sexta-feira, 15 de julho de 2016

7 - TRES ENFERMIDADES GRAVES, AO MESMO TEMPO!!! - final -




Férias de julho do ano de 1956. Antes de irmos para Mosqueiro, passaríamos o primeiro fim
de semana do mes, num sítio que o meu tio Humberto, segundo marido da tia Odaléa, havia
comprado, nas proximidades da cidade interiorana de Santa Izabel. Lá, após o tradicional
futebol de sábado à tarde, jogado e muito disputado por mim e meus primos (Carlos Eduardo,
Carlos Alberto e Carlos Antonio), alem de alguns nativos das redondezas,  resolvemos
" desbravar " um igarapé que corria mansamente, dentro de um trecho da mata nativa, bem alí ao
lado do campo. Que banho!... Água gelada, uma delícia! A vontade era de ficar naquela
maravílha de água, para sempre...  Ao retornarmos à Belém, no domingo à tarde, porem,
comecei a sentir uns estranhos calafrios. Ao chegarmos em casa, meu estado evoluira para pior,
pois, acompanhada do calafrio cada vez mais intenso, estava sendo vítima de uma febre altíssima,
por volta dos 39/40 graus! O médico da família foi chamado e o diagnóstico apontava para uma
malária. Feitos os devidos exames, constatou-se que eu fora acometido, não por uma malária
qualquer, mas pela terrível " terçã maligna ", uma forma muito grave e não poucas vezes leta, da
doença! Tudo indica que fui contaminado por um mosquito, lá naquele banho maravilhoso de
igarapé. Para completar a minha desventura, haviamos comido algum alimento, lá no sítio - a
Selma, minha prima e eu - que nos deixou com infecção intestinal. Logo em seguida fui
contaminado pelo agente infeccioso responsável pela catapora, de tal sorte que acumulei e
superei, as tres doenças ao mesmo tempo, fazendo-me acreditar de vez, naquele adágio popular
segundo o qual " vaso ruim não quebra "! Após me recuperar completamente, uns dez dias depois,
fomos, finalmente, gozar as delícias da " Bucólica "...



A todos os meus amigos e visitantes desejo um feliz fim de semana.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

sexta-feira, 8 de julho de 2016

6 - TRES ENFERMIDADES GRAVES, AO MESMO TEMPO!!! - 1a parte -



O ano de 1954 foi o meu primeiro como aluno interno do Colégio Salesiano Nossa Senhora
do Carmo, tradicional e antigo colégio de Belém, dirigido pelos padres Salesianos de D.
Bosco, cujo internato era ambicionado por todos os jovens do estado em idade de fazer o exame
de admissão ao curso ginasial. Poucos, porem, conseguiam realizar tal sonho, mercê dos altos
custos deste internato. Por decisão da minha mãe, tive que fazer a quinta série do curso primário,
pois ela achava que não tinha condições de me submeter com sucesso ao exame de admissão ao
curso ginasial. Este exame consistia em uma espécie de " vestibular ", em que, para ser aprovado,
o aluno tinha que ter um preparo bem razoável ao final do curso primário, o que, segundo ela, me
faltava, mercê das atribulações causadas pela  " paralisia infantil " que me acometera.
Por estarmos radicados em Oriximiná, embora a maior parte da família de minha mãe morasse
em Belém - como ocorre até os dias de hoje - o internato foi uma opção dos meus pais. Já,
anteriormente, meu irmão mais velho, José Figueiredo de Souza - hoje membro da Academia
Paraense de Letras -  houvera terminado o curso ginasial no mesmo internato e, apenas por
uma questão de competitividade, preferiu terminar o curso científico no Colégio Estadual
Paes de Carvalho que, àquela época, era frequentado pelas maiores cabeças coroadas
dos discentes paraenses. É que, ao contrario daquilo que hoje ocorre, este colégio público era
considerado a " nata " do ensino no Pará. Meu irmão, depois de cursar com sucesso os dois
primeiros anos do curso científico no Paes de Carvalho, voltou ao Carmo, desta vez em
regime de externato, fazendo o terceiro e último ano do científico e sendo, inclusive, o orador
da turma. O " internato do Carmo " era famoso pelo seu rigor quanto às saídas dos alunos.
Apenas nas férias de julho e de fim de ano, é que podiam os alunos ali internados, sair. Durante
o ano letivo, somente uma saída - assim mesmo, para aqueles cujos pais ou responsáveis fossem
buscar - era possível: no fim de semana em que se comemora a maior festa dos paraenses, o
CÍRIO DE NAZARÉ. Somente as férias de fim de ano eram gozadas por mim em Oriximiná
- grande parte delas na fazenda do Cachoeiri.  As férias de julho, mais curtas, eram
gozadas, prazerosamente, em companhia da minha tia queridíssima, Odaléa ( irmã da minha
 mãe ), geralmente na ilha do Mosqueiro, para onde a família se deslocava, assim como grande
parte da sociedade paraense, nessa época. Ah! quantas recordações...


Ainda não havia a ponte e as viagens eram
feitas no majestoso  " Presidente Vargas ", 
luxuoso navio comprado à Holanda, cujo
bar e cabines de alto luxo, já àquela época,
eram equipados com ar refrigerado,
poltronas confortáveis e outros itens
chiquérrimos, que o tornava o mais
charmoso navio da época nestas
paragens. Pena que a viagem só durasse
míseros 50 minutos!... Embora com uma
quantidade enorme de diversões na cidade,
uma das preferidas dos veranistas de
Mosqueiro, consistia em ir para o trapiche, ao final da tarde, quando chegava o navio e, fazendo duas
alas, ovacionar as pessoas que chegavam, numa espécie de "boas vindas", anotando tambem as mais
elegantes e as mais extravagantes, para, nas rodas das animadas conversas no Praia Bar, ( point chic
da época), tecerem comentários ora elogiosos ora críticos...

Continua na próxima postagem........

Um ótimo final de semana para todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe 

sexta-feira, 1 de julho de 2016

5 - A PRIMEIRA GRANDE ENFERMIDADE.


De acôrdo com informações de minha mãe
e de pessoas que até hoje ainda vivem, como
D. Zenaide, já anteriormente citada e D.
Iza, outra vizinha ( hoje com 96 anos de
idade e lúcida! ) que, segundo ela própria,
gostava muito de me carregar no colo, não
fui o que se poderia chamar de " uma criança
doente ". No entanto - e a partir de então
lembro com mais nitidez dos fatos - por volta
de 9 ou 10 anos de idade, fui acometido de
algo que me deixou privado dos movimentos
dos membros inferiores. Lembro-me
nitidamente que, para fazer as provas de fim
de ano no Grupo Escolar Padre José
Nicolino, onde então estudava, tinha que
ser carregado nos ombros, por meu irmão,
 o querido e saudoso Dezizé ou
por um indio muito estimado  na cidade,
chamado Cachinaua ( ou Cachinamá, no
entender da maioria dos habitantes da cidade ). Segundo afirmação convicta
de minha mãe, fui vítima da poliomielite que,
naquele tempo, ainda não poderia ser evitada,
pois a vacina contra essa doença
malígna, somente seria descoberta muitos
anos depois, em 1961, pelo eminente
cientista norte americano Albert Sabin ( 26.08.1906 - 03.03.1993 ).
Minha mãe contou-me e aos meus irmãos, que fiquei curado da terrível enfermidade, graças
a uma promessa que ela fez a Santo Antonio, padroeiro da cidade de Oriximiná, promessa
esta que consistiria em, vestido de frade franciscano, fazer-me acompanhar a procissão que
anualmente o homenageia, caso o Santo " fizesse "  com que eu voltasse a andar...
Lembro-me, perfeitamente, do constrangimento que me acometeu durante esse " pagamento
de promessa ", como bem demonstra minha expressão facial verificada na fotografia que ilustra
a presente narrativa, mandada executar pelo único fotógrafo, cujo nome era Valeriano, que
visitava a cidade apenas anualmente, na época dos festejos em louvor a Santo Antonio.
Milagre ou não, o certo é que voltei a andar e não fiquei com sequela alguma!

Um ótimo final de semana a todos os amios e visitantes.
Obrigado pelas visitas.

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe