sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

EM BUSCA DE AVENTURA - III



Ao comprar, aqui em Salvador, o carro que nos serviria durante nossas estadas
na cidade de Porto Velho, o mais simples seria colocá-lo na carreta que tínhamos
para transporte dos tratores e equipamentos, e mandar levar. Mas esta providência
seria muito simples para mim que adoro aventura. Resolvi, então, eu mesmo, levar
o Santana ( na ocasião uma das melhores " carroças " - nas palavras do Fernando
 Collor de Mello - montadas no Brasil ).
 Ignorando tudo a respeito do percurso até Porto Velho
( somente conhecia as estradas até Brasilia ), iniciei a viagem numa bela manhã
de segunda-feira, imaginando que chegaria ao meu destino, no máximo, em quatro
dias. No primeiro dia, almoçei em Ibotirama, cidade baiana localizada às margens
 da Rodovia BR 242 e do " Velho Chico " e prossegui, pela mesma rodovia, até
 chegar à cidade de Posses, já em território goiano, onde parei para pernoitar. Reiniciei
 a viagem na manhã seguinte, rumo à Goiânia, onde deveria dormir no segundo dia.
 A jornada continuou bem cedinho, rumo à capital do Mato Grosso, Cuiabá
Este já era o terceiro dia...

Continua na próxima postagem.......

Bom final de semana a todos, feliz carnaval e
Grande abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

- EM BUSCA DE AVENTURA - II -


                                              Meu " trofeu " exibido com vergonhoso orgulho...
                                                     - nesse tempo a caça não era proibida -

Ah! Porto Velho... Quantas recordações! Logo começamos a fazer amigos e
amigas. A vida social era uma festa só. Cidade cosmopolita, atraindo à época
muitos e variados profissionais  principalmente ligados à área do agronegócio,
apresentava muitas oportunidades aos empreendedores que quisessem trabalhar.
Para tal, contavam com incentivos governamentais em formas de empréstimos
baratos e a longo prazo, além da possibilidade de captação de recursos por
intermédio da SUDAM, abatíveis do imposto de renda das Pessoas Jurídicas
interessadas em investir na região. O desmatamento era visto como
benefício imprescindível e urgente para o desenvolvimento. Substituir a floresta
nativa e intocada por pasto ou produtos agrícolas, principalmente o cacau, 
representava um sinal de patriotismo e abnegação. Quanto mais célere a
derrubada acontecia, mais admirado e elogiado era o empresário e
empreendedor. A meta do Governo girava em torno do lema " integrar para
não entregar ".  Ariquemes passou a se destacar na produção de cacau, assim
como já era referência nacional o município de Cacoal, na produção de café.
Mas, nem só de trabalho duro era feita a vida. Nem só a malária - endêmica na
região -, se pegava por lá... Aos domingos nos reuníamos em nossa casa ou
nas casas ou chácaras dos amigos, para um churrasco ou simplesmente para
conversar e trocar experiências. Numa dessas reuniões, na chácara de um
amigo que era o gerente regional da Varig, ocorreu um episódio marcante que
vale a pena ser narrado. Estávamos numa animada roda de papo descontraído,
quando chegou, meio espavorido, um dos empregados da chácara. Anunciava,
espantado, a descoberta, às margens do igarapé que serpenteava pelo
terreno, de uma " descomunal " - foi este o termo que ele usou - cobra,
possivelmente " sucuriju " ( sucuri ), enrolada e comendo um animal que não
deu pra identificar. Fomos até o local e constatamos, na margem oposta, um
" rolo " enorme de cobra. Como naquele tempo não era proibida a caça, peguei
o carro e fui até nossa casa buscar uma espingarda de caça submarina que
mantinha lá, esperando por uma pescaria que me prometera um outro amigo,
nas águas transparentes de um certo rio da região ( creio que Rio Machadinho ),
onde havia muitos e " enormes tucunarés ". A propósito, esta pescaria jamais
aconteceu. Enquanto me deslocava para pegar a arma, o dono da chácara
mandou avisar à equipe do Amaral Neto, que se encontrava na cidade
produzindo um daqueles programas muito vistos então, chamados  " Amaral
Neto - o repórter ". Quando retornei, todos já se encontravam a minha espera,
ansiosos por me verem caçar " o bicho ". Embarquei  numa canoa, levando o
caseiro como remador e rumamos em direção à outra margem, seguidos por
outra canoa que conduzia a equipe do Amaral Neto, que iria documentar a
caçada. Mandei o rapaz se aproximar o mais possível e, a cerca de um metro
de distância, curvei-me na borda da canoa, mergulhei a espingarda
apontada na direção do imenso " rolo " e acionei o gatilho, varando com o arpão os
anéis do estático e indefeso animal que foi traspassado pelo terrível aço. Ah!
quanto tal lembrança me faz sofrer hoje em dia! Como eu era imbecil naquele
tempo! Hoje, não sou capaz de matar animal algum, por mais nocivo que
possa parecer... A beleza daquela sucuri pode ser apreciada na ilustração
que enriquece esta postagem...Mas, a verdadeira aventura que me levou a
relembrar tudo isto, narrarei nas próximas sextas-feiras...

Continua na próxima postagem......

Um ótimo final de semana a todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

- EM BUSCA DE AVENTURA - I -



... E começou a mobilização. Transferência de equipamento, desmatamento do local
para a  motangem das instalações do canteiro de obras constantes, como de praxe, de
um barracão para oficina, tendo anexo o almoxarifado; o soerguimento do escritório
da obra; a construção de uma cerca delimitando as instalações, etc. Por volta de um
mês depois, iniciaram-se os serviços, comandados pelo diretor técnico, meu querido,
competente e saudoso amigo e sócio Cesar Cabral, que viria a ser assassinado
misteriosamente lá mesmo, na cidade de Ariquemes, dez anos depois do término da
obra. Como assinalei em postagem anterior, nesta época já não mais fazia parte da
sociedade, da qual me desliguei no ano de 1980, por motivos também já relatados
anteriormente - saúde, implante do marcapasso -. Durante a execussão dos serviços, lá
pelo ano de 1977, surgiu a oportunidade de adquirir lotes de terreno, às margens da
RO - 01, vendidos em licitação pública nacional pelo INCRA, na chamada Gleba
Burareiro. Resolvemos adquirir lotes de terreno nesse local - onde, de resto, já
estávamos instalados - com o objetivo de implantar roças de cacau. Além das instalações
no local da obra, alugamos uma casa em Porto Velho, onde ficavamos hospedados,
meu sócio e eu, sempre que precisavamos estar naquela capital. Logo sentimos a
necessidade de comprar um automóvel para nos servir durante nossa permanência em
Porto Velho. Os veículos que serviam à administração da obra não deviam ser utilizados
para outros fins, sob pena de prejudicar o bom andamento dos serviços, além de não
serem adequados para transporte na cidade (camionetes Toyota e Ford F-75)...

Continua na próxima postagem......

Bom final de semana a todos, voltem sempre.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

- EM BUSCA DE AVENTURA - introdução -

.

Lá pelo início do ano de 1976, tomei conhecimento, por intermédio do pessoal do INCRA
que fiscalizava as obras da Serra do Ramalho, realizadas pela minha empresa de terraplanagem
e planejamento agrícola, que o Governo de Rondônia realizaria uma licitação para a construção
da primeira estrada estadual, denominada RO-01. Como nossos serviços estavam chegando ao
final naquela localidade, resolvi participar desta licitação, o que evitaria que nossos serviços
sofressem solução de continuidade. Na véspera da data marcada para a concorrência pública,
viajei para Porto Velho munido de todos os documentos exigidos no edital, com o firme propósito
de vencer a licitação. Para minha satisfação, logrei êxito total nessa empreitada, vencendo a
concorrência para a execução das obras na citada rodovia. Os concorrentes, quase todos de fora
de Rondônia, temiam as enormes dificuldades que enfrentariam para deslocar o equipamento
necessário à execução da obra, desde suas sedes e acabaram por exagerar na oferta dos preços.
Mesmo sabendo das despesas com tais deslocamentos, os preços por mim apresentados, assim
como os atestados de idoneidade técnica e financeira, acabaram por fazer com que nossa firma
ganhasse a licitação. Concorrência ganha, ofereci um jantar no restaurante da moda em Porto
Velho, localizado na parte alta da cidade, às margens do Madeira, proporcionando uma vista
maravilhosa do rio. Colegas empresários e prepostos concorrentes, me deram o prazer de
participar deste jantar comemorativo...

Continua na próxima postagem.....

Um ótimo final de semana a todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe