sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

RITUAIS FÚNEBRES. III





O ritual da cremação de corpos foi por muitos séculos considerado ilegal nos países cristãos, porque se contrapunha à doutrina da ressurreição corporal. Era exatamente por essa razão que  as 
" feiticeiras " medievais eram amarradas a um poste e queimadas
- de modo a destruir-lhes os corpos nefandos e as almas  -. 
Na Inglaterra, a cremação começou a ser admitida há
pouco mais de 120 anos. quando o Dr.William Price, galês excêntrico que se considerava um chefe druida, cremou o cadáver de seu próprio filho. Price foi a julgamento em Cardiff em 1884.
O juiz que presidiu o julgamento determinou a inocência do réu e considerou a cremação legal, desde que não trouxesse prejuízo nem incomodasse a outrem. Assim foi aberto o caminho que nos levou
aos crematórios modernos. O enterro, pelo contrário, era destinado a conservar o corpo, quer devido à crença cristã do " Dia do Juízo Final ", quer por se considerar o corpo necessário na vida de além túmulo. Os antigos faraós egípcios, tinham seus órgãos cuidadosamente retirados e embalsamados separadamente de seus corpos. Antes do túmulo ser lacrado, esses órgãos eram colocados ao lado do corpo mumificado. Era crença que, desse modo, se garantia ao rei morto a permanência física integral no outro mundo, para onde o faraó estava transitando.



Continua na próxima postagem.....



Desejo a todos os meus amigos e visitantes um ótimo fds.

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

RITUAIS FÚNEBRES II





No final do verão de 1360, na cidade de Coimbra, realizou-se uma macabra cerimônia fúnebre. Por ordem expressa do rei D. Pedro I, o Cruel, os mais altos dignatários do País foram obrigados a beijar a mão do cadáver de uma mulher sentada no trono, com vestes reais e já em adiantado estado de decomposição. A morta era Inês de Castro, que casara secretamente com D. Pedro I, recentemente coroado. Ela viera para Portugal em 1342, para ser aia da
princesa D. Constança, mulher verdadeira e oficial de D. Pedro, então, apenas herdeiro do trono. Os amores tidos como ilícitos, do príncipe com Inês, não só causaram escândalos na corte, como despertaram em D. Afonso IV, o temor de que Inês, instruída por seus irmãos castelhanos e poderosos, exercesse influência no ânimo do herdeiro do trono a ponto de permitir a reanexação da nacionalidade portuguesa, ainda não reconhecida por Castella. No dia 7 de janeiro de 1355, Diogo Lopes Pacheco, Álvaro Gonçalves e Pero Coelho, a mando de D. Afonso, se dirigiram ao Paço de Sta. Clara, em Coimbra e decapitaram Inês na frente de seus 4 filhos. Mal subiu ao trono, em 1357, D. Pedro pediu ao rei de Castela a extradição dos carrascos de D. Inês que, após a morte de D. Afonso, haviam se refugiado no país vizinho.
Apenas 2 foram capturados: Álvaro Gonçalves e Pero Coelho. Levados à presença de D. Pedro I, tiveram seus corações arrancados, um pelo peito e o outro pelas costas! 
Hoje, D.Inês, vítima do que se poderia chamar de um crime político, está sepultada ao lado de D. Pedro, em um túmulo do Mosteiro de Alcobaça.


Continua na próxima postagem.....



Um ótimo final de semana a todos e um forte abraço do amigo,




Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

RITUAIS FÚNEBRES. I




A humanidade, desde tempos imemoriais, sempre atribuiu à morte duas qualidades diferentes: a 
primeira, apresentando a figura luminosa de São
Pedro ( ou símbolo equivalente ), postado às portas do Paraíso ou a segunda, representada pela  figura esquelética e sinistra com uma foice na mão, pronta a ceifar vidas, vestida com esvoaçantes roupas negras. Quase sempre as duas figuras eram e são apresentadas nas cerimônias fúnebres. Houve quem costumasse deixar oferendas junto aos corpos, para que seus entes queridos tivessem instrumentos para tornar mais fácil sua vida no outro mundo, desde que tivessem apresentado aqui na terra, uma existência considerada boa e benéfica para os seus semelhantes; se, ao contrário, sua vida tivesse sido problemática ou cheia de maus feitos, seu coração teria de ser traspassado por uma estaca de madeira, para deixar a certeza de que não regressaria jamais do além... No Oriente, foi criada uma das formas mais antigas de satisfazer a ambos os objetivos: a cremação dos corpos. A crença era  que o espírito ou alma seria impulsionado pelas chamas até o céu, enquanto o corpo era totalmente destruído pelo fogo, para que nunca tivesse a possibilidade de assombrar os viventes sobre a terra.



Continua na próxima postagem.....



Um ótimo final de semana a todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

QUANDO UM PAPA MORRE - SINAIS DE FUMAÇA SOBRE ROMA...





É, não só os indígenas americanos usavam os sinais de fumaça na comunicação. Também a Igreja Católica os usa, por ocasião da eleição de um novo PAPA. Milhões de católicos ou  não católicos,
aguardam ansiosamente a decisão dos cardeais, expressa numa cerimonia antiga de caráter ultra secreto. Nada de câmeras ou repórteres. O mundo sequer sabe, com certeza, quais são os
candidatos, embora haja muita especulação. Apenas quando um penacho de fumaça branca se ergue de uma chaminé de ferro no teto do VATICANO, é que o mundo fica sabendo que foi eleito
um novo PAPA e que o eleito aceitou o posto. Em seguida o CARDEAL PROTODIÁCONO ( o decano dos Cardeais ), proclama da sacada: " HABEMMOS PAPA ". Em seguida, o nome do novo PAPA é revelado à multidão que aguarda na Praça de São Pedro. O anúncio é feito em latim, normalmente no caso genitivo, como por exemplo, JOANNIS PAULI PRIMI. Outras
vezes pode ser usado o caso acusativo, como ocorreu em 1963, quando foi anunciado PAULUM SEXTUM. Na cerimônia do anúncio, é citado em primeiro lugar o nome papal seguido do sobrenome de nascimento, na língua nativa do eleito, por exemplo, WOJTYAem seguida o anúncio é feito usando o nome papal completo, por exemplo, JOANNIS PAULI II.

Um ótimo final de semana a todos. Abraço e voltem sempre.

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe