimidade. Pegar na mão da jovem era um acontecimento que levava o namorado a dar pulos de alegria, na primeira oportunidade em que se encontrasse sozinho; e a súbita, incontida e urgente vontade de " fazer xixi " o obrigava a procurar a
 " sentina " ou o mato mais próximo para se aliviar...!  Já o noivado, era constituído pela permissão que o pai da jovem concedia ao noivo para frequentar sua casa, sentar-se, geralmente num sofá ocupando um extremo, enquanto a noiva sentava no outro lado e, ainda assim, com a presença de algum adulto da família da pretendida 
- geralmente a mãe a fazer crochê -.
Também por conta desses costumes, os casamentos aconteciam num prazo relativamente curto, considerando-se o dia em que a jovem, com a anuência do pai, aceitara o " pedido de casamento ". É que o noivo, geralmente apaixonado, como é natural, tinha urgência em "consumar o casamento".
E vieram as núpcias de LAURINDA e FRANCISCO, festejadas com toda a pompa que o pequeno lugarejo podia oferecer. Mataram-se boi e porco. Há quem afirme que um peixe-boi foi servido, transformado que fora no mês anterior, em uma deliciosa " mixira " *. ( E olha a água na boca do autor... ). Uma enorme tartaruga ( olha a água teimosa novamente ), trazida pelo noivo lá do lago do Erepecu - mais precisamente do " tabuleiro "** - completavam o lauto almoço oferecido no dia seguinte pelo pai da noiva, a praticamente todos os habitantes da pequena cidade. É que todos se conheciam e, sem necessidade de convites, os que chegassem eram sempre bem-vindos. As comemorações estenderam-se por quase uma semana ao final da qual os noivos, finalmente, puderam se concentrar um no outro.
E tudo transcorria tal qual os dois haviam imaginado. A primeira gravidez da jovem esposa aconteceu lá pelo início do ano de 1934. Motivo de muita alegria para todos, especialmente para o casal; o primeiro filho ( ou seria filha?...), prometia inundar aquele lar com a luz própria de todo bebê, aumentando assim a felicidade que já era incomensurável. A vida, porém, como que para trazer o casal de volta à realidade mundana - já que viviam em um paraíso de felicidade - e ajudada pela falta de recurso médicos e farmacêuticos da época, acabou por ceifar a vida da recém nascida ( sim, era uma menina!!! ), tornando-a  vítima, como era muito comum naqueles tempos, da chamada " doença dos sete dias ".
 A superação de tão angustiante golpe exigiu muito amor e dedicação do casal, assim como o carinho de todo o restante da família. E, na medida do possível, a alegria voltou timidamente àquele lar, coroando a recuperação emocional dos dois, nas festas de fim de ano, quando já se desconfiava que a jovem esposa estava novamente grávida!...


* MIXIRA- Método usado para conservação de carnes, que consiste em retirar a gordura do animal, fritando seu toucinho, retirando o torresmo remanescente e fritando a carne a ser conservada na banha resultante, findo o que se coloca toda a carne já frita, juntamente com a banha, dentro de um recipiente de tamanho proporcional à quantidade a ser conservada e, depois de esperar tudo esfriar, tampa-se o recipiente para só abri-lo nas ocasiões em que se necessitar usar as porções.

** TABULEIRO - Banco de areia localizado ao largo do Lago do Erepecu, utilizado pelas tartarugas em sua desova anual. Conta-se que durante a desova, é impossível se visualizar a areia, tal a quantidade de tartarugas desovando ao mesmo tempo, em noites sucessivas.


                                                                     
Continua na próxima sexta-feira...

Obrigado pela visita e um bom fim de semana a todos.


Clovis de Guarajuba
ONG Ande&limpe

sexta-feira, 26 de maio de 2023

A história da professora AFONSINA - III -


                                                  - Exemplo de barco puxando canoas -
                                                                      ( foto Internet )

Disposto a não decepcionar o novo amigo e agora patrão, o jovem FRANCISCO atirou-se de corpo e alma aos seus afazeres. Estes compreendiam o acompanhamento " in loco " da colheita da castanha do Pará, feita por muitos e muitos homens sob seu comando, que se embrenhavam na mata todos os dias, ao nascer do sol, em busca dos ouriços valiosos, e retornavam à tardinha, não importando se era segunda-feira ou domingo. O castanhal era localizado a pouco menos de um dia de viagem desde a cidade até o interior do lago Erepecu. O deslocamento era feito em " motores " que, além de lentos, levavam ao reboque inúmeras canoas, necessárias na busca da castanha em lugares inacessíveis para um trabalhador a pé. Homens e víveres se amontoavam no convés e objetos, como ferramentas, que não necessitavam de proteção contra a chuva inesperada e constante, ocupavam lugares nas canoas.  Durante a safra era imperioso que os trabalhos não sofressem jamais, solução de continuidade, não importando nem pequenos ferimentos em consequência de acidentes, e nem doenças que não obrigassem o trabalhador a ficar totalmente sem condições de se locomover.  Riscos monumentais ameaçavam a todos nessa coleta. De cobras peçonhentas a onças, de bandos de ferozes porcos do mato ou caititus, às doenças tropicais, entre as quais se destacava a malária, companheira indesejada mas constante, a prostrar no " fundo de uma rede '' aqueles a quem acometia. E dela, o próprio FRANCISCO também não escapou. Ao contrário, por diversas vezes foi agredido por esta doença muitas vezes mortal!!!
Após se inteirar de todos os detalhes das tarefas que lhes foram designadas pelo patrão e amigo, tanto teoricamente, nas conversas entre os dois e nos bate-papos ao cair da noite com os chamados comumente de " trabalhadores da castanha ", mais antigos no ramo, quanto na prática, no trabalho na mata, FRANCISCO começou a ter mais tempo para estabelecer maiores contatos com as pessoas da cidade e, principalmente, com os familiares do patrão Sr. JOSÉ. Como era de se esperar, ao demonstrar possuir aptidão total para com os seus deveres, ter iniciativas corretas e, especialmente, passar por todos os testes de honestidade feitos sistematicamente pelo patrão, a admiração de todos começou a se verificar e o jovem e simpático empregado passou a ser convidado, vez por outra, para fazer refeições na casa do seu empregador e amigo, sempre que estava na cidade...
Ao se aproximar mais e mais da família do patrão-anfitrião, ficou conhecendo melhor sua futura sogra, Sra. JOVINA e seus filhos e filhas, em número de seis que, em ordem cronológica eram: DALILA, HILDEBRANDO, ADRIANA, CORINA, LAURINDA e SOTER. 
E foi na mais nova das filhas, a LAURINDA, em quem o jovem despertou um misto de admiração e bem querer. Tais sentimentos, comungados também por FRANCISCO - embora não devessem demonstrar nada do que sentiam um pelo outro, devido às rígidas regras sociais de então - acabou por aproximá-los, com a permissão tácita e até entusiástica de seu pai,  embora sem demonstrações acintosas . E tudo isto acabou por levar os dois jovens a selarem um compromisso solene, primeiro perante a família da moça e depois perante a sociedade local, sendo logo  marcadas as cerimônias nupciais que seriam realizadas em data a ser confirmada, já no ano de 1933...
                                                         
                                                                       
Continua na próxima sexta-feira...
Bom fim de semana.


Clovis de Guarajuba
ONG Ande&limpe

sexta-feira, 19 de maio de 2023

A história da professora AFONSINA - II -


Castanha do Pará

 


A empatia existente entre o jovem FRANCISCO e o Sr. JOSÉlogo deu lugar a uma amizade que, embora se verificando uma brutal
diferença de idade entre os dois, lá pelo quinto ou sexto dia de viagem, levou o Sr. JOSÉ a dizer ao jovem novo amigo, que ele não mais iria para o Estado do  Amazonas; ao contrário, deveria esquecer a borracha e vir trabalhar com ele na cidade  onde morava  e exercia suas atividades à frente de um extenso " castanhal " de sua propriedade.
A confiança mútua levou o jovem FRANCISCO a aceitar sem mais  delongas a proposta de emprego, embora não tivesse nem a mínima ideia do que seria um " castanhal " e muito menos quais as condições de trabalho que lhe seriam disponibilizadas na tal localidade.
Convite aceito, alguns dias depois, o navio " gaiola " aportava na  cidade onde vivia o Sr. JOSÉ.
Na verdade, nem de " cidade " poderia ser chamada a pequena vila...
Embora alguns historiadores mencionem sua fundação acontecendo no ano de 1877, pelo Padre JOSÉ NICOLINO DE SOUZA, que a designou com o nome de Uruá - Tapera, estudos e pesquisas mais recentes, certificam a chegada do luso CARLOS MARIA TEIXEIRA, já em1862, na então florescente Mura -Tapera. Este cidadão português, então com 23 anos de idade, chegou ao Pará em 17.12,1861, morando inicialmente na cidade de Óbidos até maio de 1862, quando transferiu sua residência para Mura-Tapera aonde fincou raízes em definitivo, fazendo importantes investimentos financeiros no comércio e na produção de riquezas. Hoje seu nome é lembrado na designação de uma das principais vias da cidade de Oriximiná, em que se transformou o pequeno lugarejo.
 Pela Lei 1288, de 11.12.1886, foi elevada à categoria de Freguesia de Santo Antônio de Uruá, pelo presidente da Província do Grão-Pará e Desembargador do Maranhão, Dr. Joaquim da Costa Barradas.
São imprecisas as informações sobre a vida da Freguesia, no período compreendido entre sua fundação e a data de 09.06.1894, quando o então Governador do Estado, Dr. LAURO SODRÉ, elevou-a à categoria de " Vila ", já com o nome de Oriximiná. A criação do município, com a mesma denominação, se deu no dia 05.12.1894, sendo nomeado como primeiro Intendente, o Sr. Pedro Carlos de Oliveira.
Por ocasião da chegada do jovem FRANCISCO, lá pelo início da década de 1930, a cidade era constituída por apenas cinco ou seis  ruas, que subiam preguiçosamente por ladeiras mais ou menos íngremes e desprovidas de qualquer obra que facilitasse o trânsito de seus habitantes. Uma destas ruas levava a uma praça ampla, no centro da qual fora erguida uma igreja, cuja pedra fundamental  foi solenemente assentada e benzida, no dia  23.07.1922 - quando se comemorava o primeiro centenário da independência do Brasil - pelo Venerável Vigário da Paróquia de Óbidos, Frei Rogério Voger O.F.M. ( Franciscanos da Ordem dos Frades Menores ).
 O jovem e aventureiro viajante, já demonstrara grande admiração pela paisagem encantadora, única para seus olhos nordestinos acostumados às terras áridas, logo por ocasião da passagem do
" vapor " pela foz do Rio Trombetas.
 Este rio, de águas límpidas e transparentes, contrastava de maneira brutal com as águas barrentas do Rio Amazonas, deixado para trás lá pelos lados da cidade de Óbidos. Completou-se seu encantamento, com a visão de estonteante beleza das praias alvíssimas à frente da cidade e ele decidiu, naquele momento, que aquele lugar maravilhoso seria pra sempre sua morada!


Obrigado pela visita.                                         
                                                               
Continua na próxima sexta-feira.

Bom fim de semana.



Clovis de Guarajuba
ONG Ande&Limpe

sexta-feira, 12 de maio de 2023

A História da professora AFONSINA - I -



NAVIO " GAIOLA "


Atendendo a alguns pedidos de amigos e parentes, volto a publicar neste espaço, descrevendo da maneira mais fiel possível, a história da vida da minha mãe, AFONSINA ELINDA ARAGÃO DE SOUZA, em sua passagem pela cidade paraense de Oriximiná, localizada à margem esquerda do Rio Trombetas, contribuinte importante, com suas límpidas águas, para aumentar o volume, já enorme, do maior  rio do mundo, o Amazonas.
 Para que os leitores entendam tudo o que aconteceu na vida fecunda desta valorosa, heroica  e destemida mulher, é imprescindível começar sua história pela a história do homem  que viria a ser seu esposo, e que, mercê dos mistérios insondáveis do destino, a arrancou da tranquilidade em que vivia em Belém, sua terra natal, e a levou para ser  protagonista importante na história da sua própria vida e na vida da então pequena cidade que a acolheu.
Nascido na cidade de Bananeiras, estado da Paraíba ( onde estive, em viagem de cerca  de uma semana  no ano de 2014, juntamente com meus irmãos CLÉO e CLEISYa procura de seus parentes ), o Sr. FRANCISCO MARTINS DE SOUZA, então com 23
 anos de idade, a exemplo de muitos e muitos outros jovens nordestinos, inconformado  com a falta de oportunidade para crescimento material em sua terra, resolveu procurar  na região amazônica ( nesse tempo a Meca dos lugares promissores do País, principalmente por conta da enorme valorização da borracha ), melhores condições de vida, demonstrando com tal iniciativa, desassombro e destemor, na busca por seu ideal.
 Chegando à Belém, resolveu que, imediatamente, viajaria para o Estado do Amazonas, a bordo de um dos " vapores " que faziam a linha da capital paraense até Manaus, lugar onde viviam os donos de seringais, os famosos " barões da borracha ", assim chamados
 porque, afirmam, chegavam a acender charutos caríssimos com notas de contos de reis!
 As viagens, subindo o rio, demoravam até 20 dias para chegar ao destino.  É que as caldeiras, cujo vapor gerava a força motora para impulsionar os navios, necessitavam de muita lenha, que era recolhida em diversos pontos do percurso e, quando não  havia uma quantidade suficiente para alcançar o próximo ponto de coleta, a espera era inevitável, enquanto se recolhia a lenha complementar.
Com isto era de se esperar que durante a jornada,  os companheiros de viagem, mantendo um convívio diuturno, passassem a se conhecer melhor, surgindo entre alguns deles, não raro, um sentimento de simpatia e amizade. Foi exatamente o que aconteceu entre o jovem FRANCISCO e um outro viajante, bem mais maduro, que se chamava JOSÉ CLEMENTINO DE FIGUEIREDO...                                        
                                                                       
                                                                   
Continua na próxima sexta-feira.

Bom fds a tds.

Clóvis de Guarajuba
Ong Ande&Limpe

sexta-feira, 5 de maio de 2023

NUNCA PARAMOS DE APRENDER!...

- Aos 8 anos aprendi que não posso dizer certas palavras que meu pai diz;
- Aos 11 anos descobri que a professora sempre me chama quando não sei a resposta;
- Aos 13 anos descobri que quando meu quarto está do jeito que eu gosto, a mamãe manda arrumá-lo;
- Aos 15 anos descobri que não devo descarregar minhas frustrações no meu irmão mais novo porque meu pai tem frustrações maiores e a mão bem mais pesada;
- Aos 20 anos aprendi que quando chego atrasado no trabalho o patrão chega mais cedo;
- Aos 25 anos aprendi que nunca devo elogiar a comida da mamãe quando estiver comendo alguma coisa feita pela minha mulher;
- Aos 29 anos aprendi que quando temos, finalmente, uma noite sem as crianças, passamos a maior parte do tempo falando sobre elas;
- Aos 34 anos aprendi que quando mais preciso de férias é justamente quando volto delas;
- Aos 42 anos aprendi que se estamos levando uma vida sem fracassos é porque não nos arriscamos o suficiente;
- Aos 44 anos aprendi que as gravatas de seda caras são as únicas que atraem o molho de espaguete;
- Aos 48 anos aprendi que para saber quem realmente manda na casa é só observar quem toma conta do controle remoto da TV;
- Aos 55 anos aprendi que o homem tem 4 idades:
- Quando acredita em Papai Noel;
- Quando não acredita em Papai Noel;
- Quando é o Papai Noel e
- Quando se parece com Papai Noel.
- Aos 60 anos aprendi que não posso mudar o passado, mas posso 
" deixar pra lá ";
- Aos 63 anos aprendi que todas as pessoas que dizem " dinheiro não é tudo " geralmente tem muito dinheiro;
- Aos 65 anos aprendi que viver sozinho é muito bom se você for um queijo ou um bom vinho;
- E, finalmente hoje, aos 80 anos aprendi que tenho muito que aprender!!!


Abraços, bom final de semana, até a próxima.

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande&Limpe

sexta-feira, 28 de abril de 2023

- VOCÊ ACREDITA NO "SOBRENATURAL "?




Um eminente neurologista da Filadélfia, Dr. S.WEIR MITCHELL, certo dia chegou em casa exausto depois de um dia duro de trabalho no consultório e adormeceu em sua cadeira de balanço. Acordado pelo toque da campainha, abriu a porta e viu uma adolescente magra, com um xale surrado sobre os ombros, tremendo de frio, que lhe pediu encarecidamente que fosse ver sua mãe que, segundo disse, se encontrava gravemente doente. Como sempre fazia, o médico acompanhou-a pelas ruas cobertas de neve até uma casa humilde e velha. Quando chegou ao quarto da enferma, o médico reconheceu a doente. Ela fora sua criada tempos atrás. Pneumonia foi o diagnóstico. Como de costume mandou buscar os remédios necessários. Acomodou a mulher o mais confortavelmente possível e, antes de sair, felicitou-a por ter uma filha tão dedicada que, apesar de tiritar de frio, apenas protegida por um velho xale, o foi chamar para socorre-la.

Ao ouvir as palavras do médico a mulher olhou espantada e disse:

- Não pode ser! Minha filha morreu há um mês! O xale e os sapatos dela estão ali naquele armário. 
O médico examinou o armário, onde encontrou o mesmo xale que vira momentos antes sobre os ombros da jovem que tocara sua campainha. Estava dobrado e completamente seco. Não podia ter sido utilizado naquela noite invernosa.
A estranha jovem que tão misteriosamente o conduzira até junto da paciente nunca mais apareceu...

Abraços e um excelente final de semana para todos.


Clóvis de Guarajuba
ONG Ande&Limpe

sexta-feira, 21 de abril de 2023

- S.O.S. DE CORPO PRESENTE. ( Sobrenatural?? )


Ao olhar para a porta de uma cabina em frente a sua, o comandante de um navio que cruzava o Atlântico em 1828, rumo à Terra Nova, viu um homem, por entre a obscuridade do entardecer e, como não o conhecia, pensou tratar-se de um clandestino, já que nessa viagem, não levava nenhum passageiro. Precipitou-se para a cabina mas, pra seu espanto, a figura desapareceu misteriosamente. Tudo que restava era uma mensagem rabiscada na parede da cabina:

" RUME PARA NOROESTE, IMEDIATAMENTE! "

O comandante ficou tão impressionado com o fato que alterou o curso para seguir as instruções da mensagem. Após algumas horas no novo curso, o seu navio encontrou um outro barco na iminência de afundar. O único tripulante a bordo era o homem que o comandante vira na cabine do seu próprio navio. Resgatou o tripulante que, em conversa posterior, disse que acabara de acordar de um sono profundo e repentino, durante o qual sonhara que ia ser salvo!!!



Até a próxima, grande abraço.

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 14 de abril de 2023

- PROVÁVEL ORIGEM DA " LENDA DO BOTO ",


                                                  - UMA TESE - 

Após alguns dias em Manaus, embarquei no dia primeiro deste mês no navio " Santarém ", com intenção de ir até a cidade do mesmo nome, onde chegaria no dia três. Na noite do dia dois, porém, ao chegar na cidade de Juruti ( no Pará ), resolvi desembarcar do navio e tomar um barco menor rumo à cidade de ORIXIMINÁ também no Pará ), sede do município do mesmo nome, onde se localiza uma
das maiores jazidas de bauxita do planeta. Segundo informações, a mina deverá se exaurir, ao ritmo atual de produção, somente em 100 anos! Como pretendo visitar essa mina, prometo, depois dessa visita, completar as informações alusivas a tal empreendimento. Hoje, porém, apresento-lhes uma tese acerca da origem provável da conhecida lenda do boto amazônico, sedutor e engravidador de donzelas.
Conversas com ribeirinhos nascidos e criados na região, me informaram que navios da Marinha do Brasil navegavam regularmente pelos rios da Amazônia, fazendo levantamentos e  coletando dados para tornar a navegação mais segura nessa região cheia de perigos. A par desta faina, prestavam, sempre que necessário, serviços de assistência social e de saúde aos habitantes dessas plagas.
Quando os navios chegavam em uma cidade, normalmente, por motivo de segurança, não atracavam no porto. Ficavam fundeados ao largo e, quando o comandante resolvia dar folga aos marinheiros, mandava levá-los ao porto utilizando botes. Havia uma recomendação importantíssima feita reiteradamente: TODOS DEVERIAM ESTAR NO LOCAL PREVIAMENTE ESTABELECIDO E NA HORA EXATA, PARA SEREM RECOLHIDOS.
Quem não se apresentasse, de acordo com essa regra, deveria ser deixado em terra.
Ocorre que muitos se distraiam com as namoradas eventuais e acabavam perdendo os botes. Muitos deles iam muito além do namoro inocente...
Ao chegarem na praia e não encontrarem os botes, caiam na água para voltar nadando, com suas ROUPAS E QUEPES BRANCOS, com medo de serem punidos se não estivessem presentes no dia seguinte à chamada Ordem do Dia e Hasteamento da Bandeira. Muitas das namoradas engravidavam e, por conveniência, culpavam o pobre do boto que " chegava todo de branco, inclusive com o chapeu que usava para ocultar o orifício sobre a cabeça, e as seduzia ".
Claro que muitos nativos " espertos " e pais que haviam cometido pecados inconfessáveis, acabavam por propagar entusiasticamente tal estória, por ser totalmente de sua conveniência...

Excelente final de semana, grande abraço, até a próxima.


Clóvis de Guarajuba
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sexta-feira, 7 de abril de 2023

- NOVOS SIGNIFICADOS PARA VELHAS PALAVRAS...


AÇUCAREIRO - Vendedor de açúcar com preço acima do normal.

BACANAL - Reunião de bacanas.

