sexta-feira, 30 de setembro de 2016

18- O CORAÇÃO E O MARCAPASSO - I


Todo o preâmbulo da semana passada, vem a propósito do terceiro fato que me poderia
ter matado: tenho um dileto e querido amigo, irmão e compadre, chamado Armando
Ulm (dos primeiros amigos baianos que conquistei ). Companheiro fiel e sócio em
algumas das lanchas que tive, também amante do futebol que jogava com maestria,
acabou contribuindo, decisivamente, para salvar a minha vida. Cuidadoso ao extremo
com sua saúde  ( para não chamá-lo de hipocondríaco), sempre fez e faz uma bateria de
exames clínicos, rigorosamente de seis em seis meses! Mais com o fito de gozá-lo do
que por  ter sentido algo de anormal, apos uma partida de futebol, das inúmeras que
jogamos juntos, lá, por volta do ano de 1980, resolvi acompanhá-lo em um desses
" check-ups ". Amigo comum e dono da Clínica Check-up, o Dr. João Souza era sempre
o escolhido para supervisionar tal procedimento. Chegamos à clínica no Campo Grande
e, ao ser submetido ao PRIMEIRO eletrocardiograma da minha vida, fui instado pela
enfermeira, a continuar deitado, pois ela precisava falar com o Dr. João  Saiu da sala
me deixando com uma certa ansiedade, por não me dizer o porque da proibição de
leventar-me. Mesmo intrigado, obedeci. Alguns minutos depois, eis que chega na sala -
acompanhado pela enfermeira - o Dr João, em pessoa! Mandou repetir o exame e, ao final,
pediu para acompanhá-lo ao seu consultório. Com o semblante demonstrando apreensão
e/ou preocupação, disse-me que havia constatado no ECG, uma alteração importante no
funcionamento do meu coração!...

Continua na próxima postagem.......

Um final de semana de paz aos meus amigos e visitantes.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

17 - O CORAÇÃO E O MARCAPASSO - Introdução -



Sempre gostei dos esportes em geral. Me sai muito bem em todos os que pratiquei,
principalmente no futebol e no espiribol (este último, pouquíssimo conhecido, consiste
em enrolar a corda com a qual se pendura uma bola de couro - do tipo daquelas que são
usadas, principalmente, pelos boxeadores em seus treinamentos - no topo de um mastro
de cerca de 3,5 m de altura, dividindo-se os campos em dois ou em quatro, a depender
do número de jogadores, por linhas traçadas no chão). Há necessidade de um preparo
físico excepcional dos praticantes desse esporte. As regras são rígidas e o juiz deve
conhecê-las muito bem, para poder arbitrar a disputa. (Se algum dos meus caros leitores
se interessar pelas regras, mande-me seu e-mail que as enviarei com muito gosto).


No espiribol, eu era imbatível no Colégio do Carmo e no futebol, cheguei a treinar
nos juvenis e aspirantes do meu querido Papão - o Paysandu - não prosseguindo na
carreira por proibição expressa e definitiva de meus pais (principalmente do meu querido
e saudoso pai), pois, naquele tempo, jogador de futebol era " vagabundo ", assim como
todo artista - principalmente do sexo feminino - era considerada prostituta ou em vias de
se-lo (como mudam os conceitos!..). Referindo-me, ainda, aos meus dotes como futebolista,
vale  acrescentar que fui eleito PELOS COLEGAS, o melhor jogador de futebol do Carmo,
considerando todos os alunos, internos e externos. Por tal eleição, me foi outorgada
solenimente, uma medalha comemorativa, que, de tão bonita que era, levei-a, nas férias
de fim de ano, para Oriximiná e, em um gesto de orgulho juvenil, coloquei-a no peito
quando fui - como era de costume - jogar a " pelada " de todas as tardes, no campinho
seletivo (não era quelquer um que entrava !!!), da casa do Helvécio Guerreiro. A gozação -
como era de se esperar - foi geral!!!... Aficionados, principalmente o Helvecinho o
Lúcio e, eventualmente, o Edilberto, anfitriões, as disputas, levadas a sério, se tornavam
emocionantes!... Meu querido amigo Sérgio ( hoje morando tambem em Salvador, onde é
 professor aposentado da Universidade Federal ), não era muito chegado ao esporte, limitando-se,
 na maioria das vezes, a assistir os embates...

Continua na próxima postagem.......

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

16 - DESASTRE AEREO - final -




Ao final da obra de Serra do Ramalho -cumprida rigorosamente dentro dos prazos
contratuais, graças ao magnífico desempenho de toda a equipe envolvida - por não haver
mais necessidade, vendi o Cessna no qual o J.C.P., que fora piloto do Piper, passou a
trabalhar. O M. fora demitido por justa causa, por motivos óbvios... Tempos depois,
quando a venda do Cessna foi consumada, o J.C.P. também foi demitido, por falta do equipamento
necessário para o desenvolvimento do seu trabalho. Grande pessoa e competentíssimo
piloto, senti muitíssimo ao saber que, voando em outro aparelho, ao executar um  rasante
sobre sua casa, para avisar à família que estava chegando à Januária ( este é um costume
dos pilotos quando em cidades pequenas e sem tráfego aéreo regular ), chocou-se com a
rede elétrica e veio a falecer no acidente. Estes dois episódios, ocorridos com pessoas que
conviveram comigo, só fizeram reforçar a minha crença de que " avião não cai: é derrubado ".
Tudo, afinal, voltou ao normal na minha vida, até que um belo dia do ano de 1980, o
destino colocou-me novamente frente a frente com outra situação de extrema gravidade
que, se tivesse acontecido há apenas alguns poucos anos, teria me levado, inexoravelmente,
à morte. Mas isto é assunto para a próxima postagem que, como voces ja sabem, ocorrerá
na próxima sexta-feira...

Um bom final de semana para todos.
Grande abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

15 - DESASTRE AEREO - VIII -




Como era de se esperar, o piloto M.F. teve sua licença de voo cassada. Ora, se deixar
faltar combustível em um carro que está trafegando numa rua ou rodovia já é uma
enorme falha - inclusive passível de punição, de acordo com o CNT - imaginem os
leitores esta ocorrência num avião!!!... É obrigação de todo piloto, principalmente os
de aeronaves de pequeno porte, fazer o que se chama no jargão aeronáutico de
"TESTE DE SÃO TOMÉ ". Consiste este teste em verificar, não somente a qualidade
do conbustivel, isto é, se realmente é o indicado para o equipamento,  mas, e
principalmente, se a quantidade é suficiente para completar o voo até o destino planejado
e mais uma reserva para levar o avião até um aeroporto alternativo, no caso de não
haver possibilidade de pouso no aeroporto de destino. O mais absurdo é que o Piper
tinha autonomia para voar durante 6 horas!...
 Segundo informações que me deram, não
podendo mais pilotar aviões, legalmente, o M.F. teria ido voar clandestinamente na Amazônia
paraense (Itaituba), levando peças de máquinas, combustível, víveres e passageiros,
para os garimpos. Transcorrido algum tempo nesta que, se confirmada, seria uma atividade ilegal,
pois perdera a licença  de piloto, ao tentar levantar voo de uma pista precária do garimpo, com
carga superior à suportável pelo avião, não teria conseguido altura suficiente para transpor as
árvores da cabeceira da pista, indo chocar-se violentamente contra elas. Conforme informações,
teria morrido juntamente com todos os eventuais e desditosos passageiros!

Continua na próxima postagem.......

Abraço a todos os meus amigos e visitantes e tenham todos um ótimo final de semana.

Clóvis de Guarajuba
ONG Abde & Limpe

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

14 - DESASTRE AEREO - continuação - VII



Há de se destacar que, ao retornar ao local do desastre, verifiquei que tivemos muita sorte em
bater com a asa esquerda na cerca da fazenda  É que esta batida não apenas provocou o "cavalo
de pau", mas, e principalmente, anulou a velocidade de inércia do avião, evitando com isto o
choque com as laterais de um pontilhão existente naquele local da rodovia, o que certamente
provocaria a sua explosão. Depois de conversar com os policiais que, por não haver vitimas,
limitaram-se a isolar a área em torno da aeronave, preservando tudo intacto para aguardar os
peritos da Aeronáutica, comuniquei a eles e aos pilotos que iria para Salvador no mesmo taxi
que me trouxera de Amargosa. Os peritos da Aeronáutica já haviam sido alertados pelas
autoridades locais. A torre de controle do aeroporto de Salvador, por sua vez, havia comunicado
ao DAC ( Departamento de Aviação Civil ), que o CZN não havia cumprido o plano de vôo
reportado quando da decolagem do aeroporto de Bom Jesus da Lapa e nem respondia aos
insistentes chamados dos controladores que haviam perdido contato. Minha família já havia,
também,sido comunicada do desaparecimento da aeronave. Não havia celular à época e
agonia de meus familiares durou até minha passagem por Feira de Santana, onde,finalmente
parei para ligar para minha mulher que chorou copiosamnete -creio que de alivio- ao telefone.
Tudo o que aconteceu daí pra frente, à excessão da venda do CZN -praticamente como
sucata- para uma firma de Belo Horizonte, me foi informado pelo processo aberto pra apurar
as causas do acidente. Pasmem os senhores leitores: "PANE SECA" foi a conclusão das
investigações!!! Há muitas explicações para dar a voces que lêem este relato resumido. Elas
serão dadas no livro que estou escrevendo e que será publicado, penso eu, no ano de 2013.

Continua na próxima postagem......

Um ótimo final de semana a todos. Grande
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe