sexta-feira, 29 de setembro de 2017

- MIOLO DE PÃO - introdução -




 
Sou um leitor compulsivo daqueles
que, em viagem e não tendo levado
nenhum livro na bagagem, ficam com
as diversões prejudicadas até conseguirem
algo para ler. Há ocasiões em que até uma
revista ou jornal bem antigos resolvem
a questão. Na diversidade de assuntos
abordados nos livros em geral,
destacam-se de um lado aqueles que
tratam de temas infantis - embora agradem
também a adolescentes e adultos -, a
exemplo dos imortalizados pelo gênio
de Walt Disney. Do outro lado
há os temas eminentemente adultos a
exemplo da trilogia de grande sucesso
atualmente - Cinquenta Tons de Cinza,
Cinquenta Tons Mais Escuros e
Cinquenta Tons de Liberdade, de
E.L.James -.Pairando no " limbo "
compreendido entre estes dois temas,
existe uma série de obras encantadoras,
entre as quais destacam-se, a meu juízo,
O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway,
O pequeno Príncipe, de Antoine de
Saint Exupery e algumas outras, às
quais acrescento, sem nenhuma
sombra de dúvida, a obra de autoria
de Agildo Monteiro, Miolo de Pão.
Como faço todo ano, estava em Belém
para a festa do Círio de Nazaré, no
ano passado. Aos domingos, na Praça
da República, há uma feira de
artesanato muito concorrida, onde
se vende de tudo. Como é natural, há
algumas bancas que oferecem aos
transeuntes livros usados, numa espécie
de sebo a céu aberto.



Enquanto minhas acompanhantes circulavam a procura
de algo interessante, fiquei - como faço sempre -, pesquisando títulos e lendo
as " orelhas ", o que me proporciona momentos de puro prazer. Foi assim que
descobri uma verdadeira joia. Fiquei tão entusiasmado com a singeleza do
texto e com o tema abordado, que resolvi publicar sua íntegra neste meu blog,
contando para isto com a autorização entusiástica do seu autor, que conseguiu  
nesta obra, com rara felicidade, retratar a alma do povo paraense no
ambiente festivo e emocionante da maior festa do paraense: o Círio de Nossa
Senhora de Nazaré. Trata-se de Agildo Monteiro Cavalcante, advogado,
sócio fundador da Associação Paraense de Escritores, membro do Sindicato
dos Escritores - Rio de Janeiro - e da União Brasileira de Escritores - São
Paulo, além de membro da Academia Paraense de Letras onde ocupa a
cadeira 18. É autor de inúmeras obras tais como, A Promessa, A Verde Rã,
Um Animal Muito Estranho, A Bordo, Os Ratos D'água; nas antologias de
Contos Paraenses, está presente com A Fuga ( aborda a violência no sul do
Pará ) e Natanael Martim de Maristela ( sobre a poluição consequente do uso
indevido do mercúrio nos garimpos ). Consta do programa oficial para o
vestibular e para o segundo grau, do estado do Amazonas, citado como
prosador contemporâneo ".  A Enciclopédia da Literatura Brasileira
( publicação do Ministério da Educação - Rio de Janeiro, sob a direção dos
críticos Afrânio Coutinho e J. Galante de Sousa ), além de catalogar as obras
do escritor, diz que o mesmo continua " a sua pesquisa estética e social na
vida ribeirinha numa linguagem ao nível das expressões regionais ".  
Resta-me agradecer penhorado a oportunidade e a honra de poder publicá-lo
neste BLOG.
Muito Obrigado, Agildo.

Continua  na próxima postagem...

Um ótimo final de semana a todos,
Até a próxima sexta. Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

ORGIA: SEM SABER O QUE É, NÃO PARTICIPE!...


                                                                    Imagem Internet


No dia 11 de agosto de 2003, segundo inquerito policial, o Oliveira embriagou seu amigo Silva
e em seguida levou ele e sua mulher, Ednair Alves de Assis, a uma construção localizada no
parque Las Vegas (o nome tem tudo a ver...), em Bela vista de Goias. Lá, obrigou o amigo e
a mulher a se despirem e praticarem sexo, dizendo que queria fazer uma " suruba ". Logo a seguir,
Oliveira teria aproveitado para fazer sexo anal no amigo. O Silva, ao passar o porre, foi prestar
queixa na delegacia que abriu o competente inquérito e remeteu para a Justiça. Abaixo vou
reproduzir ad literum, o acórdão do Tribunal de Justiça de Goiás, publicado no dia 6 de julho
de 2004. Achei um barato!

"Apelação criminal. Atentado violento ao pudor. Sexo grupal. Absolvição. Ausencia
de dolo.

1- A pratica de sexo grupal é ato que agride a moral e os costumes minimamente civilizados.

2- Se o individuo, de forma voluntária e espontânea, participa de orgia promovida por amigos
seus, não pode ao final do contubernio dizer-se vítima de atentado violento ao pudor.

3- Quem procura satisfazer a volupia sua ou de outrem, aderindo ao desregramento de um
bacanal, submete-se conscientemente a desempenhar o papel de sujeito ativo ou passivo, tal é
a inexigencia de moralidade e recto neste tipo de confraternização.

4- Diante de um ato induvidosamente imoral, mas que não configura o crime noticiado na denúncia,
não pode dizer-se vítima de atentado violento ao pudor aquele que no final da orgia viu-se alvo
passivo do ato sexual.

5- Esse tipo de conchavo concupiscente, em razão de sua previsibilidade e consentimento prévio,
afasta as figuras do dolo e da coação.

6- Absolvição mantida. Apelação ministerial improvida."

O relator foi o Desembargador Paulo Teles.

Como reproduzi fielmente, me abstive de reparar a concordância da " bacanal " que é feminino.


Abraço e bom final de semana.
Até sexta-feira.


sexta-feira, 15 de setembro de 2017

- DIÁRIO DE UMA CRIANÇA ASSASSINADA...



- Dia 05 de outubro - Hoje teve início a minha vida. Papai e mamãe ainda não sabem. Sou menor que a cabeça de um alfinete, mas já sei: vou ter os olhos iguais aos do papai e meus cabelos serão castanhos e ondulados, iguais aos da mamãe.

- Dia 19 de outubro - Hoje começa a abertura da minha boquinha. Que bom! Dentro de um ano vou poder sorrir, quando meus pais se inclinarem sobre meu bercinho! Minha primeira palavra será " mamã "...

- Dia 23 de outubro - Ih! Meu coração começou a bater!...e continuará a exercer sua função, sem parar jamais, sem descanso, até o fim da minha vida; um grande milagre da natureza!

- Dia 02 de novembro - Meus braços e minhas perninhas começam a crescer e vão continuar crescendo, até ficarem perfeitos.

- Dia 12 de novembro - Oh! Agora, nas minhas mãozinhas, as unhas estão despontando... que beleza!!!

- Dia 29 de novembro - Hoje, pela primeira vez, a mamãe percebeu, pelas batidas do seu coração, que me traz no seu ventre. Imaginem a imensa alegria que seu coração deve  estar experimentando!!!

- Dia 03 de dezembro - Todos os meus órgãos estão totalmente formados... Ih! já estou ficando grandinha!...

- Dia 11 de dezembro - Logo mais já poderei perceber a luz, as cores e até as flores. Deve ser tudo tão bonito!... Mas o que me enche mesmo de imensa alegria, é pensar que poderei ver minha mamãe!...

- Dia 12 de dezembro - Crescem-me os cabelos e as sobrancelhas. Como ficará feliz e contente a minha mãezinha com a chegada de sua filhinha querida!

- Dia 24 de dezembro - Ih! Meu coração está totalmente pronto. Vou ser uma menina cheia de vida e com muita saúde! Todos vão ficar radiantes com o meu nascimento.

- Dia 28 de dezembro - Ah! O que é isto?!!!!
 HOJE, MINHA MÃE ME MATOU!!!...



                                                     Isto é o horror do aborto! 

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

RENÚNCIA À MINHA CONDIÇÃO DE ADULTO!!! - reedição -

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                                                              Imagem da Internet


Venho, por meio desta, renunciar INCONDICIONALMENTE à
minha condição de adulto! Resolvi que quero voltar a ter as mesmas
ideias e responsabilidades de uma criança de oito, nove anos. Quero
voltar a acreditar que o mundo é justo e que todas as pessoas são
honestas e boas; quero acreditar que tudo é possível; quero voltar a
não perceber as complexidades da vida e quero ficar maravilhado
com as pequenas coisas naturais que me encantavam; quero de volta
aquela vida simples e sem complicações. Cancei de computadores
que falham ou são lentos, das pilhas de papeis, das noticias
deprimentes, das CPIs, políticos ladrões, atentados, novos impostos, empregados
desonestos, patrões sacanas, contas a pagar, fofocas, doenças, mortes
de contemporâneos e de parentes e de ter que atribuir valor monetário
a tudo que me cerca. Não quero mais me preocupar em arranjar um
jeito de fazer o salário durar até o próximo pagamento e nem de ficar
torcendo para que aquele cara que me deve, pague no dia COMBINADO. Não quero
mais ser obrigado a dizer adeus à pessoas queridas e, com elas, a
uma parte da minha vida. Quero ir ao carrinho de cachorro-quente
ou à pizzaria e comer, achando que esses locais são bem melhores do
que aquele restaurante de luxo. Quero viajar ao redor do mundo mas,
desta vez, embarcado no meu naviozinho de papel que estou
navegando naquela poça ou na correnteza da vala, provocada pela chuva.
Quero poder jogar pedrinhas na lagoa tranquila e ter tempo para
observar as ondinhas que provocam. Quero achar que as moedas de
chocolate são mais valiosas que as de um real, porque posso
comê-las e ficar com a cara toda lambuzada. Quero ficar felíz
quando amadurece o primeiro caju ou a primeira manga, quando a
jabuticabeira fica com o tronco pretinho de frutas. Quero voltar
a achar que chicletes e sorvetes sao as melhores coisas da vida.
Quero que as maiores competições em que tenha de entrar, sejam uma
boa pelada ou uma disputa de pião, peteca ou bola de gude. Quero
voltar ao tempo em que tudo que eu sabia era o nome das cores, a
tabuada, as cantigas de roda, a " Batatinha quando nasce..." e o
"Pai nosso..." e isso não me incomodava nada porque eu não tinha
nem ideia de quantas coisas inúteis ainda ia aprender. Voltar ao
tempo em que se é feliz, simplesmente porque se vive na bendita
ignorância da existência de coisas que podem nos preocupar,
aborrecer ou magoar. Eu quero voltar a acreditar no poder de um
sorriso, de um abraço, de um agrado, de palavras gentis, da verdade,
da justiça, da paz, dos sonhos, da imaginação, dos castelos no ar
ou na areia. E mais: quero estar convencido de que tudo isso vale
muito mais do que o dinheiro! Por isso tudo é que eu digo: peguem
aqui as chaves do carro, a lista do supermercado, as receitas
médicas, os talões de cheque, os cartões de crédito, o contra-cheque,
os crachás de identificação, o pacotão de contas a pagar, a
declaração do imposto de renda, as senhas do meu computador e
dos bancos e resolvam as coisas do jeito que bem entenderem! A
partir de hoje, isso tudo é com vocês, porque:
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ESTOU ME DEMITINDO DA VIDA DE ADULTO!!!.  

Agora, se você quiser discutir a questão, vai ter de me achar, porque
vou brincar de esconde-esconde... e é a minha vez de me esconder!...
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Um ótimo final e semana , abraço a todos os amigos e visitantes.
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Clóvis e GuarajubaONG Ande & Limpe

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

A história da Professora AFONSINA - final -

                            A Professora AFONSINA, à época de sua passagem por Oriximiná.


Para encerrar com chave de ouro a magnífica e resumida história da Professora AFONSINA em sua passagem marcante pela cidade de Oriximiná, passo a narrar, de maneira também sucinta, um episódio tão ou mais marcante do que aquele do lançamento da semente da " merenda escolar ", protagonizado pela notável mulher que, pra meu orgulho, me gerou:
Preciso dizer que quis o destino trazer para dirigir os trabalhos da Escola de Educação Infantil
Professora AFONSINA ELINDA ARAGÃO DE SOUZA, uma mestra igualmente abnegada e caprichosa, a Professora LEILEUNICE WANZELLER, cuja dedicação e competência tornaram a Escola um exemplo de eficiência e profissionalismo. Pois bem, o episódio que passo a narrar - vejam só que feliz coincidência - me foi comunicado por ela, a Diretora, tendo como sua fonte de informação, ninguém menos que sua própria mãe!
Há uma família que vive na cidade desde a metade do século passado, sendo que muitos de seus membros são cidadãos e cidadãs de destaque na sociedade local, ainda hoje. Pois bem, lá pelo final da década de 1940 e inicio de 1950, adoeceu gravemente uma das filhas do casal, cabeça desta família.Doença grave e não diagnosticada à  época, passou a ser tratada com medicamentos tradicionais e até com plantas medicinais, amplamente usadas com eficácia em muitos e muitos casos de enfermidade. Infelizmente, a tal doença misteriosa não cedeu e levou a pequena e desditosa vítima a óbito. Pode-se imaginar facilmente o sofrimento que acometeu a família enlutada que, compreensivelmente, ficou por algum tempo desnorteada e sem poder raciocinar com clareza. Foi aí que apareceu a clarividência da Professora AFONSINA, uma das colaboradoras no ingente mas  frustrado esforço para salvar a vida da menina. Como ninguém sabia de que moléstia a vítima fora acometida, D. AFONSINA sugeriu a transferência de todos os membros da família para a sua própria casa - o que foi aceito prontamente e com muita gratidão - enquanto, sob seu comando, se providenciava a desinfecção completa e à exaustão, da casa da família, o que durou por volta de uma semana, finda a qual, pode a família retornar ao lar, sem risco de possível contaminação pelos agentes patológicos desconhecidos e possivelmente remanescentes, de evidente perigo, desde que não erradicados.
Ora, meus amigos e leitores, como não se orgulhar de uma mulher dessa têmpera !
Somos, meus irmãos e eu, pessoas privilegiadas e orgulhosas de nossa mãe, heroína e mulher de iniciativas e ações muito à frente do seu tempo!!!
Sempre enalteceremos seus feitos, tendo toda a certeza que ela não teve uma passagem em branco pela sua vida e nem pela vida da cidade que a acolheu como se sua filha fosse!

Bom fim de semana.
Até a próxima sexta-feira.