sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

GIL EANES: O PIONEIRO DOS DESCOBRIMENTOS.


Ao sul das ilhas Canárias, na base dos penhascos do cabo Bojador, o Atlântico fervilhava de espuma numa fúria avassaladora. Os enormes cardumes de sardinhas emprestavam à água a aparência de metal em fusão. Os mares precipitam-se em barrancos abissais ocultos e explodem como gêiseres em altíssimas colunas brancas. Era essa a ideia que se tinha do mar, após as colunas de Hércules, como era denominado o estreito de Gibraltar. Nesse local onde, segundo os marinheiros da Antiguidade, se abriam as portas do Inferno, tinha inicio o Mar da Escuridão povoado de monstros e dos espíritos dos marinheiros mortos... o fim do Mundo! Por causa dessas crenças aterrorizantes, os descobridores avançavam lenta e medrosamente, mar a dentro, ao rítmo de 1 milha por ano. Só em 1434, um portugues com "aquilo" roxo, Gil Eanes, que desprezava as superstições, decidiu descobrir o que de fato havia ao sul do Bojador. Zarpou em viagem para o " fim do mundo ", cujos limites ultrapassou. Surpresos devem ter ficado os tripulantes temerosos, pois em apenas 24 h ( tempo muito curto para a navegação da época ), passaram a barreira sinistra do Bojador, penetrando em águas calmas, sem que um monstro sequer lhes aparecesse. Terrores dissipados, navegaram para Leste, tendo como recompensa a descoberta de uma costa de areias brancas, inexplorada e desconhecida; era a África. Para conhecer as 900 milhas ao Sul das ilhas Canárias, os europeus levaram 1000 anos. Graças ao destemor de Gil Eanes que empreendeu uma épica viagem para além do aterrorizante "Mar da Escuridão", foi inaugurada a época dos descobrimentos e, em menos de 70 anos, foi traçado nos mapas da época, o restante das 10000 milhas do litoral acidental africano. E os livros didáticos nunca falam dele...

Um ótimo final de semana a todos os meus am igos e visitantes,
Abraço,

Clóvis de Guarajuba
ONG Ande & Limpe

Um comentário:

Fernan d'Oliueira disse...

Texto bastante interessante e uma nova visão de Gl Eanes. Só é pena que a imagem seja do Infante D. Henrique (o mentor e financiador ds 1ª fase dos descobrimentos).
Um Abraço,
Mário