sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

SERIA O AUTOR O ASSASSINO? - final -



A novela termina com o famoso detetive Dupin, de inteligência brilhante,
referindo-se a um "assassino solitário", parecendo, a certa altura, que
irá declarar seu nome, quando a narrativa termina, inesperadamente, de
maneira a se pensar que o editor estabeleceu censura ao verdadeiro  final
da intriga, por motivos desconhecidos. À luz dos conhecimentos atuais
sobre o assunto, é muito estranho que Allan Poe não tivesse figurado entre
os suspeitos. Todas as pessoas que leram o conto são unânimes na afirmação
de que o autor conhecia intimamente a vítima, no tempo em que ela vendia
charutos na tabacaria de Anderson. Poe, que habitualmente se vestia
de negro e usava sobre os ombros uma capa do Exército, do tempo em
que frequentou Academia Militar de West Point, era um poeta de caráter
cruel e tortuoso. Foi julgado pelo Conselho de Guerra e expulso de West
Point por seu comportamento turbulento e por ser um ébrio contumaz.
Numerosos biógrafos descreveram suas muitas aventuras e intrigas, suas
aberrações sexuais e seu comportamento revestido de caráter erótico. As
personagens de seus livros são, em geral, egocêntricas e perturbadas,
consideram-se indivíduos superiores e arrogam-se o direito de se entregarem
a suas paixões e perversões, sejam elas incesto, sadismo ou assassinato.
A morte, por assassinato, de mulheres atraentes, exercia um estranho fascínio
sobre o escritor. Seus amigos ouviam dele, segundo seus relatos, que essas
mortes provocavam nele um "êxtase poético". Pensa-se que no dia 3 de
outubro de 1838, o escritor entrou na tabacaria mantendo uma longa conversa
com a jovem Mary. A data corresponde aproximadamente à do primeiro
desaparecimento da moça. Teriam Poe e Mary vivido juntos durante os dias
em que ela desapareceu? Além disso, 3 dias antes do corpo ser encontrado e
retirado do Hudson, a jovem foi vista passeando com um "homem alto, moreno,
de mais ou menos 26 anos", em um bosque nas proximidades do rio. Tal
descrição bate com o físico do escritor. Seria de fato ele? Viciado em bebida e
outras drogas, o escritor morreu aos 40 anos, em 1849, dizendo a frase :
"Deus ajude a minha pobre alma!". Assim, Allan Poe morreu sem ter sido
uma única vez interrogado sobre um assassinato que tão apaixonadamente e
com extenso conhecimento, descreveu em sua obra. Por estranho que possa
parecer, o processo policial permanece arquivado e malograram-se as tentativas
de reabri-lo, malgrado detetives sérios e renomados, terem tentado fazê-lo.
Será possível que as autoridades de então soubessem da verdade mas
resolveram escondê-la para evitar a repercussão negativa que certamente
causaria no mundo literário ou simplesmente não lhes interessou que fosse
revelado que haviam participado de tão infame e cruel evento???...

Um ótimo final de semana a todos.
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe