sexta-feira, 8 de julho de 2016

6 - TRES ENFERMIDADES GRAVES, AO MESMO TEMPO!!! - 1a parte -



O ano de 1954 foi o meu primeiro como aluno interno do Colégio Salesiano Nossa Senhora
do Carmo, tradicional e antigo colégio de Belém, dirigido pelos padres Salesianos de D.
Bosco, cujo internato era ambicionado por todos os jovens do estado em idade de fazer o exame
de admissão ao curso ginasial. Poucos, porem, conseguiam realizar tal sonho, mercê dos altos
custos deste internato. Por decisão da minha mãe, tive que fazer a quinta série do curso primário,
pois ela achava que não tinha condições de me submeter com sucesso ao exame de admissão ao
curso ginasial. Este exame consistia em uma espécie de " vestibular ", em que, para ser aprovado,
o aluno tinha que ter um preparo bem razoável ao final do curso primário, o que, segundo ela, me
faltava, mercê das atribulações causadas pela  " paralisia infantil " que me acometera.
Por estarmos radicados em Oriximiná, embora a maior parte da família de minha mãe morasse
em Belém - como ocorre até os dias de hoje - o internato foi uma opção dos meus pais. Já,
anteriormente, meu irmão mais velho, José Figueiredo de Souza - hoje membro da Academia
Paraense de Letras -  houvera terminado o curso ginasial no mesmo internato e, apenas por
uma questão de competitividade, preferiu terminar o curso científico no Colégio Estadual
Paes de Carvalho que, àquela época, era frequentado pelas maiores cabeças coroadas
dos discentes paraenses. É que, ao contrario daquilo que hoje ocorre, este colégio público era
considerado a " nata " do ensino no Pará. Meu irmão, depois de cursar com sucesso os dois
primeiros anos do curso científico no Paes de Carvalho, voltou ao Carmo, desta vez em
regime de externato, fazendo o terceiro e último ano do científico e sendo, inclusive, o orador
da turma. O " internato do Carmo " era famoso pelo seu rigor quanto às saídas dos alunos.
Apenas nas férias de julho e de fim de ano, é que podiam os alunos ali internados, sair. Durante
o ano letivo, somente uma saída - assim mesmo, para aqueles cujos pais ou responsáveis fossem
buscar - era possível: no fim de semana em que se comemora a maior festa dos paraenses, o
CÍRIO DE NAZARÉ. Somente as férias de fim de ano eram gozadas por mim em Oriximiná
- grande parte delas na fazenda do Cachoeiri.  As férias de julho, mais curtas, eram
gozadas, prazerosamente, em companhia da minha tia queridíssima, Odaléa ( irmã da minha
 mãe ), geralmente na ilha do Mosqueiro, para onde a família se deslocava, assim como grande
parte da sociedade paraense, nessa época. Ah! quantas recordações...


Ainda não havia a ponte e as viagens eram
feitas no majestoso  " Presidente Vargas ", 
luxuoso navio comprado à Holanda, cujo
bar e cabines de alto luxo, já àquela época,
eram equipados com ar refrigerado,
poltronas confortáveis e outros itens
chiquérrimos, que o tornava o mais
charmoso navio da época nestas
paragens. Pena que a viagem só durasse
míseros 50 minutos!... Embora com uma
quantidade enorme de diversões na cidade,
uma das preferidas dos veranistas de
Mosqueiro, consistia em ir para o trapiche, ao final da tarde, quando chegava o navio e, fazendo duas
alas, ovacionar as pessoas que chegavam, numa espécie de "boas vindas", anotando tambem as mais
elegantes e as mais extravagantes, para, nas rodas das animadas conversas no Praia Bar, ( point chic
da época), tecerem comentários ora elogiosos ora críticos...

Continua na próxima postagem........

Um ótimo final de semana para todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe 

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