sexta-feira, 28 de julho de 2017

- A história da Professora AFONSINA XI


Ponte semelhante à descrita no artigo, construída por mim às margens da lagoa, em Guarajuba - Ba.

E a vida seguia normalmente, quando, no final do ano de 1941, veio a transferência do Dr. Bruzza para outra cidade, desta vez, Catanduva, no interior de São Paulo.
 Logo que chegou à cidade, o Dr. Bruzza, entendendo que sua mulher,  vinda da Capital, precisaria de alguma atividade para quebrar a monotonia própria da vida em uma cidade do interior da Amazônia, tratou de abrir, em seu nome, uma farmácia, não apenas útil para sua mulher mas, principalmente, para a população local, carente de recursos terapêuticos.
E, antes de viajar para o novo destino, acertou a venda do estabelecimento para o amigo - e agora concunhado - FRANCISCO, chamado por todos de CHICO MARTINS. Mais uma atividade exigindo a presença do já sobrecarregado FRANCISCO. AFONSINA, então, passou a dividir os afazeres domésticos com o atendimento na farmácia, uma vez que o casal resolvera deixar provisoriamente, a casa da praça da Matriz, para morar nas dependências amplas do prédio onde funcionava a farmácia recém adquirida.
Logo no início do ano de 1942, a morte levara seu amigo, protetor e patrão, JOSÉ FIGUEIREDO. Como seu antigo sogro havia comprado a pequena fazenda do Cachoeiri em nome de sua filha caçula, LAURINDA, quando ela morreu a propriedade passou a pertencer aos meeiros, seu filho JOSÉ e seu esposo FRANCISCO.
Pretendendo ampliar os negócios da fazenda, FRANCISCO adquiriu algumas cabeças de gado, ampliando o plantel já existente, além de dois cavalos que o vaqueiro, seu Alfredo, que já trabalhava na fazenda, usaria para a labuta com o gado.
O casal, FRANCISCO e AFONSINA, passou a frequentar com mais assiduidade a propriedade, embora as viagens de canoa a remo, demandassem grande esfôrço do Alfredo que vinha do Cachoeiri até a cidade buscar o casal com seu filhinho, além de víveres e insumos. Já grávida pela segunda vez, numa dessas estadas lá na fazenda, aconteceu uma quase tragédia envolvendo o menino, ou seja, EU: É preciso esclarecer que, naquele tempo, nem na cidade havia água encanada, muito menos nas sedes das fazendas ou nas casas dos ribeirinhos. As atividades relacionadas com água, eram desenvolvidas nas margens dos rios. Para tal mister, construíam-se pequenas pontes de madeira projetadas sobre o rio, geralmente na frente das casas ou sede das fazendas. Ali, tomava-se banho de cuia e lavavam-se roupas, louças, panelas e outros utensílios. Em determinada tarde de temperatura elevada, o casal desceu para o banho levando o menino, isto é, - EU - que, a esta altura, deveria ter uns oito/nove meses de idade. Por infeliz coincidência, o casal formado pelo vaqueiro Alfredo e D. Dira, sua mulher - agora transformada em minha babá - tivera a necessidade de visitar um parente, chamado Manoel Gualberto que estava doente e morava rio acima. Os   dois entraram na " montaria " * e lá se foram para o compromisso.
 Ao chegar à beira do rio, o casal colocou a criança sobre a ponte  e entrou na água para tomar banho. Devem ter se distraído por um momento e, quando AFONSINA olhou para onde haviam deixado o menino, ele já não mais lá se encontrava!...


* montaria - designação genérica de pequenas canoas movidas a remo que os habitantes do Baixo Amazonas usavam nos seus breves deslocamentos, talvez por comparar a pequena embarcação,com os animais de monta, também usados em pequenos deslocamentos, só que em terra.


Continua na próxima sexta-feira...
Bom fim de semana a todos.
       
                                                             

sexta-feira, 21 de julho de 2017

A história da professora AFONSINA - X -






                                                                 - Imagem Internet -


                                                                      - Imagem Internet -


Bem diferente do casamento de LAURINDA e FRANCISCO, a cerimônia do enlace de AFONSINA e FRANCISCO, transcorreu sem muita pompa, não somente pelo fato de a maior parte da família da noiva ser originária da capital, Belém e não se encontrar na cidade, como pela razão totalmente compreensível, evidenciada pelo pouco - para a época - tempo decorrido desde a morte  da
 D. LAURINDA.
 Vale a explicação que, naquele tempo, o luto era demonstrado acintosa e pesarosamente, com o uso de roupas pretas durante os primeiros 6 meses após a morte do cônjuge ou parente mais próximo, pelos homens e durante um ano pelas mulheres. Aos homens, a partir do sexto mês , era " permitido " o uso de uma tarja confeccionada com tecido preto, chamado popularmente de " fumo ", ostentada geralmente no bolso da camisa, à altura do peito esquerdo.
Ainda assim, foi uma festa bonita para os padrões da época.
E logo veio a primeira gravidez! Menina embora, AFONSINA não demonstrou sentir nenhuma anormalidade das que costumam acometer às grávidas, principalmente no início do processo. Enquanto a gravidez transcorria dentro dos padrões, a jovem - agora, repentinamente, transformada em " dona de casa " - passou a dedicar-se totalmente aos encargos inerentes à nova realidade. Mas ela não se limitou a cumprir suas tarefas caseiras, no início de maneira mais ou menos eficiente devido à pouca idade. Como tinha um talento inato para a pintura e muita perícia em trabalhos manuais, aproximou-se, naturalmente, das pessoas da comunidade que tinham dons afins. Assim é que se tornou amiga e aluna de D. Dalila, doceira de " mão cheia " que, além de vizinha, era a irmã mais velha da falecida LAURINDA, primeira mulher de FRANCISCO, agora seu esposo. D DALILA era tão boa na arte de fazer e decorar doces e, principalmente, bolos confeitados, que alguém criou uma paródia, baseado numa marchinha de carnaval de sucesso na época, que dizia:
 "Ah! quem me dera Dalila, Dalila que eu fosse o Sansão! os teus encantos Dalila, de Sansão a sua perdição...".
 e a paródia criada ficou assim:
 " Ah! quem me dera DALILA, se eu fosse o MARCOS TEIXEIRA, eu te pegava DALILA e te mandava pra " Palmeira..." .
  MARCOS TEIXEIRA - Juiz de Paz da cidade - era esposo da D. DALILA  e " Palmeira "  era uma famosa e prestigiada fábrica de doces e biscoitos localizada em Belém.
 Esta aproximação se deu, também, com D.LAURA DINIZ - chamada carinhosamente de D. LAURINHA - que promovia principalmente espetáculos teatrais, produzindo e encenando, como diretora, peças infantis tais como Branca de Neve e os Sete Anões e outras.
E a gravidez, sem nenhuma intercorrência, chegou ao seu clímax às 6 h da manhã do dia 18 de outubro do ano de 1941. Nascia, neste dia, o primogênito, pelas mãos experientes e competentes de D Lucila, desta vez sob a supervisão profissional do cunhado da parturiente, Dr. BRUZZA. E o recém- nascido, menino saudável e robusto, inundou de alegria aquele lar improvável devido à brutal diferença de idade entre o casal. Nome escolhido, logo se providenciou o batismo do bebê. Chamar-se-ia CLÓVIS e teve como padrinhos o casal JOSÉ DINIZ e sua esposa, D. LAURINHA DINIZ.
 O sacramento foi ministrado pelo Frei PROTÁSIO, pároco local, em frente ao altar mor da igreja de Santo Antonio, uma joia em madeira de lei, arte inigualável, hoje inexistente, vítima da sanha destruidora e ignorante de um padre alemão, chamado  Fortunato Lamprecht, de triste memória.
 Até hoje não entendo porque a comunidade oriximinaense permitiu que um energúmeno, interpretando de maneira errônea a Encíclica Papal, saído não sei de que buraco, transformasse a madeira do altar sagrado,  até em lenha para fogueira!...

                                                         
Continua na próxima sexta-feira...
Bom fim de semana a todos.


Clovis de Guarajuba
ONG Ande e Limpe

sexta-feira, 14 de julho de 2017

A história da professora AFONSINA - IX -


                                                        -  Imagem Internet



A família de D. CARMEM era composta por ela - viúva de LEONEL XIMENES DE ARAGÃO - e sete filhos cujos nomes, cronologicamente, passo a declinar: MARIA RITA, TITO LEONEL, ODALÉA CARMEM, JOÃO GUALBERTO, RAIMUNDO VITORIANO, AFONSINA ELINDA e PAULO DE TARSO, todos nascidos em Belém e alguns já casados. A família morava na casa da rua Boaventura da Silva, entre as travessa Nove de Janeiro e Vinte e Dois de Junho ( atual Alcindo Cacela ).
 Ao chegar de volta à Belém de sua viagem à Oriximiná, D. Carmem, sem perda de tempo e por recomendação expressa da MARIA RITA, tratou de comunicar à sua única filha ainda solteira, AFONSINA, de apenas 16 anos, que deveria preparar-se porque iria se casar com um senhor viúvo, cujo nome era FRANCISCO, " lá na cidade onde mora a sua irmã mais velha!..."
Cabe explicar, a esta altura, que as mulheres de então não tinham liberdade para escolher a quem desposar. A maioria das vezes eram os pais que determinavam quando e com quem se casariam. É inimaginável tal procedimento nos dias de hoje, daí a explicação.
Embora ainda por concluir o curso na Escola Normal do Estado do Pará, AFONSINA, obediente como as jovens o eram naquele tempo, sob a orientação da mãe, tomou todas as providências necessárias ao seu deslocamento para o destino que lhe fora comunicado há pouco, para ela totalmente desconhecido. O enxoval, incluindo o vestido de noiva, foi providenciado em Belém onde havia maior facilidade de ser confeccionado. Um ano se passara desde que a primeira esposa de FRANCISCO, D. LAURINDA, havia falecido, quando, lá pela segunda quinzena do mês de novembro de 1940, chegaram, pelo mesmo navio, o " Barão de Cametá ", D. Carmem e sua filha AFONSINA.
 A esta altura, a cidade toda já tomara conhecimento de que aquela moça seria oficialmente declarada noiva do Sr. FRANCISCO, assim que ele cumprisse as formalidades, pedindo sua mão em casamento perante a mãe da jovem e sua irmã mais velha. A notícia da próxima chegada da moça à cidade e da finalidade a que se destinava, fora metodicamente comunicada à sociedade local pela diligente e firme iniciativa da MARIA RITA. E o FRANCISCO, demonstrando irresistível atração pela recém chegada, não tardou a cumprir o ritual do pedido de casamento perante a parte da família da jovem presente na cidade. Desta vez, porém, na mesma ocasião da  cerimônia do pedido de casamento, foi anunciado pelo noivo que o enlace se daria logo no mês de fevereiro do ano seguinte, isto é, 1941. Faltava apenas determinar o dia, que dependeria, naturalmente, do cumprimento dos trâmites legais e da agenda do pároco. Finalmente, passadas as festas de fim de ano, ficou  decidido que a cerimônia nupcial seria realizada no dia 13 de fevereiro. Aliás, o dia 13 começava a marcar algumas datas importantes da vida da noiva: ela nasceu no dia 13 de janeiro de 1924 e agora casaria no dia 13 de fevereiro de 1941...

                                                                       
Continua na próxima sexta-feira...
Bom fim de semana a todos.


Clovis de Guarajuba
ONG Ande e Limpe
  

sexta-feira, 7 de julho de 2017

A história da professora AFONSINA - VIII -




                                         Praias do rio Trombetas - imagem da Internet -

Francisco, ao se casar com a filha mais nova de uma das figuras preeminentes da cidade, passou, como é natural, a frequentar os círculos mais altos da sociedade local. Não tardou muito, para fazer uma sólida e sincera amizade com o Médico, Dr. Bruzza, marido da tia Mary.  
Enquanto a amizade dos dois se solidificava, a ponto de tornarem-se confidentes, lá na Capital, sem meios de saber notícias atuais da filha, D. Carmem resolveu que deveria ir pessoalmente, visitar a primogênita. Tempos depois, eis que chega ao porto o " vapor " Barão de Cametá, trazendo entre seus passageiros a mamãe saudosa, que tinha a intenção de voltar à Belém pelo mesmo navio, o que demoraria cerca de doze dias, entre sua chegada à Manaus e seu regresso até Oriximiná. Tratou então de aproveitar a companhia da filha e do genro, o máximo de tempo possível.
É necessário, a esta altura da narrativa, passar para os leitores mais jovens, os preceitos e normas, inimagináveis para os dias de hoje, que vigoravam naquela época. Um preceito que tinha a concordância tácita de toda a sociedade, era que, quando dois ou mais homens estivessem conversando, nenhuma mulher ou criança e muito menos serviçal, poderia se aproximar, salvo se fosse expressamente chamado ou chamada. Deveriam passar ao largo!
 Um belo dia, porém, MARIA RITA casualmente ouviu, ao passar pela porta da sala, o FRANCISCO fazendo um comentário em sua conversa com o dr. BRUZZA, no qual se queixava de ter ficado viúvo, com um filho de apenas 5 anos de idade e precisava voltar a se casar. Na cidade porém, todas as moças em idade de casar e que lhe despertavam algum interesse, já eram casadas ou estavam comprometidas. MARIA RITA, atrevida, irrompeu na sala, aproximou-se dos dois e, de maneira inesperada, disse: " Seu CHICO, a mamãe voltará  à Belém e vai trazer minha irmã mais nova pra casar com o senhor! ". Estáticos, não só pelo inusitado da declaração mas principalmente pela  " intromissão absurda " de uma mulher na conversa de dois homens, nada foi dito de pronto por nenhum deles. Apenas fizeram um muxoxo que acabou sendo interpretado por ela como aquiescência. Alguns dias se passaram até que o " Barão de Cametá ", voltando de Manaus, aportou no
 " trapiche "*, desembarcando viajantes e mercadorias e embarcando passageiros e cargas - principalmente castanha do Pará e juta - e, entre os passageiros, lá se foi D. Carmem de volta à capital paraense cumprir as " determinações " da sua enérgica e resoluta filha...


* Ponte ( no caso, de madeira ) localizada à margem do rio, em frente à cidade, construída na parte mais profunda, que serve para a atracação de navios e outros barcos, à exceção de transatlânticos que carecem de maior calado. Estes, fundeavam no canal existente no meio do rio, lançando suas enormes âncoras, presas a correntes de diâmetro impressionante, para nós, meninos de imaginação fértil, 
" da grossura da nossa coxa "...
                                                               
Continua na próxima sexta-feira...
Bom fim de semana a todos.



Clovis de Guarajuba
ONG Ande e Limpe

sexta-feira, 30 de junho de 2017

A história da professora AFONSINA - VII -



O autor com o irmão, no dia da sua posse na Academia.


                           Faculdade de Direito onde se formou o homenageado nesta postagem.
                                         - Assim era o Largo da Trindade na década de 1960 -


Antes de começar a narrativa da história da minha mãe, permitam-me apresentar alguns dados biográficos daquele bebê, meu irmão, a quem aprendi a amar desde a mais tenra idade, único sobrevivente do relacionamento de FRANCISCO com a saudosa LAURINDA, sua primeira esposa:

     
                  J O S É    F I G U E I R E D O    D E    SOUZA

Nascido na cidade de Oriximiná, no dia 01.08.1935;
Cursou o primário no Grupo Escolar Pe. José Nicolino, em Oriximiná;
Cursou o ginásio e científico no Colégio Salesiano Na Sa do Carmo e no Colégio 
Estadual Paes de Carvalho, em Belém;
Formou-se em Direito, em 1960, pela antiga Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Pará; ( vide foto ilustrativa ).
Em 24.12.1977, foi agraciado com o Diploma Comemorativo do Primeiro Centenário de Oriximiná, diploma este assinado pelo então Prefeito do Município, Raimundo José Figueiredo de Oliveira; 
Agraciado com a insígnia Ordem do Mérito "Just et Labor ", pelo emérito Tribunal Regional do Trabalho da Oitava Região;
Em 19.12.2002, recebeu o título de " Cidadão de Belém ", conferido pela Câmara de Vereadores da Cidade de Belém;
Em 04.11.2004, recebeu o título de  Personalidade Pará 2004, concedido pelo Conselho de Profissionais do Estado do Pará;
Em 17.12.2004, foi agraciado pela Assembléia Legislativa do Estado do Pará, com o diploma e comenda " Ordem do Mérito Cabanagem ";
Eleito para a Academia Paraense de Letras, tomou posse da cadeira número 14, - cujo o primeiro ocupante e fundador foi Enéas Martins - no dia 04.11.2011 ( vide foto ilustrativa );
Já em 17.12.2009, por ocasião do recebimento da medalha

 " José Veríssimo", como numa premonição, declarou no seu discurso de  agradecimento à  Academia  Paraense  de  Letras: " Um dia, quem sabe, meu torrão natal também revelará ao mundo seus intelectuais! ";
Terminou seu discurso de posse na Academia, dizendo:

 " Oriximiná, com muito orgulho, a partir de agora, possui um legitimo representante na Academia Paraense de Letras! ".
Obras principais:
Nossa Viagem ao Oriente;
No Caminho de Deus e dos Homens;
Nosso Sonho Escandinavo;
Y.Yamada, uma História de Trabalho e Sucesso;
Poemas da Minha Juventude;
Alem de inúmeros artigos e reportagens publicados no antigo jornal O Liberal e na Folha do Norte.

Da Floresta Amazônica à Savana Africana, publicado em 2017- sua mais recente criação -.

Nesta postagem todos os seus irmãos  prestamos, por meu intermédio, as nossas justas e merecidas homenagens ao nosso irmão mais velho. Você é um dos nossos orgulhos e referências!!!



Continua...


Bom fim de semana a todos.



Clovis de Guarajuba

ONG Ande e Limpe

sexta-feira, 23 de junho de 2017

- LUTO... CLENALDO FRANCISCO ARAGÃO DE SOUZA - 11.10.1945 a 22.06.2017 -

                     
                              Meu irmão e eu, naquele papo que " decide o destino do mundo "...



 Arrasado emocionalmente, vejo-me obrigado a interromper a narrativa da história de vida da minha mãe, para falar sobre seu terceiro filho, o meu amado irmão CLENALDO FRANCISCO ARAGÃO DE SOUZA , que acaba de perder a luta travada bravamente contra o câncer, mal terrível que vem desafiando a ciência médica mais avançada e ceifando a vida de muitas pessoas, que, como ele, primaram pela correção e comprometimento com as coisas certas, em sua profícua e feliz passagem por esta vida.
Não quero, porém, falar sobre sua morte e sim dizer da minha admiração, assim como da admiração de todos os que tiveram o privilégio de conhecê-lo. Trata-se de ser humano incrível, capaz de semear o bem querer e a harmonia, em todos os lugares por que passou. Homem trabalhador e constante, passou uma boa parte de sua fecunda vida, prestando seus serviços profissionais e competentes, nas minas de bauxita em sua terra natal, Oriximiná, onde começou exatamente na instalação da empresa,
ficando nela até se aposentar. Foram décadas de dedicação que lhe proporcionaram percorrer o caminho que percorrem todos os profissionais competentes, começando como simples ajudante e alcançando a chefia de diversos departamentos.
E foi na cidade-modelo de Porto Trombetas, sede da subsidiária da Vale do Rio Doce, denominada Mineração Rio do Norte, no Município de Oriximiná, Estado do Pará, que formou sua família e criou seus 5 filhos. Ao seguirem o exemplo do pai, tornaram-se todos, mulheres e homens, seres humanos úteis, produtivos e queridos por todas as pessoas do seu convívio.
Tive o enorme prazer de visitá-lo e aos seus, por diversas vezes lá em Trombetas, sendo sempre recebido com a fidalguia e atenção que suplantavam os limites da gentileza. Lembro-me do orgulho que sentia quando, mesmo cheio de afazeres inerentes ao cargo, me levava em seu veículo de trabalho, para mostrar a grandiosidade das minas e a enormidade e complexidade dos equipamentos empregados na exploração do minério, tecnologia de primeiro mundo, encravada no coração da selva amazônica !



                                        O nosso CLEY cantando em um dos seus aniversários



 Lembro de seu orgulho e entusiasmo, ao me mostrar a estação de tratamento do esgoto da cidade, que devolve ao Rio Trombetas águas mais limpas do que as recolhidas para uso.
Obrigado meu amado irmão e amigo. Segue tranquilo rumo ao cosmos, na certeza que cumpriste magistralmente o papel que a vida te confiou.
Jamais, enquanto viver, deixarei de reverenciar tua imagem que, na minha retina, guarda aquele CLENALDO ativo e cheio de vida que acompanhei, como irmão mais velho, por um breve período, já que demos rumos diferenciados às nossas existências!
Te amo !!!

Aos meus amigos leitores digo:
Até a próxima sexta-feira

sexta-feira, 16 de junho de 2017

A história da professora AFONSINA -VI -



                                                                     Foto Internet


Os primeiros sinais sentidos, indicando que o bebê precisava vir à luz, foram verificados ao amanhecer do dia 01.08.1935. Um misto de euforia e preocupação invadiu a casa. Já haviam vivenciado, num passado recente, um trauma terrível, daí a preocupação. A euforia, porém, venceu e,  rezando baixinho, estavam esperando as notícias vindas do quarto por intermédio da parteira, d. Lucila - por muitos chamada carinhosamente de " mãe Lucila " - cuja experiência
já fora comprovada ao longo de vinte e muitos anos trazendo à luz os nascidos na cidade e até em alguns lugares do interior. E, finalmente, a notícia: nascera, sem nenhuma intercorrência, um robusto e belo menino! Ambos, parturiente e recém nascido, estavam muito bem, obrigado!
E o tempo passou assistindo a felicidade novamente reinar naquela família. FRANCISCO seguia trabalhando muito, como sempre, e agora com outros encargos correspondentes à administração da fazenda do sogro, localizada à margem direita do rio Cachoeiri, onde havia um rebanho de bovinos, e que servia mais de recreação para a família do que como geradora de recursos, já consideráveis, advindos dos castanhais. O preço da castanha do Pará, por sinal, subia ano a ano, proporcionalmente ao aumento do interesse dos compradores, agora já exportada para os EE.UU, que descobriram no seu consumo inúmeros benefícios à saúde e  ao paladar, passando a figurar como um dos principais componentes na elaboração de biscoitos, bombons e doces em geral.
Os cuidados dedicados ao pequeno JOSÉ - sim! este foi o nome escolhido à unanimidade,  para homenagear o avô - eram tantos e de tal monta que, por alguma razão misteriosa,  que  a natureza esconde e espera até hoje pela decifração por parte de nós humanos, apesar de todo  o amor existente entre o casal, uma nova gravidez só se verificaria  quatro anos depois, no ano de 1939.
Esta terceira gravidez, tal qual as outras anteriores, transcorreu sem  nenhum problema, a não ser aqueles já referidos e comuns a todas as grávidas. E chegou o dia esperado ansiosamente por todos. Os sinais de que o bebê começara a tentar abrir caminho em direção ao mundo exterior, tiveram início por volta das dez horas da noite do dia trinta e um de julho de 1939 mas, ao amanhecer do dia seguinte, apesar
do gigantesco esforço de todos e, principalmente da parturiente, todas as tentativas foram frustradas. A mãe e a criança ( era uma menina ), acabaram por sucumbir, inclusive pela ausência de um médico na cidade. A revolta se fez sentir, imediatamente e os familiares,
enquanto providenciavam o múltiplo funeral, instaram veementemente às autoridades, exigindo gestões urgentes com o objetivo de prover a cidade com a presença de um profissional graduado de saúde. Tal a força e o peso da família junto às autoridades, que logo no início do ano de 1940, foi designado um médico para a cidade. E este médico, que se chamava Dr. DURVAL BRUZZA, chegou à Oriximiná, trazendo consigo sua esposa,
 minha tia mais velha, por parte de mãe, MARIA RITA RODRIGUES DE ARAGÃO que, com o casamento, passou a chamar-se MARIA RITA DE ARAGÃO BRUZZA - chamada  carinhosamente pela sua família de  MEIRY ou MANA, naturalmente por ser a mais velha dos filhos do  casal LEONEL XIMENES DE ARAGÃO e CARMEN RODRIGUES DE ARAGÃO,  meus avós maternos.
E aí começa, verdadeiramente, a história da minha saudosa mãe 
-  AFONSINA ELINDA ARAGÃO DE SOUZA  - em sua passagem pela cidade de Oriximiná, chamada carinhosamente pelos seus filhos,
de " A Princesa do Trombetas "...

                                                     
Continua na próxima sexta-feira...
Bom final de semana a todos.


Clovis de Garajuba
ONG Ande e Limpe

sexta-feira, 9 de junho de 2017

A história da Professora AFONSINA - V -



        Meu jovem amigo ARAUAQUE e eu chegando ao antigo
        barracão, construído pelo papai.

         Meu sobrinho CLEY e eu, no interior do barracão.
                     (note-se que já não existe assoalho)

A confirmação da gravidez da LAURINDA, a segunda, trouxe novo ânimo a todos os familiares. Como é natural, aumentaram-se os cuidados com a parturiente cobrando-se, até dela própria, a observância de regras mais rígidas para o seu dia a dia. Alimentação rica e variada, tomada nas horas certas e nada de muito esforço ou longas caminhadas. Claro que tais atitudes da família não tinham razão de ser, pois o que ocorreu com a criança que morrera, nada tinha a ver com o comportamento, alimentação ou qualquer outra atitude da parturiente, como é fácil deduzir.  A criança morrera, como eu próprio teria morrido se tivesse nascido uns  10 ou 20 anos antes do meu próprio nascimento, porque a tecnologia que me
mantem vivo até hoje ( o marcapasso ), não existia e, fatalmente, já estaria morto, vítima de uma parada cardíaca durante o sono.
 A criança morrera, dizia, porque Alexander  Fleming, escocês 
( 06.11.1881 a 11.03.1955 ), apesar de ter casualmente descoberto a penicilina - primeiro antibiótico - em 1928, sua produção industrial como fármaco, só começou em 1938 nos EE.UU., isto é, quatro anos depois do infausto acontecimento. E a gravidez transcorreria sem nenhuma intercorrência, a  não ser pelas sempre presentes náuseas, comuns nos meses iniciais... Naquele ano, como que para comemorar antecipadamente a chegada de outro filho (ou seria filha ?...), a safra da castanha do Pará foi das mais generosas. Com isto, o trabalho 
de todos foi proporcionalmente maior, exigindo algumas viagens extras para trazer até a cidade, no " batelão "*, as castanhas que, por sua enorme quantidade, abarrotavam o barracão construído às margens do lago. As atribulações foram tantas, que FRANCISCO decidiu que construiria, naquele ano, um outro barracão, desta vez com uma estrutura definitiva e com capacidade de armazenamento dobrada. A construção foi de tal maneira caprichada, que até hoje permaneceria utilizável, não fora o vandalismo perpetrado por caçadores e pescadores que, não tendo a mínima consciência, usam a sua medeira fácil para fazer fogueira, ao lá acamparem para passar a noite! Não imaginam o trabalho, o sacrifício e o dinheiro que foram feitos e gastos para trazer da cidade os materiais corriqueiros e da 
capital, Belém, as telhas, que até hoje cobrem o barracão. ( Eu próprio estive no local, no ano de 2002, conforme fotos que ilustram esta postagem ).
 E o ano de 1935 já ia lá pela metade quando, sabendo que o parto estava próximo, foram providenciados todos os requisitos exigidos para uma feliz " délivrance "...


* BATELÃO - Grande embarcação desprovida de motor, que serve para transportar  qualquer tipo de carga e que é rebocado ou empurrado por barcos motorizados.

                                                             
Continua a próxima sexta-feira.
Bom fim de semana a todos.


Clovis de Guarajuba
ONG Andeelimpe

sexta-feira, 2 de junho de 2017

A história da Professora AFONSINA - IV -


Imagem Internet

Os costumes muito rígidos da época, não permitiam nenhum encontro dos jovens noivos a sós.  " Namorar " e até " Noivar ", tinham um significado que mantinha uma distância cósmica com o que hoje se pensa e acontece. No namoro, o respeito à integridade física e moral da namorada era sempre observado, mesmo porque a moça, recatada e " de família ", não permitia nem a mais inocente intimidade. Pegar na mão da jovem era um acontecimento que levava o namorado a dar pulos de alegria, na primeira oportunidade em que se encontrasse sozinho! Já o noivado era constituído pela permissão que o pai da jovem concedia ao noivo para frequentar sua casa, sentar-se, geralmente num sofá,ocupando um extremo, enquanto a noiva sentava no outro lado e, ainda assim, com a presença de algum adulto da família da pretendida - geralmente a mãe a fazer crochê -.
Por conta desses costumes, os casamentos aconteciam num prazo relativamente curto, considerando-se o dia em que a jovem - com a anuência do pai - aceitara o " pedido de casamento ". É que o noivo, geralmente apaixonado, como é natural, tinha urgência em
 " consumar o casamento ".
E vieram as núpcias de LAURINDA e FRANCISCO, festejadas com toda a pompa que o pequeno lugarejo podia oferecer. Mataram-se boi e porco. Há quem afirme que um peixe-boi foi servido, transformado que fora no mês anterior, em uma deliciosa " mixira ". ( E olha a água na boca do autor... ).* Uma enorme tartaruga ( olha a água teimosa novamente ), trazida pelo noivo lá do lago do Erepecu - mais precisamente do " tabuleiro "** - completavam o lauto almoço oferecido no dia seguinte pelo pai da noiva, a praticamente todos os habitantes da pequena cidade. É que todos se conheciam e, sem necessidade de convites, os que chegassem eram sempre bem-vindos. As comemorações estenderam-se por quase uma semana ao final da qual os noivos finalmente puderam se concentrar um no outro.
E tudo transcorria tal qual os dois haviam imaginado. A primeira gravidez da jovem esposa aconteceu lá pelo início do ano de 1934. Motivo de muita alegria para todos, especialmente para o casal; o primeiro filho  ( ou seria filha?...), prometia inundar aquele lar com a luz própria de todo bebê, aumentando assim a felicidade que já era incomensurável. A vida, porém, como que para trazer o casal de volta à realidade mundana - já que viviam em um paraíso de felicidade - e ajudada pela falta de recurso médicos e farmacêuticos da época, acabou por ceifar a vida da recém nascida ( sim, era uma menina!!! ), tornando-a  vítima, como era muito comum naqueles tempos, do chamado " mal dos sete dias ".
 A superação de tão angustiante golpe exigiu muito amor e dedicação do casal assim como o carinho de todo o restante da família. E, na medida do possível, a alegria voltou timidamente àquele lar, coroando a recuperação emocional dos dois, nas festas de fim de ano, quando já se desconfiava que a jovem esposa estava novamente grávida!...


* MIXIRA- Método usado para conservação de carnes, que consiste em retirar a gordura do animal, fritando seu toucinho, retirando o torresmo remanescente e fritando a carne a ser conservada na banha resultante, findo o que se coloca toda a carne já frita, juntamente com a banha, dentro de um recipiente de tamanho proporcional à quantidade a ser conservada e, depois de esperar tudo esfriar, tampa-se o recipiente para só abri-lo na ocasião em que se necessitasse usar as porções.

** TABULEIRO - Banco de areia localizado no largo do Lago do Erepecu, utilizado pelas tartarugas em sua desova anual. Conta-se que durante a desova, é impossível se visualizar a areia, tal a quantidade de tartarugas desovando ao mesmo tempo, em noites sucessivas.


                                                                     
Continua na próxima sexta-feira...
Bom fim de semana a todos.


Clovis de Guarajuba
ONG Andeelimpe

sexta-feira, 26 de maio de 2017

A história da professora AFONSINA - III -


                                                    - Exemplo de barco puxando canoas -
                                                                         ( foto Internet )

Disposto a não decepcionar o novo amigo e agora patrão, o jovem FRANCISCO atirou-se de corpo e alma aos seus afazeres. Estes compreendiam o acompanhamento " in loco " da colheita da castanha do Pará, feita por muitos e muitos homens sob seu comando, que se embrenhavam na mata todo dia, ao nascer do sol, em busca dos ouriços valiosos e retornavam à tardinha, não importando se era segunda-feira ou domingo. O castanhal era localizado a mais ou menos um dia de viagem desde a cidade até o interior do lago Erepecu. O deslocamento era feito em " motores " que, além de lentos, levavam ao reboque inúmeras canoas, necessárias na busca da castanha em lugares inacessíveis para um trabalhador a pé. Homens e víveres se amontoavam no convés e objetos e ferramentas que não necessitavam de proteção contra a chuva inesperada e constante, ocupavam lugares nas canoas.  Durante a safra era imperioso que os trabalhos não sofressem jamais solução de continuidade, não importando nem pequenos ferimentos em consequência de acidentes, e nem doenças que não obrigassem o trabalhador a ficar totalmente sem condições de se locomover.  Riscos monumentais ameaçavam a todos nessa coleta. De cobras peçonhentas a onças, de bandos de ferozes porcos do mato ou catitus, às doenças tropicais, entre as quais se destacava a malária, companheira indesejada mas constante, a prostrar no " fundo de uma rede '' aqueles a quem acometia. E dela, o próprio FRANCISCO também não escapou. Ao contrário, por diversas vezes foi agredido por este mau muitas vezes mortal!!!
Após se inteirar de todos os detalhes das tarefas que lhe foram designadas pelo patrão e amigo, tanto teoricamente, nas conversas entre os dois, como conversando com outros " trabalhadores da castanha ", mais antigos no ramo, quanto na prática, no trabalho na mata, FRANCISCO começou a ter mais tempo para estabelecer maiores contatos com as pessoas da cidade e, principalmente, com os familiares do sr JOSÉ. Como era de se esperar, ao demonstrar possuir aptidão total para com os seus deveres, ter iniciativas corretas e, especialmente, passar por todos os testes de honestidade feitos sistematicamente pelo patrão, a admiração de todos começou a se verificar e o jovem e simpático empregado passou a ser convidado, vez por outra, para fazer refeições na casa do seu empregador...
Ao se aproximar mais e mais da família do patrão-anfitrião, ficou conhecendo melhor seus filhos e filhas, em número de seis que, em ordem cronológica eram, DALILA, HILDEBRANDO, ADRIANA, CORINA, LAURINDA e SOTER. E foi na mais nova das filhas, a LAURINDA, em quem o jovem despertou um misto de admiração e bem querer. Tais sentimentos, comungados também por FRANCISCO - embora não devessem demonstrar nada do que sentiam um pelo outro, devido às rígidas regras sociais de então - acabou por aproximá-los, com a permissão tácita e até entusiástica de seu pai,  embora sem demonstração acintosa . E tudo isto acabou por levar os dois jovens a selarem um compromisso solene, primeiro perante a família da moça e depois perante a sociedade local, sendo logo  marcadas as cerimônias nupciais que seriam realizadas em data a ser confirmada, já no ano de 1933...
                                                         
                                                                       
Continua na próxima sexta-feira...
Bom fim de semana a todos.



Clovis de Guarajba
ONG Andeelimpe

sexta-feira, 19 de maio de 2017

A história da professora AFONSINA - II -


Castanha do Pará



A empatia existente entre o jovem FRANCISCO e o Sr. JOSÉlogo deu lugar a uma amizade que, embora se verificando uma brutal
diferença de idade entre os dois, lá pelo quinto ou sexto dia de viagem, levou o Sr. JOSÉ a dizer ao jovem novo amigo que ele não mais iria para o Estado do  Amazonas.  Ao contrário, deveria esquecer a borracha e vir trabalhar com ele na cidade  onde morava
 e exercia suas atividades à frente de um extenso " castanhal " de sua propriedade.
A confiança mútua levou o jovem FRANCISCO a aceitar, sem muita delonga, a proposta de emprego, embora não tivesse nem a mínima ideia do que seria um " castanhal " e muito menos quais as condições de trabalho que lhe seriam disponibilizadas na tal localidade.
Convite aceito, alguns dias depois, o navio " gaiola " aportava na  cidade onde vivia o Sr. JOSÉ.
Na verdade, nem de " cidade " poderia ser chamada a pequena vila...
 Fundada  em 1877 pelo Padre JOSÉ NICOLINO DE SOUZA, na parte conhecida como  " terra firme ", na margem esquerda do Rio Trombetas, teve como primeiro nome, conferido  pelo seu lendário fundador, Uruá-Tapera .  Pela Lei 1288, de 11.12.1886, foi elevada à categoria de Freguesia de Santo Antonio de  Uruá,  pelo presidente da Província do Grão-Pará e Desembargador do Maranhão,
Dr. Joaquim da Costa Barradas.
São imprecisas as informações sobre a vida da Freguesia, no período compreendido entre sua fundação e a data de 09.06.1894, quando o então Governador do Estado, Dr. LAURO SODRÉ, elevou-a à categoria de " Vila ", já com o nome de Oriximiná. A criação do município, com a mesma denominação, se deu no dia cinco de dezembro do mesmo ano, sendo nomeado como primeiro intendente, o Sr. Pedro Carlos de Oliveira.
Por ocasião da chegada do jovem FRANCISCO, lá pelo início da década de 1930, a cidade era constituída por apenas três ou quatro ruas, que subiam preguiçosamente por ladeiras mais ou menos íngremes e desprovidas de qualquer obra que facilitasse o trânsito de seus habitantes. Uma destas ruas levava a uma praça ampla, no centro da qual fora erguida uma igreja, cuja pedra fundamental
 foi solenemente assentada e benzida, no dia  23.07.1922 - quando se comemorava o primeiro centenário da independência do Brasil - pelo Venerável Vigário da Paróquia de Óbidos, Frei Rogério 
Voger O.F.M.
 O jovem e aventureiro viajante, já demonstrara grande admiração pela paisagem encantadora, única para seus olhos nordestinos acostumados às terras áridas, logo por ocasião da chegada do
 " vapor " a foz do Rio Trombetas.
 Este rio, de águas límpidas e transparentes, contrastava de maneira brutal com as águas barrentas do Rio Amazonas, deixado para trás lá pelos lados da cidade de Óbidos. Completou-se seu encantamento, com a visão de estonteante beleza, das praias alvíssimas à frente da cidade e ele decidiu, naquele momento, que aquele lugar maravilhoso seria pra sempre sua morada!
                                               
                                                               
Continua na próxima sexta-feira.
Bom fim de semana a todos.



Clovis de Guarajuba
ONG Andeelimpe

sexta-feira, 12 de maio de 2017

A História da professora AFONSINA - I -



NAVIO " GAIOLA "


Atendendo a alguns pedidos de amigos e parentes, volto a publicar neste espaço, descrevendo da maneira mais fiel possível, a história da vida da minha mãe, AFONSINA ELINDA ARAGÃO DE SOUZA, em sua passagem pela cidade paraense de Oriximiná, localizada à margem esquerda do Rio Trombetas, contribuinte
importante, com suas límpidas águas, para aumentar o volume, já enorme, do maior  rio do mundo, o Amazonas.
 Para que os leitores entendam tudo o que aconteceu na vida fecunda desta valorosa, heroica  e destemida mulher, é imprescindível começar sua história pela a história do homem  que viria a ser seu esposo, e que, mercê dos mistérios insondáveis do destino, a arrancou da tranquilidade em que vivia em Belém, sua terra natal, e a levou -a para ser  protagonista importante na história da sua própria vida e na vida da cidade que a acolheu.
Nascido na cidade de Bananeiras, estado da Paraíba ( onde estive, em viagem de cerca  de uma semana  no ano de 2014, juntamente com meus irmãos CLÉO e CLEISYa procura de seus parentes ), o Sr. FRANCISCO MARTINS DE SOUZA, então com 23
 anos de idade, a exemplo de muitos e muitos outros jovens nordestinos, inconformado  com a falta de oportunidade para crescimento material em sua terra, resolveu procurar  na região amazônica ( então a Meca dos lugares promissores do País, principalmente por conta da enorme valorização da borracha ), melhores condições de vida, demonstrando com tal iniciativa, desassombro e destemor, na busca por seu ideal.
 Chegando à Belém, resolveu que, imediatamente, navegaria para o Estado do Amazonas,  a bordo de um dos " vapores " que faziam a linha da capital paraense até Manaus, lugar onde viviam os donos de seringais, os famosos " barões da borracha ", assim chamados
 porque, afirmam, chegavam a acender charutos caríssimos com notas de contos de reis!
 As viagens, subindo o rio, demoravam até 20 dias para chegar ao destino.  É que as caldeiras, cujo vapor gerava a força motora para impulsionar os navios, necessitavam de muita lenha, que era recolhida em diversos pontos do percurso e, quando não  havia uma quantidade suficiente para alcançar o próximo ponto de coleta, a espera era inevitável, enquanto se recolhia a lenha complementar.
Com isto era de se esperar que durante a jornada,  os companheiros de viagem, mantendo um convívio diuturno, passassem a se conhecer melhor, surgindo entre alguns deles, não raro, um sentimento de simpatia e amizade. Foi exatamente o que aconteceu entre o jovem FRANCISCO e um outro viajante, bem mais maduro, que se chamava JOSÉ CLEMENTINO DE FIGUEIREDO...                                        
                                                                       
                                                                   
Continua na próxima sexta-feira.

Bom fds a tds.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

- DESCULPEM-ME, A INDIGNAÇÃO FALOU MAIS ALTO!!!

.
                                                                        - pacu -
                                             
 Ao assistir a uma reportagem exibida pela Globo News, lembrei-me do absurdo por mim presenciado no porto de Manaus, numa das minhas inúmeras visitas anuais àquela cidade. Trata-se de um dos mais imorais fatos de que se tem notícia neste País, já repleto de imoralidades: o desperdício vergonhoso de alimentos, enquanto muitos conterrâneos morrem de fome!!!
Todos os anos, no período em que a vazante dos rios amazônicos tem inicio, a captura de peixes nos rios, igarapés e lagos da região, aliada à abundância de espécies como pacu, jaraqui, aracu e outras, é feita em grande quantidade. Ao chegarem à Manaus, diariamente, os pescadores não têm a quem
vender o produto do seu trabalho - o mercado consumidor é restrito e não há locais de
armazenamento - e são jogadas no lixo em média, 10 toneladas de peixes todos os dias!
Enquanto isto ocorre, no Nordeste Brasileiro, multidões passam fome! Há mais ou menos
10 anos, mandei um e-mail para o então Senador pelo Amazonas, Sr. Arthur Virgílio,
descrevendo este verdadeiro crime e sugerindo que instasse a quem de direito, a fazer a seguinte
operação: dispomos, na Base Aérea de Manaus, de nada menos que 8 aviões de carga
modelo C105A-Amazonas, de fabricação espanhola, capazes de carregar até 9,7
toneladas cada um. Por que não utilizá-los para trazer o pescado excedente da região,
acondicionado em containers refrigerados, para quem precisa dele???! Comprar-se-iam
os peixes por um preço simbólico (digamos, a dois reais) e se venderiam  nos diversos
municípios em estado de calamidade pública, aqui no nordeste, a preço subsidiado.
Com isto resolveríamos pelo menos tres problemas cruciais, a saber:

1- ajudaríamos o pescador da região a minimizar os prejuízos, afinal dois reais é melhor
do que nada;

2- mataríamos a fome dos flagelados das regiões carentes, que pagariam com prazer pelo
alimento, a preço subsidiado ( pois, ao contrário do que pensam os governantes de plantão,
o povo, em sua maioria absoluta, não quer nada de graça, como as famigeradas bolsas disso,
bolsas daquilo e cestas básicas, que só fazem humilhar o cidadão, como disse muito bem
o grande Luiz Gonzaga) e

3- diminuiria a terrível poluição decorrente do descarte de  peixes no lixo e principalmente
no Rio Negro, já muito poluído por outros agentes.

E não me venham com desculpas do tipo " os aviões não podem ser usados para esse fim ".
Os aviões são do povo, pois o governo não produz nada, só faz gastar ( e muito mal ) o
dinheiro arrecadado deste mesmo povo que, garanto, autorizaria, em um eventual plebiscito,
seu uso para este fim nobre!!! Que as devidas providências sejam tomadas, urgente, uma
vez que tal desperdício imoral, acontece todos os anos nesta mesmo época..



                                                                 - jaraqui -

Um excelente final de semana a todos. Se possíavel, deixem suas opiniões nos
comentários abaixo do texto.
Abraço e bom final de semana.

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limape

sexta-feira, 28 de abril de 2017

- ADVERTÊNCIA AOS LEITORES


Quero aproveitar este momento  para advertir aos meus caros leitores - principalmente
os do sexo masculino - a se cuidarem, fazendo rotineiramente os exames necessários à
manutenção da saúde. O enfrentamento de tais doenças, as angústias que me acometeram
quando no aguardo do resultado de exames mais detalhados, as noites insones ou mal
dormidas por conta das preocupações minhas e das pessoas que me amam, me levam a
advertir a todos, pra que deixem de lado as " frescuras " e/ou pudores do tipo " nada de
dedada! ", pois a vida é muito mais importante do que qualquer outra coisa! A preservação
da vida não admite brincadeiras! Ela é única e muito preciosa; a não ser que você não se
ame a si mesmo!
 Saiba que, quando estava sendo submetido ao procedimento cirúrgico, na
sala ao lado estava sendo submetido ao mesmo procedimento, um homem com apenas 45
anos de idade!!! Muito diferente de mim, àquela altura, com 70 anos! Descobri que o
câncer de próstata acomete a cerca de 98% dos homens que, se não morrerem antes, em
algum momento da vida terão que enfrentar esta terrível moléstia. É estarrecedor, eu sei;
mas temos que enfrentar os fatos como HOMENS que somos! Feitas estas conclamações
e advertências - por quem tem autoridade pra fazê-las -  devo dizer que a partir da próxima
sexta-feira, retornarei às narrativas dos episódios finais desta minha saga, apresentando o
sétimo acidente de que fui vítima e do qual inacreditavelmente sobrevivi, embora tenha a
lamentar a morte dolorosa dos outros dois participantes dele...

Um ótimo final de semana a todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 24 de março de 2017

COISAS QUE SÓ ACONTECEM NO BRASIL...

                             
                            Mercado MAO


Mais uma vez  chego à  Manaus e me vejo frente a frente  com uma situação  inusitada e revoltante. Ao chegar, bem cedinho, ao porto, para embarcar no navio que  me levará  até a cidade de Oriximiná, onde devo visitar alguns amigos de infância e passar alguns dias na fazenda de um deles,  constato, novamente, que continua o desperdício imoral de algumas toneladas de peixes, resultado da diutuna pescaria feita por profissionais artezanais do ramo. São  muitos e o resultado delas, demonstra o quanto os rios amazônicos são  generosos. Inúmeras  e variadas embarcações, chegam bem cedinho à  orla da cidade e, incontinente, começam a comercializar as variadíssimas espécies. São,  principalmente,  tambaqui, pacu, curimatá, jaraqui, mapará, surubim, acari ( ou bodó ),  aruaná e outras espécies menos comuns.
O limitado número de compradores, não tem capacidade de consumo suficiente sequer para absorver metade dos peixes oferecidos. É  que, uma grande quantidade das espécies  de maior valor comercial, é  adquirida pelos peixeiros do mercado de peixe, em carretas frigoríficas provenientes de cidades interioranas, tradicionalmente fornecedoras de peixes de melhor qualidade, tanto dos rios como de criatórios. Lá, por volta de meio dia, na iminência da perda total das sobras, os pobres trabalhadores, heróis  da cansativa faina no rio, começam  a apregoar, a plenos pulmões, a oferta de até  50 unidades por apenas R$ 5,00 ! Mais algumas poucas unidades vendidas e começam a descartar as sobras, imprestáveis, mercê  da exposição às  intempéries, já  que não  há  nenhum tipo de refrigeração. As sobras - que contam-se em toneladas - são  simplesmente descartadas no Rio Negro!
Enquanto isto, no Nordeste brasileiro, há  pessoas morrendo de fome !
O que falta para nossos incompetentes  e egoísta governantes, colocarem containers com gelo, para serem transportados nos aviões Hércules  ( aqueles mesmos usados no transporte dos corpos das vítimas do acidente aéreo com a equipe da Chapecoense ). Tais equipamentos, fabricados para transportar cargas pesadas, permanecem parados em diversas bases aéreas espalhadas pelo território nacional, ociosos ou apenas eventualmente utilizados. A sugestão é  que o Governo compraria os peixes nas mãos  dos pescadores a, digamos, 2 reais o quilo e transportaria para o Nordeste do País, vendendo o produto aos necessitados e atingidos duramente pela seca prolongada, a 5 reais o quilo e, se não  for  legal a criação  desta despesa, uzar-se-ia a diferença de 3 reais, para pagar as despesas com o combustível.
É  imoral e vergonhoso jogar comida no lixo, enquanto muitos morrem de fome !
Inacreditável a falta de iniciativa dos nossos governantes!!!






sexta-feira, 3 de junho de 2016

1 - ALGUNS FENÔMENOS AMAZÔNICOS.




Há algumas explicações que devem ser dadas, principalmente àqueles que não têm a
felicidade de conhecer a região amazônica:
Quando nasci, em 18.10.1941, meus pais, então recem casados ( sou o primogênito do 2o
casamento do meu pai ), possuiam, além do rendoso negócio com castanha do Pará, uma fazenda
à margem direita do rio Cachoeiri. Este riozinho é uma das duas únicas ligações entre a calha
principal do Rio Amazonas e o seu afluente, pela margem esquerda, o Rio Trombetas.
Agora convoco-os a fazer um exercício de raciocínio: imaginem o que significa, em volume de
água, a invasão do maior rio do mundo, a um riozinho que, àquela época, tinha pouco mais de
100 metros de largura! A correnteza é brutal! As margens e o leito do Cachoeiri são
arrancados pelas águas violentas do Amazonas, tornando-o, a cada dia, mais profundo e mais
largo. A previsão é de que, dentro de poucos anos, o Cachoeiri estará ligado a um lago que
existe na parte posterior da fazenda. É preciso dizer, a esta altura, que o Rio Amazonas é
geológicamente novo pois, não tendo ainda definido seus limites marginais, continua a escavar seu próprio leito e a erodir suas pseudo margens, transformando-os em sedimentos que são carregados
para formar novas ilhas e bancos de areia, alhures. Por conta deste fenômeno é que,
independente das qualificações ou dos cursos, títulos e/ou experiência que detenham os
comandantes de navios vindos de todo o mundo, ao chegarem na foz do Amazonas, nas
proximidades da cidade de SalinópolisSalinas para os íntimos ), o comando desses
" monstros ", capazes de carregar  até 80 000 toneladas de carga, é assumido por um
profissional denominado ( erroneamente, a meu ver ) de "Prático". Esta providência é tomada
justamente porque o leito do rio é diuturnamente modificado: ora desaparecem ilhas e bancos
de areia já consolidados; ora surgem, onde antes nada havia, novas ilhas, cuja deteção só
pode ser percebida por quem conhece as " manhas "do rio, evitando, mercê desse conhecimento,
o encalhe muitas vezes irremediável das embarcações. Conheço razoavelmente essa função
de comando, porque tive dois tios - tio Tito e tio Paulo Aragão - e dois primos -
Alberto e Leonel Aragão - que exerciam as funções de comandantes e práticos da
Marinha Mercante na Região Amazônica, conduzindo seus navios, não raras vezes, até
Iquitos, no Peru. Tive, tambem, a oportunidade de viajar em um graneleiro carregado com
60 mil toneladas de bauxita oriunda das minas do Trombetas com destino à  Barcarena
e posso garantir que há sim a necessidade dos "Práticos" no comando desses transatlânticos,
embora sejam equipados com toda a parafernália eletrônica moderna.

Continua.......................

Excelente final de semana a todos e um abraço do amigo,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 20 de maio de 2016

ANAVILHANAS-PARAÍSO AMAZÔNICO.

ESTAÇÃO DA CHEIA
NA ESTAÇÃO DA SECA SURGEM AS PRAIAS
Sempre que não tiver novidades sobre nossa ONG ANDE E LIMPE,
procurarei falar, nos meus comentários neste espaço, a respeito de
pontos - no nosso território - que merecem ser visitados, quer por seus
encantos naturais, quer pela preservação que ainda ostentam.
Neste primeiro comentário quero me referir ao ARQUIPÉLAGO DAS
ANAVILHANAS. Trata-se de uma reserva natural transformada pelo
Decreto do Governo Federal 86061, de 02/07/1981, em ESTACÃO
ECOLÓGICA, com extenção de aproximadamente 350.000 ha.
Localizada a 70 km de Manaus, essa maravilha (pouco visitada por
brasileiros), é constituida por cerca de 400 ilhas. Na estação das cheias
amazônicas, as ilhas ficam quase que totalmente inundadas, formando
um emaranhado de "furos" e "paranás" capazes de desnortear quem não
conhece a fundo seus segredos. Na estação das secas, aí sim, descobrem-se
as praias de areia branca onde tartarugas, tracajás, pitiús e outros
quelônios, desovam aos milhares, protegidos por fiscais do IBAMA e
pelos habitantes privilegiados desse paraíso. Você que, por seu esforço
e trabalho, angariou recursos que permitem viajar de férias, não o faça
para o exterior antes de conhecer as maravilhas do seu País! Saiba que
cada vez mais europeus e americanos e orientais, veem nos visitar, ávidos por
conhecer as belezas únicas em todo o mundo, localizadas na AMAZÔNIA!
As ANAVILHANAS são o maior ornamento natural do Rio Negro.
Um abraço a todos e até a próxima.
Clóvis de Guarajuba
ONG Ande e Limpe

PS:Fotos de José de Paula Machado p/ a Coca-Cola

sexta-feira, 13 de maio de 2016

CUIDADO! NÃO JULGUE NINGUÉM ÀS PRESSAS.


Muitas vezes teimamos em criticar outras pessoas sem levar em conta as
circunstancias , possibilidades e a maneira de ver e interpretar determinados
"fatos". Teimamos em não verificar nossos próprios defeitos e limitações.
Somos incapazes de olhar pra dentro de nos mesmos, antes de criticar.
A estória que se segue, ilustra bem o que quero dizer:
************************
"Recém casados, o casal foi morar em um bairro residencial muito tranquilo.
Já na primeira manhã, enquanto tomavam café, a mulher olhou atraves da janela e,
reparando que uma vizinha pendurava alguns lençois num varal, comentou
com o marido:
- Veja, querido. Os lençois que aquela senhora está estendendo no varal estão sujos!
Quando tiver intimidade com ela, vou aconselha-la a mudar de sabão!
O marido ouviu mas não disse nada. Alguns dias depois, a mesma cena. Durante o café
da manhã, a vizinha pendurava lençois no varal e a mulher novamente comentou:
- Que coisa! A vizinha continua a estender lençois sujos no varal.
Se eu tivesse intimidade, perguntaria se ele quer que eu a ensine a lavar roupas!

E assim, semana após semana, a mulher repetia a mesma ladainha para o marido,
enquanto a vizinha estendia os lençois. Um mes depois, a mulher teve uma surpresa
quando viu a vizinha estendendo no varal, lençois branquinhos, imaculados e sem nenhum sinal
de sujeira. Correu ao encontro do marido e, empolgada, disse:
- Veja, querido, a vizinha aprendeu, finalmente, a lavar as roupas. Será que a outra
vizinha a ensinou?! Porque eu não ensinei...
E o marido, com toda a calma, respondeu:
- Não, filha. É que hoje eu levantei mais cedo e limpei os vidros da nossa janela!...

A todos os meus amigos e visitantes, um excelente final de semana!
Grande abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande e Limpe

sexta-feira, 6 de maio de 2016

NUNCA PARAMOS DE APRENDER!...

- Aos 8 anos aprendi que não posso dizer certas palavras que meu pai diz;- Aos 11 anos descobri que a professora sempre me chama quando não sei a resposta;
- Aos 13 anos descobri que quando meu quarto está do jeito que eu gosto, mamãe
manda arruma-lo;
- Aos 15 anos descobri que não devo descarregar minhas frustrações no meu irmão
mais novo porque meu pai tem frustrações maiores e a mão bem pesada;
- Aos 20 anos aprendi que quando chego atrasado no trabalho o patrão chega mais cedo;
- Aos 25 anos aprendi que nunca devo elogiar a comida da mamãe quando estiver
comendo alguma coisa feita pela minha mulher;
- Aos 29 anos aprendi que quando temos, finalmente, uma noite sem as crianças,
passamos a maior parte do tempo falando sobre elas;
- Aos 34 anos aprendi que quando mais preciso de férias é justamente quando
volto delas;
- Aos 42 anos aprendi que se estamos levando uma vida sem fracassos é porque não
nos arriscamos o suficiente;
- Aos 44 anos aprendi que as gravatas de seda caras são as únicas que atraem molho
de espaguete;
- Aos 48 anos aprendi que para saber quem realmente manda na casa é só observar
quem toma conta do controle remoto da TV;
- Aos 55 anos aprendi que o homem tem 4 idades:
- Quando acredita em Papai Noel;
- Quando não acredita em Papai Noel;
- Quando é o Papai Noel e
- Quando se parece com Papai Noel.
- Aos 60 anos aprendi que não posso mudar o passado, mas posso "deixar pra la";
- Aos 63 anos aprendi que todas as pessoas que dizem "dinheiro não é tudo"
geralmente tem muito dinheiro;
- Aos 65 anos aprendi que viver sozinho é muito bom se você for um queijo ou
um bom vinho;
- E, finalmente hoje, aos 75 anos aprendi que tenho muito que aprender!!!

Abraços, bom final de semana, até a próxima.

Clóvis de GuarajubaONG Ande e Limpe

sexta-feira, 29 de abril de 2016

- VOCÊ ACREDITA NO "SOBRENATURAL "?




Um eminente neurologista da Filadélfia, Dr. S.WEIR MITCHELL, certo dia
chegou em casa exausto depois de um dia duro de trabalho no consultório e
adormeceu em sua cadeira de balanço. Acordado pelo toque da campainha, abriu
a porta e viu uma adolescente magra, com um xale surrado sobre os ombros,
tremendo de frio, que lhe pediu encarecidamente que fosse ver sua mãe que, segundo
disse, se encontrava gravemente doente. Como sempre fazia, o médico acompanhou-a
pelas ruas cobertas de neve até uma casa velha. Quando chegou ao quarto da enferma,
o médico reconheceu a doente. Ela fora sua criada tempos atras. Pneumonia foi o
diagnóstico. Como de costume mandou buscar os remédios necessários. Acomodou a
mulher o mais confortavelmente possível e, antes de sair, felicitou-a por ter uma filha
tão dedicada que, apesar de tiritar de frio, apenas protegida por um velho xale, o foi
chamar para socorre-la.

Ao ouvir as palavras do médico a mulher alhou espantada e disse:

- Não pode ser! Minha filha morreu ha um mes! O xale e os sapatos dela estão ali
naquele armário.

O médico examinou o armário, onde encontrou o mesmo xale que vira momentos
antes sobre os ombros da jovem que tocara sua campainha. Estava dobrado e
completamente seco. Não podia ter sido utilizado naquela noite invernosa.
A estranha jovem que tão misteriosamente o conduzira até junto da paciente nunca
mais apareceu...

Abraços e um excelente final de semana para todos.Clóvis de GuarajubaONG Ande&Limpe