sexta-feira, 26 de maio de 2017

A história da professora AFONSINA - III -


                                                      - Exemplo de barco puxando canoas -
                                                                         ( foto Internet )

Disposto a não decepcionar o novo amigo e agora patrão, o jovem FRANCISCO atirou-se de corpo e alma aos seus afazeres. Estes compreendiam o acompanhamento " in loco " da colheita da castanha do Pará, feita por muitos e muitos homens sob seu comando, que se embrenhavam na mata todo dia, ao nascer do sol, em busca dos ouriços valiosos e retornavam à tardinha, não importando se era segunda-feira ou domingo. O castanhal era localizado a mais ou menos um dia de viagem desde a cidade até o interior do lago Erepecu. O deslocamento era feito em " motores " que, além de lentos, levavam ao reboque inúmeras canoas, necessárias na busca da castanha em lugares inacessíveis para um trabalhador a pé. Homens e víveres se amontoavam no convés e objetos e ferramentas que não necessitavam de proteção contra a chuva inesperada e constante, ocupavam lugares nas canoas.  Durante a safra era imperioso que os trabalhos não sofressem jamais solução de continuidade, não importando nem pequenos ferimentos em consequência de acidentes, e nem doenças que não obrigassem o trabalhador a ficar totalmente sem condições de se locomover.  Riscos monumentais ameaçavam a todos nessa coleta. De cobras peçonhentas a onças, de bandos de ferozes porcos do mato ou catetos às doenças tropicais, entre as quais se destacava a malária, companheira indesejada mas constante, a prostrar no " fundo de uma rede '' aqueles a quem acometia. E dela, o próprio FRANCISCO também não escapou. Ao contrário, por diversas vezes foi agredido por este mal muitas vezes mortal!!!
Após se inteirar de todos os detalhes das tarefas que lhe foram designadas pelo patrão e amigo, tanto teoricamente, nas conversas entre os dois, bem como conversando com outros " trabalhadores da castanha " mais antigos no ramo, quanto na prática, no trabalho na mata, FRANCISCO começou a ter mais tempo para estabelecer maiores contatos com as pessoas da cidade e, principalmente, com os familiares do sr JOSÉ. Como era de se esperar, ao demonstrar possuir aptidão total para com os seus deveres, ter iniciativas corretas e, especialmente, passar por todos os testes de honestidade feitos sistematicamente pelo patrão, a admiração de todos começou a se verificar e o jovem e simpático empregado passou a ser convidado, vez por outra, para fazer refeições na casa do empregador..
Ao se aproximar mais e mais da família do patrão-anfitrião, ficou conhecendo melhor seus filhos e filhas, em número de seis que, em ordem cronológica eram, DALILA, HILDEBRANDO, ADRIANA, CORINA, LAURINDA e SOTER. E foi na mais nova das filhas, a LAURINDA, em quem o jovem despertou um misto de admiração e bem querer. Tais sentimentos, comungados também por FRANCISCO - embora não devessem demonstrar nada do que sentiam um pelo outro, devido às rígidas regras sociais de então - acabou por aproximá-los, com a permissão tácita e até entusiástica de seu pai,  embora sem demonstração acintosa . E tudo isto acabou por levar os dois jovens a selarem um compromisso solene, primeiro perante a família da moça e depois perante a sociedade local, sendo logo  marcadas as cerimônias nupciais que seriam realizadas em data a ser confirmada, já no ano de 1933...
                                                         
                                                                       
Continua na próxima sexta-feira...
Bom fim de semana a todos.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

A história da professora AFONSINA - II -


Castanha do Pará



A empatia existente entre o jovem FRANCISCO e o Sr. JOSÉ CLEMENTINO DE 
FIGUEIREDO, logo deu lugar a uma amizade que, embora se verificando uma brutal
diferença de idade entre os dois, lá pelo quinto ou sexto dia de viagem, levou o Sr. JOSÉ
a dizer ao jovem novo amigo que ele não mais iria para o Estado do  Amazonas.
 Ao contrário, deveria esquecer a borracha e vir trabalhar com ele na cidade  onde morava
 e exercia suas atividades à frente de um extenso " castanhal " de sua propriedade.
A confiança mútua levou o jovem FRANCISCO a aceitar, sem muita delonga, a proposta
de emprego, embora não tivesse nem a mínima ideia do que seria um " castanhal " e muito menos
quais as condições de trabalho que lhe seriam disponibilizadas na tal localidade.
Convite aceito, alguns dias depois, o navio " gaiola " aportava na  cidade onde vivia o Sr. JOSÉ.
Na verdade, nem de " cidade " poderia ser chamada a pequena vila...
 Fundada  em 1877 pelo Padre JOSÉ NICOLINO DE SOUZA, na parte conhecida como
 " terra firme ", na margem esquerda do Rio Trombetas, teve como primeiro nome, conferido
 pelo seu lendário fundador, Uruá-Tapera .
 Pela Lei 1288, de 11.12.1886, foi elevada à categoria de Freguesia de Santo Antonio de
 Uruá,  pelo presidente da Província do Grão-Pará e Desembargador do Maranhão,
Dr. Joaquim da Costa Barradas.
 São imprecisas as informações sobre a vida da Freguesia, no período compreendido entre sua fundação e a data de 09.06.1894, quando o então Governador do Estado, Dr. LAURO SODRÉ, elevou-a à categoria de " Vila ", já com o nome de Oriximiná.
A criação do município, com a mesma denominação, se deu no dia cinco de dezembro do mesmo ano, sendo nomeado como primeiro intendente, o Sr. Pedro Carlos de Oliveira.
Por ocasião da chegada do jovem FRANCISCO, lá pelo início da década de 1930, a cidade era constituída por apenas três ou quatro ruas, que subiam preguiçosamente por ladeiras mais ou menos íngremes e desprovidas de qualquer obra que facilitasse o trânsito de seus habitantes. Uma destas ruas levava a uma praça ampla, no centro da qual fora erguida uma igreja, cuja pedra fundamental
 foi solenemente assentada e benzida, no dia  23.07.1922 - quando se comemorava o primeiro centenário da independência do Brasil - pelo Venerável Vigário da Paróquia de Óbidos, Frei Rogério 
Voger O.F.M.
 O jovem e aventureiro viajante, já demonstrara grande admiração pela paisagem encantadora,
 única para seus olhos nordestinos acostumados às terras áridas, logo por ocasião da chegada do
 " vapor " a foz do Rio Trombetas.
 Este rio, de águas límpidas e transparentes, contrastava de maneira brutal com as águas barrentas
 do Rio Amazonas, deixado prá trás lá pelos lados da cidade de Óbidos.
Completou-se seu encantamento, com a visão da estonteante beleza das praias alvíssimas
à frente da cidade e ele decidiu, naquele momento, que aquele lugar maravilhoso seria
pra sempre sua morada!
                                               
                                                               
Continua na próxima sexta-feira.
Bom fim de semana a todos.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

A História da professora AFONSINA - I -



NAVIO "GAIOLA"


Atendendo a alguns pedidos de amigos e parentes, volto a publicar neste espaço,
descrevendo da maneira mais fiel possível, a história da vida da minha mãe,
AFONSINA ELINDA ARAGÃO DE SOUZA, em sua passagem pela cidade
paraense de Oriximiná, localizada à margem esquerda do Rio Trombetas, contribuinte
importante, com suas límpidas águas, para aumentar o volume, já enorme, do maior
 rio do mundo, o Amazonas.
 Para que os leitores entendam tudo o que aconteceu na vida fecunda desta valorosa,
 heroica  e destemida mulher, é imprescindível começar sua história pela a história
do homem  que viria a ser seu esposo, e que, mercê dos mistérios insondáveis do destino,
a arrancou da tranquilidade em que vivia em Belém, sua terra natal, levando-a para ser
 protagonista importante na história da sua própria vida e na vida da cidade que a acolheu.
Nascido na cidade de Bananeiras, estado da Paraíba ( onde estive, em viagem de cerca
 de uma semana  no ano de 2014, juntamente com meus irmãos CLÉO e CLEISY,
a procura de seus parentes ), o Sr. FRANCISCO MARTINS DE SOUZA, então com 23
 anos de idade, a exemplo de muitos e muitos outros jovens nordestinos, inconformado
 com a falta de oportunidade para crescimento material em sua terra, resolveu procurar
 na região amazônica ( então a Meca dos lugares promissores no País, principalmente
 por conta da enorme valorização da borracha ), melhores condições de vida, demonstrando
 com tal iniciativa, desassombro e destemor na busca por seu ideal.
 Chegando à Belém, resolveu que, imediatamente, navegaria para o Estado do Amazonas,
 a bordo de um dos " vapores " que faziam a linha da capital paraense até Manaus,
 lugar onde viviam os donos de seringais, os famosos " barões da borracha ", assim chamados
 porque, afirmam, chegavam a acender charutos caríssimos com notas de contos de reis!
 As viagens, subindo o rio, demoravam até 20 dias para chegar ao destino.
 É que as caldeiras, cujo vapor gerava a força motora para impulsionar os navios,
necessitavam de muita lenha, que era recolhida em diversos pontos do percurso e, quando não
 havia uma quantidade suficiente para alcançar o próximo ponto de coleta, a espera
era inevitável, enquanto se recolhia a lenha complementar.
Com isto era de se esperar que durante a jornada,  os companheiros de viagem,
mantendo um convívio diuturno, passassem a se conhecer melhor, surgindo entre
alguns deles, não raro, um sentimento de simpatia e amizade. Foi exatamente o
que aconteceu entre o jovem FRANCISCO e um outro viajante, bem mais maduro,
que se chamava JOSÉ CLEMENTINO DE FIGUEIREDO...                                        
                                                                       
                                                                   
Continua na próxima sexta-feira.

Bom fds a tds.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

- DESCULPEM-ME, A INDIGNAÇÃO FALOU MAIS ALTO!!!

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                                                                        - pacu -
                                             
 Ao assistir a uma reportagem exibida pela Globo News, lembrei-me do absurdo por mim presenciado no porto de Manaus, numa das minhas inúmeras visitas anuais àquela cidade. Trata-se de um dos mais imorais fatos de que se tem notícia neste País, já repleto de imoralidades: o desperdício vergonhoso de alimentos, enquanto muitos conterrâneos morrem de fome!!!
Todos os anos, no período em que a vazante dos rios amazônicos tem inicio, a captura de peixes nos rios, igarapés e lagos da região, aliada à abundância de espécies como pacu, jaraqui, aracu e outras, é feita em grande quantidade. Ao chegarem à Manaus, diariamente, os pescadores não têm a quem
vender o produto do seu trabalho - o mercado consumidor é restrito e não há locais de
armazenamento - e são jogadas no lixo em média, 10 toneladas de peixes todos os dias!
Enquanto isto ocorre, no Nordeste Brasileiro, multidões passam fome! Há mais ou menos
10 anos, mandei um e-mail para o então Senador pelo Amazonas, Sr. Arthur Virgílio,
descrevendo este verdadeiro crime e sugerindo que instasse a quem de direito, a fazer a seguinte
operação: dispomos, na Base Aérea de Manaus, de nada menos que 8 aviões de carga
modelo C105A-Amazonas, de fabricação espanhola, capazes de carregar até 9,7
toneladas cada um. Por que não utilizá-los para trazer o pescado excedente da região,
acondicionado em containers refrigerados, para quem precisa dele???! Comprar-se-iam
os peixes por um preço simbólico (digamos, a dois reais) e se venderiam  nos diversos
municípios em estado de calamidade pública, aqui no nordeste, a preço subsidiado.
Com isto resolveríamos pelo menos tres problemas cruciais, a saber:

1- ajudaríamos o pescador da região a minimizar os prejuízos, afinal dois reais é melhor
do que nada;

2- mataríamos a fome dos flagelados das regiões carentes, que pagariam com prazer pelo
alimento, a preço subsidiado ( pois, ao contrário do que pensam os governantes de plantão,
o povo, em sua maioria absoluta, não quer nada de graça, como as famigeradas bolsas disso,
bolsas daquilo e cestas básicas, que só fazem humilhar o cidadão, como disse muito bem
o grande Luiz Gonzaga) e

3- diminuiria a terrível poluição decorrente do descarte de  peixes no lixo e principalmente
no Rio Negro, já muito poluído por outros agentes.

E não me venham com desculpas do tipo " os aviões não podem ser usados para esse fim ".
Os aviões são do povo, pois o governo não produz nada, só faz gastar ( e muito mal ) o
dinheiro arrecadado deste mesmo povo que, garanto, autorizaria, em um eventual plebiscito,
seu uso para este fim nobre!!! Que as devidas providências sejam tomadas, urgente, uma
vez que tal desperdício imoral, acontece todos os anos nesta mesmo época..



                                                                 - jaraqui -

Um excelente final de semana a todos. Se possíavel, deixem suas opiniões nos
comentários abaixo do texto.
Abraço e bom final de semana.

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limape