CÁLICE - Ordem para manter a boca fechada.

CANGURU - Líder espiritual de cães.

DEPRESSÃO - Espécie de panela.

DETERGENTE - Ato de deter algum suspeito.

ESFERA -Animal que deixou de ser feroz.

EVENTO - Constatação de que não é um furacão.

OBSCURO - Absorvente OB de cor preta.

PSICOPATA - Veterinário especialista em doenças mentais de patas.

QUARTZO - Apozentso de um apartamentzo.

RAZÃO - Lago muito extenso, porém pouco profundo.

RODAPÉ - Alguém que não tem mais carro.

SIMPATIA - Anuência à irmã da mãe.

SOSSEGA - Mulher que se declara desprovida de visão.

TÍPICA - Aquilo que o mosquito te faz.

VATAPÁ - Ordem dada por prefeito de cidade esburacada.,,


Um ótimo final de semana para todos
Grande abraço.


Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 31 de março de 2023

- O INCRÍVEL E INTRIGANTE MUNDO DOS INSETOS - XII final -

                                                                        - Jataí -



 ...no entanto o Dr. Ribbands continuava na tentativa de decifrar o enigma apresentado pela Sra. Perepelova: qual a razão  da " inibição " que impede as obreiras de porem ovos, que só deixa de existir quando a colmeia, sem rainha, ameaça sucumbir? Observou, então, que quando a rainha falta, vários dias se passam até a colmeia adaptar-se às novas circunstâncias, exatamente o tempo necessário para que o alimento circule com o elemento que acaba com a " inibição ". Pensou o Dr. Ribbands então, que o alimento constitui uma espécie de sistema circulatório de corrente sanguínea.

Deste modo, Ribbands formulou a hipótese da colmeia-animal, constituída por um grande número de organismos que, com funcionamento individual, são controlados pela mesma essência da colmeia: o seu alimento. Ainda restam muitos aspectos para serem investigados, como, por exemplo, determinar os elementos químicos contidos no alimento e determinar as suas propriedades. Contudo, a maioria dos cientistas que atualmente realizam trabalhos investigativos sobre as abelhas, considera certa  tal interpretação.

Somente a partir do momento em que me dediquei a busca do conhecimento mais detalhado sobre as abelhas, descobri que presenciei, sem saber, a morte de uma colmeia de abelhas selvagens. Viviam em um compartimento do armário da cozinha de nossa casa de praia, em Guarajuba, litoral Norte da Bahia, aonde guardávamos mantimentos, inclusive açúcar. Resolvi preservar para elas tal compartimento, uma vez que não tinham ferrão. Claro que tal preservação não tinha nada de científico; queria mesmo era poder colher uns favos e deliciar-me com a sensação gostosa de mastigá-los...Certo dia, ao voltarmos de uma das inúmeras viagens da família, notamos que havia uma quantidade importante de abelhas caídas no chão. e, aonde havia há anos aquele zumbido característico, reinava o silêncio. Observando mais detidamente, descobri uma rainha pequena e ressequida sendo apertada fortemente por outras abelhas, que, com tal ação, pareciam querer transmitir a ela alguma espécie de " sangue " ou fluido vital. A rainha estava morta! Sem compreender, concluí, depois, que assistira a morte de um ser complexo, sem o qual a nossa Terra seria infinitamente mais pobre!


Obrigado pela visita.


Clóvis de Guarajuba

Ong Ande&Limpe 

sexta-feira, 24 de março de 2023

- O INCRÍVEL E INTRIGANTE MUNDO DOS INSETOS - XI -


 

Ao mesmo tempo em que os estudiosos faziam suas descobertas, o zoólogo Karl Von Frisch, austríaco, descobria que as abelhas coletoras possuem uma espécie de " linguagem " para informarem entre si a que distância e em que direção se encontram os lugares em que se podem encontrar o néctar e o pólen. A coletora que encontra esta fonte de matéria prima regressa à colmeia e executa uma " dança " diante das suas companheiras. Se esta " dança " é feita com energia, traçando oitos no ar, é sinal que as flores estão longe ( o observador pode contar em metros, tal distância ); se a abelha aponta em sua dança para cima, as flores estão para o lado do sol; se apontam para baixo, o local é em direção oposta. Quando, ao dançar, o individuo descreve um ângulo de sessenta graus está afirmando que quando saírem da colmeia devem tomar o rumo que as leve a sessenta graus em relação ao sol. Para informar a espécie de flores que encontrou, a abelha dá a cada uma um pouco de néctar ou pólen que encontrou e trouxe consigo.

Martin Lindauer descobriu mais tarde que as exploradoras usam a linguagem da dança para indicar àquelas que se dispõe a instalar uma nova colmeia, o lugar mais apropriado para tal empreitada. Com base na posição que a abelha assumia e na rapidez dos movimentos da dança, Lindauer conseguiu chegar a tempo no lugar indicado e assistir a chegada do enxame. Precisava agora descobrir quem determinava as funções que cada membro deveria exercer. O especialista em abelhas, Dr. C.R. Ribbands, dedicou-se a estudar este ponto e observou um pormenor na vida da colmeia no qual ninguém havia reparado: a constante circulação do alimento que passa da ama à rainha, desta às cereiras, às limpadoras de células, às receptoras e às coletoras. E, em sentido contrário, das coletoras às limpadoras de células, às cereiras, às amas e à rainha. O Dr.Ribbands concluiu então que, em cada fase do seu desenvolvimento, as abelhas produzem diferentes secreções glandulares ou enzimas, e que, quando houver uma quantidade suficiente de todas estas substâncias na colmeia, seus membros sabem que ela está gozando de perfeita saúde...


-continua -


Obrigado pela visita.


Clóvis de Guarajuba

Ong Ande&Limpe   .

sexta-feira, 17 de março de 2023

- O INCRÍVEL E INTRIGANTE MUNDO DOS INSETOS - X -




...ao final de poucas semanas, a Sra. Perepelova verificou que algumas obreiras acorriam com muita pressa às células-ninho vazias, onde introduziam a cabeça. Verificou-se, então, algo incrível: com o fim de restabelecer a normalidade da colmeia, inúmeras abelhas antes estéreis começaram a por ovos, enquanto as amas se agrupavam ao seu redor, para alimentá-las com o " leite das abelhas ". Penosamente, pouco a pouco as abelhas estéreis continuaram a por por volta de seis a oito ovos, diariamente - quantidade insignificante se compararmos com os dois a três mil ovos que põe a abelha rainha -. A Sra. Perepelova concluiu que, na falta da rainha, acaba a inibição que impede as obreiras de porem ovos. 

Os entomólogos especialistas no estudo das abelhas, esforçam-se para descobrir a que outros meios uma colmeia recorre para recuperar a sua saúde. Mykola Haydak, que trabalha em um laboratório experimental norte-americano, extraiu um favo de larvas de uma colmeia e isolou-o. Depois introduziu nele várias abelhas recém-nascidas, sem a presença de abelhas limpadoras, amas, cereiras, guardas e coletoras. Feito isto, esperou pacientemente.

A adaptação das abelhas foi imediata. De tal maneira aceleraram sua evolução, que aos três dias de nascidas, saiam para explorar a vizinhança, enquanto outras da mesma idade construíam células - trabalho que só costuma ser efetuado aos dezesseis dias de vida -. No quarto dia já recolhiam pólen e, ao final de uma esgotante semana de trabalho incessante, a colmeia prematura começou a funcionar normalmente! 

Quando Haydak publicou suas experiências, especialistas interrogaram-se sobre se as abelhas poderiam inverter a ordem do seu desenvolvimento e, na Iugoslávia, a Sra. Vasilja Moscovljevic, colocou em um favo de larva, isolado convenientemente, a rainha e quinhentas e três abelhas coletoras de pólen, de vinte e oito dias, às quais se secaram previamente as glândulas lactíferas. As abelhas viram-se então ante duas possibilidades e alternativas: deixar morrer as larvas ou produzir leite. Ao fim de alguns dias , as células continuavam sem alimento. Em determinada tarde, por fim, a Sra. Moskovjevic observou que uma coletora se inclinava sobre uma das células e, pra seu espanto, viu que uma brilhante gota de leite de abelha acabara e ser depositada junta à boca de uma larva recém-nascida. Ao examinar aquela abelha coletora ao microscópio, a Sra, Moskovjevic constatou que, como por milagre, as velhas e secas glândulas tinham-se enchido de leite. Havia-se, então, conseguido o impossível: o retorno à juventude!...


-continua -


Até a próxima sexta-feira.


Clóvis de Guarajuba

Ong Ande&Limpe  

sexta-feira, 10 de março de 2023

- O INCRÍVEL E INTRIGANTE MUNDO DOS INSETOS - IX -

 




...as abelhas usadas pelo cientista, algum tempo depois deixaram de executar os trabalhos de ama e começaram a recolher e armazenar o néctar trazido pelas outras abelhas. Ao observá-las mais de perto, notou que as glândulas secretoras de leite começaram a se atrofiar, e que, ao contrário, os sacos de mel localizados no abdomem estavam cheios de néctar e mel. Nesta fase, a idade das abelhas era, em média, de onze dias e aos quinze dias de vida começaram a fabricar cera; o exame no microscópio revelou mudanças em seu organismo favoráveis à nova tarefa: as glândulas ceríferas haviam se desenvolvido de maneira acentuada. Aos dezoito dias começaram a trabalhar como sentinelas e ao cabo de vinte e um dias começaram a trabalhar como coletoras de néctar, atrofiando-se as glândulas ceríferas. Segundo os estudos de Rosch, a abelha obreira vive por volta de trinta e oito dias.

Ao serem publicados os estudos de Rosch, outros cientistas iniciaram suas próprias investigações. Em Munique, o Dr. Martin Lindauer verificou modificações relativas ao regime de trabalho das abelhas observado por Rosch. Uma das mais interessantes modificações, foi o fato de uma abelha previamente marcada, fazer guarda durante nove dias seguidos. Notável também foi a descoberta feita na Rússia pela Sra. L.I.Perepelova, de algumas abelhas precoces que fabricavam cera apenas dois dias após o nascimento, trabalho este efetuado normalmente após 15 dias de vida. Ficou evidente que a colmeia possui um alto grau de adaptação, podendo executar qualquer de suas tarefas antes do prazo normal, desde que o exija o bem estar da comunidade. No mundo todo, os cientistas resolveram averiguar até que ponto estes insetos são capazes de se adaptar. Os resultados mais notáveis foram os obtidos pela Sra. Parepelova. Ela retirou de uma colmeia a rainha, as larvas e os ovos, para ver como reagiriam as obreiras. A ausência da rainha passou despercebida por várias horas; por fim, uma das obreiras destinadas a cuidar da rainha endireitou as antenas, começou a dar voltas pela colmeia e trocou alimento com uma cereira próxima, que também se pôs a bater as asas. Depois, acercou-se de outras com quem trocou alimento e então, todo o enxame aos poucos começou a " gemer ". O lamento cresceu e espalhou-se por toda a colmeia, até toda ela vibrar como se estivesse sofrendo um ataque febril!...


-continua -


obrigado pela visita.


Clovis de Guarajuba

Ong Ande&Limpe


sexta-feira, 3 de março de 2023

- O INCRÍVEL E INTRIGANTE MUNDO DOS INSETOS - VIII -



...parte das obreiras monta guarda à entrada da colmeia, para que nela só entrem as abelhas que fazem parte do enxame. São reconhecidas pelo cheiro, detectado através dos 12.000 filamentos que compõem o aparelho olfativo localizado nas antenas. As intrusas são mortas imediatamente. Para completar a relação das tarefas desempenhadas pelas obreiras, elas fazem , com o uso do batimento das asas junto da entrada, o arejamento da colmeia; fazem a limpeza e executam a construção das células.

Observando como as abelhas cumpriam, ano após ano, invariavelmente, suas variadas funções, os apicultores interrogavam-se como cada uma delas sabia qual o trabalho que lhe correspondia; como se inteiravam de que a colmeia precisava de mais células para o armazenamento das larvas ou da conveniência de reforçar a guarda na entrada.

O cientista alemão, G.A. Rösch, no ano de 1925, suspeitando que a idade das abelhas estava relacionada com o tipo de trabalho a executar, marcou com tinta as abelhas recém nascidas e notou que, enquanto as asas endureciam, elas começavam a limpar as células e, ao cabo deste trabalho, começavam a alimentar com " leite de abelha " - como também é chamada a geleia real - as larvas mais desenvolvidas. Rösch, então, ao observar uma delas ao microscópio, verificou que o seu desenvolvimento físico estava relacionado com as funções que exercia. Assim, constatou que o engrossamento das glândulas faríngeas, situadas na parte anterior da cabeça do inseto, e que segregam o leite, correspondia ao de uma abelha ama. Ao passar uns dias, as abelhas amas deixaram de alimentar as larvas mais desenvolvidas e passaram a alimentar às mais jovens. Após repetidos estudos com as abelhas marcadas, o cientista chegou a conclusão de que as amas jovens alimentavam as larvas maiores e as amas velhas, às de idade inferior...


-continua -

Até a próxima sexta-feira.


Clóvis de Guarajuba

Ong Ande&Limpe