sexta-feira, 28 de outubro de 2016

23 - ACIDENTE DE MOTO - parte II -

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Como morávamos no centro de Belém (Av. Serzedelo Corrêa, entre a Praça da República
e a Braz de Aguiar), comprei apenas uma moto, que serviria para minha locomoção entre
nossa casa e o Ver-o-Peso, onde aportava, mais ou menos com a frequência de dez em dez
dias, o barco de pesca, ocasião em que meu " balanceiro ", José Maria - apelidado de Olho
de Gato -  procedia a comercialização dos pescados. É preciso dizer que antes da aquisição
da moto, me submeti ao curso de direção para este veículo, sendo devidamente aprovado
nos testes do DETRAN, para outorga da Carteira de Habilitação específica. Tudo aconteceu
quando de um dos deslocamentos que fazia, quase diariamente, para visitar minha mãe.
Ela morava na Travessa 14 de Março (onde, alias, ainda hoje mora uma das minhas irmãs),
há pouco mais de 100m da minha residência. Ao dobrar a esquina da Serzedelo Corrêa
com a Gentil Bitencourt, ambas as vias de mão única, fui surpreendido por um ciclista que
vinha na contramão, e atravessava, de maneira imprudente, a Gentil. Na iminência do
choque, ele, simplesmente, pulou da bicicleta e largou-a, caída na minha trajetória. Tentei
pular com a moto por sobre a bicicleta, conseguindo passar apenas a roda dianteira, por
sobre ela, enquanto a traseira se embaraçava, resultando na projeção do meu corpo a uns
poucos metros à frente. Na queda, fraturei 3 costelas e, sob choque, levantei-me de imediato,
correndo o risco de, com este gesto intempestivo, causar a mim mesmo, sérias lesões
internas. Tal fato foi constatado mais tarde, quando do resultado dos exames a que fui
submetido...

Continua na próxima postagem......

Bom fim de semana a todos e obrigado pelas visitas.

Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

22 - ACIDENTE DE MOTO - parte I -

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..Tudo isto me levou a considerar a real possibilidade de vir a morrer a qualquer
momento, principalmente ao me lembrar das palavras do médico, quando da reunião
com a família. Na esperança de  desaparecerem ou melhorarem os sintomas muito
desagradáveis com a mudança de ares, tomei a decisão de me transferir, juntamente
com toda a família, para Belém, onde, além da mulher e filhos, teria o apoio de todos
os parentes que lá se encontravam. Minha saudosa mãe, meus irmãos e irmãs, meus
tios e primos, enfim, de toda a numerosa e unida clã dos Aragão e dos Vinagre, além
de amigos de infância com os quais jamais deixei de me comunicar. Tudo isso saiu
conforme imaginei. Só não mudaram os problemas com o marcapasso: o mal estar
continuou. Minha insegurança quanto ao acerto da transferência, ficou retratada no
fato de não me desfazer de todos os bens que tínhamos aqui na Bahia e de não ter
iniciado, em Belém, nenhum negócio definitivo, limitando-me apenas a adquirir um
barco de pesca de 15 ton. (cuja foto ilustra a presente postagem, batizado com o nome
de minha então mulher, Walkyria, em homenagem e agradecimento por ela, apesar de
possuir aqui em Salvador e em Nazaré das Farinhas, sua mãe, irmãos, tios, primos, enfim,
toda sua família, ter me acompanhado sem nenhum gesto de protesto ou relutância).
Esta aquisição foi feita apenas com o objetivo de me manter minimamente ocupado,
administrando uma atividade que sempre me proporcionou prazer: a pescaria! Alias, é
bom que se diga que tal atividade é, para mim, a terceira melhor coisa da vida... Prometo
que na próxima postagem (como sempre às sextas-feiras), começarei a narrar o "acidente
de moto"... Este preâmbulo, entretanto, é importante para o entendimento do contexto 
daquilo que viria a acontecer...

Continua na próxima postagem.

A todos, desejo um final de semana muito feliz!
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

21 - ACIDENTE DE MOTO - introdução -

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                                                                                                                        Foto Internet


Mesmo com o problema cardíaco resolvido - ou pelo menos equacionado - claro que fiquei
muito abalado psicologicamente, pela absoluta falta pretérita de sintomas. Jogava futebol,
vôlei, pescava em alto mar, inclusive mergulhando durante longos períodos, principalmente
em Guarajuba, tendo como companheiro, não raras vezes, o querido e saudoso amigo -
médico dedicado e competente - Dr. Antonio Silvani, sem jamais ter o mais leve problema
de saúde. Além  de ter que encarar essa nova condição de vida, que me impunha restrições nas
minhas atividades, fora convocada por um dos médicos, uma reunião com minha família,
onde foram enfatizados todos os riscos que me cercariam dali em diante. Concomitantemente,
passei a sentir fortes sintomas de rejeição, não ao aparelho mas aos efeitos que ele causava
quando em funcionamento. É preciso esclarecer aos queridos leitores, que o marcapasso,
somente entra em operação, se houver uma falha nos batimentos naturais, ficando inibido
( sem funcionar ), sempre que o rítimo natural estiver acima do estabelecido. Ao ser implantado,
ele é programado para não deixar os batimentos do coração cairem abaixo de determinada
frequência ( no meu caso, abaixo de 70 batidas por minuto ). Ora, tal frequência coincidia,
quase sempre, com o funcionamento natural do coração, o que acarretava batidas naturais,
simultâneas com os impulsos enviados pelo marcapasso. Esta coincidência ocasionava um
mal estar terrível; um desconforto indescritível, a ponto de ter vontade de arrancar o aparelho
do peito!...

Continua na próxima postagem......

Um ótimo finl de semana a todos os meus amigos e visitantes.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

20 - O CORAÇÃO E O MARCAPASSO - final

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.. O pior de tudo: quanto mais profundo o sono, mais preguiçoso meu coração se torna!
Assim, não fosse descoberta esta anomalia, poderia morrer de parada cardíaca a qualquer
momento durante o sono pois, repito, jamais senti algo de anormal durante toda a minha
vida. Ainda assim, por não conhecer direito o Dr. Nilzo Ribeiro ( de quem me tornei
amigo até hoje ), resolvi ir à São Paulo para uma consulta com o mais famoso dos
cardiologistas da época, Dr. Décio Korman ( Secretário de Saúde do Governo Paulo Maluf ).
Fiquei deveras impressionado com a tecnologia usada, já naquela época, durante a consulta,
que consistiu no seguinte: após a conversa inicial, fui convidado a deitar em uma maca e,
após tirar a camisa, uma enfermeira colocou alguns eletrodos no meu torax, enquanto um
monitor de video existente na mesa do médico, mostrava todos os detalhes do funcionamento
do meu coração. Ao voltar a conversar com o Dr. Décio para a conclusão da consulta (por
sinal caríssima!), ele me perguntou quem era o meu médico na Bahia. Diante da minha
resposta - é o Dr. Nilzo Ribeiro - ouvi, surpreso, o seguinte comentário: " E o que o Sr. veio
fazer aqui?! O Dr. Nilzo é um dos melhores especialista das Américas, no assunto!!! ".
Bem mais tranquilo, retornei à Salvador e, depois de perguntar ao Dr. Nilzo, o que ele
faria no meu lugar e ouvindo sua resposta, me submeti ao implante. Graças à tecnologia
desenvolvida pelo gênio humano, estou há, exatos, 36 anos, vivo e bem saudável!
Certamente não teria sobrevivido se: 1 - O Armando Ulm não fosse hipocondríaco; 2 - A
ciência e a tecnologia tivessem demorado apenas alguns poucos anos para inventar esse
aparelho que, desde então, salva vidas e mais vidas pelo mundo em fora!!! Hoje ostento,
no lado direito superior do tórax, o marcapasso de número 6, implantado, com toda a
maestria, pelo meu caríssimo e competentíssimo amigo, o eminente cardiologista, Dr.
Álvaro Rabelo. Já, ha cerca de 15 anos, tenho como supervisor e monitorador da minha
saúde cardíaca, outro caríssimo amigo, o Dr. Marcos Guimarães. No dia 17.09 passado, completei exatos 36 anos, sobrevivendo - quem sabe - graças ao gênio
humano... Este sim, capaz de fazer MILAGRES!!!...

Um excelente final de semana aos amigos e visitantes.
Grande abraço.

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

19 -O CORAÇÃO E O MARCAPASSO - II



...Atônito, quiz saber, imediatamente, do que se tratava. Disse-me ele: "Voce está
apresentando bloqueio AV de segundo grau! ". Seguiu-se uma longa e detalhada
explicação sobre o assunto. Não podia acreditar! Nunca havia sentido nada de anormal!
Como era possível?!!! Conclusão: eu, que fui fazer os exames por simples provocação
ao meu amigo Armando, acabei sendo gozado por ele que, ao final, afirmou triunfante:
" Compreendes agora o porquê dos meus exames semestrais ?! ".
Fui aconselhado pelo
amigo Dr. João a procurar o Hospital Santa Izabel, já naquele tempo, referência em
matéria de cardiologia. Para minha sorte, conheci o Dr. Nilzo Ribeiro, comandante de
uma equipe de médicos excepcionais, dentre os quais figuravam Antonio Nery e
Eduardo Tadeu. O Dr. Nilzo, após submeter-me a um " Holter " e executar, ele mesmo,
um cateterismo, indicou-me o implante de um marcapasso cardíaco, única maneira de
corrigir o problema. Naquele tempo o " Holter " tinha que ser remetido para São Paulo
pois aqui não havia equipamento para traduzí-lo graficamente. O cateterismo não
demonstrara nenhum problema obstrutivo, tendo, porém, sido diagnosticada uma
hipertrofia cardíaca importante o que me obrigaria a, dali em diante, levar uma vida
muito mais " regrada "... Ao chegar o resultado gráfico do " Holter ", foram constatados
batimentos cardíacos com a frequência incrível - para quem não é atleta profissional -
de até 38 batidas por minuto!!! ...

Continua na próxima postagem.......

Um ótimo final de semana a todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe