sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017
- EM BUSCA DE AVENTURA - II -
Meu " trofeu " exibido com vergonhoso orgulho...
- nesse tempo a caça não era proibida -
Ah! Porto Velho... Quantas recordações! Logo começamos a fazer amigos e
amigas. A vida social era uma festa só. Cidade cosmopolita, atraindo à época
muitos e variados profissionais principalmente ligados à área do agronegócio,
apresentava muitas oportunidades aos empreendedores que quisessem trabalhar.
Para tal, contavam com incentivos governamentais em formas de empréstimos
baratos e a longo prazo, além da possibilidade de captação de recursos por
intermédio da SUDAM, abatíveis do imposto de renda das Pessoas Jurídicas
interessadas em investir na região. O desmatamento era visto como
benefício imprescindível e urgente para o desenvolvimento. Substituir a floresta
nativa e intocada por pasto ou produtos agrícolas, principalmente o cacau,
representava um sinal de patriotismo e abnegação. Quanto mais célere a
derrubada acontecia, mais admirado e elogiado era o empresário e
empreendedor. A meta do Governo girava em torno do lema " integrar para
não entregar ". Ariquemes passou a se destacar na produção de cacau, assim
como já era referência nacional o município de Cacoal, na produção de café.
Mas, nem só de trabalho duro era feita a vida. Nem só a malária - endêmica na
região -, se pegava por lá... Aos domingos nos reuníamos em nossa casa ou
nas casas ou chácaras dos amigos, para um churrasco ou simplesmente para
conversar e trocar experiências. Numa dessas reuniões, na chácara de um
amigo que era o gerente regional da Varig, ocorreu um episódio marcante que
vale a pena ser narrado. Estávamos numa animada roda de papo descontraído,
quando chegou, meio espavorido, um dos empregados da chácara. Anunciava,
espantado, a descoberta, às margens do igarapé que serpenteava pelo
terreno, de uma " descomunal " - foi este o termo que ele usou - cobra,
possivelmente " sucuriju " ( sucuri ), enrolada e comendo um animal que não
deu pra identificar. Fomos até o local e constatamos, na margem oposta, um
" rolo " enorme de cobra. Como naquele tempo não era proibida a caça, peguei
o carro e fui até nossa casa buscar uma espingarda de caça submarina que
mantinha lá, esperando por uma pescaria que me prometera um outro amigo,
nas águas transparentes de um certo rio da região ( creio que Rio Machadinho ),
onde havia muitos e " enormes tucunarés ". A propósito, esta pescaria jamais
aconteceu. Enquanto me deslocava para pegar a arma, o dono da chácara
mandou avisar à equipe do Amaral Neto, que se encontrava na cidade
produzindo um daqueles programas muito vistos então, chamados " Amaral
Neto - o repórter ". Quando retornei, todos já se encontravam a minha espera,
ansiosos por me verem caçar " o bicho ". Embarquei numa canoa, levando o
caseiro como remador e rumamos em direção à outra margem, seguidos por
outra canoa que conduzia a equipe do Amaral Neto, que iria documentar a
caçada. Mandei o rapaz se aproximar o mais possível e, a cerca de um metro
de distância, curvei-me na borda da canoa, mergulhei a espingarda
apontada na direção do imenso " rolo " e acionei o gatilho, varando com o arpão os
anéis do estático e indefeso animal que foi traspassado pelo terrível aço. Ah!
quanto tal lembrança me faz sofrer hoje em dia! Como eu era imbecil naquele
tempo! Hoje, não sou capaz de matar animal algum, por mais nocivo que
possa parecer... A beleza daquela sucuri pode ser apreciada na ilustração
que enriquece esta postagem...Mas, a verdadeira aventura que me levou a
relembrar tudo isto, narrarei nas próximas sextas-feiras...
Continua na próxima postagem......
Um ótimo final de semana a todos.
Abraço,
Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe
Assinar:
Postar comentários (Atom)


Nenhum comentário:
Postar um comentário