sexta-feira, 26 de agosto de 2016

13 - DESASTRE AEREO - continuação - VI



Ao me afastar, correndo, da aeronave com medo de uma explosão, não havia sequer notado os
hematomas e nem sentido as dores provenientes dos quadris e da parte baixa do abdomem,
consequência da pressão brutal exercida pelo cinto de segurança que cumprira com eficiência
sua finalidade... Já suficientemente distante, parei, voltei-me pa verificar se os outros dois já
haviam saído e, só então, voltei para ver se havia alguem ferido. Apenas o M. sofrera um
pequeno corte na mão direita, proveniente dos cacos de uma garrafa de água mineral, que sempre me acompanha e que se quebrara por ocasião do choque. Constadado o estado de normalidade dos dois, parei o primeiro veículo a passar pelo local (cerca de 15/20 minutos depois), e fui para o hospital de Amargosa, cidade para onde se dirigia o motorista. A dor sentida na região do baixo ventre, me levou a ter sérias suspeitas de que poderia ter sido vitima de graves danos internos, pricipalmente relacionados à bexiga.
Prontamente atendido pelo médico de plantão, fui orientado a me dirigir ao banheiro para
urinar, verificando se na urina havia algum vestígio de sangue. Pra meu alivio, nada notei de anormal
e o médico, após exame geral, constatou apenas hematomas de grande intensidade nas partes
laterais dos quadris, me dizendo que nada havia de mais relevante e me tranquilizando quanto ao
meu estado geral: - O próprio organismo se encarregaria de dissolver os hematomas, com o
tempo, concluiu. Retornei, então, já de taxi, para o local do " pouso ", já encontrando, na minha
chegada, uma viatura da Polícia Civil com dois policiais que foram alertados por alguem que vira
o avião em vôo silencioso e rasante, deduzindo haver algo de anormal.

Continua na próxima postagem.....

Bom final de semana a todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

12 - DESASTRE AEREO - continuação - V


Asa esquerda quebrada em consequência do choque com a cerca

Assim, tomamos a decisão de pousar na rodovia. Tudo teria saido mais ou menos bem,
não fosse o fato - só descoberto ao nos aproximarmos do solo - de que as laterais da
estrada, naquele local, em vez de acostamento, tinham uma barreira de cada lado, bem
mais altas do que as asas do Piper!!! A essa altura, nada mais poderia ser feito, alem da
tentativa do pouso. Para completar os agravantes, na ânsia de nos sairmos bem, os
pilotos haviam esquecido de baixar o trem de pouso. Tal procedimento
somente foi executado, manualmente, depois que luzes vermelhas piscantes e "bips"
insistentes provenientes do painel, os alertou para esta falha. No último momento, o
procedimento de baixar o trem de pouso foi finalizado. De imediato a aeronave tocou o
solo e o conjunto da roda dianteira do trem de pouso se partiu com o choque.

O avião pairou no ar sobre a
lateral alta da rodovia, bateu
com a ponta da asa esquerda
em uns morões da cerca da
fazenda, rodopiou no ar e
caiu estreptosamente no leito
da BA 046, com a frente virada
para o lado de onde viera (deu o
famoso "cavalo de pau ").
Imediatamente, o instinto de
conservação - que, ao contrário
do que propagam por aí, tipo
"minha vida toda passou em um
átimo pela minha mente", puro
papo furado - que comanda,
absoluto, todas as ações de alguem
que se encontre em tal situação,
fez com que eu, literalmente,
passasse por cima do co-piloto
que, aturdido, continuava sentado,
abrisse a porta e, saindo em
desabalada carreira, me afastasse o máximo possível do avião!...


Continua na próxima postagem.........

Excelente final de semana a todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

11 - DESASTRE AEREO. - continuação - IV -

                           


...De repente, houve uma falha dos motores, imediatamente corrigida pelo co-piloto,  pelo
simples manejo de uma alavanca. Depois vim saber tratar-se da alavanca seletora do tanque
de combustivel. É que pode ser selecionado o tanque de onde o comandante quer que venha o
combustível para os motores; deste modo, é possível ajudar a manter o equilibrio da aeronave,
manipulando a distribuição do peso. Perguntei se não seria melhor retornarmos à Bom Jesus
da Lapa. Prontamente os dois me disseram para ficar tranquilo, pois se tratava simplesmente
de uma questão de " seleção do tanque "... Voltei, então, a estudar os documentos relativos à
" medição " até que, ao sobrevoarmos a rodovia BR-116, os motores simplesmente pararam!!!
Apavorados pelo " silêncio ensurdecedor " dos motores, o MF.. e o suposto comandante de
bi-motores, sem saber direito o que fazer, precisaram ser alertados pela minha voz firme o
concisa, literalmente berrada aos seus ouvidos, pois me encontrava no banco imediatamente
atrás dos dois, para que se concentrassem apenas no comando. Deveriam substituir a força
propulsora dos motores, agora inexistente, pela da gravidade, evitando desse modo que o
avião " estolasse ". Era urgente a busca por um local para pousar! Lá do alto, este lugar nos
pareceu óbvio: a estrada estadual ( BA - 046 ), que liga a BR-116, nas proximidades de
Milagres, à cidade de Amargosa. Tratava-se de uma rodovia com pouquíssimo movimento,
tanto que não se avistava, até aonde a vista alcançava, nenhum veículo circulando.
O pouso de " barriga " no pasto de uma fazenda existente à margem da rodovia, foi uma opção
prontamente descartada: havia o risco de atropelar diversos animais ou, ainda pior, a  possibilidade 
da existência de um tronco de árvore derrubada, que seria fatal. Sem trem de pouso, o avião
seguiria uma rota retilínea, sem qualquer possibilidade de manobra, sendo inevitável o choque
e, talvez, a explosão do aparelho...

Continua na próxima postagem.....

Um ótimo final de semana a todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

10 - DESASTRE AEREO. - continuação - III -


  
O piloto do Piper, J.C.P., estava de férias e fora visitar a família na cidade de Januária,
em Minas Gerais, onde morava. Ele era habilitado a comandar  o bi-motor, sendo nosso
funcionário. A explicação que me foi dada pelo M.F., para justificar a troca de aeronave, foi
o fato de o Piper ser um pouco mais veloz do que o Cessna, dando-nos uma margem maior
de segurança quanto à hora de chegada à Salvador ( realmente eu me atrasara um pouco...).
É que nenhum dos dois aparelhos era homologado IFR ( Instrument Flight Rules - regras
para vôo por instrumento ), somente podendo voar com a luz do dia, isto é, executando o vôo
visual. A seguir meu pilioto me apresentou um outro individuo (não me recordo do nome,
afinal estava com a atenção voltada para os afazeres importantes que me aguardavam em
Salvador), dizendo que o mesmo era seu amigo e conhecido, piloto de bi-motor e que,
se eu permitisse, ele voaria ao seu lado, no banco direito, como co-piloto. Minha urgência
em chegar à Salvador e a confiança na responsabilidade profissional do MF., levaram-me a embarcar, sem maiores questionamentos, (afinal era um piloto de aeronave com todos os documentos
 perfeitamente em ordem). A viagem transcorria na maior tranquilidade. Aproveitei para verificar
 os dados da medição e só pensava em chegar, mandar emitir a fatura e viajar para Recife,
bem cedinho no dia seguinte, para receber o valor correspondente. Era em Recife que os
recebimentos eram feitos, na sede da CHESF que, para essa obra, mantinha um convênio
com o INCRA. Mais ou menos a uns 40 minutos fora, foi quando começaram os eventos...

Continua na próxima postagem......

Um ótimo final de semana aos meus amigos e visitantes.
Voltem sempre.

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe