sexta-feira, 17 de junho de 2016

3 - A QUEDA DA PONTE - continuação -




Aqui, cabe um outro esclarecimento: as águas do Rio Amazonas são condutoras, como dito
anteriormente, de uma grande quantidade de matéria em suspensão - principalmente barro -
o que torna totalmente nula a visibilidade para quem nelas mergulha. Não obstante essas
condições mais improváveis, meu pai, aflito e apressado, sem saber sequer para que lado da ponte
eu havia caido, se jogou, guiado apenas pelo instinto e pelo amor paterno e me encontrou já
no primeiro mergulho! É que a correnteza do rio, a princípio potencialmente fatal,  foi quem
me salvou, mantendo-me preso sob sua pressão, de encontro aos caules das canaranas, uma
espécie de vegetação que florescia abundantemente às margens dos rios amazônicos. Com
apenas 8 meses de vida, fui resgatado por meu pai das águas barrentas e incrivelmente velozes
do Cachoeiri, desfalecido e aparentemente morto... No desespero que se seguiu ao meu resgate,
fui sacudido violenta  e sucessivamente por meu pai e minha mãe, até que, após alguns minutos,
voltei a respirar, para alívio e felicidade dos dois e principalmente para minha felicidade. Nunca
mais descuidaram de mim e "dona " Dira foi advertida para não me perder de vista jamais...
Graças a esse resgate , pude prosseguir entre os vivos e, bem mais tarde, dar à vida minha própria filha que, por sua vez, me deu netos maravilhosos. Na minha opinião, foi este o acidente mais
terrível e potencialmente letal que sofri, embora entre os posteriores conste até uma queda de avião!
O relato deste último e dos outros acidentes, será feito na ocasião propícia, obedecida à ordem
cronológica dos eventos.
Obs: As fotos que ilustram este artigo e o anterior, foram obtidas de uma ponte que mandei
construir, há muito tempo, às margens da lagoa, na chácara onde moro, em Guarajuba - Ba.
Note-se que, por ser uma lagoa, a água é tranquila e parada, muito diferente da violência do
Cachoeiri. A vegetação, por outro lado, é composta de junco e aguapés, diferentes das
canaranas encontradas nas margens do rio focalizado no artigo.

Um ótimo final de semana, grande abraço a todos os amigos e visitantes.

Clóvis de Guarajuba
OMG Ande & Limpe

2 comentários:

Cléojr disse...

Bom dia meu caro tio Clóvis, lendo tais relatos, os quais fazem parte de sua tragetória, confirmo minha teoria puramente impírica e tão somente subjetiva, que norteia minha vida; a certeza que tudo na vida não acontece por um simples acaso, há motivos que fogem de nosso poder decisivo de escolha bem como de nosso direito divino do livre arbítrio.
Tudo tem dia e hora para acontecer, as vezes creio que independe de ações comportamentais ou não, isso ainda é uma lacuna em minha linha de raciocínio, que espero um dia preenchê-lá.
Hojê me contento a saber que tudo o que tiver de ser será, mais cedo ou mais tarde. De uma forma ou de outra.
Um abraço apertado de seu sobrinho que lhe AMA.
Cléo Aragão Junior.

CARLOS LEONEL disse...

Ola, Clovis
Boa tarde !!!


Caro, Clovis


Valeu muito apena esperar a segunda parte de "A QUEDA DA PONTE"
A realidade do ocorrido nos remete a nossa infancia. Sempre nos todos temos algo ilusitado para revelar a alguem. Foi otimo.

Parabens e nos presenteie sempre com estes textos gostosos.

Um abraço.
espero em breve isto e muito mais em um LIVRO.

CARLOS LEONEL
BELO HORIZONTE