Há algumas explicações que devem ser dadas, principalmente àqueles que não têm a
felicidade de conhecer a região amazônica:
Quando nasci, em 18.10.1941, meus pais, então recem casados ( sou o primogênito do 2o
casamento do meu pai ), possuiam, além do rendoso negócio com castanha do Pará, uma fazenda
à margem direita do rio Cachoeiri. Este riozinho é uma das duas únicas ligações entre a calha
principal do Rio Amazonas e o seu afluente, pela margem esquerda, o Rio Trombetas.
Agora convoco-os a fazer um exercício de raciocínio: imaginem o que significa, em volume de
água, a invasão do maior rio do mundo, a um riozinho que, àquela época, tinha pouco mais de
100 metros de largura! A correnteza é brutal! As margens e o leito do Cachoeiri são
arrancados pelas águas violentas do Amazonas, tornando-o, a cada dia, mais profundo e mais
largo. A previsão é de que, dentro de poucos anos, o Cachoeiri estará ligado a um lago que
existe na parte posterior da fazenda. É preciso dizer, a esta altura, que o Rio Amazonas é
geológicamente novo pois, não tendo ainda definido seus limites marginais, continua a escavar seu próprio leito e a erodir suas pseudo margens, transformando-os em sedimentos que são carregados
para formar novas ilhas e bancos de areia, alhures. Por conta deste fenômeno é que,
independente das qualificações ou dos cursos, títulos e/ou experiência que detenham os
comandantes de navios vindos de todo o mundo, ao chegarem na foz do Amazonas, nas
proximidades da cidade de Salinópolis ( Salinas para os íntimos ), o comando desses
" monstros ", capazes de carregar até 80 000 toneladas de carga, é assumido por um
profissional denominado ( erroneamente, a meu ver ) de "Prático". Esta providência é tomada
justamente porque o leito do rio é diuturnamente modificado: ora desaparecem ilhas e bancos
de areia já consolidados; ora surgem, onde antes nada havia, novas ilhas, cuja deteção só
pode ser percebida por quem conhece as " manhas "do rio, evitando, mercê desse conhecimento,
o encalhe muitas vezes irremediável das embarcações. Conheço razoavelmente essa função
de comando, porque tive dois tios - tio Tito e tio Paulo Aragão - e dois primos -
Alberto e Leonel Aragão - que exerciam as funções de comandantes e práticos da
Marinha Mercante na Região Amazônica, conduzindo seus navios, não raras vezes, até
Iquitos, no Peru. Tive, tambem, a oportunidade de viajar em um graneleiro carregado com
60 mil toneladas de bauxita oriunda das minas do Trombetas com destino à Barcarena
e posso garantir que há sim a necessidade dos "Práticos" no comando desses transatlânticos,
embora sejam equipados com toda a parafernália eletrônica moderna.
Continua.......................
Excelente final de semana a todos e um abraço do amigo,
Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe


BLOG_pronta2BLOG.jpg)



























